A história é simples: está-se na aula de Português do 10.º ano a analisar a cena da Alcoviteira, da Farsa de Inês Pereira, do inigualável Gil Vicente. Os alunos estão a explicar, oralmente, o episódio vivido por Lianor Vaz quando ia a caminho da casa da Mãe, para apresentar um pretendente a Inês, nomeadamente o passo em que é atacada por um homem.
O professor questiona: - Que homem era esse?
Lampeiro, responde o Ricardo Silva:
- Lia.
Todos param, sem perceber: quem?
O rapaz responde: Lia.
Alguém questiona: Leão?
Não, Lia.
A cena prossegue durante longos segundos, até que finalmente alguém percebe: Lianor?
Sim, o Ricardo tinha visto escrito, nas páginas do manual, Lia. (abreviatura do nome da personagem - Lianor) antes de cada uma das suas falas e assumira que se tratava da identificação do misterioso homem que a atacara quando ela atravessava a sua vinha.
A resposta pretendida, já agora, era: um clérigo.
Como diz Gil Vicente no final da citada peça: «Assim se fazem as cousas.»
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