segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A cigarra e a formiga, Miguel Macedo e Alexandre O'Neill

     Miguel Macedo, atual ministro do governo português, aludiu à fábula da cigarra e da formiga nos seguintes termos: "É nestes tempos difíceis que é preciso ter esta pedagogia: nós não podemos ser um país de muitas cigarras e poucas formigas.".

     Esquecendo o significado metafórico que o ministro lhe quis emprestar em termos de atualidade, esta referência constitui sobretudo uma boa oportunidade para recordar o poema de Alexandre O'Neill (visto que a fábula é por demais conhecida):

Minuciosa formiga

Minuciosa formiga
não tem que se lhe diga
leva a sua palhinha
asinha, asinha.

Assim devera eu ser
e não esta cigarra
que se põe a cantar
e me deita a perder.

Assim devera eu ser
de patinhas no chão,
formiguinha ao trabalho
e ao tostão.

Assim devera eu ser
se não fora
não querer.

1 comentário :


  1. Quem fez a quarta classe, ainda se lembra de ler de João de Deus, meu parente, a Cigarra e a Formiga. Há coisas que nos ficam na mente e quando as ouvimos de uma cigarra a querer fazer de formiga, fazemos como os atiradores, atiramos de rajada:-vejam só os novos condes de Guimarães e os cortes nas pensões:
    A CIGARRA E A FORMIGA
    Lá no meio do arvoredo
    Ouço a cigarra a cantar
    Como o Miguel Macedo
    E eu formiga a trabalhar?
    -
    Eu apanho as alfarrobas
    E as amêndoas molares
    Apanho muitas arrobas
    ouço cigarra em cantares?
    -
    Eu apanho o figo no Estio
    E rego a fruta lá na horta
    A cigarra em seu desafio
    Canta desgarrada à porta?
    -
    E ainda faço umas contas
    Para ajudar os meus netos
    E ela é das cabeças tontas
    Que comanda sem afectos?
    -
    Eu, por confiar na Justiça
    E ainda nesta autoridade
    Se foi toda minha cortiça
    E mais de uma herdade?
    -
    De I.R.S. paguei três mil
    Não há benefícios fiscais
    Vejam este Governo vil
    Compra os carros e mais?
    -
    Como formiga trabalho
    Levo o ano a trabalhar
    Mas uma cabeça d’alho
    Apenas faz seu cantar?
    .
    Eugénio dos Santos

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