terça-feira, 27 de novembro de 2012

Linguagem e estilo de Ricardo Reis

  • Aspetos fónicos:
  • composição preferida: a ode horaciana, com estrofes regulares em verso decassilábico, alternado ou não com o hexassílabo;
  • eufonia;
  • verso branco / solto;
  • irregularidade métrica (por vezes);
  • recurso frequente à assonância, à aliteração e à rima interior. 
  • Aspetos morfossintáticos e semânticos:
  • subsmissão da expressão ao conteúdo: a uma ideia perfeita corresponde uma expressão perfeita;
  • sintaxe alatinada:
  • ordem inesperada das palavras; 
  • anteposição do complemento direto ao verbo («As rosas amo...» em lugar da ordem tradicional da língua portuguesa: «Amo as rosas...»);
  • uso de latinismos: "astro", "ledo", "ínfero", "vila", "vólucres", "inscientes", etc.;
  • uso frequente da inversão (hipérbato e eanástrofe) e da elipse;
  • uso frequente do imperativo (de acordo com a feição moralista das odes) ou do conjuntivo com valor de imperativo;
  • uso do gerúndio;
  • perífrases (remetem para um contexto religioso e mitológico grego ou latino);
  • eufemismos (traduzem / suavizam a ideia de morte, que Ricardo Reis, afinal, teme);
  • estilo denso e rigorosamente elaborado, construído, pensado, nos antípodas, por exemplo, de Alberto Caeiro;
  • seleção cuidada de fonemas ou vocábulos sugestivos das ideias que pretende exprimir (a elevação, a nobreza, o classicismo da linguagem).

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