segunda-feira, 27 de maio de 2013

Persistência da memória

                Salvador Domingo Felipe Jacinto Dali i Doménech, 1º Marques de Dali de Púbo, foi um importante pintor catalão surrealista cujo trabalho mais conhecido foi “A persistência da memória”.
                Neste quadro, observamos em primeiro plano, uma espécie de ave no chão, uma oliveira seca, sem folhas e três relógios derretidos a marcar horas diferentes, enquanto que um quarto relógio permanece fechado e sólido, porém a ser devorado por pequenos insetos. Este é caracterizado pela sua cor vermelha, enquanto que os outros três apresentam cores douradas e prateadas. Este plano encontra-se á sombra e os relógios desvanecem-se numa ligeira escuridão. A luz solar está projetada no segundo plano, onde observamos os rochedos mais iluminados, onde predominam os tons amarelos, castanhos e azuis claros.
                As imagens flácidas dos relógios que se dobram mostram a abcessão humana com a passagem do tempo e com a memória, na medida em que, esta não é permanente e apenas  é constituída por algumas partes e representações. Os relógios a dilatarem-se e a ave que está no chão também a dissolver-se, o quarto relógio a ser devorado e a oliveira seca e sem folhas são premonições de morte que podem revelar o inconsciente do pintor, concluindo eventualmente que este tem medo da morte.
                Assim, através da linguagem imaginaria da memória e dos sonhos, Dali distorce a realidade, retira os objetos do seu contexto real tentando libertar-se da racionalidade e ultrapassar os limites da matéria em busca do abstrato e do insólito, tal como, o espaço e o tempo que se deformam e desvanecem, á medida que a mancha escura vai tomando conta do quadro.


Filipa P.

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