quarta-feira, 18 de junho de 2014

Exame Nacional de Português 12.º Ano - 2014 - Correção (1.ª chamada)

Grupo I


1. A construção e o voo inaugural da passarola resultam da conjugação das capacidades e dos esforços das três personagens:
– o padre Bartolomeu de Gusmão contribui com o saber científico e a inteligência – «viajei à Holanda» (linha 19); «estou subindo ao céu por obra do meu génio» (linhas 22 e 23);
– Baltasar contribui com a sua força e o seu trabalho manual – «Puxa, Baltasar» (linha 5); «por obra da mão direita de Baltasar» (linha 24);
– Blimunda contribui com os seus poderes sobrenaturais, que permitem ver o que escapa ao olhar humano – «por obra também dos olhos de Blimunda» (linha 23); num momento de hesitação, é também ela quem leva Baltasar a agir – «Blimunda aproximou-se, pôs as duas mãos sobre a mão de Baltasar, e, num só movimento, como se só desta maneira devesse ser, ambos puxaram a corda.» (linhas 6 a 8).

2. Num primeiro momento, Baltasar e Blimunda começam por ser apanhados de surpresa pelo súbito movimento da passarola – «tinham caído no chão de tábuas da máquina» (linhas 14 e 15); «Não tinham medo, estavam apenas assustados com a sua própria coragem» (linha 26). Depois, erguem-se, ficam deslumbrados e deixam de estar assustados.
Num segundo momento, as reações individualizam-se:
– Baltasar dá largas à sua alegria – «Ah, e Baltasar gritou, Conseguimos, abraçou-se a Blimunda e desatou a chorar, parecia uma criança perdida» (linhas 31 e 32); «e agora soluça de felicidade» (linha 33);
– Blimunda mantém a calma e o discernimento – «Então Blimunda disse, Se não abrirmos a vela, continuaremos a subir, aonde iremos parar, talvez ao sol.» (linhas 37 e 38).

3. O padre manifesta um estado de euforia, pois sente-se realizado e vitorioso pelo facto de ter conseguido concretizar o seu sonho de voar.
Esta euforia é enfatizada pela evocação de situações anteriormente vividas pelo padre, as quais, pela relevância que assumiram, aumentam agora o seu contentamento:
– a viagem à Holanda para aquisição de saber – «o mar por onde viajei à Holanda» (linha 19);
– o apoio discreto de D. João V – «se me visse el-rei» (linhas 20 e 21);
– a troça de que foi alvo – «se me visse aquele Tomás Pinto Brandão que se riu de mim em verso» (linha 21);
– a perseguição da Inquisição – «se o Santo Ofício me visse» (linhas 21 e 22).

4. O peixe voador simboliza o homem ambicioso, que não tem consciência dos limites impostos pela sua
natureza e pelas suas capacidades.
      Para evidenciar esta característica, o pregador faz referência ao comportamento dos peixes voadores que, por possuírem grandes barbatanas, agem como se fossem aves e pudessem voar.

5. A inconsciência e a presunção do peixe voador fazem-no correr riscos inúteis e graves, pois, para além
de poder ser vítima dos perigos do mar, é vítima das velas e das cordas dos navios, perigos do ar – «o
Voador toca na vela ou na corda, e cai palpitando» (linhas 11 e 12). Assim, encontra frequentemente a
morte – «Aos outros peixes mata-os a fome e engana-os a isca, ao Voador mata-o a vaidade de voar, e a
sua isca é o vento.» (linhas 12 e 13).



Grupo II

          Versão 1          Versão 2

1.1.        B (interpretação idealista daquilo que o rodeia)

1.2.        C (mantém-se inalterada)

1.3.        A (passou a integrar o real de forma mais complexa)

1.4.        D (da dificuldade dos leitores em entenderem a literatura subsequente)

1.5.        C (uma metáfora)

1.6.        A (obrigação)

1.7.        D (expositivo)
NOTA: De acordo com os critérios do GAVE, a opção correta é a C - argumentativo. Com a devida dose de humildade perante a sapiência de quem elaborou a prova e os respetivos critérios, é nossa opinião que esta pergunta não faz sentido e está mal formulada, dada a «proximidade» entre o texto expositivo e o argumentativo, bem exemplificada no excerto indicado.

2.1. Predicativo do sujeito

2.2. Oração subordinada adjetiva relativa explicativa

2.3. Ato ilocutório compromissivo

21 comentários :

  1. 1.7- A (parece-me / porventura /...
    2.3 - assertivo

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  2. 1.3 parece-me ser a D, não a A

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    1. A 1.3. deve ser a A. Observe o seguinte excerto "As literaturas, e em especial a ficção que se lhe segui, tornar-se-iam bem mais complexas, e também mais difíceis de apreender e aceitar, enquanto espelho da vida" (linhas 20-22)

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    2. Exactamente, ''a ficção'', que está relacionada com a ciência (ficção cientifica).

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    3. Não. Ficção como obra literária baseada em factos inventados, produto da imaginação. [Citação]:Ficção: Criação de carácter artístico, baseada na imaginação, mesmo se idealizada a partir de dados reais.

      "ficção", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/fic%c3%a7%c3%a3o [consultado em 18-06-2014].

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    4. exacto ficção. mesmo que seja ficção literária, o que é a que se refere, continua a ser ficção enquanto que a resposta diz: «passou a integrar o real de forma mais complexa» ou seja, a pergunta diz o real, não a ficção logo não está correcto. a opção mais correcta na minha opinião será a que diz «começou a basear-se na ciência, espelhando a sociedade do século XX».

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Tem certeza destas respostas?

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  5. Vão colocar o Grupo I ?

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  6. Pergunta do grupo I , 2 - era assustados,nervosos,e a preocupação de blimunda ?

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  7. Respostas
    1. Eu também,embora ela não sirva de muito. Que o que prevalece é sempre os critérios do GAVE,infelizmente ;/

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  8. Também concordo que na 1.7 a resposta correcta seja expositivo .Mas como o GAVE considera a C,que no meu ponto de vista está errado..nada se pode fazer para quem meteu expositivo, não é verdade?? Já que quem "manda"são critérios do GAVE e nós alunos somos sempre o elo mais fraco.

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    Respostas
    1. Quanto ao facto de o texto ser predominantemente argumentativo, concordo. A diferença entre o expositivo e o argumentativo é que o segundo apresenta uma tomada de posição.
      Já não concordo com a classificação do ato ilocutório. O exemplo não apresenta um compromisso a que o locutor se obriga, muito menos ao referir uma pessoa plural. O que indica é que o locutor crê, põe a hipótese de, um dia, ver confirmada a sua teoria. Ou seja, é claramente assertivo.

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    2. Eu coloquei assertivo , pois interpretei o ato ilocutório como tal. Não sei como é que o GAVE interpretou isto, mas pronto...

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  9. Eu penso que o ato ilocutório era mais assertivo, embora compreendo o ato compromissivo. Eu coloquei a opção de texto argumentativo. Em relação à última questão, para elaborarmos um texto sobre ambição, tínhamos de falar sobre as duas perspetivas, estar na origem das conquistas humanas, e ser um dos problemas da humanidade, ou só uma das perspetivas?

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  10. Eu falei sobre os duas perspetivas!

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  11. Quando não se sabe arranjam-se sempre desculpas...

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  12. quando sai as correcoes nas escolas?

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