quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
O conto tradicional: definição, características e estrutura
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Análise de Memórias do Cárcere
As Memórias do Cárcere iniciam-se com uma longa introdução, intitulada «Discurso Preliminar». Este capítulo introdutório é todo ele autobiográfico. Depois, ao longo da obra, percebemos que Memórias do Cárcere são mais as memórias dos outros que memórias propriamente de Camilo Castelo Branco, isto é, que memórias autobiográficas.
Memórias do Cárcere constituem um conjunto de histórias, de casos de vida que Camilo conheceu quando esteve preso na cadeia da Relação. Durante o tempo em que esteve encarcerado, conviveu com os outros detidos, conheceu casos de vida, e narrou-os (os crimes, as desgraças que levaram essas pessoas ao cárcere como ele...). É, por isso, um livro com um profundo sentido humanístico, pois nele encontramos histórias de vida extraordinárias no contexto do século XIX português, mas, como é apanágio dos grandes escritores, Camilo captou muito bem a essência humana. Um desses casos de vida mais conhecidos é o de José do Telhado, o mais célebre salteador da História portuguesa. O escritor conheceu-o na prisão e dedicou-lhe um dos capítulos das Memórias do Cárcere para contar a sua história de vida, tendo estreitado com ele uma grande amizade, tão próxima que o salteador lhe terá dito: «Senhor Camilo Castelo Branco, se algum dia alguém lhe quiser fazer mal aqui dentro, é só chamar por mim, que eu estou aqui para o defender”. Camilo retribuiu o gesto, pois, quando o seu julgamento terminou e foi libertado, conseguiu que o seu advogado, o Dr. Marcelino de Matos, se encarregasse da defesa de José do Telhado.
O primeiro capítulo das Memórias do Cárcere, intitulado «Discurso Preliminar», é totalmente autobiográfico. É nele que Camilo evoca os meses que andou foragido, antes de se entregar às autoridades e foi também nele que António Lopes Ribeiro bebeu o material para compor a introdução do filme que realizou que surge numa voz-off, assim como também foi buscar elementos à Introdução do Amor de Perdição. Camilo refere a proteção que lhe foi dada pelo advogado (Marcelino de Matos) e pelos amigos Custódio Vieira e Júlio Xavier, durante 15 dias em setembro de 1860. Curiosamente, foi o próprio escritor quem pediu o mandado de captura para entrar na cadeia.
Nesta mesma introdução, Camilo faz uso de uma técnica de que se socorre com alguma frequência nas suas obras: contrastar um acontecimento dramático com um ambiente / cenário / tempo meteorológico favorável, o que faz aumentar a angústia, o sentido dramático dos acontecimentos. Exemplo dessa técnica é a descrição que faz do dia em que se foi entregar à cadeia: cá fora, está um belo tempo, com o céu azul e o sol a brilhar; quando entra, depara com um “ar glacial e pestilento”, as “paredes pegajosas de humidade”. De seguida, alude à sua primeira passagem por aquela cadeia, em 1846, quando aí esteve preso por causa do envolvimento com Patrícia Emília de Barros, de Vila Real, entre 9 e 16 de outubro. Com ele, são encarceradas pessoas envolvidas nas guerras liberais, nomeadamente a revolta da Maria da Fonte. Na sequência, refere-se à filha que gerou com Patrícia Emília, que, depois de Camilo se fixar no Porto, arranjou maneira de a trazer para junto de si, para ser educada no convento das freiras de São Bento – Convento de São Bento da Avé Maria –, onde depois foi construída a estação ferroviária chamada justamente Estação de São Bento. Essa filha saiu desse convento para se casar com um brasileiro torna-viagem riquíssimo.
Posteriormente, salta para a segunda vez em que aí esteve preso: fala dos companheiros de prisão, faz mais referências autobiográficas e aos livros que escreveu enquanto esteve preso (Doze Casamentos Felizes – seis ou sete dessas narrativas foram, pois, escritas na cadeia; Romance de um Homem Rico, o seu preferido, escrito com apontamentos que lhe tinham sido dados pelo falecido António José Coutinho, um dos colegas de cárcere, que lhe forneceu, portanto, apontamentos (aqui encontramos um traço característico de Camilo: a encenação – e muitas corresponderiam à realidade – de que as histórias que escrevia não eram inventadas, antes verídicas, baseadas em casos reais. Trata-se de uma forma de captar a atenção do leitor. Ora, a transcrição do registo prisional de Simão Botelho, presente no Amor de Perdição, serve precisamente para colar ao romance o selo da veracidade, da verdade. É como quem diz: Este livro não é fruto da minha imaginação. Eu estou a basear-me num caso de vida real.” Mesmo as personagens ficcionais são moldadas de acordo com pessoas reais. Por exemplo, no Romance de um Homem Rico, quando se refere a Leonor, uma personagem desta obra, dá a entender que foi desenhada tendo por modelo “o coração que estava ao lado dele”, ou seja, Ana Plácido, também ali presa, noutra cela, perto dele. Além disso, confessa que o protagonista, o padre Álvaro, foi copiado de um padre real, chamado António, que era o padre António de Azevedo, irmão do cunhado de Camilo, com o qual conviveu nos tempos em que viveu na casa da irmã e que desempenhou um papel muito importante na sua formação.
O romance a seguir escrito foi Amor de Perdição: “Desde menino que eu ouvia contar a triste história de meu tio paterno, Simão António Botelho.” Neste passo, não deixa dúvidas quanto à relação de parentesco entre o herói de Amor de Perdição, Simão, e ele mesmo, Camilo, autor. De seguida, sempre na perspetiva de que se limitou a registar, a passar a escrito, uma história verídica, enumera uma série de elementos que lhe serviram de fontes para a escrita: a tradição oral da família (“eu ouvia contar a triste história”) – quando esteve em casa da tia de Vila Real, irmã de Simão, ela contou-lhe a história do tio; o registo prisional que Camilo encontrou; uns maços de papéis antigos que estavam em casa da irmã e ainda testemunhos orais de contemporâneos da história de Simão (“pedi aos contemporâneos que o conheceram notícias e miudezas a fim de entrar de consciência naquele trabalho”). Todas estas referências servem o mesmo propósito: fazer crer ao leitor que o Amor de Perdição narrava uma história, um caso acontecido, verídico, não inventado.
“Escrevi o romance em quinze dias, os mais atormentados da minha vida. Tão horrorizado tenho deles a memória que nunca mais abrirei o Amor de Perdição.”: ao dizer isto, Camilo está a vincar o paralelismo, a analogia entre a sua situação -está preso na cadeia da Relação por um crime passional, um crime de adultério, e o seu tio Simão Botelho, que também esteve ali preso por um crime passional, segundo Camilo refere na obra. Note-se como duas histórias se entrecruzam, pelo que temos aqui um dos tópicos constantes do programa atual de Português do 11.º ano: a sugestão biográfica. Porquê sugestão? Porque há aqui uma encenação: Camilo sugere que há uma ligação biográfica e uma semelhança, um paralelismo, uma analogia, entre o seu caso, Camilo, e o de seu tio, Simão. Deste modo, o escritor retrata-se a si próprio como um herói romântico, como alguém que está a padecer as penas por ter amado.
Amor de Perdição no cinema
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Na aula (LX): O misterioso Lia
A história é simples: está-se na aula de Português do 10.º ano a analisar a cena da Alcoviteira, da Farsa de Inês Pereira, do inigualável Gil Vicente. Os alunos estão a explicar, oralmente, o episódio vivido por Lianor Vaz quando ia a caminho da casa da Mãe, para apresentar um pretendente a Inês, nomeadamente o passo em que é atacada por um homem.
O professor questiona: - Que homem era esse?
Lampeiro, responde o Ricardo Silva:
- Lia.
Todos param, sem perceber: quem?
O rapaz responde: Lia.
Alguém questiona: Leão?
Não, Lia.
A cena prossegue durante longos segundos, até que finalmente alguém percebe: Lianor?
Sim, o Ricardo tinha visto escrito, nas páginas do manual, Lia. (abreviatura do nome da personagem - Lianor) antes de cada uma das suas falas e assumira que se tratava da identificação do misterioso homem que a atacara quando ela atravessava a sua vinha.
A resposta pretendida, já agora, era: um clérigo.
Como diz Gil Vicente no final da citada peça: «Assim se fazem as cousas.»
Correção do questionário sobre "Ode Triunfal"
Questionário sobre "Ode Triunfal"
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
A imprensa a cair aos pedaços
Por que razão sentimos medo?
domingo, 1 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Na aula (LIX): O rei do disparate
Contexto: análise da ode "Ouvi contar que outrora", da autoria de Ricardo Reis, que conta a história de dois jogadores de xadrez que se mantêm indiferentes quando a sua cidade é invadida pelos inimigos, que tudo arrasam. Está a falar-se da estrutura narrativa do poema e o aluno procura identificar as chamadas categorias do texto narrativo, nomeadamente as personagens. Assim, indica os jogadores e, de seguida, diz:
Aluno: Os habitantes...
Professor: Que habitantes são nomeados?
Aluno: O rei de marfim...
Autor: Guilherme R.
Análise do conto "A Bela-Menina"
F2: Solução provisória
(insatisfatória): o armador faz-se lavrador.
F3: Possibilidade de
melhoria de vida: perante a perspetiva de recuperação dos barcos, o armador
vai em sua demanda.
F4: O armador acolhe-se em casa do
bicho.
F5: O armador cumpre o pedido da filha
mais nova: a apanha da rosa.
F6: O armador estabelece um
pacto com o Bicho: leva a flor e, depois, trar-lhe-á a filha.
F7: O armador oferece a
rosa à Bela-Menina.
F8: Entrega da Bela-Menina ao Bicho.
F9: Desejo da Bela-Menina de ficar com
o Bicho.
F10: O armador recupera a riqueza.
F11: Atraso da Bela-Menina de regresso da visita a casa.
F12: O Bicho...
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terça-feira, 27 de janeiro de 2026
Na aula (LVIII): adultério incestuoso em Amor de Perdição
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Esquema sobre a Introdução de Amor de Perdição
sábado, 24 de janeiro de 2026
Pequena biografia de Camilo
A questão seguinte consiste em saber a razão por que Camilo também esteve preso. Em termos pedagógicos, esta é uma ótima oportunidade para o professor apresentar os dados biográficos essenciais de Camilo, sem entrar em pormenores desnecessários.
Camilo nasceu em Lisboa em 1825 (16 de março),embora a sua vida tenha estado muito ligada à região norte de Portugal: Trás-os-Montes, Porto e Minho. Mal conheceu a mãe, de quem guardou memórias muito ténues, pois perdeu-a com cerca de dois anos, e aos 10 faleceu o pai, restando-lhe apenas a irmã Carolina, um pouco mais velha do que ele, mas também criança, na prática. Camilo tinha família paterna na região de Vila real, nomeadamente uma tia, pelo que os dois irmãos foram viver para casa dessa tia (Rita Emília), à guarda de quem ficaram. Fizeram a viagem de navio, de vapor, no entanto, à entrada da barra do Porto, depararam-se com condições adversas, pelo que tiveram de prosseguir a viagem até Vigo, onde desembarcaram. No meio dessa aflição, aquando da aproximação à Cidade Invicta, a criada que os acompanhava fez uma promessa ao Bom Jesus de Braga. A viagem entre a Galiza e o Minho foi feita por terra e, quando passaram por Braga, fizeram um desvio para a criada cumprir essa promessa.
A tia Rita Emília não teve uma boa relação com Camilo e a irmã. Quando esta, anos volvidos, se casou com um estudante de Medicina de uma aldeia chamada Vilarinho de Samardã, Camilo abandonou a tia e foi morar com a irmã, o cunhado e um irmão deste, que era padre – o padre António de Azevedo, que foi uma figura muito importante na formação intelectual de Camilo, pois ministrou-lhe os alicerces que lhe permitiram desenvolver os dotes intelectuais e literários. Ensinou-lhe latim e francês, deu-lhe a ler os clássicos, Camões (Os Lusíadas), etc. O escritor guardou, ao longo da sua vida, um sentimento de gratidão por esse padre, a ponto de lhe dedicar a obra O Bem e o Mal.
Camilo casou pela primeira vez, ainda muito jovem, com uma rapariga da região, e desse matrimónio nasceu uma filha, mas ambas morreram muito cedo. Prosseguiu os estudos, fazendo os chamados preparatórios para entrar na universidade, o que veio a acontecer, tendo-se matriculado na Escola...
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terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Introdução a Amor de Perdição
O percurso atribulado de vida de Camilo Castelo Branco acaba por estar diretamente relacionado com a génese de Amor de Perdição. Tendo a vida do escritor conhecido múltiplas peripécias, a ponto de ser um romance, O Romance do Romancista (uma obra de cariz biográfica da autoria de Alberto Pimentel, publicada em 1890, que aborda os aspetos mais dramáticos da vida de Camilo), é um fator que merece ser explorado, até como forma de despertar o interesse dos alunos para a novela.
Nas linhas iniciais da Introdução de Amor de Perdição, encontramos um sujeito de enunciação que diz «li», forma verbal que remete para...
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domingo, 18 de janeiro de 2026
Qual é o lugar mais frio do Universo?
Análise do poema "Ao amado ausente"
Por que razão flutuam os astronautas?
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Análise do poema “A F., favorecendo com a boca e desprezando com os olhos”
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
A Terra está a ficar mais leve?
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Análise do poema "Ao rigor de Lísi"
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Paradoxo de Olbers - Porque é o céu escuro?
Análise do poema "À fragilidade da vida humana"
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
O que aconteceria se caíssemos do espaço?
domingo, 4 de janeiro de 2026
Canibalismo: o que é e para que serve?
Jornal Acção
Acção foi um jornal fundado em 1919, tendo o seu primeiro número conhecido a luz do dia a 1 de maio. O periódico era o órgão do Núcleo de Ação Nacional e o seu diretor era Geraldo Coelho de Jesus, sendo Carlos de Noronha o editor e Fernando Pessoa o principal (e talvez único) redator.
No pensamento dos seus criadores, o jornal seria um quinzenário, porém apenas os dois primeiros números respeitaram o plano inicial, visto que o terceiro foi publicado unicamente em agosto e o quarto (e último) em 27 de fevereiro de 1920.
Lendo a correspondência trocada entre Fernando Pessoa e Geraldo de Jesus, ficamos a conhecer o entusiasmo do poeta de "Autopsicografia" com o projeto, bem como as dificuldades de vária índole (financeiras, logísticas, etc.) que tiveram de enfrentar e que, em última análise, ditaram o seu fim. O maior dos problemas enfrentados foi o facto de Pessoa ser aquele que fazia praticamente todo o trabalho: escrevia os «artigos mais substanciais» e cuidava das questões referentes à tipografia e à distribuição. Por exemplo, numa missiva enviada, a 12 de agosto de 1919, a Geraldo, que se encontrava em Porto de Mós, o poeta detalha em pormenor como tenciona proceder à expedição do jornal para as províncias e aproveita para se lamentar nos termos seguintes: "E isto tenho eu de fazer tudo sozinho, e com cartas sobre cartas que fazer aqui no escritório do Ávila, e com assuntos meus que tratar, e todos estes dias estar no Diário de Notícias [em cuja tipografia a Acção era impressa] às 8 da manhã, etc., etc.!".
Geraldo de Jesus explica, no último número, os motivos do encerramento do jornal, afirmando "ser impossível (dados outros afazeres) dedicar-lhe aquela soma de atividade que a sua boa redação exige", aludindo também a "um certo desalento, proveniente, pelo que toca à nossa campanha a favor do fomento nacional, da noção de inutilidade [...] de uma campanha dessas se fazer sem se apoiar numa corrente política; e, sendo assim, pela noção da perfeita desunião das forças conservadoras, que representam a única corrente política em quem pensa como nós, patriótica e praticamente, se podia filiar.» O diretor refere-se claramente ao sidonismo assumido do jornal (sidonismo foi uma corrente construída em torno do presidente Sidónio Pais, assassinado em 14 de dezembro de 1918) e à sua tentativa de dar voz à política que o seu mentor não pudera concretizar. O n.º 3 confirma isto, ao inserir uma fotografia do «Grande Morto», a toda a extensão da 1.ª página, provocando (para gáudio de Fernando Pessoa) tumultos nas ruas de Lisboa, tendo sido queimados vários exemplares do jornal, e manifestações de fúria por parte dos setores democráticos. Poeta confessa, numa carta a Geraldo, datada de 10 de agosto de 1919, o seguinte: "Os democráticos que eu conheço estão indignadíssimos comigo. Um, que foi secretário do Leonardo Coimbra, manifestou-se muito desgostoso [...] por lhe constar que eu não só «era da Acção», mas andava mesmo a fazer as vezes do diretor".
Os dois primeiros números não escondiam a sua vertente ideológica, incluindo um editorial (o n.º 1), no qual é afirmada a intenção, nacional e não-partidária, de atuar «no sentido de estabelecer uma resistências social que, pelo menos, atue e corrija os erros e excessos dos partidos»; no do n.º 2 considera-se absurdo «pretender que o povo governe» e apela-se à criação de uma «elite competente, capaz de governar, de administrar, de nos repor na civilização».
Mais importante do que a questão ideológica é o empenhamento dos promotores do jornal em promover a ideia de um verdadeiro desenvolvimento económico e social do país. Assim, o primeiro número contém dois artigos muito revelantes, intitulados "Bases para Um Plano Industrial», de Geraldo de Jesus, e "Como Organizar Portugal", de Fernando Pessoa". No primeiro deles, propõem-se medidas como, por exemplo, a educação profissional, o crédito às empresas, a exploração mineira e o aproveitamento hidroelétrico. Pessoa usa a Alemanha como exemplo e propõe, no seu texto acima referido, adotar medidas que conduzam à transformação mental do povo português, no sentido de levar ao fim da estagnação e do atraso, através do reforço da coesão social e do patriotismo, e à transformação profissional, por meio da industrialização da nação e da educação da «inteligência e da vontade».
No n.º 2, Fernando Pessoa publica um longo artigo de fundo, intitulado "A Opinião Pública", que prossegue nos dois números seguintes, no qual procura demonstrar que a democracia da época era inimiga da opinião pública, por causa do seu caráter antissocial, antinacional e antipatriótico.
Em 10 de agosto de 1919, Pessoa informou Geraldo de Jesus de que estava a planear um quarto número «sensacional e forte», no entanto a sua publicação seria adiada até fevereiro de 1920, acabando mesmo por não sair do prelo. O poema "À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais" seria o aspeto «sensacional» de que o poeta falara a Geraldo, constituindo a melhor síntese do seu pensamento acerca do sidonismo, visto como gerador de esperança e indicador de um rumo para Portugal.
Bibl.: Adaptado de Manuela Parreira da Silva
sábado, 3 de janeiro de 2026
Análise do poema "À memória do presidente-rei Sidónio Pais", de Fernando Pessoa
No entanto, tendo em conta a situação de instabilidade e insegurança que Portugal vivia na época, Fernando Pessoa considerou, provavelmente, que seria mais importante e urgente criar e dar a conhecer um poema que, nesse contexto, relembrar uma figura que, para muitos, ainda representava a imagem de um salvador. Assim sendo, a 27 de dezembro de 1920, o poeta publicou a composição no n.º 4 do jornal Acção, exaltando e divinizando o presidente assassinado a 14 de dezembro de 1918.
Como o governo daquele que Pessoa adjetiva como «soldado-rei» foi curto (durou de 5 de dezembro de 1917 a 14 de dezembro do ano seguinte, data do seu assassínio), na opinião do poeta, a esperança que a nação depositara nesse... (continuação da análise aqui: »»»).







