Português: 2026

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O conto tradicional: definição, características e estrutura



A restante análise pode ser encontrada aqui: »»».

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Análise de Memórias do Cárcere

    As Memórias do Cárcere iniciam-se com uma longa introdução, intitulada «Discurso Preliminar». Este capítulo introdutório é todo ele autobiográfico. Depois, ao longo da obra, percebemos que Memórias do Cárcere são mais as memórias dos outros que memórias propriamente de Camilo Castelo Branco, isto é, que memórias autobiográficas.

    Memórias do Cárcere constituem um conjunto de histórias, de casos de vida que Camilo conheceu quando esteve preso na cadeia da Relação. Durante o tempo em que esteve encarcerado, conviveu com os outros detidos, conheceu casos de vida, e narrou-os (os crimes, as desgraças que levaram essas pessoas ao cárcere como ele...). É, por isso, um livro com um profundo sentido humanístico, pois nele encontramos histórias de vida extraordinárias no contexto do século XIX português, mas, como é apanágio dos grandes escritores, Camilo captou muito bem a essência humana. Um desses casos de vida mais conhecidos é o de José do Telhado, o mais célebre salteador da História portuguesa. O escritor conheceu-o na prisão e dedicou-lhe um dos capítulos das Memórias do Cárcere para contar a sua história de vida, tendo estreitado com ele uma grande amizade, tão próxima que o salteador lhe terá dito: «Senhor Camilo Castelo Branco, se algum dia alguém lhe quiser fazer mal aqui dentro, é só chamar por mim, que eu estou aqui para o defender”. Camilo retribuiu o gesto, pois, quando o seu julgamento terminou e foi libertado, conseguiu que o seu advogado, o Dr. Marcelino de Matos, se encarregasse da defesa de José do Telhado.

    O primeiro capítulo das Memórias do Cárcere, intitulado «Discurso Preliminar», é totalmente autobiográfico. É nele que Camilo evoca os meses que andou foragido, antes de se entregar às autoridades e foi também nele que António Lopes Ribeiro bebeu o material para compor a introdução do filme que realizou  que surge numa voz-off, assim como também foi buscar elementos à Introdução do Amor de Perdição. Camilo refere a proteção que lhe foi dada pelo advogado (Marcelino de Matos) e pelos amigos Custódio Vieira e Júlio Xavier, durante 15 dias em setembro de 1860. Curiosamente, foi o próprio escritor quem pediu o mandado de captura para entrar na cadeia.

    Nesta mesma introdução, Camilo faz uso de uma técnica de que se socorre com alguma frequência nas suas obras: contrastar um acontecimento dramático com um ambiente / cenário / tempo meteorológico favorável, o que faz aumentar a angústia, o sentido dramático dos acontecimentos. Exemplo dessa técnica é a descrição que faz do dia em que se foi entregar à cadeia: cá fora, está um belo tempo, com o céu azul e o sol a brilhar; quando entra, depara com um “ar glacial e pestilento”, as “paredes pegajosas de humidade”. De seguida, alude à sua primeira passagem por aquela cadeia, em 1846, quando aí esteve preso por causa do envolvimento com Patrícia Emília de Barros, de Vila Real, entre 9 e 16 de outubro. Com ele, são encarceradas pessoas envolvidas nas guerras liberais, nomeadamente a revolta da Maria da Fonte. Na sequência, refere-se à filha que gerou com Patrícia Emília, que, depois de Camilo se fixar no Porto, arranjou maneira de a trazer para junto de si, para ser educada no convento das freiras de São Bento – Convento de São Bento da Avé Maria –, onde depois foi construída a estação ferroviária chamada justamente Estação de São Bento. Essa filha saiu desse convento para se casar com um brasileiro torna-viagem riquíssimo.

    Posteriormente, salta para a segunda vez em que aí esteve preso: fala dos companheiros de prisão, faz mais referências autobiográficas e aos livros que escreveu enquanto esteve preso (Doze Casamentos Felizes – seis ou sete dessas narrativas foram, pois, escritas na cadeia; Romance de um Homem Rico, o seu preferido, escrito com apontamentos que lhe tinham sido dados pelo falecido António José Coutinho, um dos colegas de cárcere, que lhe forneceu, portanto, apontamentos (aqui encontramos um traço característico de Camilo: a encenação – e muitas corresponderiam à realidade – de que as histórias que escrevia não eram inventadas, antes verídicas, baseadas em casos reais. Trata-se de uma forma de captar a atenção do leitor. Ora, a transcrição do registo prisional de Simão Botelho, presente no Amor de Perdição, serve precisamente para colar ao romance o selo da veracidade, da verdade. É como quem diz: Este livro não é fruto da minha imaginação. Eu estou a basear-me num caso de vida real.” Mesmo as personagens ficcionais são moldadas de acordo com pessoas reais. Por exemplo, no Romance de um Homem Rico, quando se refere a Leonor, uma personagem desta obra, dá a entender que foi desenhada tendo por modelo “o coração que estava ao lado dele”, ou seja, Ana Plácido, também ali presa, noutra cela, perto dele. Além disso, confessa que o protagonista, o padre Álvaro, foi copiado de um padre real, chamado António, que era o padre António de Azevedo, irmão do cunhado de Camilo, com o qual conviveu nos tempos em que viveu na casa da irmã e que desempenhou um papel muito importante na sua formação.

    O romance a seguir escrito foi Amor de Perdição: “Desde menino que eu ouvia contar a triste história de meu tio paterno, Simão António Botelho.” Neste passo, não deixa dúvidas quanto à relação de parentesco entre o herói de Amor de Perdição, Simão, e ele mesmo, Camilo, autor. De seguida, sempre na perspetiva de que se limitou a registar, a passar a escrito, uma história verídica, enumera uma série de elementos que lhe serviram de fontes para a escrita: a tradição oral da família (“eu ouvia contar a triste história”) – quando esteve em casa da tia de Vila Real, irmã de Simão, ela contou-lhe a história do tio; o registo prisional que Camilo encontrou; uns maços de papéis antigos que estavam em casa da irmã e ainda testemunhos orais de contemporâneos da história de Simão (“pedi aos contemporâneos que o conheceram notícias e miudezas a fim de entrar de consciência naquele trabalho”). Todas estas referências servem o mesmo propósito: fazer crer ao leitor que o Amor de Perdição narrava uma história, um caso acontecido, verídico, não inventado.

    “Escrevi o romance em quinze dias, os mais atormentados da minha vida. Tão horrorizado tenho deles a memória que nunca mais abrirei o Amor de Perdição.”: ao dizer isto, Camilo está a vincar o paralelismo, a analogia entre a sua situação -está preso na cadeia da Relação por um crime passional, um crime de adultério, e o seu tio Simão Botelho, que também esteve ali preso por um crime passional, segundo Camilo refere na obra. Note-se como duas histórias se entrecruzam, pelo que temos aqui um dos tópicos constantes do programa atual de Português do 11.º ano: a sugestão biográfica. Porquê sugestão? Porque há aqui uma encenação: Camilo sugere que há uma ligação biográfica e uma semelhança, um paralelismo, uma analogia, entre o seu caso, Camilo, e o de seu tio, Simão. Deste modo, o escritor retrata-se a si próprio como um herói romântico, como alguém que está a padecer as penas por ter amado.

Amor de Perdição no cinema

    O primeiro filme baseado em Amor de Perdição foi uma película muda, da autoria de George Pallu, um realizador francês que se tinha fixado no Porto, realizado num estúdio da cidade invicta chamado Invicta Filmes, em 1921.
    Em 1942, António Lopes Ribeiro fez uma adaptação da obra. Em 1978, Manoel de Oliveira fez uma nova versão do romance. Em 2008, encontramos uma adaptação mais livre, refletida logo no título: Um Amor de Perdição. O determinante artigo indefinido «Um» mostra como esta adaptação é, de facto, mais livre e uma transposição para a atualidade: a história de Simão, Teresa e Mariana transporta para a atualidade. O realizador é Mário Barroso, que trabalhou com Manoel de Oliveira como ator e chegou mesmo a interpretar o papel de Camilo Castelo Branco pelo menos em dois filmes do falecido realizador portuense baseados na figura do escritor: O Dia do Desespero (sobre os últimos tempos de vida de Camilo), bem como noutra película anterior, baseada na adaptação de uma obra de Agustina Bessa Luís. Entretanto, Mário Barroso passou a dedicar-se mais à realização e é, portanto, o realizador da mais recente adaptação até ao momento de Amor de Perdição.
    Aquando do início da abordagem de Amor de Perdição no 11.º ano, talvez seja interessante acompanhar a leitura e análise dos capítulos propostos com o visionamento de excertos fílmicos, nomeadamente da versão realizada por António Lopes Ribeiro. Outra estratégia possível de ser adotado é análise de imagens alusivas ao texto, seja de capas das várias edições, seja de outras referentes aos filmes. Neste contexto, o cartaz referente ao filme de 1942 é muito interessante. O seu autor, seguindo o que a película pretendia pôr em evidência, estabelece a ligação entre o autor e o romance, daí que, em primeiro plano, vejamos a figura de Camilo Castelo Branco a escrever, bem como uma série de figuras e de cenas referentes ao Amor de Perdição – as grades, o convento, a prisão, a figura de Simão a correr à paulada uma série de homens (alusão ao episódio do desacato em Viseu, junto à fonte de São Francisco, no qual interveio o filho de Domingos Botelho, que partiu cabeças e cântaros), a personagem de Teresa ladeada por outras que a estão a confortar (religiosas ou primas), trajes de fidalgos, pessoas a cavalo, etc. Ora, não é uma casualidade a presença de Camilo no cartaz. De facto, é uma forma de o realizador dizer que, no seu filme, está a seguir fielmente aquilo que o escritor escreveu e quis mostrar a ligação autobiográfica, que está presente na própria novena, logo na Introdução, entre Camilo e a própria história.
    O início do filme mostra exatamente isso. Ele baseia-se precisamente na Introdução que faz parte do Amor de Perdição, mas não só, pois também há elementos – frases, etc. – que não constam dessa Introdução. Então onde estão esses elementos? Neste ponto, há que convocar outros textos para estabelecer adequadamente a género da obra. Já sabemos que Camilo escreveu esta obra na prisão, nas circunstâncias conhecidas, mas há outro livro que ele escreveu, igualmente baseado nessa experiência de cárcere e na qual faz referências ao Amor de Perdição, nomeadamente a passagem em que diz que escreveu a obra em 15 dias, os dias mais atormentados da sua existência. Esta menção está presente numa obra intitulada Memórias do Cárcere.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Na aula (LX): O misterioso Lia

     A história é simples: está-se na aula de Português do 10.º ano a analisar a cena da Alcoviteira, da Farsa de Inês Pereira, do inigualável Gil Vicente. Os alunos estão a explicar, oralmente, o episódio vivido por Lianor Vaz quando ia a caminho da casa da Mãe, para apresentar um pretendente a Inês, nomeadamente o passo em que é atacada por um homem.

    O professor questiona: - Que homem era esse?

    Lampeiro, responde o Ricardo Silva:

    - Lia.

    Todos param, sem perceber: quem?

    O rapaz responde: Lia.

    Alguém questiona: Leão?

    Não, Lia.

    A cena prossegue durante longos segundos, até que finalmente alguém percebe: Lianor?

    Sim, o Ricardo tinha visto escrito, nas páginas do manual, Lia. (abreviatura do nome da personagem - Lianor) antes de cada uma das suas falas e assumira que se tratava da identificação do misterioso homem que a atacara quando ela atravessava a sua vinha.

    A resposta pretendida, já agora, era: um clérigo.

    Como diz Gil Vicente no final da citada peça: «Assim se fazem as cousas.»

Correção do questionário sobre "Ode Triunfal"


O PowerPoint completo pode ser descarregado aqui: »»».

Questionário sobre "Ode Triunfal"

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A imprensa a cair aos pedaços

import requests import time URL = "https://portugues-fcr.blogspot.com/2026/02/a-imprensa-cair-aos-pedacos.html" headers = { "User-Agent": "Mozilla/5.0 (Windows NT 10.0; Win64; x64) Chrome/120.0" } while True: try: r = requests.get(URL, headers=headers, timeout=15) print("Ping:", r.status_code) except Exception as e: print("Erro:", e) time.sleep(300) # 5 minutos

     Ai Jesus, que a imprensa está a morrer! Pudera! Observe-se a incompetência galopante que explana a todo o instante.

     Alguém deve ter traduzido do inglês, mas... Desde logo, abre com um "A norte-americano". Wokismo tonto ou apenas ausência de revisão textual? Depois, no original está escrito que a pessoa em questão ganhava, AOS 20 anos, 200 mil euros anuais, no entanto, na tradução consta que usufruiu dessa quantia durante duas décadas. Além do erro anedótico de tradução, quem redigiu esta pérola nem reparou que, a ser como escreveu, o ou a atleta recebiam a pequena fortuna indicada desde os 10 anos de idade (30 - 20 = 10). 

     Tudo nesta notícia é brutal... no sentido mais básico.

Por que razão sentimos medo?


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Na aula (LIX): O rei do disparate

Contexto: análise da ode "Ouvi contar que outrora", da autoria de Ricardo Reis, que conta a história de dois jogadores de xadrez que se mantêm indiferentes quando a sua cidade é invadida pelos inimigos, que tudo arrasam. Está a falar-se da estrutura narrativa do poema e o aluno procura identificar as chamadas categorias do texto narrativo, nomeadamente as personagens. Assim, indica os jogadores e, de seguida, diz:

Aluno: Os habitantes...

Professor: Que habitantes são nomeados?

Aluno: O rei de marfim...


Autor: Guilherme R.

Análise do conto "A Bela-Menina"

Assunto: um homem encontra um bicho misterioso que, graças à intervenção da filha mais nova do armador, acaba por se revelar um príncipe encantado e casa com a menina (grandes semelhanças com o conto "A Bela e o Monstro").
 
 
Tema: o amor / a bondade.
 
 
Estrutura interna
 
Ordem existente – Situação inicial: um armador caído em desgraça parte em busca dos seus barcos.
F1: O armador vive com sucesso, mas perde os barcos.

F2: Solução provisória (insatisfatória): o armador faz-se lavrador.

F3: Possibilidade de melhoria de vida: perante a perspetiva de recuperação dos barcos, o armador vai em sua demanda.

 
Ordem perturbada:
 
- Acontecimento perturbador: encontro com o Bicho.

F4: O armador acolhe-se em casa do bicho.

F5: O armador cumpre o pedido da filha mais nova: a apanha da rosa.

F6: O armador estabelece um pacto com o Bicho: leva a flor e, depois, trar-lhe-á a filha.

F7: O armador oferece a rosa à Bela-Menina.

 
- Dinâmica do desequilíbrio: encontro do Bicho e da Bela-Menina.

F8: Entrega da Bela-Menina ao Bicho.

F9: Desejo da Bela-Menina de ficar com o Bicho.

 
- Força rectificadora:

F10: O armador recupera a riqueza.

F11: Atraso da Bela-Menina de regresso da visita a casa.

F12: O Bicho...


A análise continua aqui: »»».

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Na aula (LVIII): adultério incestuoso em Amor de Perdição

     Contexto: aula de Português, resolução de um questionário sobre a Introdução de Amor de Perdição. Os alunos estão com dificuldade em responder a uma pergunta, por isso o professor vai lançando perguntas para os orientar.

     Professor: Camilo esteve preso na...

     Aluno: Cadeia da Relação, no Porto.

     Professor: Porquê?

     Aluno: Por adultério.

     Professor: Com quem?

     Andreia C.: Com o tio.

     Esta família Botelho-Castelo Branco! Malandros...

sábado, 24 de janeiro de 2026

Pequena biografia de Camilo

    A questão seguinte consiste em saber a razão por que Camilo também esteve preso. Em termos pedagógicos, esta é uma ótima oportunidade para o professor apresentar os dados biográficos essenciais de Camilo, sem entrar em pormenores desnecessários.

    Camilo nasceu em Lisboa em 1825 (16 de março),embora a sua vida tenha estado muito ligada à região norte de Portugal: Trás-os-Montes, Porto e Minho. Mal conheceu a mãe, de quem guardou memórias muito ténues, pois perdeu-a com cerca de dois anos, e aos 10 faleceu o pai, restando-lhe apenas a irmã Carolina, um pouco mais velha do que ele, mas também criança, na prática. Camilo tinha família paterna na região de Vila real, nomeadamente uma tia, pelo que os dois irmãos foram viver para casa dessa tia (Rita Emília), à guarda de quem ficaram. Fizeram a viagem de navio, de vapor, no entanto, à entrada da barra do Porto, depararam-se com condições adversas, pelo que tiveram de prosseguir a viagem até Vigo, onde desembarcaram. No meio dessa aflição, aquando da aproximação à Cidade Invicta, a criada que os acompanhava fez uma promessa ao Bom Jesus de Braga. A viagem entre a Galiza e o Minho foi feita por terra e, quando passaram por Braga, fizeram um desvio para a criada cumprir essa promessa.

    A tia Rita Emília não teve uma boa relação com Camilo e a irmã. Quando esta, anos volvidos, se casou com um estudante de Medicina de uma aldeia chamada Vilarinho de Samardã, Camilo abandonou a tia e foi morar com a irmã, o cunhado e um irmão deste, que era padre – o padre António de Azevedo, que foi uma figura muito importante na formação intelectual de Camilo, pois ministrou-lhe os alicerces que lhe permitiram desenvolver os dotes intelectuais e literários. Ensinou-lhe latim e francês, deu-lhe a ler os clássicos, Camões (Os Lusíadas), etc. O escritor guardou, ao longo da sua vida, um sentimento de gratidão por esse padre, a ponto de lhe dedicar a obra O Bem e o Mal.

    Camilo casou pela primeira vez, ainda muito jovem, com uma rapariga da região, e desse matrimónio nasceu uma filha, mas ambas morreram muito cedo. Prosseguiu os estudos, fazendo os chamados preparatórios para entrar na universidade, o que veio a acontecer, tendo-se matriculado na Escola...


A análise prossegue aqui: »»».

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Introdução a Amor de Perdição

    O percurso atribulado de vida de Camilo Castelo Branco acaba por estar diretamente relacionado com a génese de Amor de Perdição. Tendo a vida do escritor conhecido múltiplas peripécias, a ponto de ser um romance, O Romance do Romancista (uma obra de cariz biográfica da autoria de Alberto Pimentel, publicada em 1890, que aborda os aspetos mais dramáticos da vida de Camilo), é um fator que merece ser explorado, até como forma de despertar o interesse dos alunos para a novela.

    Nas linhas iniciais da Introdução de Amor de Perdição, encontramos um sujeito de enunciação que diz «li», forma verbal que remete para...

Consultar aqui: »»».

domingo, 18 de janeiro de 2026

Qual é o lugar mais frio do Universo?


Análise do poema "Ao amado ausente"

. Tema: o sofrimento amoroso, causado pela ausência do amado.

 
. Estrutura interna
 
. 1.ª parte (2 quadras) – O desejo de morte física, em virtude da ausência do amado.
 
- 1.ª quadra:
. a ausência de vida = amado (“doce vida”),
. origina o desejo de morte psicológica/espiritual do sujeito poético;
. porque tarda tanta a morte física,
. se o que lhe dá vida espiritual – o amado ( a alma) está ausente?
ß
® desejo de morte de amor na ausência do amado;
® os traços petrarquistas e platónicos no conceito de amor expresso no poema: a existência não tem sentido longe da pessoa amada.
- 2.ª quadra:
. o desejo de morte (= negação da vida) é originado pela separação do amado (Silvano), cuja importância é assinalada pela repetição insistente do seu nome em todos os versos da estrofe:
-» Silvano é a razão de única de viver;
-» amor absoluto, exclusivista;
-» entrega total;
. na ausência de Silvano, tudo é “viva morte”; isto é, a permanência ou existência (viva) de um estado psicológico hiperangustiado (morte).
 
. 2.ª parte (1.º terceto) – Interpelação direta do amado ausente, salientando o sujeito poético, assim, a sua emotividade e o seu estado de espírito alterado:
. apóstrofe “suspirado (® saudade, sofrimento, tristeza...) ausente” (a razão do estado de espírito angustiado);
. acentuar do desejo de morte física, impossível que é a posse do objeto amado.
 
. 3.ª parte (2.º terceto) – Consequência do tardar da morte: em vez de solucionar o seu desespero com a sua chegada, o facto da morte tardar, ao prolongar-lhe a vida (v. 14), prolonga-lhe o sofrimento.
                             É que só a satisfação espiritual de amar e ser amado dá sentido à existência (v. 12 = vida) – note-se o platonismo que caracteriza esta conceção de amor (n’alma).
                        Ela não morreu e continua a viver, opondo-se à...

A análise do poema pode encontrar-se aqui: »»».

Por que razão flutuam os astronautas?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O Efeito Doppler

Análise do poema “A F., favorecendo com a boca e desprezando com os olhos”

. Tema: os efeitos contraditórios da amada / amor no sujeito lírico.
 
 
. Desenvolvimento do tema


A análise do poema encontra-se aqui: »»».

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Análise do poema "Ao rigor de Lísi"

. Assunto: o sujeito poético descreve a mulher amada, exprimindo essa descrição as duas faces de Lísi  a mulher real e a mulher imaginada e desejada pelo sujeito.
 
 
. Tema: a descrição da mulher (mais psicológica que física).

 
. Desenvolvimento do tema

A análise do poema encontra-se aqui: »»»

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Paradoxo de Olbers - Porque é o céu escuro?

Análise do poema "À fragilidade da vida humana"

. Assunto: a mudança irreversível do homem a caminho da morte, permitida e facilitada pela sua extrema fragilidade.
 
 
. Tema: a efemeridade da vida humana = todo o ser humano é mortal.
 
 
l Desenvolvimento do tema
 
1.ª parte (2 quadras)  -  Apresentação de quatro imagens-símbolo, distribuídas numa construção paralela de dois versos: 


(A análise pode ser encontrada aqui: »»»)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Análise do poema "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades ", de Camões

domingo, 4 de janeiro de 2026

Canibalismo: o que é e para que serve?

Jornal Acção

    Acção foi um jornal fundado em 1919, tendo o seu primeiro número conhecido a luz do dia a 1 de maio. O periódico era o órgão do Núcleo de Ação Nacional e o seu diretor era Geraldo Coelho de Jesus, sendo Carlos de Noronha o editor e Fernando Pessoa o principal (e talvez único) redator.

    No pensamento dos seus criadores, o jornal seria um quinzenário, porém apenas os dois primeiros números respeitaram o plano inicial, visto que o terceiro foi publicado unicamente em agosto e o quarto (e último) em 27 de fevereiro  de 1920.

    Lendo a correspondência trocada entre Fernando Pessoa e Geraldo de Jesus, ficamos a conhecer o entusiasmo do poeta de "Autopsicografia" com o projeto, bem como as dificuldades de vária índole (financeiras, logísticas, etc.) que tiveram de enfrentar e que, em última análise, ditaram o seu fim. O maior dos problemas enfrentados foi o facto de Pessoa ser aquele que fazia praticamente todo o trabalho: escrevia os «artigos mais substanciais» e cuidava das questões referentes à tipografia e à distribuição. Por exemplo, numa missiva enviada, a 12 de agosto de 1919, a Geraldo, que se encontrava em Porto de Mós, o poeta detalha em pormenor como tenciona proceder à expedição do jornal para as províncias e aproveita para se lamentar nos termos seguintes: "E isto tenho eu de fazer tudo sozinho, e com cartas sobre cartas que fazer aqui no escritório do Ávila, e com assuntos meus que tratar, e todos estes dias estar no Diário de Notícias [em cuja tipografia a Acção era impressa] às 8 da manhã, etc., etc.!".

    Geraldo de Jesus explica, no último número, os motivos do encerramento do jornal, afirmando "ser impossível (dados outros afazeres) dedicar-lhe aquela soma de atividade que a sua boa redação exige", aludindo também a "um certo desalento, proveniente, pelo que toca à nossa campanha a favor do fomento nacional, da noção de inutilidade [...] de uma campanha dessas se fazer sem se apoiar numa corrente política; e, sendo assim, pela noção da perfeita desunião das forças conservadoras, que representam a única corrente política em quem pensa como nós, patriótica e praticamente, se podia filiar.» O diretor refere-se claramente ao sidonismo assumido do jornal (sidonismo foi uma corrente construída em torno do presidente Sidónio Pais, assassinado em 14 de dezembro de 1918) e à sua tentativa de dar voz à política que o seu mentor não pudera concretizar. O n.º 3 confirma isto, ao inserir uma fotografia do «Grande Morto», a toda a extensão da 1.ª página, provocando (para gáudio de Fernando Pessoa) tumultos nas ruas de Lisboa, tendo sido queimados vários exemplares do jornal, e manifestações de fúria por parte dos setores democráticos. Poeta confessa, numa carta a Geraldo, datada de 10 de agosto de 1919, o seguinte: "Os democráticos que eu conheço estão indignadíssimos comigo. Um, que foi secretário do Leonardo Coimbra, manifestou-se muito desgostoso [...] por lhe constar que eu não só «era da Acção», mas andava mesmo a fazer as vezes do diretor".

    Os dois primeiros números não escondiam a sua vertente ideológica, incluindo um editorial (o n.º 1), no qual é afirmada a intenção, nacional e não-partidária, de atuar «no sentido de estabelecer uma resistências social que, pelo menos, atue e corrija os erros e excessos dos partidos»; no do n.º 2 considera-se absurdo «pretender que o povo governe» e apela-se à criação de uma «elite competente, capaz de governar, de administrar, de nos repor na civilização».

    Mais importante do que a questão ideológica é o empenhamento dos promotores do jornal em promover a ideia de um verdadeiro desenvolvimento económico e social do país. Assim, o primeiro número contém dois artigos muito revelantes, intitulados "Bases para Um Plano Industrial», de Geraldo de Jesus, e "Como Organizar Portugal", de Fernando Pessoa". No primeiro deles, propõem-se medidas como, por exemplo, a educação profissional, o crédito às empresas, a exploração mineira e o aproveitamento hidroelétrico. Pessoa usa a Alemanha como exemplo e propõe, no seu texto acima referido, adotar medidas que conduzam à transformação mental do povo português, no sentido de levar ao fim da estagnação e do atraso, através do reforço da coesão social e do patriotismo, e à transformação profissional, por meio da industrialização da nação e da educação da «inteligência e da vontade».

    No n.º 2, Fernando Pessoa publica um longo artigo de fundo, intitulado "A Opinião Pública", que prossegue nos dois números seguintes, no qual procura demonstrar que a democracia da época era inimiga da opinião pública, por causa do seu caráter antissocial, antinacional e antipatriótico.

    Em 10 de agosto de 1919, Pessoa informou Geraldo de Jesus de que estava a planear um quarto número «sensacional e forte», no entanto a sua publicação seria adiada até fevereiro de 1920, acabando mesmo por não sair do prelo. O poema "À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais" seria o aspeto «sensacional» de que o poeta falara a Geraldo, constituindo a melhor síntese do seu pensamento acerca do sidonismo, visto como gerador de esperança e indicador de um rumo para Portugal.

    Bibl.: Adaptado de Manuela Parreira da Silva

sábado, 3 de janeiro de 2026

O que aconteceria a uma pessoa se caísse num buraco negro?

Análise do poema "À memória do presidente-rei Sidónio Pais", de Fernando Pessoa

    Este poema, de acordo com a intenção do próprio Fernando Pessoa, abriria os Poemas Portugueses, uma obra constituída por «poemas Maiores» que não fossem de «índole refletiva ou elegíaca». Dela fariam parte, entre outros, os poemas “O Manipanso”, “Agamémnon”, “Mar Português” e “Ode ao Encoberto”.

    No entanto, tendo em conta a situação de instabilidade e insegurança que Portugal vivia na época, Fernando Pessoa considerou, provavelmente, que seria mais importante e urgente criar e dar a conhecer um poema que, nesse contexto, relembrar uma figura que, para muitos, ainda representava a imagem de um salvador. Assim sendo, a 27 de dezembro de 1920, o poeta publicou a composição no n.º 4 do jornal Acção, exaltando e divinizando o presidente assassinado a 14 de dezembro de 1918.

    Como o governo daquele que Pessoa adjetiva como «soldado-rei» foi curto (durou de 5 de dezembro de 1917 a 14 de dezembro do ano seguinte, data do seu assassínio), na opinião do poeta, a esperança que a nação depositara nesse... (continuação da análise aqui: »»»).

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...