sábado, 19 de janeiro de 2013

Renascimento

         O Renascimento pode definir-se como a "adoção das formas artísticas greco-latinas e a assimilação do espírito que as anima". O Renascimento é, portanto, uma aceitação e não uma ressurreição das formas greco-latinas, pois a ressurreição supõe a morte e as formas greco-latinas nunca morreram.
         Nos finais do século XV e princípios do século XVI, a literatura portuguesa começou a registar algumas ténues influências da literatura italiana, nomeadamente ao nível da poesia produzida em contexto palaciano, nas cortes de D. João II e depois, mais acentuadamente, de D. Manuel. Esses poemas, da autoria de muitos nobres para quem a arte de versejar era um atributo muito importante, eram portadores, com assinalável frequência, de uma atitude amorosa e poética que revelava a influência do poeta italiano Petrarca, o precursor do Renascimento.
         Em 1516, Garcia de Resende publicou a compilação desses poemas palacianos numa obra intitulada Cancioneiro Geral, dedicada ao príncipe e futuro rei de Portugal D. João III, afirmando no Prólogo que o objetivo do seu trabalho era contrariar a natural tendência de os portugueses não registarem, para o futuro, as suas obras. Publicado no ano de inauguração do Mosteiro dos Jerónimos e no período de florescimento do teatro de Gil Vicente, o Cancioneiro revela a valorização já renascentista que a cultura começara a merecer.
         Em 1521, Sá de Miranda, um dos poetas presentes no Cancioneiro de Resende, empreende uma demorada viagem a Itália, durante a qual contactou com a cultura e a arte da Renascença. Cinco anos mais tarde, de regresso a Portugal, trouxe consigo o gosto pelo novo estilo – o dolce stil nuovo – e introduziu na nossa literatura, entre outras composições poéticas, o soneto, com os seus versos decassilábicos.
         Por outro lado, a literatura renascentista redescobrira os clássicos e a Poética de Aristóteles, uma obra que regulamenta e hierarquiza os géneros literários, considerando a epopeia e a tragédia os géneros mais nobres. Não é, pois, de estranhar que a o desejo de elaboração de uma epopeia se tenha disseminado, vindo a ser concretizado por Luís de Camões, e António Ferreira tenha escrito a tragédia Castro, inspirada nos amores trágicos de D. Pedro I e D. Inês de Castro.

Manual Plural 12

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