sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Artifícios poéticos da cantiga de amor de influência provençal

            * Coblas: segundo a "Arte de Trovar", as estrofes tinham o nome de coblas ou cobras e o seu número ficava ao sabor do trovador.
            As estrofes podem classificar-se como:
                        - uníssonas: têm a mesma rima;
                        - singulares: apresentam rimas diferentes;
                        - doblas ou pareadas: cada grupo de duas coblas tem a mesma rima.
            As cantigas galaico-portuguesas têm, regra geral, três ou quatro coblas, com excepção das paralelísticas. Cada copla pode apresentar número variável de versos. Em todas se encontra o isossilabismo, o mesmo número de sílabas, reforçado pelo princípio da isometria, a mesma medida, dentro de cada composição.
            Pode ter um predomínio de quatro versos na cantiga de refrão e de sete na cantiga de mestria.
            O número máximo de versos numa copla era de dez e o número mínimo de dois (paralelísticas).

            * Refrão: é o estribilho, ao qual regressava o coro ou o solista entre a execução de duas coplas. Podia estar ligado ao corpo da copla pelo sentido, ou ser independente dela.
            Surge nas paralelísticas e, em geral, nas cantigas de amigo, mas não aparece nas de mestria.

            * Finda: é uma copla de menor extensão, de um a quatro versos, que encerra a cantiga em jeito de conclusão.
            A "arte de Trovar" define-a como "acabamento de rrazon", "versos-remate".
            Nas cantigas de mestria, rima, geralmente, com a segunda parte da última estrofe; nas de refrão, a rima faz-se, regra geral, com o refrão.
            Uma cantiga pode possuir mais do que uma finda.

            * Atafinda: é um processo de ligação de coplas, feita pela continuação do último verso de uma estrofe na copla seguinte. Essa ligação faz-se através de partículas como "e", "ca", "pois", "quando", "pero", "que", etc.
            Ocorre tanto nas cantigas de mestria como nas de refrão.

            * Verso / palavra perduda: verso/palavra sem correspondência temática/rimática que aparece no meio, início ou fim da copla e deve repetir-se no mesmo lugar.

            * Enjambement / transporte / encavalgamento: consiste em completar o sentido de um verso no verso seguinte. D. Dinis chegou até a dividir a palavra.
            Este processo é uma constante na poesia de todas as épocas.

            * Dobre: repetição da mesma palavra de rima duas ou mais vezes em lugares simétricos da estrofe, de preferência no primeiro e no último verso.


            * Mordobre / mozdobre: repetição da mesma palavra em lugares simétricos, porém jogando com as suas várias flexões.

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