sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Características e estética da cantiga de amor

            . Análise profunda da interioridade dos que amam, sendo surpreendente uma certa racionalização dos efeitos do amor sobre o sujeito, à maneira de Camões.

            . A idolatração da mulher amada, a atitude de veneração, de submissão perante ela, recorda-nos Petrarca.

            . O sujeito sente que não é senhor do seu coração. Este enganou-o, fê-lo apaixonar-se por uns olhos verdes, temática que nos remete para a lírica camoniana, tal como acontece com a confissão do poeta de ser "sandeu", "já o sen non á", tudo por causa de uns olhos verdes.

            . A simbologia dos olhos.

            . O amor espiritual conduz a um aperfeiçoamento através da aspiração ao objecto amado. A mulher é a ponte para a plenitude, para o infinito, nela se realiza e por ela se esquece de si próprio, para pensar só no ben da dama (conferir a cantiga "Desej' eu ben de mha senhor" com o soneto "Transforma-se o amador na cousa amada").
            Mas o trovador sofre imenso, desespera e chega a desejar vingar-se da "senhor", mas tudo não passa de um desejo, porque não consegue deixar de a amar, não pode enganar o seu coração (é a temática do poder cruel do amor que novamente nos recorda Camões).

            . Os trovadores valorizam sobretudo as qualidades morais da mulher, qualificando-a através de expressões convencionais: "tan comprida de todo o ben", "a que prez nem fermosura non fal", "Deus fez sabedor de todo ben", "mui comunal", "Deus deu-lhe bon sen / e falar mui ben e rir melhor", "é leal muit", "olhos verdes", "ben talhada", "tan poderosa", "boõ semelhar", Deus fê-la "das melhores melhor", "ben talhada", "de muito ben saber".
            Muitas destas qualidades da "senhor" serão mais tarde recuperadas pelos petrarquistas.

            . Refletindo a profunda religiosidade do ser medieval, Deus está sempre presente, quase como um confidente. O trovador desabafa com Ele e pede-Lhe até conselho.

            . A simbologia da luz, com o seu poder de fogo.


            . O amor do trovador pela mulher é um amor idólatra, absorvente, torturado, saudoso, de um fatalismo passional.

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