William
Gerald Golding nasceu na Cornualha, em Inglaterra, a 19 de setembro de 1911.
Filho de Mildred Golding, uma dedicada sufragista, e de Alec Golding, professor
e fervoroso defensor do racionalismo, cresceu num ambiente onde a razão era
exaltada como o principal instrumento de conhecimento. O pai lecionava na
Marlborough Grammar School, escola que o jovem Golding frequentou, permanecendo
sob a sua forte influência durante toda a infância.
Desde
cedo revelou inclinação para a escrita: começou a escrever aos sete anos e, aos
doze, já ensaiava o seu primeiro romance. Leitor precoce, mergulhou na poesia
de Alfred Tennyson e na obra de William Shakespeare, influências que o
acompanhariam ao longo da vida. Contudo, a sua infância não foi isenta de
sombras: há registos de que, em pequeno, podia ser agressivo, chegando a
maltratar outras crianças — traço que mais tarde ecoaria na complexidade moral
das suas personagens.
Em
1930, ingressou no Brasenose College, na University of Oxford. Seguindo a
vontade dos pais, iniciou estudos em ciências, mas, após dois anos, cedeu à sua
vocação e mudou para literatura inglesa. Ainda estudante, publicou o seu
primeiro livro — um volume de poesia — integrado na série da Macmillan
Publishers. Mais tarde, viria a desvalorizar essa obra, considerando-a juvenil;
no entanto, nela já se pressente a sua crescente desconfiança face ao
racionalismo herdado. Concluiu o curso em 1935, com um grau em Inglês e um
diploma em educação.
Após a
universidade, experimentou várias ocupações, trabalhando como escritor, ator e
produtor num pequeno teatro londrino, ao mesmo tempo que se sustentava como
assistente social. Considerava o teatro — em especial a tradição dos
tragediógrafos gregos e de Shakespeare — a sua influência literária mais
profunda. Acabaria por seguir o caminho do pai, tornando-se professor de Inglês
e Filosofia em Salisbury, na Bishop Wordsworth's School, onde viria também a
exercer funções de direção. O contacto diário com rapazes proporcionou-lhe uma
visão penetrante da natureza humana que, mais tarde, se revelaria decisiva para
a criação da sua obra mais célebre.
Em
1939, casou com Ann Brookfield, com quem teve dois filhos. No ano seguinte,
porém, interrompeu a vida civil para se alistar na Royal Navy, participando na
World War II. Durante cerca de seis anos, serviu no mar, tomou parte em
diversas missões e foi promovido a tenente, desenvolvendo uma duradoura ligação
ao oceano e à navegação. Terminada a guerra, regressou ao ensino e à escrita.
Foi em
1953 que concluiu Lord of the Flies (O Senhor das Moscas),
romance que viria a ser publicado em 1954, após ter sido rejeitado por vinte e
uma editoras. A receção inicial foi hesitante e as vendas modestas; chegou
mesmo a desaparecer do mercado nos Estados Unidos, embora se mantivesse
disponível no Reino Unido. Só em 1959, com a edição de bolso, a obra conheceu
um renascimento, vindo a afirmar-se como um clássico incontornável da
literatura contemporânea e presença habitual nos currículos escolares.
Ao
longo da sua carreira, Golding escreveu treze romances, além de poesia, peças
de teatro, ensaios e contos. O conjunto da sua obra valeu-lhe o Prémio Nobel da
Literatura em 1983, sendo ainda distinguido com o título de cavaleiro em 1988.
Em 1961, abandonou definitivamente o ensino para se dedicar por inteiro à
escrita.
Golding
morreu a 19 de junho de 1993, na sua terra natal, Cornualha, encerrando uma
vida marcada pela reflexão profunda sobre a natureza humana, onde a razão e a
sombra convivem em tensão permanente.