Português

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Como me curei de uma deficiência

     «Entre nós, os Jogos Paralímpicos de Londres acontecem sob o mando do pudor, até poucas fotografias se veem. Ora, se um recorde desportivo é sempre admirável, que imagem mais forte pode haver que esse conseguimento alcançado por alguém que tem tudo para não conseguir?
     Em 2004, nos JO de Atenas, durante uma corrida de apresentação de paralímpicos, um atleta virou a sua cadeira de rodas em frente da bancada de jornalistas. A cadeira por terra e as pernas deficientes viradas ao céu pareceram-nos demasiado patéticas, desviámos o olhar e nem coragem tivemos de nos encarar uns aos outros. Mas alguém endireitou a cadeira e o atleta continuou a corrida com naturalidade.
     Agora, a cobertura entusiástica dos bons jornais ingleses nos Jogos Paralímpicos de Londres tem-me curado da piedade despropositada. Também Oscar Pistorius, o sul-africano das pernas em lâmina, me ajudou. Há um mês, ele foi o primeiro atleta deficiente a correr nuns Jogos Olímpicos e até chegou às finais de 4x400m. No domingo, nos Jogos Paralímpicos, ele foi vencido nos 200m classe T44 (amputados das pernas, com próteses) pelo brasileiro Alan Fonteles. Só a derrota de Pistorius é uma lição de normalidade: aquele que é uma vedeta entre olímpicos, perde com paralímpico... Depois, houve a reação do sul-africano: acusou, sem razão, o brasileiro de ter corrido com próteses ilegais...
     Pronto, é oficial: os deficientes são normais. Até têm o mau perder dos outros.»

Ferreira Fernandes, in DN (04/09/2012)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"De mais" ou "demais"?

1. Usa-se "de mais" quando se trata:
          a) da preposição «de» seguida do advérbio «mais», funcionando este
               autonomamente, e exprime a noção de quantidade:
                    . Antes de a aula terminar, o professor falou ainda de mais dois temas.
                    . Nenhuma vida é de mais.
          b) de uma locução adverbial que significa muitíssimo, excessivamente,
               demasiado, em demasiaa mais (é o oposto de de menos):
                    . A Bar Rafaeli é linda de mais.
                    . Hoje esteve calor de mais para o meu gosto.
                    . A minha afilhada Eduarda come de mais, por isso está uma bola.

2. Escreve-se "demais" quando significa:
          a) os restantes, os outros (determinante ou pronome demonstrativo):
                    . Só o Pereira enjoou; os demais passageiros não tiveram problemas.
          b) ainda por cima, além disso, de resto, ademais:
                    . O vestido era feito. Demais a mais, custava os olhos da cara.
                    . A docência é uma profissão difícil; demais, é mal remunerada.


     Esta não é, porém, uma posição consensual. Atente-se no que escreve a professora Regina Rocha, no Ciberdúvidas:

     «Demais ou de mais? é uma das dúvidas – e confusões – mais frequentes no português corrente, razão, de resto, de permanentes perguntas de quem consulta o Ciberdúvidas. Vejamos esta dúvida de um leitor do jornal 24 Horas1: «Nenhuma vida é demais» ou «Nenhuma vida é de mais»?
Defendo que deverá escrever-se «Nenhuma vida é de mais». Quando se pretende exprimir a noção de quantidade, deve utilizar-se a locução adverbial de mais. No caso, pretende dizer-se que «não existe nenhuma vida a mais» («de sobra», «além do devido ou necessário»).
Demais, uma só palavra, pode ser um pronome ou um determinante demonstrativo, equivalente a «outros», «outras», «restantes». Exemplos: «Foram visitar a igreja só três excursionistas; os demais ficaram a apanhar sol no jardim.» «Toda a gente já ouviu falar de Miguel Torga, de Fernando Pessoa, de Luís de Camões e dos demais escritores referidos naquele programa de televisão.»
Demais (ou ademais), uma só palavra, também pode ser um advérbio que significa «além disso», «de resto». Exemplos: «O trabalho é muito difícil; demais, é mal pago.» «Não lhe obedeças; demais, essa determinação não está no regulamento.»
Demais, uma só palavra, pode ainda ser um advérbio de modo, que exprime a intensidade e significa «muitíssimo», «excessivamente», «em demasia», «demasiadamente». Emprega-se intensificando formas verbais, advérbios ou adjectivos. Exemplos: «Aquele rapaz dorme demais.» «A jarra é frágil demais; vai partir-se.» «Para aquele pasquim, ele escreve bem demais.»
De mais, duas palavras, é uma locução adverbial (formada pela preposição de e pelo advérbio mais) que exprime a ideia de quantidade. Tem um significado equivalente a «a mais» e aparece ligada a substantivos. É de quantidade que se trata, e não de intensidade. Exemplos: «Comprei discos de mais» (comprei mais discos do que devia); «São de mais os livros que tenho para ler» (são mais livros do que aqueles que tenho tempo ou disposição para ler; são livros a mais); «O chá tem açúcar de mais» (tem mais açúcar do que devia).
Na frase em causa, estamos perante um substantivo (vida), pelo que parece ser a quantidade que está em causa, e não a intensidade.»

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Momentos de glória olímpica (IV)


     Meia-final do torneio olímpico de basquetebol masculino. A Argentina elimina a seleção dos Estados Unidos, constituída por jogadores da NBA (LeBron James estava lá), para, na final, se sagrar campeã olímpica.

domingo, 12 de agosto de 2012

Momentos de glória olímpica (III)



     A 12 de agosto de 1984, em Los Angeles, Carlos Lopes sagra-se campeão olímpico da maratona, obtendo a primeira medalha de ouro para Portugal numas Olimpíadas.

Londres 2012 (I)


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Metas curriculares de Português - Ensino básico

«Da» ou «de a»? «Deste» ou «de este»?

     Regra geral, a preposição «de» contrai-se com os artigos, pronomes ou advérbios com que se combina.
  • O problema dela  [de + ela] é ser muito vaidosa.
  • O som veio dali [de + ali].
  • O Elvis Presley morreu novo por causa da [de + a] droga.
     No entanto, quando a preposição faz parte de uma construção que precede um verbo no modo infinitivo, não se contrai:
  • Depois de a chuva parar, a corrida recomeçou.
  • Apesar de a Emma Stone cantar mal, o público aplaudiu-a.
  • O facto de o Benfica ser treinado por um casmurro não ajuda nada.
  • A Maria está muito contente por causa de aqui estar de férias.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Os números totais de professores sem componente letiva

Professores descartáveis ou professores a mais?

     O país está em crise... O Estado gasta em demasia... É preciso poupar... Os ministérios têm de gastar menos... Os portugueses têm de empobrecer...
     Desde Maria de Lurdes Rodrigues a ordem no MEC é para cortar nos professores a torto e a direito. Nuno Crato decidiu ir mais longe do que nunca. Observe-se o quadro seguinte:

     O senhor ministro Nuno Crato definiu as disciplinas de Português e de Matemática como estruturantes e «merecedoras» de um reforço da carga letiva semanal. No entanto, os dados entretanto disponibilizados pelo MEC vêm revelar que o grupo mais atingido no que diz respeito aos «professores descartáveis» é o 300, isto é, o de Português (3.º ciclo e secundário), com 1241 DACL. Se a este número acrescentarmos os quase 600 do 2.º CEB pertencentes aos grupos que podem lecionar aquela disciplina, a coerência de Nuno Crato é merecedora de registo... cómico-trágico.

     Toda esta informação foi, descaradamente, roubada ao bogue A Educação do Meu Umbigo.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Público vs. Privado

Para já, e para começar, constata-se que a solidariedade nacional desapareceu. proponho uma guerra civil: setor público vs setor privado.
Depois, sugiro que se acabe com a função pública: privatize-se tudo. O cidadão comum não terá mais que pagar os agora serviços públicos ao preço de custo. Paga a educação dos filhos por inteiro, se não tem dinheiro fica com filhos analfabetos e paciência. Paga os serviços de saúde por inteiro, se não tem dinheiro paciência, morre e depois já não tem que se incomodar. Paga os serviços judiciais por inteiro, se não tem dinheiro vá pedir justiça à Nossa Senhora. Chegaremos então a um patamar perfeito em que o setor público desaparece e é tudo privado.
O princípio da igualdade é facílimo de aplicar: TODOS os cidadãos, independentemente do modo como auferem os seus rendimentos, que ganhem mais de 1500 € / mês, devem pagar 2/14 do seu rendimento anual a título de imposto extraordinário. Claro que havia que disciplinar e fiscalizar os liberais (advogados, empresários por conta própria, etc) que declaram ninharias, bem como os trabalhadores do privado que auferem rendimentos não declarados ou pagos em espécie (carro, viagens, telemóvel, etc.)
Por fim, havia ainda que acabar com essas benesses privadas, como por exemplo, descontarem no IRS os livros, gasolina, formação profissional, refeições, etc.
Mas eu quero mesmo é uma guerra civil!

Comentário reatirado do blogue Cachimbo de Magritte

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Exame de Português - 2.ª Fase 2012 - Esclarecimentos GAVE

Grupo I – A

Item 1. 

     Devem ser consideradas como adequadas apenas as respostas em que os examinandos indicam os «elementos» presentes no primeiro período do texto. Estes elementos podem ser referidos quer através de expressões previstas no cenário de resposta, quer através de expressões equivalentes.
     A expressão «filho pródigo» não constitui, por si só, um elemento caracterizador de Baltasar no momento em que regressa a casa.
     Uma vez que o enunciado do item não prevê o recurso a citações como modo de fundamentação, consideram-se corretas as respostas  em que, tendo indicado, adequadamente, três elementos presentes no primeiro período, os examinandos transcrevem expressões que ocorrem noutras passagens do texto, desde que não entrem em contradição com os elementos solicitados.
.
.
Item 3. 

     Considera-se que as respostas a este item devem contemplar três momentos da aproximação entre as personagens: o que antecede a apresentação, o que corresponde à apresentação e o que se segue à apresentação.
     A par do cenário de resposta previsto nos critérios de classificação, consideram-se corretas as respostas em que os examinandos procedem ao desdobramento de um ou de vários desses momentos.

.
.
Grupo I – B

     As referências à poesia de Álvaro de Campos não são, obrigatoriamente, citações de versos ou indicação de títulos de poemas.

.
.
Grupo II
.
Item 2.2.
.
     Considera-se que as respostas «das palavras», «as palavras» ou «palavras», com ou sem aspas, com maiúscula ou com minúscula, constituem uma recuperação da informação lexical e devem ser classificadas com 5 pontos.

.
.
Grupo III
.
     O item solicita «uma reflexão sobre os papéis desempenhados pelo homem e pela mulher na atualidade». Assim, quando os examinandos abordam,  exclusiva ou predominantemente, a evolução verificada ao longo dos tempos, ocorre um desvio do tema e, em certos casos, um incumprimento da tipologia solicitada. Nos critérios de classificação, estão previstos níveis de desempenho correspondentes a estas situações.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...