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sábado, 2 de abril de 2022

Zelensky esteve aqui


 

Prémios e Distinções de José Cardoso Pires

 
1963
Prémio Camilo Castelo Branco, pela Sociedade Portuguesa de Escritores, com o livro O Hóspede de Job.
 
1982
Grande Prémio de Romance e Novela, pela Associação Portuguesa de Escritores, com a obra Balada da Praia dos Cães.
 
1988
Prémio Especial da Associação Paulista de Críticos de Artes (São Paulo, Roma), com o livro Alexandra Alpha.
 
1991
Prémio União Latina de Literaturas Românicas (Roma).
 
1992
Astrolábio de Ouro do Prémio Internacional Último Novecento (Pisa, Itália).
 
1994
Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa.
 
1997
Prémio D. Diniz, da Fundação Casa de Mateus, com o livro De Profundis, Valsa Lenta.
 
1997
Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários, com o livro De Profundis, Valsa Lenta.
 
1997
Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa.

1997
Prémio Pessoa. 

1998
Grande Prémio Vida Literária APE/CGD.
 
Outras distinções:
 
1985
Comendador da Ordem da Liberdade.
 
1988
Grã-Cruz da Ordem de Mérito.
 

Obra de José Cardoso Pires


Os Caminheiros e Outros Contos (Lisboa, 1949).

Histórias de Amor (Lisboa, 1952).

O Anjo Ancorado (Lisboa, 1958).

Cartilha do Marialva ou das Negações Libertinas (Lisboa, 1960).

O Render dos Heróis (Lisboa, 1960).

Jogos de Azar (Lisboa, 1963).

O Hóspede de Job (Lisboa, 1963).

O Delfim (Lisboa, 1968).

Dinossauro Excelentíssimo (Lisboa, 1972).

E Agora, José (Lisboa, 1977).

O Burro em Pé (Lisboa, 1979).

Corpo-delito na Sala dos Espelhos (Lisboa, 1980).

Balada da Praia dos Cães (Lisboa, 1982).

Alexandra Alpha (Lisboa, 1987).

A República dos Corvos (Lisboa, 1988).

A Cavalo no Diabo (Lisboa, 1994).

De Profundis, Valsa Lenta (Lisboa, 1997).

Lisboa, Livro de Bordo (Lisboa, 1997).

Viagem à Ilha de Satanás (Lisboa, 1997).

Dispersos 1: Literatura (Lisboa, 2005).

Lavagante: Encontro Desabitado (Lisboa, 2008).
 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Biografia de José Cardoso Pires


             José Augusto Neves Cardoso Pires, filho de António Neves, oficial da Marinha, e de Maria Sofia Cardoso Pires Neves, nasceu a 2 de outubro de 1925 na aldeia de Peso, distrito de Castelo Branco. Com poucos mesos de vida, veio para Lisboa, tendo passado a sua infância e adolescência no n.º 7 da Rua Carlos José Barreiros, em Arroios, e frequentou o primeiro ciclo do ensino básico (antiga escola primária) no n.º 14, no Largo do Leão. Os estudos secundários foram realizados no Liceu Camões, onde se inclinou para o estudo das matemáticas, embora se tenha estreado num jornal com um pequeno texto intitulado “As Aventuras do Mosquito Zigue-Zague”.

            Em 1943, publicou um pequeno ensaio (“Loti, o Sonhador”) e começou a estudar Matemáticas Superiores na Faculdade de Ciências de Lisboa. Enquanto estudava, foi experimentando diversas profissões, alternadas com períodos de desemprego. Essas experiências permitiram-lhe o convívio com todos os tipos de pessoas, incluindo artistas da sua geração, como, por exemplo, Luís Pacheco, Mário Cesariny, Júlio Pomar e Dias Coelho.

            Em 1945, abandonou a faculdade e alistou-se na Marinha Mercante como piloto sem curso, experiência que lhe foi muito útil para a escrita do conto “Salão de Vintém”, incluído na antologia Bloco, publicada em 1946.

            No ano seguinte, cumpriu o serviço militar em Vendas Novas e na Figueira da Foz, seguindo-se o exercício de diversas atividades: agente de vendas, correspondente de Inglês, intérprete de uma companhia de aviação, etc. Entre 1949 e 1953, foi redator e chefe de redação da revista Eva, publicou as obras Caminheiros e Outros Contos e Histórias de Amor (que foi apreendida pela PIDE, que deteve igualmente o escritor, propondo-lhe a edição de uma edição mutilada da obra ou a sua apreensão, opção que Cardoso Pires preferiu), bem como o conto “Week-end”.

            Em 1953, o seu irmão faleceu num acidente com um avião militar. Posteriormente, dedicou-lhe O livro O Hóspede de Job, um protesto contra a chamada Guerra Fria. Nesse ano ainda, dirigiu as Edições Fólio e, em 1954, foi feita a primeira tradução de um texto de Cardoso Pires em Inglaterra, concretamente o conto “The Outsiders” (Os Caminheiros, em português).

            Em 1957, dirigiu a coleção “Teatro de Vanguarda”, das Edições Fólio. O ano seguinte foi bastante preenchido: publicou O Anjo Ancorado, participou no Congresso Mundial da Paz, realizado em Estocolmo, e assistiu ao Ciclo do Espetáculo Coletivo na ex-RDA.

            Em 1959, fez um estudo sobre Roger Vailland (in O Jogo da Cabra Cega) e fez estágio na revista Epoca, em Milão.

            Em 1960, fundou e dirigiu a revista Almanaque e integrou a representação portuguesa no Congresso de Crítica da Universidade do Recife. Entretanto, viu os escaparates a primeira edição de O Render dos Heróis.

            Em 1961, Cardoso Pires foi eleito membro da direção da Sociedade Portuguesa de Escritores pela lista presidida pro Jaime Cortesão. No ano seguinte, iniciou a atividade de copy-writer de publicidade, reestruturou a “Gazeta Musical e de Todas as Artes” e foi delegado no Congresso Internacional de Escritores, em Florença, onde foi eleito vice-presidente da delegação portuguesa da Comunitá Eoropea degli Scrittori.

            Em 1963, participou clandestinamente no Encontro dos Escritores Peninsulares, em Barcelona, editou O Hóspede de Job, que será a primeira edição estrangeira de um romance do autor em Itália. O mesmo livro receberá o Prémio de Novelística Camilo Castelo Branco e o Prémio dos suplementos literários em 1964.

            Em 1965, estreou O Render dos Heróis no teatro Império, em Lisboa. No ano seguinte, juntamente com figuras como Alçada Baptista, João Bénard da Costa, Lindley Cintra, Joel Serrão e José Augusto França, entre outros, fez parte do núcleo português da Association Internationale pour la Liberté de la Culture, que irá atuar como resistência cultural à repressão vivida na época na Península Ibérica.

            Em 1967, fundou e orientou o magazine de artes e letras do Jornal do Fundão& Etc – e publicou uma série de crónicas semanais no Diário Popular, denominadas “Os Lugares Comuns”. Seguiu-se a publicação de uma das obras principais da sua carreira literária – O Delfim –, em 1968, altura em que dirigia o suplemento literário (nova fase) do Diário Popular.

            Em 1969, lançou o suplemento A Mosca e, a convite da Universidade de Londres, lecionou Literatura Portuguesa e Brasileira no King’s College, de onde enviava crónicas para o Diário de Lisboa durante o ano de 1970. Regressou a Portugal no ano seguinte, tendo colaborado pontualmente na BBC, e deu início ao folhetim O Burro em Pé e participou nas comemorações do Cinquentenário do PEN Club, que tiveram lugar em Dublin.

            Em 1972, publicou o estudo “Técnica do Golpe da Censura” simultaneamente em Paris e Londres. A versão original só será publicada depois do 25 de Abril. Enquanto isso, na Assembleia Nacional estalou a polémica em torno do texto Dinossauro Excelentíssimo.

            Em 1974, por ocasião do aniversário do Jornal do Fundão, o Diário de Lisboa escreveu o seguinte sobre o escritor: “Um romancista, José Cardoso Pires, um poeta, Eugénio de Andrade, e um escultor, Cargaleiro, foram exaustivamente analisados e proclamados como testemunhas de um certo tempo português.” (29.01.1974). Em maio, foi designado Diretor-Adjunto do Diário de Lisboa e, em outubro, foi nomeado Vereador da Câmara Municipal de Lisboa e Presidente da Comissão Cultural do Município.

            Em 1975, marcou presença na Conferência Internacional da Independência de Porto Rico e no 25.º Festival da Cidade de Berlim e foi o representante português na Reunião de Helsínquia do Bureau da Presidência do Conselho Mundial da Paz.

            Em 1976, foi movido o primeiro processo sobre a liberdade de expressão em democracia, no caso sobre o Diário de Lisboa, cujos responsáveis, Ruella Ramos e Cardoso Pires, responderam por ter denunciado a violência e os abusos praticados pela polícia de segurança. Por outro lado, integrou a delegação oficial dos escritores portugueses à Bienal do Livro de São Paulo e foi o delegado à reunião do PEN Club de Copenhaga contra a repressão cultural em Espanha e na América Latina.

            Em 1977, foi publicado E Agora José?, um livro de memórias que constitui um excelente exercício sobre a escrita, seguido, em 1979, de O Burro em Pé.

            A década de 80 do século passado foi decisiva para a divulgação de José Cardoso Pires, concretamente com as obras Corpo-delito na Sala de Espelhos, em 1980, Balada da Praia dos Cães, em 1982, consagrado com o Grande Prémio de Novela da Sociedade Portuguesa de Autores e passado à tela pelo cineasta José Fonseca e Costa. Em 1987, saiu outro dos seus grandes livros – Alexandra Alpha – e, em 1988, A República dos Corvos.

            Nos anos seguintes, enfrentou vários problemas de saúde e só voltou a publicar em 1997, especificamente a obra De Profundis, Valsa Lenta, o relato de um tempo sem memória, após ter sido acometido de um AVC. Os seus últimos textos foram Lisboa – Livro de Bordo e Viagem à Ilha de Satanás.

            José Cardoso Pires faleceu a 26 de outubro de 1998, em Lisboa.

Calendário para políticos


 

domingo, 20 de março de 2022

Teoria Geral da Relatividade


Duque Susilo

    Em 20 de março de 1916, Einstein publicou a sua Teoria Geral da Relatividade, uma teoria geométrica da gravidade que a descreve como uma propriedade geométrica do espaço e do tempo.
 

sexta-feira, 18 de março de 2022

A loba putina


Oleksiy Kustovsky

 

David e Golias


Mike Luckovich

 

Análise da cena dos Judeus Casamenteiros da Farsa de Inês Pereira


 Ver a restante análise aqui: [análise-da-cena-dos-judeus-casamenteiros]

Análise da cena 8 da Farsa de Inês Pereira

 
Inês recusa o casamento com Pêro Marques, porque deseja casar com um homem [ideal de marido]:
‑ “discreto” (sábio, educado, de trato fino);
‑ que saiba tanger viola (atributo de cortesão, o que significa que Inês deseja casar com alguém de um nível social superior ao seu);
‑ carinhoso, tolerante, sensato e meigo (macio como a farinha – “discreto feito em farinha”);
‑ se tiver estas qualidades, não lhe interessa mais nada (que seja, eventualmente, feio, pobre, “sem feição”, ou que passe menos bem, isto é, que coma apenas “pão e cebola”).
        É a afirmação da ideia de ascensão social através do casamento.
 
 
Papel da mãe:
‑ conselheira e amiga: prudente, possui o sentido prático da vida:
. “Sempre tu has de bailar, / E sempre ele ha de tanger?” (vv. 407-408)® a vida não é só diversão;
. “Se não tiveres que comer, / O tanger ha de fartar.” ® é necessário trabalhar para ter sustento ma vida;
‑ premonitória em relação ao futuro da filha: “Como às vezes isso queima!” (v. 415).

            Ao reentrar em cena, mostra-se surpreendida por Pero Marques já se ter ido embora, ela que se tinha ausentado de casa para os deixar «à vontade».

            Por outro lado, alerta novamente a filha para a necessidade de se casar com alguém que lhe garanta segurança económica e uma vida estável, chamando-a à razão – a música não a alimentará.

 
 
Conceito de casamento
 
. Inês
            Para Inês, o casamento é uma forma de ascender socialmente e de diversão, algo que fica bem visível ao valorizar os dotes artísticos em detrimento da riqueza ou do conforto.
 
. Mãe
            O conceito de vida da Mãe é o oposto do da filha, ciente que está das responsabilidades que o matrimónio acarreta e da impossibilidade de se viver sem dinheiro. Esta personagem retoma as preocupações expostas na cena 2 da peça, alertando-a novamente para a necessidade de se casar com alguém que lhe garanta segurança económica.
            Por outro lado, censura a conceção de vida idealizada pela filha e dá-lhe conselhos com base em expressões de cariz popular e de caráter sentencioso (“Se não tiveres que comer / o tanger te há de fartar?”).
 
 
A Mãe enquanto personagem-tipo
 
            A Mãe, enquanto personagem-tipo, representa o grupo das mães que tem o mesmo tipo de preocupações relativamente às suas filhas, daí não ter nome na peça.
 
 
Conflito de gerações
 
            A relação entre a Mãe e Inês ao longo da peça configura o tradicional conflito de gerações entre pais e filhos. A jovem, pela idade, tem uma perspetiva imatura da vida, enquanto a Mãe, como pessoa mais velha, conhecedora e experiente, aconselha a filha a precaver-se quanto ao futuro: “Sempre tu hás de bailar / e sempre ele há de tanger? / Se não tiveres que comer / o tanger te há de fartar”.

Apresentação de Pero Marques - Análise das cenas 4 e 5 da Farsa de Inês Pereira

Caracterização das personagens
 
1.ª) Pero Marques
 
• Apresentação:

▪ Anda desorientado pelas ruas à procura da casa de Inês (confessa que não sabe onde mora, pois esqueceu-se; identifica-a através de uma parreira).

▪ Revela-se alegre e feliz por Inês o receber (“Folguei ora de vir cá”).

Objetivo da sua visita: saber a resposta de Inês à carta que lhe escreveu (“eu vos escrevi de lá / uma cartinha, senhora”).

▪ Desconhece a utilidade de uma cadeira e não sabe usá-la – nunca terá visto uma (“E que val aqui uma destas?”).

▪ Senta-se de costas para Inês e a Mãe (“Assentou-se com as costas pera elas e diz”).

Identificação:
- Nome: Pero Marques.
- Pai: Pero Marques, já falecido.
- Estatuto social:
. é rico; tem muito gado;
. herdou a maior...

 

Ver a restante análise aqui: {cena-do-Escudeiro}

Grande alívio na Ucrânia


Patrick Chappatte

 

segunda-feira, 14 de março de 2022

Análise da cena 7 da Farsa de Inês Pereira

             Após a saída de Pero Marques, Inês Pereira considera-o um covarde (note-se a comparação depreciativa com um judeu: “mais covarde que um judeu”; de facto, na época e nas peças de Gil Vicente, os judeus são muito mal considerados), dado que, encontrando-se sozinho com ela, preferiu ir-se embora em vez de a cortejar e seduzir.
            Qualquer outro homem teria agido de forma bem diferente, a coberto da «solidão» do encontro e da escuridão: “Se fora outro homem agora, / e me topara a tal hora / estando comigo às escuras, / dixera-me mil doçuras, [hipérbole] / ainda que mais nam fora.”
 

Análise da cena da Alcoviteira da Farsa de Inês Pereira

  Visita de Lianor Vaz
 
1. Caracterização de Lianor
 
▪ É uma alcoviteira / casamenteira: arranja casamentos.
 
▪ Apresenta-se como amiga e confidente de Inês Pereira.
 
▪ Na questão da apresentação de Pero Marques a Inês, mostra-se uma mulher persuasiva, sensata, experiente e prática.
 
▪ Entra em cena aflita, agitada e desorientada, «benzendo-se» e mostrando assim a sua aflição e esconjurando as más influências do clérigo que a tinha atacado.
 
▪ Foi atacada/assediada por um clérigo.
 
 
2. Episódio de Lianor Vaz
 
2.1. Resumo
 
            Lianor Vaz relata que, no caminho para a casa de Inês, um clérigo a atacou, sob o pretexto de saber se ela “era macho ou fêmea”.
            A Mãe confessa que...

Ver a restante análise aqui: [cena da Alcoviteira]

terça-feira, 1 de março de 2022

Análise da cena 1 da Farsa de Inês Pereira

  Cantiga entoada por Inês

 
            Na cantiga que abre o monólogo inicial [de uma das duas versões da peça que chegaram até nós], Inês questiona-se sobre o que acontecerá quando não se vê a pessoa amada, se, vendo-a, só se sofre e morre de amor. Deste modo, ela exprime o sofrimento de amor associado à morte de amor, traços característicos da ...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Análise da cena 2 da Farsa de Inês Pereira

 
Continuação do quadro de costumes: apresentação de um regime matriarcal, representado por uma mãe de bom senso a quem cabe a educação da filha (a mãe tenta convencer Inês, utilizando, muitas vezes, ditados populares), com os maridos ausentes nas “partes d’além”.
 
 
Caracterização da Mãe
 
• Quando regressa a casa da missa, é irónica: demonstra que conhece bem a filha e que, portanto, já sabia que Inês, sendo preguiçosa, durante a sua ausência não estaria a trabalhar (vv. 37 a 40). Considera-a...

Continuação do post: [cena 2].
 

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