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segunda-feira, 23 de maio de 2022

Finlândia e Suécia aderem à NATO


Alexandre Ballaman

 

Resumo do capítulo IX de Amor de Perdição


             João da Cruz regressa a casa e informa Simão de que tinha estado com a mãe, que lhe tinha enviado algum dinheiro. Grato pelos cuidados do ferrador e de Mariana, o jovem pede-lhe que aceite parte do dinheiro como pagamento da sua alimentação, mas aquele recusa a oferta.

            Teresa escreve novamente a Simão e aconselha-o a regressar a Coimbra, visto que Tadeu sabe onde o jovem se encontra. No entanto, noutra missiva, aconselha-o a não ir, pois receia que o seu pai a enclausure num convento mais rigoroso, e assegura-lhe que recusará sempre professar e que deseja fugir.

            Tadeu de Albuquerque avisa a filha de que a vai transferir para o convento do Porto no dia seguinte. A jovem escreve a Simão, relatando-lhe a decisão do pai, no entanto é denunciada pela escrivã. Assim, a mendiga é expulsa do convento e espancada pelo hortelão, que leva o bilhete de Teresa ao pai.

            A mendiga dirige-se a casa de João da Cruz e relata a Simão o que sucedeu, que fica determinado a ir a Viseu. Contudo, Mariana diz-lhe que tem uma amiga que poderá entregar uma carta a Teresa. Deste modo, inquieto, Simão escreve à fidalga, pedindo-lhe que fuja.

Resumo do capítulo VIII de Amor de Perdição

             Em sua casa, João da Cruz recomenda a Mariana que cuide de Simão e que o trate como «irmão ou marido», o que faz corar a filha. Quando o jovem sugere ao ferrador que case a filha, ele responde que Mariana tem muitos pretendentes, mas não aceita nenhum.

            Simão pede à filha de João da Cruz que lhe traga papel e lápis. Esta diz-lhe que tem conhecimento da sua relação com Teresa e do que sucedera aos criados de Baltasar. Além disso, afirma que conhece a família e que está muito grata a Domingos Botelho por ter livrado o pai da forca. Por último, revela-lhe que tinha estado presente na fonte aquando da cena de pancadaria e que tivera um sonho que indiciava que uma desgraça se iria abater sobre Simão.

            João da Cruz entrega a Simão uma missiva trazida por uma mendiga que o informa de que Teresa se encontra no convento, no Porto. Esta nova deixa Mariana um pouco feliz. O jovem responde à carta, pedindo à amada que fuja. Se esta fugisse, ele raptá-la-ia no trajeto. A finalizar a missiva, reafirma o seu amor pela fidalga e a sua decisão de se sacrificar por ela.

            O ferrador apercebe-se de que Simão está sem dinheiro e comunica-o à filha, que se prontifica a lhe entregar as suas economias e congemina um plano para fazer crer que seria D. Rita, a mãe, a enviar o dinheiro ao filho através de João da Cruz. Simão estranha o gesto da progenitora, mas aceita o dinheiro. No final do capítulo, o filho de Domingos Botelho fica consciente de que a Mariana o ama.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

A escalada dos preços


Peter Brooks

 

Resumo do capítulo VII de Amor de Perdição


            Apesar do ferimento no braço, Simão preocupa-se apenas com Teresa, da qual recebeu uma carta transportada por uma mendiga, na qual a fidalga afirma estranhar o comportamento condescendente do seu pai e de Baltasar e aconselha o amado a fugir para Coimbra. Rita, irmã de Simão, informa Teresa de que tinham sido encontrados mortos dois criados de Baltasar. A fidalga pressente algo e fica extremamente inquieta. De seguida, escreve novamente a Simão, manifestando-lhe toda a sua preocupação, no entanto este responde-lhe de forma a tranquiliza-la e promete-lhe acatar o seu conselho e ir para Coimbra assim que lhe for possível.

            Entretanto, Tadeu de Albuquerque decide enviar a filha para um convento no Porto, cuja madre prioresa é sua familiar. Teresa aceita a decisão paterna sem questionar, apesar da tristeza que a mesma acarreta para si. Antes de partir para o Porto, a fidalga fica num convento em Viseu. Ao entrar na clausura, Teresa afirma que se sente livre.

            A madre prioresa, então, descreve a vida conventual a Teresa como se se tratasse de um paraíso, onde as religiosas vivem em harmonia e comunhão. No entanto, rapidamente a jovem se apercebe de que tal não corresponde à verdade, visto que as monjas eram intriguistas e adotavam uma conduta pouco consonante com a vida conventual.

            Contrariando as instruções de Tadeu, a madre escrivã oferece à fidalga papel, tinteiro e o seu quarto para que ela possa escrever a Simão. Além disso, oferece-se para receber em seu nome as cartas do filho de Domingos Botelho.

            Teresa dorme na mesma cela da madre prioresa, mas, apesar disso, consegue escrever a Simão, mostrando-se firme nos seus sentimentos por ele e prometendo mantê-lo a par das resoluções de seu pai.

Resumo do capítulo VI de Amor de Perdição


             Baltasar e os seus criados esperam por Simão à porta da casa de Teresa, quando veem chegar João da Cruz, que tinha avisado o filho do corregedor da presença do primo de Teresa e dos seus criados. O ferrador recomenda-lhe prudência e sugere-lhe que siga os seus conselhos para evitar problemas.

            Simão chega à fala com Teresa no quintal de sua casa. João da Cruz suspeita que Baltasar esteja a armar uma cilada a Simão, por isso acompanha-o sem este saber, chegando primeiro ao local do encontro. Entretanto, apercebe-se de que os criados de Baltasar esperam o fidalgo no caminho e ouve o som de dois tiros. Na emboscada, o filho de Domingos Botelho é ferido no ombro.

            Os dois grupos veem-se frente a frente e o ferrador dispara mortalmente sobre um dos criados de Baltasar, enquanto o outro foge e se esconde no mato, porém é descoberto pelo arrieiro e por João da Cruz. Apesar dos pedidos de Simão para que o poupe e das súplicas do homem, o ferrador abate-o longe dos olhos dos companheiros, gesto que deixa o jovem horrorizado.

terça-feira, 17 de maio de 2022

A ideia de uma Internet aberta e acessível a todos está em risco


    A ideia de uma Internet aberta, acessível a todos está em risco? O controle mais apertado de governos e organizações sobre os conteúdos e as plataformas é um risco para o futuro e várias organizações querem medidas para evitar a morte da Internet como a conhecemos.

    Os alertas para o controle e bloqueio de serviços são antigos e Tim Berners-Lee já defende há vários anos um “Contrato para a Internet” para reparar o que na sua perspetiva está errado com a grande rede. A iniciativa data de 2019 e a visão do “pai da World Wide Web” já reuniu milhares de empresas e organizações que assinaram este “Contrato” com nove compromissos em várias áreas.

    Podem estas iniciativas e avisos ter efeito? Que impacto tem o isolamento progressivo da Rússia? Ricardo Lafuente, vice presidente da associação D3 – Direitos Digitais lembra que a balcanização da Internet não é nova e que neste momento é difícil fazer previsões sobre o que vai acontecer.

“COM A INVASÃO DA UCRÂNIA AINDA EM CURSO E UMA GRANDE INCERTEZA SOBRE OS PRÓXIMOS PASSOS DA CHINA FACE A TAIWAN, É ARRISCADO FAZER QUALQUER PREVISÃO DO QUE SE IRÁ TORNAR A INTERNET – SÓ SABEMOS QUE MUITO VAI MUDAR”, AFIRMA EM ENTREVISTA AO SAPO TEK, AVISANDO QUE “O QUE SE DISCUTE AGORA É O QUANTO SE IRÁ AGRAVAR FACE À REALIDADE GEOPOLÍTICA ATUAL”.

    A utilização da Internet como arma nos conflitos, em especial por regimes totalitários mas também por países democráticos, para controlar a população, reprimir dissidências internas e fazer pressão política são medidas que “têm sido aplicadas regularmente nos conflitos contemporâneos, mas a proximidade da invasão da Ucrânia veio dar ao ocidente outra perspetiva relativamente ao acesso à Internet como arma e mecanismo de controlo”, explica Ricardo Lafuente, apontando a tática russa de desviar tráfego das zonas ocupa-as para passar por servidores russos, com objetivo de vigilância das comunicações.

    A Internet Society é outra das organizações que tem vindo a alertar para a possibilidade da fragmentação deitar por terra décadas de esforço para garantir a ligação do mundo inteiro, dividindo a Internet numa série de redes separadas, sem pontos de contacto.

“PODEM USAR OS MESMOS NOMES E PROTOCOLOS, MAS OS GOVERNOS E EMPRESAS PODEM TORNAR-SE OS ‘PORTEIROS’ DO ACESSO AO QUE AS PESSOAS PODEM FAZER, VER E ACEDER NESSAS REDES”, ADIANTA A ORGANIZAÇÃO.

    E não é só o fluxo dos dados que está em causa, mas o próprio comércio internacional, assim como a divisão digital.

    Dan York, diretor da Internet Society, defende que o impacto na nossa forma de viver é profundo e exemplifica, de forma simples, com o caso de quem não consegue aceder ao Facebook, tem uma alternativa ao Google porque o motor de busca está bloqueado e que mesmo a Wikipedia está fora de alcance. “Podemos usar os mesmos browsers e programas de email mas não conseguimos chegar aos mesmos sítios. E mesmo que consiga, não tem a certeza se o governo local está a monitorizar tudo o que faz online”.

“A INTERNET FOI BEM SUCEDIDA PORQUE É ABERTA, SEM RESTRIÇÕES, E COM PROTOCOLOS COMUNS. PARA O MANTER TEMOS DE PARAR A DIVISÃO E FRAGMENTAÇÃO”, DEFENDE DAN YORK.

    Ricardo Lafuente admite a esperança de que a União Europeia tenha impacto na defesa de uma Internet livre e aberta, mas avisa que a posição tem sido ambivalente e que “tem havido desenvolvimentos que nos deixam apreensivos”, referindo a recente ideia de fazer vigilância massiva e reduzir a encriptação com o pretexto de proteger as crianças.

Fonte: tek.sapo.pt [link]

segunda-feira, 16 de maio de 2022

"Runaway", Del Shannon


1961

Resumo do capítulo V de Amor de Perdição


             Para Tadeu, a festa de aniversário tinha como propósito apresentar a sua filha a outros jovens e, deste modo, desviar a sua atenção de Simão. Teresa sente-se ansiosa e inquieta por causa do encontro com o seu amado. Quando se dirige ao local combinado, é seguida por Baltasar. Por esse motivo, assim que consegue, incita Simão a ir-se embora e a voltar no dia seguinte à mesma hora. No entanto, a jovem não consegue impedir o conflito que se adivinha, e Baltasar e Simão encontram-se nos arredores da casa e têm um breve diálogo frio e seco.

            De seguida, Simão regressa a casa de João da Cruz, que lhe revela ter recebido um pedido de Baltasar para que o matasse a troco de dinheiro, o que ele recusou. Oferece, então, os seus serviços ao fidalgo e disponibiliza-se para o acompanhar ao encontro com Teresa, no dia seguinte.

            Mariana, a filha do narrador, uma jovem de vinte e quatro anos, receia pelo destino de Simão e não esconde as lágrimas, quando sabe dos seus planos arriscados de se encontrar com Teresa.

Desfile da vitória da Ucrânia na Eurovisão


Patrick Blower

Resumo do capítulo IV de Amor de Perdição


             Teresa é uma mulher forte, inteligente, astuta e «distintíssima», profundamente apaixonada por Simão. Apesar da distância física entre os dois, o amor é forte, sendo alimentado pelas cartas que trocavam semanalmente.

            Tadeu comunica à filha que a irá casar com Baltasar, mas Teresa recusa liminarmente, o que o leva a ameaçá-la de novo com o convento, contudo Baltasar aconselha o tio a não proceder assim e a aguardar o regresso de Simão a Viseu.

            Teresa escreve a Simão, contando-lhe o que sucedeu, o que o deixa furioso. Decidido a ver a amada, desloca-se a Viseu e hospeda-se em casa de João da Cruz, um ferrador, que sente gratidão por Domingos Botelho por causa de um favor judicial que o livrou da forca. Posteriormente, o para amoroso troca correspondência através de uma mendiga e, numa das missivas, Teresa combina um encontro secreto em sua casa, na noite do seu aniversário. Às vinte e três horas, Simão espera a amada à porta do quintal.

Resumo do capítulo III de Amor de Perdição


             Teresa conheceu Rita, a irmã mais nova e a predileta de Simão, e com ela comunicava através das janelas, o que proporcionou o surgimento de uma relação de amizade entre ambas, chegando mesmo Teresa a revelar-lhe o seu amor pelo irmão. Um dia, porém, Domingos Botelho descobriu a amizade entre as duas jovens e ordenou a Teresa que se afastasse de Simão. Além disso, injuriou Tadeu de Albuquerque, que não lhe respondeu, quando este surgiu no quarto da filha.
            Posteriormente, são-nos revelados os planos de Tadeu relativamente a Teresa, que passavam por a casar com Baltasar Coutinho, seu primo, um fidalgo de Castro Daire, entretanto chegado a Viseu. Numa conversa com a prima, Baltasar manifestou vontade de a desposar, porém a jovem rejeitou-o e confessou que amava outro homem. Despeitado pela rejeição, o fidalgo afirmou a vontade de conduzir os destinos de Teresa e revelou a Tadeu a conversa. O pai da rapariga, ferido na sua autoridade paterna, proibiu-a de se relacionar com Simão e ameaçou novamente que a encerraria num convento, ao que a filha anuiu, já que era essa era a vontade do progenitor.

Sergei Lavrov, o poeta russo


Maxim Palenlo

domingo, 15 de maio de 2022

Resumo do capítulo II de Amor de Perdição


             Simão era um adepto dos ideais da Revolução Francesa, o que assumia com orgulho. Em consonância, defendia uma revolução pelas armas em Portugal, o que afastou alguns dos seus companheiros e o levou ao cárcere académico durante seis meses. Deste modo, reprovou o ano letivo, e o pai repeliu-o da sua presença.

            Porém, Simão mudou radicalmente quando conheceu Teresa Albuquerque, que viu pela primeira vez da janela do seu quarto. Tratava-se de uma «menina de quinze anos, rica herdeira, regularmente bonita e bem-nascida», filha de Tadeu de Albuquerque, inimigo figadal de Domingos Botelho, devido a questões judiciais, e o seu ódio aumentou quando o filho do juiz feriu dois criados seus no incidente da fonte.

            Teresa e Simão apaixonaram-se e faziam planos de vida em comum. Todavia, um dia, Tadeu surpreendeu Teresa e Simão namorando à janela e arrancou-a violentamente daí. Ao ouvir os gemidos da sua amada, Simão ficou muito perturbado e passou a noite pensando em vingança. Quando amanheceu, decidiu voltar a Coimbra e lá esperar notícias de Teresa, que lhe escreveu, informando-o da ameaça de seu pai de a encerrar num convento. Apesar da ameaça, a jovem mantém-se firma no seu amor por Simão e disposta a tudo suportar em seu nome.

            Em Coimbra, Simão torna-se um estudante exemplar, movido pelo desejo de «sustentar dignamente a esposa». Esta mudança levou Manuel a viver de novo com o irmão.

29 anos depois, Benfica é de novo campeão nacional de andebol feminino



Resumo do capítulo I de Amor de Perdição


             O capítulo abre com o retrato caricaturado de Domingos Botelho, um fidalgo de província, avô de Camilo Castelo Branco: em 1779, era juiz em Cascais; por ser pouco inteligente, deram-lhe a alcunha de «Brocas», a qual sugere a sua rudeza; apesar de ser feio, não possuir grandes virtudes e ter pouca fortuna, tinha a simpatia da rainha D. Maria, de quem recebia uma pensão; frequentava o paço, onde conheceu D. Rita Castelo Branco, uma bela com quem casou; pouco depois, foi transferido para Vila Real.

            Pelo contrário, D. Rita Preciosa era uma mulher bonita. Além disso, era altiva e desdenhava qualquer fidalgo da província, de onde era originário o seu marido, Domingos Botelho, que se esforçava para lhe agradar. Após a mudança para Vila Real, D. Rita tinha saudades da corte e mostrava frequentemente o seu desagradado com a vida de casada longe do Paço. Assim sendo, a senhora vivia infeliz, pois desagradava-lhe o ambiente e a vida na província e as condições que o marido lhe proporcionava. Este, por sua vez, vivia angustiado com a sua feiura, sentimento que se acentuava pelos ciúmes que tinha dela e da sua beleza. Quando foi transferido para Lamego, o facto desagradou de tal modo à esposa que esta ameaçou ir com os filhos [do matrimónio nasceram cinco, um dos quais era Simão, o segundo] para Lisboa.

            Em 1801, Domingos Botelho foi nomeado corregedor em Viseu, pelo que a família teve de se mudar para essa cidade. Nesta época, Simão tem 15 anos e estuda em Coimbra – de onde regressou com os exames feitos, o que deixou o pai satisfeito –, assim como Manuel, o irmão mais velho, que se queixa a Domingos de não poder coabitar com Simão, por causa do «génio sanguinário» deste e decide ir para Bragança para se alistar no exército como cadete.

            Simão é um jovem forte, fisicamente parecido com D. Rita, com propensão para distúrbios, o que desagradava naturalmente aos pais. Certo dia, de férias em Viseu, envolveu-se numa briga numa fonte, durante a qual espancou uns criados com tanta violência que causou pânico na população e levou a mãe a enviá-lo às escondidas de volta para Coimbra, onde ficou a aguardar o perdão do pai.


quinta-feira, 12 de maio de 2022

Resumo da Introdução de Amor de Perdição


             O narrador, na Introdução, num primeiro momento, apresenta os motivos que o levaram a escrever Amor de Perdição. Assim, refere que encontrou na Cadeia da Relação do Porto antigos registos de entrada dos prisioneiros, num dos quais havia uma nota sobre a prisão de Simão Botelho onde é possível encontrar algumas informações sobre esse prisioneiro, nomeadamente a filiação e a fisionomia. Atesta-se nesse documento que Simão Botelho partiu para o degredo na Índia em 17 de março de 1807.

            De seguida, o narrador comove-se com o sofrimento do condenado, jovem de apenas 18 anos, e com o motivo que o levou ao cárcere: o amor puro, inocente e jovem, que o levou à perdição. De facto, Simão é o protagonista de uma história de amor, que o narrador resume na seguinte frase: «Amou, perdeu-se e morreu amando». Em tom coloquial, dirige-se especialmente às leitoras [o narratário]. Porquê a elas? Porque, enquanto pertencentes ao género feminino, se comoverão, certamente, com a história do jovem e sentirão compaixão pelo seu caso, que, na sua visão, será injusto. Nesta sequência, dá a conhecer ao leitor o ódio e a indignação que sentiu quando tomou conhecimento da história de Simão, vítima da injustiça, dos ódios pessoais e da insensibilidade dos homens.

domingo, 8 de maio de 2022

Genocídio


Marco de Angelis

 

Origem da palavra «gravata»


    Qual é a origem da palavra gravata?

    O professor Marco Neves, neste post, explica-nos a sua origem, numa viagem que começa na Croácia e termina em Portuga, passando pela França.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

'Conselho' ou 'concelho'?

    
    Neste caso, foi o tradutor da série «American Dad» que confundiu «conselho» com «concelho». 

    Não há professor de português que resista a isto, pois é apenas um indivíduo a lutar contra um mundo de analfabetos funcionais. E, já se sabe, a maioria vence sempre.

A concordância entre o nome e o adjetivo

    
    Cá está a nossa imprensa, sempre pronta a proporcionar-nos momentos divertidos. Neste caso, o jornal desportivo "A Bola" presenteia-nos com um título é colocado a qualificar o nome «promessa» (género feminino) o adjetivo «referenciado» (género masculino).
    Tratar-se-á de uma simples distração, certamente, mas não deixa de ser um erro grotesco de quem escreveu e/ou transcreveu a barbaridade para a rede.

A subida dos combustíveis


Plop & Kankr

 

segunda-feira, 2 de maio de 2022

terça-feira, 26 de abril de 2022

Eleições presidenciais em França


 

Análise da cena 16 da Farsa de Inês Pereira - Monólogo de Inês



● O Moço reentra em cena trazendo uma carta para Inês que lhe foi enviada pelo seu irmão, que também se encontrava no mesmo local onde estava Brás da Mata, em Arzila.
 
Tempo
 
            Por uma fala do Moço, ficamos a saber que já passaram três meses desde que o Escudeiro partiu para África, porém, para Inês, o marido teria partido há menos tempo.
 
● Que informações traz a carta?

▪ O irmão pede a Inês que tenha coragem.

▪ O Escudeiro morreu.

▪ Foi morto por um pastor quando fugia de uma batalha, em Arzila.

 
Simbologia da carta: a missiva representa a liberdade de Inês, a possibilidade de um recomeço.
 
● Como reagem Inês e o Moço à notícia?

        O Moço sente-se triste, enquanto Inês manifesta felicidade, alegria e alívio. Esta antítese realça a oposição de sentimentos provocados pela morte do Escudeiro: a tristeza do Moço (fingida ou verdadeira, por ficar desamparado), a alegria de Inês, por se libertar do casamento que a aprisionava.

 
● Como se explicam estas reações?

        O Moço sempre criticou as atitudes do Escudeiro e denunciou a sua pobreza, decadência e falta de valores. Deste modo, podemos questionar a sinceridade da sua reação e subentender que as suas palavras encerram alguma ironia, ou seja, a pena e a tristeza podem ser fingimento, mas também se pode considerar que a sua tristeza é autêntica, por ficar desamparado.

        Por seu turno, para Inês, acabou-se o casamento (“Desatado é o nó.” – metáfora), acabou-se o cativeiro. Assim sendo, está livre e pode recomeçar a vida.

 
● Inês manda o Moço embora (“Dai-me cá essa chave / e ide buscar vossa vida.”) e expressa toda a sua alegria: “Mas que nova tão suave!”. De seguida, decide não pôr luto e salienta o seu caráter: forte com uma mulher frágil e fraco e cobarde na guerra. Além disso, manifesta-se desiludida, frustrada, revoltada e arrependida de ter casado com um homem arrogante, desrespeitador, fingido, dissimulado e hipócrita. Tudo em Brás da Mata era fingido e falso: começou por se apresentar como um homem bem-falante, cortês e que prometia um casamento feliz a Inês. Depois de casado, mostrou que a primeira impressão era falsa, pois comportou-se e fez o contrário do que tinha prometido. A sua fuga do campo de batalha mostrou que também a sua coragem era falsa.
 
● A cena termina com o desejo de Inês: ela deseja um «muito manso marido», ou seja, alguém que seja calmo, de temperamento fácil, que lhe faça todas as vontades, “pera boa vida gozar”.
 
● O casamento com o Escudeiro serviu-lhe de lição. Ela aprendeu com a experiência: “Não no quero já sabido, / pois tão caro há de custar”.
 
● Pela cena, podemos verificar que o conceito de «liberdade» se alterou ao longo da peça para Inês:
→ inicialmente: sinónimo de casamento com um homem da corte;
→ após o casamento: consciência de que o casamento pode ser sinónimo de cativeiro, subjugação;
após a notícia da morte do Escudeiro: opção por um “muito manso marido” como forma de emancipação / libertação.
 
● Este passo da farsa relembra a cantiga de escárnio e maldizer “Dom Foão, que eu sei que há preço de livão”, dado que, tanto o dito D. Foão como Brás da Mata se revelam fracos e cobardes na guerra – Brás da Mata morre às mãos de um pastor ao fugir da batalha e a figura da cantiga foge para Portugal assim que vê os cavaleiros inimigos.
 
 
● A crítica:
-» a ironia de Inês quando recebe a carta de Arzila:
. “Já ele partiu de Tavila?” (v. 896);
. “Para mim era valente
E matou-o um mouro só!” (vv. 926-927);
-» o cómico de caráter: o contraste entre a aparência e a realidade do carácter do Escudeiro Personagem pobre e covarde, mas dissimulando, na elegância do seu discurso, na variedade das suas prendas – tocar, cantar – e na fanfarronice solene todas as suas fraquezas e misérias), culminando com a notícia da sua morte e da forma como ocorreu, ou seja, morto por um pastor quando fugia da batalha.
 

sábado, 23 de abril de 2022

Nicola Listish

Hamid Soufi


Oleg Gutsol

O divã russo


António


Contexto de O Delfim

             A obra O Delfim procura dar uma imagem de Portugal dos anos 60 do século XX, ou seja, em pleno Estado Novo.

            Por norma, os regimes totalitários surgem e ganham preponderância a seguir a períodos de crise. Foi o que sucedeu em Portugal no início do século passado. O nosso país participou na I Guerra Mundial e, na sequência deste conflito, atravessou uma profunda crise política e económica, marcada pela ascensão e quedas de sucessivos governos, alguns dos quais duraram apenas meses, e pelo disparar da dívida externa. A instabilidade era tão grande (causada não apenas pelos estilhados do conflito bélico, mas também pelo estertor da Monarquia e pela I República) que, no início da década de 30, António de Oliveira Salazar, que já era ministro das Finanças, ascendeu ao posto de primeiro-ministro e centralizou na sua pessoa a direção de diversas pastas ministeriais.

            A política protagonizada por Salazar focou-se essencialmente na contenção das despesas internas, o que evitou ou atenuou a dependência de capitais externos, e na criação de uma moeda forte. Já em 1928 o estadista dizia o seguinte: “Advoguei sempre uma política de administração, tão clara e tão simples como a pode fazer qualquer boa dona de casa – política comezinha e modesta que consiste em se gastar bem o que se possui e não se despender mais do que os próprios recursos.”

            O sucesso desta política valeu-lhe o título de “Salvador da Pátria” e um grande prestígio interno que lhe permitiu fazer passar legislação diversa, como a Constituição de 1933, organizações fascistas, como a Mocidade Portuguesa, bem como o código do Ato Colonial, que estatuía a política para as colónias portuguesas e lhe permitiriam conservar o poder até à sua morte. Este rumo político fez com que Portugal continuasse a ser um país agrícola e pouco industrializado, o que levou José Cardoso Pires a criar um neologismo metafórico: camponeses-operários.

            Estes princípios tinham como finalidade a proteção do Estado, cujo lema era “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”, no entanto, na realidade, em vez de visarem o bem geral da população, apenas protegiam a classe dominante que gravitava em torno do governo. Em contrapartida, o Estado Novo reprimia todo aquele que fizesse ondas e criticasse a situação, estabelecendo medidas como a proibição da existência de partidos políticos, a censura de ideias, a proibição da livre associação de pessoas, a abolição do direito à greve e por aí fora.

            O clima de repressão era legitimado pelas leis promulgadas pelo governo e sustentado pela polícia política – a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), futura DGS (Direção-Geral de Segurança), que, anteriormente, já tinha tido outras designações e se foi aperfeiçoando ao longo do tempo.

            A PIDE exercia a sua ação de forma implacável e causando o terror entre a população, perseguindo, prendendo pessoas sem justa causa, torturando-as e mantendo-as em seu poder pelo tempo que entendesse, sem culpa formada e sem qualquer julgamento. Por outro lado, possuía uma rede de informadores que fazia com que as pessoas receassem expressar qualquer opinião contrária ou crítica do governo, instigava os filhos a denunciarem os pais, as mulheres os maridos, massacrava e torturava os seus presos em verdadeiros campos de concentração, como o Tarrafal, ou em prisões, como a de Peniche, de onde fugiu Álvaro Cunhal, o célebre dirigente do PCP.

            Outro mecanismo central da política do Estado Novo era a censura, que controlava a rádio, a televisão, os jornais e diversas outras publicações, e apenas permitia que fosse publicado aquilo que interessa ao governo. José Cardoso Pires foi uma das muitas pessoas perseguidas pelo governo salazarista. Convém notar que, no que diz respeito à publicação de livros, não existia censura prévia, sendo aqueles censurados somente depois de estarem impressos, o que fazia com que alguns escritores e editores tivessem de praticar a pior forma de censura possível – a autocensura –, visto que, se a obra fosse recusada pelo sistema, para além da perseguição política, haveria prejuízo económico para o editor, que corria o risco de ver o seu negócio ser encerrado pela PIDE.

            Curiosamente, O Delfim não foi censurado. Porquê? É possível que tal se tenha ficado a dever à chamada “primavera marcelista”, um período caracterizado por alguma abertura política; no entanto, segundo o próprio Cardoso Pires a razão prender-se-ia com o «iletrismo» dos censores. Na verdade, grande parte dos censores sabia ler e escrever, mas muitos eram analfabetos funcionais, isto é, liam, porém não sabiam interpretar aquilo que liam ou então possuíam um fraco nível cultural. Assim sendo, textos que, por exemplo, aludissem aos tiranos da Grécia antiga podiam ser censurados apenas por conterem as palavras «tiranos» ou «democracia». No caso de censores de obras literárias, muitos fiavam-se na autocensura dos escritores e editores, pelo que, por inércia, ou por terem muito trabalho (leia-se muito que censurar), não liam os livros na totalidade.

            Curiosamente, a entrada de Portugal na NATO, organização de que foi fundador, em 1949, parece ter contribuído para que o país passasse, lá fora, uma imagem de país democrático. Em alternativa, poderá ter sucedido que o mundo fechou, pela razão exposta, os olhos à situação que por cá se vivia durante muito tempo. A NATO, a que pertenciam unicamente países de regime democrático, concedeu-nos algum prestígio internacional, graças apenas a acordos de conveniência estabelecidos com aquela e que se ficaram a dever, sobretudo, à extrema importância estratégica do Portugal continental e ilhas, isto é, as demais nações ocidentais viam no nosso país um travão a qualquer tentativa de avanço comunista. Além disso, há que considerar também a grande importância económica de colónias como Angola e Moçambique, nas quais as grandes potências mundiais detinham muitos interesses económicos.

            Por outro lado, Portugal apresentou a sua candidatura a membro de pleno direito da ONU (a que não pertencia por se ter declarado neutral na Segunda Guerra Mundial) em 1946, mas foi recusada, situação que se iria repetir até 1955, ano da adesão efetiva. Apesar de ter apresentado a sua candidatura com base num convite de três membros permanentes do Conselho de Segurança (França, Estados Unidos e Reino Unido), o nosso país foi confrontado com o veto da União Soviética. Embora a adesão constituísse uma grande vitória da diplomacia externa portuguesa, o próprio Salazar tinha objeções à mesma. Um dos efeitos positivos da entrada na ONU foi a realização de eleições, que, no entanto, foram uma farsa. Além disso, só nos finais dos anos 60 as mulheres obtiveram o direito ao voto e os votos dos homens nas eleições anteriores foram completamento falseados pelo regime salazarista, que fez com que os seus partidários votassem várias vezes, ou até que se atribuíssem votos a pessoas já falecidas.

            Deste modo, podemos concluir que o Portugal retratado em O Delfim era um país amordaçado, sem liberdade de qualquer tipo, atrasado e governado por um regime autoritário e opressivo. No entanto, não lhe foi possível abafar tudo nem conter algumas vozes que ousaram traduzir o descontentamento geral da população e afirmar a insustentabilidade da política nacional. Por outro lado, convém não esquecer que existiam partidos a operar na clandestinidade, como o PCP, e inúmeros opositores ao regime, que aumentaram em número e de tom após a eclosão da guerra colonial em 1961. A partir desse momento, várias pessoas fugiram de Portugal para escapar ao recrutamento para a guerra e/ou para não serem perseguidas e presas pela PIDE.
 
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