quinta-feira, 26 de maio de 2022
segunda-feira, 23 de maio de 2022
Resumo do capítulo IX de Amor de Perdição
João da Cruz regressa a casa e informa Simão de que tinha estado com a mãe, que lhe tinha enviado algum dinheiro. Grato pelos cuidados do ferrador e de Mariana, o jovem pede-lhe que aceite parte do dinheiro como pagamento da sua alimentação, mas aquele recusa a oferta.
Teresa escreve novamente a Simão e
aconselha-o a regressar a Coimbra, visto que Tadeu sabe onde o jovem se
encontra. No entanto, noutra missiva, aconselha-o a não ir, pois receia que o
seu pai a enclausure num convento mais rigoroso, e assegura-lhe que recusará sempre
professar e que deseja fugir.
Tadeu de Albuquerque avisa a filha
de que a vai transferir para o convento do Porto no dia seguinte. A jovem
escreve a Simão, relatando-lhe a decisão do pai, no entanto é denunciada pela
escrivã. Assim, a mendiga é expulsa do convento e espancada pelo hortelão, que
leva o bilhete de Teresa ao pai.
A mendiga dirige-se a casa de João
da Cruz e relata a Simão o que sucedeu, que fica determinado a ir a Viseu. Contudo,
Mariana diz-lhe que tem uma amiga que poderá entregar uma carta a Teresa. Deste
modo, inquieto, Simão escreve à fidalga, pedindo-lhe que fuja.
Resumo do capítulo VIII de Amor de Perdição
Em sua casa, João da Cruz recomenda a Mariana que cuide de Simão e que o trate como «irmão ou marido», o que faz corar a filha. Quando o jovem sugere ao ferrador que case a filha, ele responde que Mariana tem muitos pretendentes, mas não aceita nenhum.
Simão pede à filha de João da Cruz
que lhe traga papel e lápis. Esta diz-lhe que tem conhecimento da sua relação
com Teresa e do que sucedera aos criados de Baltasar. Além disso, afirma que
conhece a família e que está muito grata a Domingos Botelho por ter livrado o
pai da forca. Por último, revela-lhe que tinha estado presente na fonte aquando
da cena de pancadaria e que tivera um sonho que indiciava que uma desgraça se
iria abater sobre Simão.
João da Cruz entrega a Simão uma missiva
trazida por uma mendiga que o informa de que Teresa se encontra no convento, no
Porto. Esta nova deixa Mariana um pouco feliz. O jovem responde à carta,
pedindo à amada que fuja. Se esta fugisse, ele raptá-la-ia no trajeto. A
finalizar a missiva, reafirma o seu amor pela fidalga e a sua decisão de se
sacrificar por ela.
O ferrador apercebe-se de que Simão
está sem dinheiro e comunica-o à filha, que se prontifica a lhe entregar as
suas economias e congemina um plano para fazer crer que seria D. Rita, a mãe, a
enviar o dinheiro ao filho através de João da Cruz. Simão estranha o gesto da
progenitora, mas aceita o dinheiro. No final do capítulo, o filho de Domingos
Botelho fica consciente de que a Mariana o ama.
sexta-feira, 20 de maio de 2022
Resumo do capítulo VII de Amor de Perdição
Entretanto, Tadeu de Albuquerque
decide enviar a filha para um convento no Porto, cuja madre prioresa é sua
familiar. Teresa aceita a decisão paterna sem questionar, apesar da tristeza
que a mesma acarreta para si. Antes de partir para o Porto, a fidalga fica num
convento em Viseu. Ao entrar na
clausura, Teresa afirma que se sente livre.
A madre prioresa, então, descreve a
vida conventual a Teresa como se se tratasse de um paraíso, onde as religiosas
vivem em harmonia e comunhão. No entanto, rapidamente a jovem se apercebe de
que tal não corresponde à verdade, visto que as monjas eram intriguistas e
adotavam uma conduta pouco consonante com a vida conventual.
Contrariando as instruções de Tadeu,
a madre escrivã oferece à fidalga papel, tinteiro e o seu quarto para que ela
possa escrever a Simão. Além disso, oferece-se para receber em seu nome as cartas
do filho de Domingos Botelho.
Teresa dorme na mesma cela da madre prioresa, mas, apesar disso, consegue escrever a Simão, mostrando-se firme nos seus sentimentos por ele e prometendo mantê-lo a par das resoluções de seu pai.
Resumo do capítulo VI de Amor de Perdição
Simão chega à fala com Teresa no
quintal de sua casa. João da Cruz suspeita que Baltasar esteja a armar uma
cilada a Simão, por isso acompanha-o sem este saber, chegando primeiro ao local
do encontro. Entretanto, apercebe-se de que os criados de Baltasar esperam o
fidalgo no caminho e ouve o som de dois tiros. Na emboscada, o filho de
Domingos Botelho é ferido no ombro.
terça-feira, 17 de maio de 2022
A ideia de uma Internet aberta e acessível a todos está em risco
Podem estas iniciativas e avisos ter efeito? Que impacto tem o isolamento progressivo da Rússia? Ricardo Lafuente, vice presidente da associação D3 – Direitos Digitais lembra que a balcanização da Internet não é nova e que neste momento é difícil fazer previsões sobre o que vai acontecer.
“COM A INVASÃO DA UCRÂNIA AINDA EM CURSO E UMA GRANDE INCERTEZA SOBRE OS PRÓXIMOS PASSOS DA CHINA FACE A TAIWAN, É ARRISCADO FAZER QUALQUER PREVISÃO DO QUE SE IRÁ TORNAR A INTERNET – SÓ SABEMOS QUE MUITO VAI MUDAR”, AFIRMA EM ENTREVISTA AO SAPO TEK, AVISANDO QUE “O QUE SE DISCUTE AGORA É O QUANTO SE IRÁ AGRAVAR FACE À REALIDADE GEOPOLÍTICA ATUAL”.
A utilização da Internet como arma nos conflitos, em especial por regimes totalitários mas também por países democráticos, para controlar a população, reprimir dissidências internas e fazer pressão política são medidas que “têm sido aplicadas regularmente nos conflitos contemporâneos, mas a proximidade da invasão da Ucrânia veio dar ao ocidente outra perspetiva relativamente ao acesso à Internet como arma e mecanismo de controlo”, explica Ricardo Lafuente, apontando a tática russa de desviar tráfego das zonas ocupa-as para passar por servidores russos, com objetivo de vigilância das comunicações.
A Internet Society é outra das organizações que tem vindo a alertar para a possibilidade da fragmentação deitar por terra décadas de esforço para garantir a ligação do mundo inteiro, dividindo a Internet numa série de redes separadas, sem pontos de contacto.
“PODEM USAR OS MESMOS NOMES E PROTOCOLOS, MAS OS GOVERNOS E EMPRESAS PODEM TORNAR-SE OS ‘PORTEIROS’ DO ACESSO AO QUE AS PESSOAS PODEM FAZER, VER E ACEDER NESSAS REDES”, ADIANTA A ORGANIZAÇÃO.
E não é só o fluxo dos dados que está em causa, mas o próprio comércio internacional, assim como a divisão digital.
Dan York, diretor da Internet Society, defende que o impacto na nossa forma de viver é profundo e exemplifica, de forma simples, com o caso de quem não consegue aceder ao Facebook, tem uma alternativa ao Google porque o motor de busca está bloqueado e que mesmo a Wikipedia está fora de alcance. “Podemos usar os mesmos browsers e programas de email mas não conseguimos chegar aos mesmos sítios. E mesmo que consiga, não tem a certeza se o governo local está a monitorizar tudo o que faz online”.
“A INTERNET FOI BEM SUCEDIDA PORQUE É ABERTA, SEM RESTRIÇÕES, E COM PROTOCOLOS COMUNS. PARA O MANTER TEMOS DE PARAR A DIVISÃO E FRAGMENTAÇÃO”, DEFENDE DAN YORK.
Ricardo Lafuente admite a esperança de que a União Europeia tenha impacto na defesa de uma Internet livre e aberta, mas avisa que a posição tem sido ambivalente e que “tem havido desenvolvimentos que nos deixam apreensivos”, referindo a recente ideia de fazer vigilância massiva e reduzir a encriptação com o pretexto de proteger as crianças.
Fonte: tek.sapo.pt [link]
segunda-feira, 16 de maio de 2022
Resumo do capítulo V de Amor de Perdição
De seguida, Simão regressa a casa de
João da Cruz, que lhe revela ter recebido um pedido de Baltasar para que o matasse
a troco de dinheiro, o que ele recusou. Oferece, então, os seus serviços ao
fidalgo e disponibiliza-se para o acompanhar ao encontro com Teresa, no dia
seguinte.
Mariana, a filha do narrador, uma jovem de vinte e quatro anos, receia pelo destino de Simão e não esconde as lágrimas, quando sabe dos seus planos arriscados de se encontrar com Teresa.
Resumo do capítulo IV de Amor de Perdição
Tadeu comunica à filha que a irá
casar com Baltasar, mas Teresa recusa liminarmente, o que o leva a ameaçá-la de
novo com o convento, contudo Baltasar aconselha o tio a não proceder assim e a aguardar
o regresso de Simão a Viseu.
Teresa escreve a Simão, contando-lhe o que sucedeu, o que o deixa furioso. Decidido a ver a amada, desloca-se a Viseu e hospeda-se em casa de João da Cruz, um ferrador, que sente gratidão por Domingos Botelho por causa de um favor judicial que o livrou da forca. Posteriormente, o para amoroso troca correspondência através de uma mendiga e, numa das missivas, Teresa combina um encontro secreto em sua casa, na noite do seu aniversário. Às vinte e três horas, Simão espera a amada à porta do quintal.
Resumo do capítulo III de Amor de Perdição
domingo, 15 de maio de 2022
Resumo do capítulo II de Amor de Perdição
Simão era um adepto dos ideais da Revolução Francesa, o que assumia com orgulho. Em consonância, defendia uma revolução pelas armas em Portugal, o que afastou alguns dos seus companheiros e o levou ao cárcere académico durante seis meses. Deste modo, reprovou o ano letivo, e o pai repeliu-o da sua presença.
Porém, Simão mudou radicalmente
quando conheceu Teresa Albuquerque, que viu pela primeira vez da janela do seu
quarto. Tratava-se de uma «menina de quinze anos, rica herdeira,
regularmente bonita e bem-nascida», filha de Tadeu de Albuquerque, inimigo
figadal de Domingos Botelho, devido a questões judiciais, e o seu ódio aumentou
quando o filho do juiz feriu dois criados seus no incidente da fonte.
Teresa e Simão apaixonaram-se e
faziam planos de vida em comum. Todavia, um dia, Tadeu surpreendeu Teresa e
Simão namorando à janela e arrancou-a violentamente daí. Ao ouvir os gemidos da
sua amada, Simão ficou muito perturbado e passou a noite pensando em vingança.
Quando amanheceu, decidiu voltar a Coimbra e lá esperar notícias de Teresa, que
lhe escreveu, informando-o da ameaça de seu pai de a encerrar num convento.
Apesar da ameaça, a jovem mantém-se firma no seu amor por Simão e disposta a
tudo suportar em seu nome.
Resumo do capítulo I de Amor de Perdição
O capítulo abre com o retrato caricaturado de Domingos Botelho, um fidalgo de província, avô de Camilo Castelo Branco: em 1779, era juiz em Cascais; por ser pouco inteligente, deram-lhe a alcunha de «Brocas», a qual sugere a sua rudeza; apesar de ser feio, não possuir grandes virtudes e ter pouca fortuna, tinha a simpatia da rainha D. Maria, de quem recebia uma pensão; frequentava o paço, onde conheceu D. Rita Castelo Branco, uma bela com quem casou; pouco depois, foi transferido para Vila Real.
Pelo contrário, D. Rita Preciosa era
uma mulher bonita. Além disso, era altiva e desdenhava qualquer fidalgo da
província, de onde era originário o seu marido, Domingos Botelho, que se
esforçava para lhe agradar. Após a mudança para Vila Real, D. Rita tinha
saudades da corte e mostrava frequentemente o seu desagradado com a vida de
casada longe do Paço. Assim sendo, a senhora vivia infeliz, pois desagradava-lhe
o ambiente e a vida na província e as condições que o marido lhe proporcionava.
Este, por sua vez, vivia angustiado com a sua feiura, sentimento que se
acentuava pelos ciúmes que tinha dela e da sua beleza. Quando foi transferido
para Lamego, o facto desagradou de tal modo à esposa que esta ameaçou ir com os
filhos [do matrimónio nasceram cinco, um dos quais era Simão, o segundo] para
Lisboa.
Em 1801, Domingos Botelho foi
nomeado corregedor em Viseu, pelo que a família teve de se mudar para essa
cidade. Nesta época, Simão tem 15 anos e estuda em Coimbra – de onde regressou
com os exames feitos, o que deixou o pai satisfeito –, assim como Manuel, o
irmão mais velho, que se queixa a Domingos de não poder coabitar com Simão, por
causa do «génio sanguinário» deste e decide ir para Bragança para se
alistar no exército como cadete.
Simão é um jovem forte, fisicamente
parecido com D. Rita, com propensão para distúrbios, o que desagradava
naturalmente aos pais. Certo dia, de férias em Viseu, envolveu-se numa briga
numa fonte, durante a qual espancou uns criados com tanta violência que causou
pânico na população e levou a mãe a enviá-lo às escondidas de volta para
Coimbra, onde ficou a aguardar o perdão do pai.
quinta-feira, 12 de maio de 2022
Resumo da Introdução de Amor de Perdição
De seguida, o narrador comove-se com o sofrimento do condenado, jovem de apenas 18 anos, e com o motivo que o levou ao cárcere: o amor puro, inocente e jovem, que o levou à perdição. De facto, Simão é o protagonista de uma história de amor, que o narrador resume na seguinte frase: «Amou, perdeu-se e morreu amando». Em tom coloquial, dirige-se especialmente às leitoras [o narratário]. Porquê a elas? Porque, enquanto pertencentes ao género feminino, se comoverão, certamente, com a história do jovem e sentirão compaixão pelo seu caso, que, na sua visão, será injusto. Nesta sequência, dá a conhecer ao leitor o ódio e a indignação que sentiu quando tomou conhecimento da história de Simão, vítima da injustiça, dos ódios pessoais e da insensibilidade dos homens.
segunda-feira, 9 de maio de 2022
Parada do Dia da Vitória em Moscovo
Análise do poema «Fonte», de Herberto Hélder
- Estella Freire
- Ligação
domingo, 8 de maio de 2022
Origem da palavra «gravata»
O professor Marco Neves, neste post, explica-nos a sua origem, numa viagem que começa na Croácia e termina em Portuga, passando pela França.
sábado, 7 de maio de 2022
quarta-feira, 4 de maio de 2022
'Conselho' ou 'concelho'?
A concordância entre o nome e o adjetivo
terça-feira, 3 de maio de 2022
Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
segunda-feira, 2 de maio de 2022
ENEM 2021
terça-feira, 26 de abril de 2022
Análise da cena 16 da Farsa de Inês Pereira - Monólogo de Inês
▪ O irmão pede a Inês que tenha coragem.
▪ O Escudeiro morreu.
▪ Foi morto por um pastor quando fugia de uma
batalha, em Arzila.
O Moço sente-se triste, enquanto Inês
manifesta felicidade, alegria e alívio. Esta antítese realça a oposição
de sentimentos provocados pela morte do Escudeiro: a tristeza do Moço (fingida
ou verdadeira, por ficar desamparado), a alegria de Inês, por se libertar do
casamento que a aprisionava.
O Moço sempre criticou as atitudes do
Escudeiro e denunciou a sua pobreza, decadência e falta de valores. Deste modo,
podemos questionar a sinceridade da sua reação e subentender que as suas
palavras encerram alguma ironia, ou seja, a pena e a tristeza podem ser
fingimento, mas também se pode considerar que a sua tristeza é autêntica, por
ficar desamparado.
Por seu turno, para Inês, acabou-se o
casamento (“Desatado é o nó.” – metáfora), acabou-se o cativeiro. Assim
sendo, está livre e pode recomeçar a vida.
segunda-feira, 25 de abril de 2022
25 de Abril, a Revolução dos Escravos
sábado, 23 de abril de 2022
Contexto de O Delfim
A obra O Delfim procura dar uma imagem de Portugal dos anos 60 do século XX, ou seja, em pleno Estado Novo.
Por norma, os regimes totalitários
surgem e ganham preponderância a seguir a períodos de crise. Foi o que sucedeu
em Portugal no início do século passado. O nosso país participou na I Guerra
Mundial e, na sequência deste conflito, atravessou uma profunda crise política
e económica, marcada pela ascensão e quedas de sucessivos governos, alguns dos
quais duraram apenas meses, e pelo disparar da dívida externa. A instabilidade
era tão grande (causada não apenas pelos estilhados do conflito bélico, mas
também pelo estertor da Monarquia e pela I República) que, no início da década
de 30, António de Oliveira Salazar, que já era ministro das Finanças, ascendeu
ao posto de primeiro-ministro e centralizou na sua pessoa a direção de diversas
pastas ministeriais.
A política protagonizada por Salazar
focou-se essencialmente na contenção das despesas internas, o que evitou ou
atenuou a dependência de capitais externos, e na criação de uma moeda forte. Já
em 1928 o estadista dizia o seguinte: “Advoguei sempre uma política de
administração, tão clara e tão simples como a pode fazer qualquer boa dona de
casa – política comezinha e modesta que consiste em se gastar bem o que se
possui e não se despender mais do que os próprios recursos.”
O sucesso desta política valeu-lhe o
título de “Salvador da Pátria” e um grande prestígio interno que lhe permitiu
fazer passar legislação diversa, como a Constituição de 1933, organizações fascistas,
como a Mocidade Portuguesa, bem como o código do Ato Colonial, que estatuía a
política para as colónias portuguesas e lhe permitiriam conservar o poder até à
sua morte. Este rumo político fez com que Portugal continuasse a ser um país
agrícola e pouco industrializado, o que levou José Cardoso Pires a criar um
neologismo metafórico: camponeses-operários.
Estes princípios tinham como
finalidade a proteção do Estado, cujo lema era “Tudo pela Nação, nada contra a
Nação”, no entanto, na realidade, em vez de visarem o bem geral da população,
apenas protegiam a classe dominante que gravitava em torno do governo. Em
contrapartida, o Estado Novo reprimia todo aquele que fizesse ondas e
criticasse a situação, estabelecendo medidas como a proibição da existência de
partidos políticos, a censura de ideias, a proibição da livre associação de
pessoas, a abolição do direito à greve e por aí fora.
O clima de repressão era legitimado
pelas leis promulgadas pelo governo e sustentado pela polícia política – a PIDE
(Polícia Internacional de Defesa do Estado), futura DGS (Direção-Geral de
Segurança), que, anteriormente, já tinha tido outras designações e se foi
aperfeiçoando ao longo do tempo.
A PIDE exercia a sua ação de forma
implacável e causando o terror entre a população, perseguindo, prendendo
pessoas sem justa causa, torturando-as e mantendo-as em seu poder pelo tempo
que entendesse, sem culpa formada e sem qualquer julgamento. Por outro lado,
possuía uma rede de informadores que fazia com que as pessoas receassem
expressar qualquer opinião contrária ou crítica do governo, instigava os filhos
a denunciarem os pais, as mulheres os maridos, massacrava e torturava os seus
presos em verdadeiros campos de concentração, como o Tarrafal, ou em prisões,
como a de Peniche, de onde fugiu Álvaro Cunhal, o célebre dirigente do PCP.
Outro mecanismo central da política
do Estado Novo era a censura, que controlava a rádio, a televisão, os jornais e
diversas outras publicações, e apenas permitia que fosse publicado aquilo que
interessa ao governo. José Cardoso Pires foi uma das muitas pessoas perseguidas
pelo governo salazarista. Convém notar que, no que diz respeito à publicação de
livros, não existia censura prévia, sendo aqueles censurados somente depois de
estarem impressos, o que fazia com que alguns escritores e editores tivessem de
praticar a pior forma de censura possível – a autocensura –, visto que, se a
obra fosse recusada pelo sistema, para além da perseguição política, haveria
prejuízo económico para o editor, que corria o risco de ver o seu negócio ser
encerrado pela PIDE.
Curiosamente, O Delfim não
foi censurado. Porquê? É possível que tal se tenha ficado a dever à chamada
“primavera marcelista”, um período caracterizado por alguma abertura política;
no entanto, segundo o próprio Cardoso Pires a razão prender-se-ia com o
«iletrismo» dos censores. Na verdade, grande parte dos censores sabia ler e
escrever, mas muitos eram analfabetos funcionais, isto é, liam, porém não
sabiam interpretar aquilo que liam ou então possuíam um fraco nível cultural.
Assim sendo, textos que, por exemplo, aludissem aos tiranos da Grécia antiga
podiam ser censurados apenas por conterem as palavras «tiranos» ou «democracia».
No caso de censores de obras literárias, muitos fiavam-se na autocensura dos
escritores e editores, pelo que, por inércia, ou por terem muito trabalho
(leia-se muito que censurar), não liam os livros na totalidade.
Curiosamente, a entrada de Portugal
na NATO, organização de que foi fundador, em 1949, parece ter contribuído para
que o país passasse, lá fora, uma imagem de país democrático. Em alternativa,
poderá ter sucedido que o mundo fechou, pela razão exposta, os olhos à situação
que por cá se vivia durante muito tempo. A NATO, a que pertenciam unicamente
países de regime democrático, concedeu-nos algum prestígio internacional,
graças apenas a acordos de conveniência estabelecidos com aquela e que se
ficaram a dever, sobretudo, à extrema importância estratégica do Portugal
continental e ilhas, isto é, as demais nações ocidentais viam no nosso país um
travão a qualquer tentativa de avanço comunista. Além disso, há que considerar
também a grande importância económica de colónias como Angola e Moçambique, nas
quais as grandes potências mundiais detinham muitos interesses económicos.
Por outro lado, Portugal apresentou
a sua candidatura a membro de pleno direito da ONU (a que não pertencia por se
ter declarado neutral na Segunda Guerra Mundial) em 1946, mas foi recusada,
situação que se iria repetir até 1955, ano da adesão efetiva. Apesar de ter
apresentado a sua candidatura com base num convite de três membros permanentes
do Conselho de Segurança (França, Estados Unidos e Reino Unido), o nosso país
foi confrontado com o veto da União Soviética. Embora a adesão constituísse uma
grande vitória da diplomacia externa portuguesa, o próprio Salazar tinha
objeções à mesma. Um dos efeitos positivos da entrada na ONU foi a realização
de eleições, que, no entanto, foram uma farsa. Além disso, só nos finais dos
anos 60 as mulheres obtiveram o direito ao voto e os votos dos homens nas
eleições anteriores foram completamento falseados pelo regime salazarista, que
fez com que os seus partidários votassem várias vezes, ou até que se
atribuíssem votos a pessoas já falecidas.





















