Português

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Protótipos textuais: texto preditivo

7.1. Texto preditivo: o texto preditivo tem como função informar sobre o futuro, antecipando ou prevendo acontecimentos / eventos que irão ou poderão acontecer.
A palavra «preditivo» é um adjetivo formado a partir da forma verbal «predizer», que significa «dizer antes», «anunciar com antecedência», «prognosticar», «vaticinar» ou «profetizar». Assim, o discurso preditivo afirma algo antecipadamente, antes de os factos serem observados ou comprovados.

7.2. Géneros discursivos
- boletins meteorológicos
- profecias e previsões
- horóscopos
- alguns provérbios
- etc.

7.3. Características
. verbos de ação;
. modos e tempos verbais: futuro do indicativo e imperativo:
. expressões com valor temporal de futuro;
. forma de tratamento “você”, dado que o destinatário é o leitor e geral



Bibliografia:
. Domínios, de Zacarias Nascimento et alii;
. Gramática da Língua Portuguesa, de Clara Amorim;
. Itinerário Gramatical, Olívia Figueiredo e Eunice de Figueiredo;
. Nova Gramática Didática de Português, Santillana.


Protótipos textuais: texto conversacional ou dialogal

5.1. Definição: o texto conversacional é atualizado em textos em que intervêm, pelo menos, dois interlocutores que tomam a palavra alternadamente e que produzem um número variável de trocas verbais, cooperando na produção do texto.

5.2. Géneros: este protótipo textual manifesta-se em qualquer interação verbal, como, por exemplo, numa conversa telefónica, nas interações quotidianas orais, no comentário de acontecimentos, em debates e nas entrevistas.

5.3. Características
- aspetos prosódicos (entoação, regulação da velocidade da fala, pausas);
- elementos não verbais (movimento, olhar, distância);
- contextos (relevam no que diz respeito à intencionalidade comunicativa, à relação entre s participantes, lugar e tempo de que se dispõe para falar, convenções, etc.);
- marcas linguísticas:
. características do discurso oral (repetições, quebras sintáticas, etc.);
. segmentos de reformulação;
. marcadores conversacionais (“olha”, “ouve”, etc.);
. formas de tratamento;
. formas verbais do modo indicativo e do imperativo;
. uso da primeira e segunda pessoas de verbos, pronomes e determinantes;
. modos/modalidades de localização espacial que indicam proximidade ou afastamento relativamente aos interlocutores (pronomes e determinantes demonstrativos);
- modos de relacionamento (possessivos de primeira e segunda pessoa);
- modalidades de enunciação: manifestação de atitudes e afetos que relevam da relação entre os interlocutores (tipos de frases) – “Não me chateies.”; “Que linda estás!”, etc.;
- modalidades lógicas: relacionam-se com a verdade, probabilidade, certeza, verosimilhança da conversação.


domingo, 1 de outubro de 2017

Autárquicas 2017: mais porco



     Desceu o pano sobre a campanha eleitoral. É uma pena que tenha terminado.
     Este (será que foi eleito?) promete, mas é mais cauteloso: só em maio. Até lá, já os eleitores se esqueceram.
     E não é a Junta a pagar. Obviamente, seremos todos nós.
     Talvez não tenha sido tão hilariante como há quatro anos, mas os cartazes (e não só!) continuam a ser um manancial de humor e de péssima utilização da língua portuguesa.

     Voltem depressa, por favor! Rir faz muito bem à pele!

Protótipos textuais: texto instrucional ou diretivo

6.1. Definição: o texto instrucional é um texto em que se procura, de alguma forma, alterar o comportamento ou a conduta atual ou futura dos seus destinatários, ajudar ou orientar por meio de sugestões, instruções faseadas, isto é, ensinar ou indicar como fazer algo.
São textos que incitam à ação, estabelecem regras de comportamento ou que fornecem instruções sobre as etapas e os procedimentos que deverão ser seguidos de modo a alcançar um determinado objetivo.

6.2. Géneros discursivos (ou tipos de textos instrucionais)
- avisos / enunciados simples ou interdições como «Não pisar a relva» ou «Proibido fumar»;
- receitas de culinária (e outras);
- regras de utilização de um programa / máquina;
- instruções de montagem de um aparelho;
- alguns provérbios (“Em Roma, sê romano.”);
- manuais de instruções;
- a posologia dos medicamentos;
- “slogans”;
- discurso pedagógico-didático;
- etc.

6.3. Características
. verbos, em geral, de movimento que incitam à ação;
. formas verbais no imperativo (traduzem a ordem e o pedido diretos – “Come a sopa!”), conjuntivo (“insira-se”), infinitivo impessoal (traduzem a ordem e o pedido não diretos- “Comer a sopa faz bem.”) e futuro do indicativo (é usado nos horóscopos e nos textos sagrados – “Não cobiçarás a mulher do próximo!”);
. frases imperativas;
. marcadores discursivos predominantemente temporais;

. o destinatário pode ser o público em geral (uso de “você” ou omissão do pronome) ou particular, conhecido (“Tu fizeste o que te pedi?”).

Autárquicas 2017: o meu voto vai para o porco


Autárquicas 2017: o PS chegou paga primeiro


Autárquicas 2017: na Maia, votam imeeeeeeeeeeeeeensos cidadãos de língua inglesa


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Autárquicas 2017: TOP


Autárquicas 2017: a ubiquidade do PAN

Protótipos textuais: texto expositivo

4.1. Definição: o texto expositivo tem como objetivo a análise ou a síntese de ideias, conceitos e teorias; expor, explicar e informar sobre algo, apresentando problemas e propostas de resolução dos mesmos, acompanhados, ou não, de justificação.
         Esta tipologia textual implica uma relação de comunicação entre dois agentes: o locutor A faz saber/compreender ao locutor B o que é um certo dado, através da sua exposição, descrição, enumeração, analisando-o para explicitar factos, elementos, ideias.

4.2. Géneros
- manuais da área das ciências naturais (onde abundam textos em que se passa constantemente da exposição – sucessão de informações com o objetivo de dar a conhecer algo – à explicação – com o intuito de fazer compreender o porquê do problema e a sua resolução).

4.3. Características
. verbos com sentido expositivo (“ser”, “ter”, “consistir”, “haver”, etc.) no presente, pretérito perfeito e futuro do indicativo, normalmente com valor universal e intemporal;
. adjetivos e advérbios para descrever, precisar e situar;
. uso frequente de analogias e comparações;
. enunciação objetiva na terceira pessoa, omitindo as marcas do sujeito enunciador e estruturas que indicam uma avaliação pessoal (“na minha opinião”, “julgo”, “creio”, “parece-me que”, etc.), recorrendo antes a estruturas impessoais (“deve-se”) e passivas;
. léxico especializado: recurso a termos genéricos (hiperónimos), específicos (hipónimos); definição de seres, objetos, ideias na sua totalidade (holónimos) ou nas suas partes (merónimos); recurso a nominalizações e denominações;
. conectores e marcadores que indicam relações de causa e consequência, de fim e meio, confirmativos e exemplificativos, explicativos e conclusivos.




Bibliografia:
. Domínios, de Zacarias Nascimento et alii;
. Gramática da Língua Portuguesa, de Clara Amorim;
. Itinerário Gramatical, Olívia Figueiredo e Eunice de Figueiredo;
. Nova Gramática Didática de Português, Santillana.

Autárquicas 2017: Tino é TOP!


Protótipos textuais: texto argumentativo

3.1. Definição: o texto argumentativo é um texto onde se expressa uma opinião (sobre alguém ou alguma coisa) e se procura justificar ou refutar essa opinião por meio de argumentos.
A sua intenção comunicativa é convencer, persuadir o(s) interlocutor(es), levando-o(s) a aceitar determinado ponto de vista, ideia ou produto, etc., obtendo assim a sua aprovação, ou refutar uma opinião alheia, estabelecendo relações entre factos, hipóteses, provas e refutações. Deste modo, pode afirmar-se que um texto argumentativo se caracteriza, por um lado, pela expressão de uma opinião que, sendo controversa, suscita uma defesa e abre espaço de contestação e, por outro lado, pela apresentação de argumentos a favor ou contra uma determinada tese.

3.2. Estrutura
                O texto argumentativo apresenta, geralmente, a seguinte estrutura:
. Tese: apresentação da opinião que se se pretende defender.
. Premissa(s): pode(m) ou não estar expressa(s), representando algo que é inequivocamente aceite.
. Argumentos: conjunto de provas ou razões que sustentam a tese, que devem ser fidedignas, autênticas e relevantes. Podem funcionar como argumentos exemplos, ilustrações, narrações, descrições, estatísticas, comparações, referências históricas, etc. Normalmente, os argumentos são apresentados de forma gradativa e crescente, partindo-se dos mais frágeis para os mais fortes e irrefutáveis.
. Conclusão: é uma demonstração clara da tese defendida.

3.3. Géneros (ou tipos de textos argumentativos)
- discursos políticos
- publicidade
- discursos da imprensa escrita e falada
- debates
- propaganda política
- discursos religiosos
- interações verbais da vida quotidiana
- mundo académico
                No contexto social e académico, o protótipo argumentativo exige algum nível de formalidade e determinadas competências como, por exemplo:
- saber utilizar os argumentos;
- distinguir entre um bom argumento e uma falácia (isto é, um falso argumento como o jogo linguístico, o ataque e a desqualificação pessoais, a manipulação, etc.);
- usar argumentos de autoridade;
- apresentar exemplos adequados e pertinentes;
- estabelecer paralelismos e analogias.

3.4. Características
                As principais marcas linguísticas são as seguintes:
. verbos de opinião e crença (“achar”, “julgar”, “crer”, “dever”, “querer”, “gostar”, “ser preciso”, “concordar”, etc.);
. verbos declarativos (“afirmar”, “considerar”, “declarar”, etc.);
. verbos que indicam uma relação entre a causa e o efeito (“causar”, “motivar”, “originar”, “provocar”, “ocasionar”, etc.);
. uso frequente do verbo “ser” ou equivalente na elaboração da tese;
. predomínio do presente, pretérito perfeito e futuro do indicativo com valor universal;
. frases declarativas e interrogativas;
. marcadores e conectores discursivos com valores diversos: aditivo (“mais”, “além disso”), exemplificativo / confirmativo (“por exemplo”, “com efeito”), contrastivo (“mas”, “no entanto”, embora”), explicativo e conclusivo (“porque”, “pois”, “com efeito”, “por conseguinte”);
. marcas linguísticas que expressam um ponto de vista.





Bibliografia:
. Domínios, de Zacarias Nascimento et alii;
. Gramática da Língua Portuguesa, de Clara Amorim;
. Itinerário Gramatical, Olívia Figueiredo e Eunice de Figueiredo;
. Nova Gramática Didática de Português, Santillana.

Autárquicas 2017: o tamanho importa sim!


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Autárquicas 2017: os leirienses agradecem, mas poderia ser com vírgula?


     Ó Fernando Costa, quando se faz uso do vocativo, deve isolar-se com uma virguleca. Entendeu, Fernando?

     Dê uma espreitadela aqui: vocativo.

Autárquicas 2017: muito tempo na roliça, falta tempo para ir À escola


     A língua portuguesa é tratada aos pontapés por todo o lado no dia a dia.

     Neste caso, verifica-se um dos erros mais comuns: a acentuação errada de "à". Ora, tratando-se da contração da preposição "a" com o determinante artigo definido "a", a palavra recebe um acento GRAVE e não agudo: à. Aliás, o uso do acento grave, hoje, na língua portuguesa, está limitado aos casos de contrações.

Autárquicas 2017: depois do cherne, o carapau


AutárTicas 2017: eleições paralelas


Autárquicas 2017: bora lá construir o anexo


Autárquicas 2017: a CEDILHA, esse empeÇilho


     As Andreias surgem aqui, neste cartaz, associadas a um erro ao nível do ensino pré-escolar.

     É certo que já não vamos a tempo de impedir aquela primeira cedilha marota, mas pode ser que tenha impacto daqui a quatro anos.


                A cedilha utiliza-se debaixo do c antes das vogais a, o ou u para representar o som [s]:
- caça
- terço
- muçulmano
- açúcar
- Açores
- rebuçado

Diacrítico

                Diacrítico (do grego “diacritikós”, que significa “capaz de distinguir”) é o sinal gráfico que se acrescenta a uma letra para (1) alterar o timbre das vogais, para (2) distinguir a grafia de certas palavras e para (3) assinalar a sílaba tónica.

Autárquicas 2017: continuar...


Protótipos textuais: texto descritivo

2.1. Definição: o texto descritivo é todo o texto ou sequência textual em que se atribuem predicados, qualidades ou características diversos a um referente (humano, não humano, objetos, espaços). Por outro lado, esse assunto ou objeto pode ser descrito de forma genérica / global, ou desdobrado e descrito nas suas partes constituintes.
                Podem ser objeto de descrição pessoas, personagens (os seus traços físicos e psicológicos), espaços (físicos, psicológicos ou sociais), fenómenos atmosféricos, animais e todo o tipo de objetos. As sequências textuais descritivas surgem frequentemente articuladas com sequências textuais de outros tipos. Por exemplo, é frequente surgirem, em textos narrativos, sequências descritivas que permitem caracterizar uma personagem ou um espaço social, por forma a motivar o desenrolar da ação.
                O texto descritivo pode concretizar-se de diferentes formas:
. num texto corrido (uma enciclopédia, por exemplo);
. numa introdução seguida de uma listagem de itens caracterizadores de algo;
. num texto narrativo ou num texto científico.
                Por outro lado, pode assumir a forma de um texto curto (por exemplo, adivinhas, enumerações, tatutologias, definições dos dicionários) ou a forma de sequências (a forma mais recorrente). Neste caso, as descrições surgem intercaladas entre outras sequências (narrativas, argumentativas, expositivas, explicativas, dialogais), em lugares estratégias, para que possam ser melhor registadas pela memória do leitor ou ouvinte.

2.2. Características
- a qualificação é feita através de adjetivos com valor qualificativo e predicativo (“a sala de aula é pequena”) e de verbos que veiculam modalização expressiva (“a sala de aula resplandecia de luz”);
- o uso de recursos expressivos como a comparação, a metáfora, a sinédoque, a hipérbole, etc.;
- a decomposição do referente descrito nas suas partes constitutivas: “A escola de Sesimbra [holónimo] tem quatro salas de aulas [merónimo] e cada sala [holónimo] possui quatro janelas [merónimo].”);
- o uso do verbo “ser” para predicar a totalidade do referente (“A Naomi Watts é linda.”) ou do verbo “ter” para predicar uma parte (“A Naomi Watts tem cabelo louro.”);
- características linguísticas:
. verbos de estado para a descrição estática (“ser”, “estar”, “parecer”, etc.) e verbos de ação para a descrição dinâmica (“correr”, “saltar”, etc.);
. predomínio do pretérito imperfeito, do presente e do futuro do futuro, que traduzem a simultaneidade;
. adjetivos e expressões caracterizadoras e de relacionação;
. conectores e marcadores discursivos (aditivos – “e”, “de seguida”, “também”, etc.; enumerativos – “primeiro”, “depois”, “finalmente”, etc.);
. advérbios e expressões com valor locativo (“aqui”, “na escola”, etc.) e temporal (“há minutos”, etc.);
. vocabulário expressivo e figuras de estilo;
. vocabulário expressivo relativamente ao mundo das sensações.


Bibliografia:
. Domínios, de Zacarias Nascimento et alii;
. Gramática da Língua Portuguesa, de Clara Amorim;
. Itinerário Gramatical, Olívia Figueiredo e Eunice de Figueiredo;
. Nova Gramática Didática de Português, Santillana.

Autárquicas 2017: o candidato do chouriço


Autárquicas 2017: os independentes... tem dias


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Autárquicas 2017: com Valentim é sempre assim


Protótipos textuais: texto narrativo

1.1. Definição: o texto narrativo é um texto ou sequência textual em que se relata um evento, um facto ou acontecimentos ou uma cadeia dos mesmos.

1.2. Géneros (ou tipos de textos narrativos):
- romance
- conto
- lenda
- mito
- banda desenhada
- fábula
- parábola
- (auto)biografia
- notícia
- reportagem
- crónica
- relatório
- relatos históricos
- relatos orais
- etc.

1.3. Traços básicos da narração
                O texto narrativo possui cinco características específicas: uma ação ou ações, localizada(s) no tempo e no espaço, protagonizada(s) por uma pessoa ou personagem, que confere unidade à ação ou atravessa toda a narrativa, e contada por um narrador, que pode ser, ou não, uma das personagens.
                Por outro lado, os eventos representados encadeiam-se de forma lógica e orientam-se para um desenlace, desenvolvendo-se ao longo de três momentos, sobretudo no de texto de índole literária:
. Situação inicial: situação de estabilidade, em que se apresentam as personagens, situadas no tempo e no espaço. Habitualmente, são frequentes as sequências descritivas neste momento inicial.
. Complicação / problema: é o conjunto de eventos que geram um conflito, desequilibrando a situação inicial, e que constituem o núcleo da narração. Frequentemente, há textos narrativos que alternam situações de equilíbrio e desequilíbrio, correspondendo à ocorrência de vários episódios ou capítulos de uma obra.
. Resolução: é a solução do conflito e o regresso a uma situação de equilíbrio.

1.4. Características
. o uso predominante de verbos de ação;
. o predomínio do pretérito perfeito do indicativo (também o imperfeito, o mais-que-perfeito e o futuro marcam presença) ou do presente histórico;
. o uso do pretérito imperfeito para iniciar a narrativa;
. a abundância de marcadores e conectores temporais e espaciais (“quando”, “depois”, “um dia”, etc.);
. o recurso a advérbios de valor locativo e temporal, conjunções, locuções e expressões temporais, especiais e causais;
. o uso de marcadores discursivos explicativos e conclusivos (“assim”, “porque”, “por esse motivo”, etc.);
. marcas linguísticas que indicam o ponto de vista:
- deíticos de primeira pessoa (pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos, formas verbais e advérbios) no relato de enunciação de primeira pessoa;
- referências lexicais e anafóricas no relato de terceira pessoa.


Bibliografia:
. Domínios, de Zacarias Nascimento et alii;
. Gramática da Língua Portuguesa, de Clara Amorim;
. Itinerário Gramatical, Olívia Figueiredo e Eunice de Figueiredo;
. Nova Gramática Didática de Português, Santillana.


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