Português: Desconstruindo o exame nacional de Português 2025 - 1.ª fase: Pergunta 1

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Desconstruindo o exame nacional de Português 2025 - 1.ª fase: Pergunta 1

Pergunta 1: "Refira a opinião do narrador sobre o reinado de D. Duarte, tendo em conta duas ideias expressas na estância 51."

 

Vamos desconstruir isto passo a passo:

 

Passo 1: Ler o enunciado com «lupa» O que é que a pergunta nos está a exigir exatamente?

  1. Indicar a opinião do narrador sobre o reinado.
  2. Apresentar duas ideias que sustentem essa opinião.
  3. Focar a nossa análise exclusivamente na estância 51 (não precisamos, nem devemos, ir buscar informação à estância 52 ou 53 para esta pergunta).

 

Passo 2: Descodificar a Estância 51 (A Leitura Atenta) Vamos ler a estância como se fosse um texto normal, fluído, e procurar entender o vocabulário, que é a primeira grande barreira.

  • «Não foi do Rei Duarte tão ditoso / O tempo que ficou na suma alteza». Se não sabem o que significa "ditoso", pensem no contexto: o narrador está a dizer que o tempo (o reinado) de D. Duarte não foi muito "ditoso" (feliz, afortunado). Logo aqui temos a nossa tese: a opinião do narrador é a de que o reinado não foi feliz.
  • «Que assi vai alternando o tempo iroso / O bem co mal, o gosto co a tristeza.». O que justifica esse reinado infeliz? O narrador diz que um tempo "iroso" (mau, zangado) vai alternando coisas boas e más. Aqui temos a nossa primeira ideia: a alternância inevitável entre tempos de felicidade e tempos de infelicidade.
  • «Quem viu sempre um estado deleitoso? / Ou quem viu em Fortuna haver firmeza?». Temos aqui perguntas retóricas para nos fazer pensar num facto. "Firmeza" significa estabilidade. Ou seja, alguma vez viram a sorte/Fortuna ser estável? Não. Aqui temos a nossa segunda ideia: a instabilidade e inconstância da Fortuna.

 

Passo 3: Estruturar a Resposta (O "Esqueleto") Agora que já fomos ao texto "pescar" as ideias que os critérios de correção exigem, temos de organizar a nossa resposta. Uma resposta de exame não pode ser uma lista de tópicos soltos. Lembrem-se de que os critérios avaliam a vossa estruturação do discurso e coesão textual.

Eu aconselho sempre a seguinte estrutura lógica:

  1. Tese (Afirmação inicial): Comecem com uma frase clara e direta a responder à primeira parte da pergunta. Exemplo de estrutura: "De acordo com o narrador, o reinado de D. Duarte..."
  2. Primeiro Argumento (1.ª Ideia) + Citação: Usem um conetor para introduzir a primeira ideia. Exemplo: "Por um lado, o narrador constata que..." e depois explicam a ideia por palavras vossas, comprovando imediatamente com a citação do texto (entre aspas e indicando os versos).
  3. Segundo Argumento (2.ª Ideia) + Citação: Usem outro conetor lógico. Exemplo: "Por outro lado, o texto salienta a ideia de que..." Explicam a segunda ideia e colocam a respetiva citação.

 

Passo 4: Cuidados Finais e Revisão

  • Atenção às transcrições: Não se esqueçam de que o texto é um poema. Quando transcrevem mais do que um verso seguido, devem usar uma barra oblíqua (/) para separar os versos. Se não cumprirem as regras de citação, podem ser penalizados na correção linguística (Erro de Tipo A).
  • Não inventem parágrafos desnecessários: Os critérios referem que não são obrigados a fazer um parágrafo de introdução e um de conclusão num item de resposta restrita, a não ser que mudem drasticamente de unidade de sentido. Basta um texto fluído, bem oleado com conetores lógicos ou sinais de pontuação corretos.
  • Correção Linguística: 3 dos 13 pontos desta pergunta são inteiramente dedicados à correção linguística. Uma resposta genial com muitos erros ortográficos ou de sintaxe vai perder pontos preciosos. Façam frases curtas e seguras!

 

Resposta:

 

                De acordo com o narrador, o reinado de D. Duarte não foi um período feliz ou afortunado.

                Por um lado, o texto justifica esta visão destacando a alternância inevitável entre momentos bons e maus que marcou este período, evidenciando que a felicidade e a tristeza se foram sucedendo («Que assi vai alternando o tempo iroso / O bem co mal, o gosto co a tristeza.» – vv. 3 e 4).

                Por outro lado, o narrador sublinha a inconstância e a falta de estabilidade da Sorte («Ou quem viu em Fortuna haver firmeza?» – v. 6), constatando que essa mesma instabilidade da Fortuna se abateu de forma particularmente severa e cruel no reinado deste monarca específico, o que é comprovado nos versos finais da estância («Pois inda neste Reino e neste Rei / Não usou ela tanto desta lei?» – vv. 7 e 8)."

 

 


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