Pergunta 1: "Refira a opinião do narrador sobre o
reinado de D. Duarte, tendo em conta duas ideias expressas na estância
51."
Vamos desconstruir isto passo a passo:
Passo 1: Ler o enunciado com «lupa» O que é que a
pergunta nos está a exigir exatamente?
- Indicar
a opinião do narrador sobre o reinado.
- Apresentar
duas ideias que sustentem essa opinião.
- Focar
a nossa análise exclusivamente na estância 51 (não precisamos, nem
devemos, ir buscar informação à estância 52 ou 53 para esta pergunta).
Passo 2: Descodificar a Estância 51 (A Leitura Atenta)
Vamos ler a estância como se fosse um texto normal, fluído, e procurar entender
o vocabulário, que é a primeira grande barreira.
- «Não
foi do Rei Duarte tão ditoso / O tempo que ficou na suma alteza». Se
não sabem o que significa "ditoso", pensem no contexto: o
narrador está a dizer que o tempo (o reinado) de D. Duarte não foi muito
"ditoso" (feliz, afortunado). Logo aqui temos a nossa tese: a
opinião do narrador é a de que o reinado não foi feliz.
- «Que
assi vai alternando o tempo iroso / O bem co mal, o gosto co a tristeza.».
O que justifica esse reinado infeliz? O narrador diz que um tempo
"iroso" (mau, zangado) vai alternando coisas boas e más. Aqui
temos a nossa primeira ideia: a alternância inevitável entre tempos de
felicidade e tempos de infelicidade.
- «Quem
viu sempre um estado deleitoso? / Ou quem viu em Fortuna haver firmeza?».
Temos aqui perguntas retóricas para nos fazer pensar num facto.
"Firmeza" significa estabilidade. Ou seja, alguma vez viram a
sorte/Fortuna ser estável? Não. Aqui temos a nossa segunda ideia: a
instabilidade e inconstância da Fortuna.
Passo 3: Estruturar a Resposta (O "Esqueleto")
Agora que já fomos ao texto "pescar" as ideias que os critérios de
correção exigem, temos de organizar a nossa resposta. Uma resposta de exame não
pode ser uma lista de tópicos soltos. Lembrem-se de que os critérios avaliam a
vossa estruturação do discurso e coesão textual.
Eu aconselho sempre a seguinte estrutura lógica:
- Tese
(Afirmação inicial): Comecem com uma frase clara e direta a responder
à primeira parte da pergunta. Exemplo de estrutura: "De acordo
com o narrador, o reinado de D. Duarte..."
- Primeiro
Argumento (1.ª Ideia) + Citação: Usem um conetor para introduzir a
primeira ideia. Exemplo: "Por um lado, o narrador constata
que..." e depois explicam a ideia por palavras vossas, comprovando
imediatamente com a citação do texto (entre aspas e indicando os versos).
- Segundo
Argumento (2.ª Ideia) + Citação: Usem outro conetor lógico. Exemplo:
"Por outro lado, o texto salienta a ideia de que..." Explicam a
segunda ideia e colocam a respetiva citação.
Passo 4: Cuidados Finais e Revisão
- Atenção
às transcrições: Não se esqueçam de que o texto é um poema. Quando
transcrevem mais do que um verso seguido, devem usar uma barra oblíqua (/)
para separar os versos. Se não cumprirem as regras de citação, podem ser
penalizados na correção linguística (Erro de Tipo A).
- Não
inventem parágrafos desnecessários: Os critérios referem que não são
obrigados a fazer um parágrafo de introdução e um de conclusão num item de
resposta restrita, a não ser que mudem drasticamente de unidade de
sentido. Basta um texto fluído, bem oleado com conetores lógicos ou sinais
de pontuação corretos.
- Correção
Linguística: 3 dos 13 pontos desta pergunta são inteiramente dedicados
à correção linguística. Uma resposta genial com muitos erros ortográficos
ou de sintaxe vai perder pontos preciosos. Façam frases curtas e seguras!
Resposta:
De
acordo com o narrador, o reinado de D. Duarte não foi um período feliz ou
afortunado.
Por um
lado, o texto justifica esta visão destacando a alternância inevitável entre
momentos bons e maus que marcou este período, evidenciando que a felicidade e a
tristeza se foram sucedendo («Que assi vai alternando o tempo iroso / O bem co
mal, o gosto co a tristeza.» – vv. 3 e 4).
Por
outro lado, o narrador sublinha a inconstância e a falta de estabilidade da
Sorte («Ou quem viu em Fortuna haver firmeza?» – v. 6), constatando que essa
mesma instabilidade da Fortuna se abateu de forma particularmente severa e
cruel no reinado deste monarca específico, o que é comprovado nos versos finais
da estância («Pois inda neste Reino e neste Rei / Não usou ela tanto desta
lei?» – vv. 7 e 8)."