Português

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Caracterização de Leonardo


    Leonardo é o herói ou protagonista da obra. Em rigor, estamos na presença do chamado anti-herói ou herói pícaro, dado ser alguém que é malandro, matreiro, vadio, que se envolve em problemas e adora fazer estripulias.
    Desde criança, Leonardo é instável e rebelde. Foi abandonado pelos pais: primeiro pela mãe, que fugiu para Portugal com um capitão de navio; depois, pelo pai, que o entregou ao cuidado do padrinho, que o criou, e foi viver a sua vida.
    A única tentativa de frequentar a escola redundou em fracasso: começou a frequentar as aulas de manhã e, à tarde, já estava a receber palmatoadas do professor por mau comportamento. Mais tarde, tornou-se amigo do sacristão da igreja, igualmente um malandro, e acabou por exercer essa função, mas entrou em conflito com um padre e foi expulso.
    Com o tempo foi-se acalmando, até que chegou à idade dos amores Se desde criança foi descrito como uma figura esperta e vagabunda, mais tarde é apresentado como um mulherengo, assemelhando-se neste caso ao protagonista de Macunaíma. O seu percurso a partir daqui pode resumir-se da seguinte forma: mulherengo, como o pai, quase perdeu o seu amor – Luisinha – por ser inconsciente. Foi preso algumas vezes, tornou-se granadeiro, depois sargento de milícias, casou-se com a sua amada e assentou na vida confortavelmente, graças a heranças. A sua primeira paixão foi Luisinha, sobrinha de D. Maria, mas o namoro acabou por não vingar por falta de jeito dele, apesar de a jovem gostar do filho de Pataca.
    Entretanto, Leonardo voltou a viver com o pau, porém os desentendimentos com a madrasta – Chiquinha – eram frequentes e acabou por ser expulso da casa paterna, tendo-se depois afastado e isolado de todos, até reencontrar o antigo amigo sacristão, com quem foi viver, na Rua da Vala, onde habitavam duas mulheres quarentonas, cada uma com três filhos – uma tinha três rapazes e outra três raparigas. Leonardo apaixonou-se pela mais bonita – Vidinha. Estes amores despertaram o ciúme de dois primos, que a disputavam também e que o foram intrigar junto de Vidigal, que o tentou prender, mas sem sucesso.
    A madrinha conseguiu-lhe um emprego na ucharia real, contudo também não parou aí muito tempo, dado que se envolveu amorosamente com a esposa do patrão, o toma-largura. Na sequência, acabou por ser preso pelo Vidigal. Na sua ausência, Vidinha cedeu aos avanços do toma-largura, que se tinha encantado por ela.
    Após a sua prisão, foi obrigado a servir o exército, tendo entrado para o batalhão dos granadeiros, para combater a malandragem do Rio de Janeiro, porém a sua índole não tinha mudado e ele continuou a fazer diabruras. A última que aprontou foi quando avisou um indivíduo que imitava o Vidigal que iria ser preso, permitindo-lhe, assim, escapar à lei. No entanto, o major descobriu a artimanha e prendeu de novo Leonardo. Mais uma vez, foi salvo pela madrinha, por D. Maria e por Maria Regalada: não só foi libertado como foi promovido a sargento de milícias. No final da obra, casou-se com Luisinha, que entretanto ficara viúva de José Manuel.
    Relativamente à sua representatividade, Leonardo simboliza o malandro e o seu esforço no sentido de conseguir sobreviver à margem das instituições sociais. Por outro lado, é uma versão carnavalizada do herói romântico: a sua origem foi cómica e tornou-se um malandro, tentando sobreviver de esquemas e à margem da família, da igreja, da sociedade, em suma.

As personagens de Memórias de um Sargento de Milícias

    As personagens de Memórias de um Sargento de Milícias são tipos sociais, visto que a maioria não possui profundidade psicológica (são planas) e representam um grupo ou uma classe social: o povo, a classe média, etc. Note-se que várias personagens não têm nome próprio, sendo designadas pela sua profissão ou condição social.
    Por outro lado, a ação da obra centra-se num grupo de homens livres pobres. Fora dessa classe, encontramos uma senhora rica, dois padres, um chefe de polícia, um oficial superior e um fidalgo, que servem de ponte a uma breve descrição do Paço. Ausentes estão os membros da corte, bem como os escravos, que constituiriam provavelmente a maior parte da população do Rio de Janeiro na época, e os negros, representados por figuras meramente decorativas como as baianas da procissão dos Ourives e as criadas de D. Maria.
    Ou seja, estamos na presença de uma obra restrita socialmente, pois não aborda as camadas altas da sociedade e praticamente omite a população cativa. Os grupos sociais representados corresponderão àquilo que hoje chamaríamos classe média baixa.

Contexto de Memórias de um Sargento de Milícias


    A ação decorre no período em que D. João VI e a corte portuguesa viviam no Brasil, entre 1808 e 1821, depois de aí se terem refugiado, fugidos de Portugal das Invasões Francesas, por isso o romance começa com a expressão “Era no tempo do rei”, que recorda o início dos contos tradicionais populares: “Era uma vez…”.
    Em 1806, a Inglaterra e a França estavam em conflito. Napoleão Bonaparte, imperador da França, decretou o Bloqueio Continental, que estabelecia que todos os países europeus deveriam encerrar os seus portos aos navios ingleses, com o objetivo de enfraquecer as exportações inglesas, dando origem a uma crise económica.
    Nessa época, Portugal e Inglaterra eram aliados e mantinham boas relações comerciais, por isso os portugueses não anuíram às exigências dos franceses. Assim, Napoleão decidiu invadir Portugal, pelo que, em 1808, a família real lusitana fugiu para o Brasil, passando a capital do Império a ser o Rio de Janeiro.
    Após a chegada da corte portuguesa ao Brasil, D. João VI põe em prática diversas medidas económicas, políticas e sociais que favoreceram o florescimento das atividades culturais no Brasil. Depois de 1822, D. João VI regressou a Portugal. Dois anos a seguir, em 1824, D. Pedro I outorga a Constituição brasileira.
    Em 1840, dá-se o Golpe da Maioridade de D. Pedro II, que faz com que o Brasil inicie novo período de crises económicas, políticas e sociais, acentuadas pela guerra com o Paraguai, a extinção do tráfico negreiro e a abolição da escravatura.
    Já na década de 1860, o Brasil começa a exportar diversos produtos, como café, açúcar e algodão, que tornam a balança comercial brasileira positiva. Foi neste contexto que, entre 1836 e 1881, floresceu, atingiu o apogeu e decaiu o Romantismo.
    A obra explora personagens características da sociedade do Rio de Janeiro do século XIX, sempre recorrendo ao humor e à ironia. Nessa época, a literatura brasileira cultivava uma narrativa que recuperava as raízes e tradições nacionais. Em simultâneo, surgiu um outro género, o chamado romance urbano, que tinha como pano de fundo a cidade e a vida social, familiar e amorosa de personagens que vivem os seus conflitos amorosos, os problemas de convivência, o materialismo, a corrupção, a procura de ascensão social, etc.
    Manuel António de Almeida não foi alheio ao envolvimento político. Na obra, descreve e compara a cultura brasileira referente ao período em que o Brasil foi a sede da monarquia portuguesa com a do tempo em que a obra foi escrita (1852 – 1853), fazendo uso da ironia para denunciar as mazelas sociais, procurando mostrar que aqueles que defendiam o “tempo do rei” estavam equivocados ao pensar que o governo déspota desenvolveria a sociedade brasileira com o passar dos anos. Pelo contrário, enquanto liberal, considerava que um governo tirano como o que se praticava no Brasil teria exatamente o efeito contrário, isto é, atrasaria o desenvolvimento social, criando pessoas ignorantes e rudes. Assim, o livro pode ser lido como uma alegoria da época da sua escrita, pretendendo o autor sugerir que o Brasil de 1850 não diferia muito do de 1808, daí a crítica que vai tecendo ao sistema de Justiça, à Educação, ao clero, à polícia, aos imigrantes portugueses, etc., etc.
    Na sua ótica, o desenvolvimento brasileiro teria de estar ligado ao investimento na educação dos seus cidadãos, algo completamente descuidado pelos sucessivos governos e abordado na obra. De facto, todas as personagens manifestam comportamentos tidos por inadequados, bem como uma clara falta de formação intelectual. Elas são espertas e resolvem os seus problemas com base em esquemas e na malandragem. O próprio Vidigal, o legítimo representante da lei no Rio, conhecido pela sua eficiência, usa métodos investigativos e punitivos violentos e ilegais.

terça-feira, 18 de julho de 2023

Resumo do capítulo XXV da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Este é um capítulo muito rápido, que nos dá a conhecer tudo o que se passou. Esta rapidez na narração dos acontecimentos é já um elemento do Realismo, pois dentro do Romantismo este capítulo abrangeria muitos mais.
    Leonardo e Luisinha retomam o namoro assim que termina o luto por José Manuel e D. Maria começa a fazer planos para casar novamente a sua sobrinha. Há um impedimento, porém: Leonardo não se pode casar, dado que é um sargento de linha e estes não podiam contrair matrimónio.
    Para tentar resolver o problema, D. Maria, a comadre e Luisinha procuram novamente Maria Regalada, para que esta interfira e convença o major a promover Leonardo a sargento de milícias, a fim de que possa desposar a jovem viúva. Para surpresa das três, encontram Maria Regalada a viver com Vidigal: tinha sido esta a promessa feita ao ouvido do major, para este libertasse Leonardo.
    O Major Vidigal promove-o a sargento de milícias e Leonardo casa com Luisinha, já na posse da herança que o padrinho lhe deixara e que o pai, enfim, lhe devolvera.
    O romance termina com a notícia das mortes de D. Maria e de Leonardo Pataca e com a alusão a vários acontecimentos tristes, que o narrador omite, para poupar o leitor.

Resumo do capítulo XXIV da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Os acontecimentos precipitam-se rapidamente, entre os quais se destaca a morte de José Manuel, vítima de uma apoplexia, causada por uma demanda que D. Maria lhe move. No velório, Luisinha chora, mas parece fazê-lo mais como cumprimento de um rito social do que como esposa. Afinal, José Manuel nunca fora um bom marido.

    Depois do enterro, Leonardo surge em casa de D. Maria, fardado de sargento e dá-se o encontro com Luisinha, agora uma mulher madura, e a faísca do amor surge de novo entre ambos. Como José Manuel não deixa herdeiros, a causa de D. Maria está ganha: a morte foi juiz.

Resumo do capítulo XXIII da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias

    Este capítulo mostra uma imagem diferente de Vidigal, pois as três mulheres conseguem demovê-lo e a soltar Leonardo. Inicialmente, mostra-se inflexível, argumentando nada poder fazer, pois está apenas a cumprir a lei, contudo Maria Regalada segreda-lhe algo ao ouvido que o faz mudar de opinião e libertar Leonardo.

Resumo do capítulo XXII da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias

    A comadre desloca-se a casa do Vidigal no intuito de interceder por Leonardo, em vão, porém. Para piorar a situação, descobre que, além de preso, Leonardo será também chicoteado. Em virtude da nova prisão e dos novos factos, a comadre e D. Maria vão pedir ajuda a uma nova personagem, Maria Regalada, por quem Vidigal nutre uma certa predileção e vice-versa. Depois de as três mulheres dialogarem, Maria Regalada concorda em irem ao encontro de Vidigal.

Resumo do capítulo XXI da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Um amigo que estava na festa congratula Leonardo na presença de Vidigal pela tramoia que engendrara e que permitira a Teotónio escapar. O Major compreende, de imediato, que foi ludibriado, por isso prende Leonardo mais uma vez.
    Neste ponto, o narrador volta-se novamente para D. Maria, Luisinha e José Manuel, para dar conta da reconciliação da comadre com D. Maria, já que aquele se revelara um mau marido. De facto, a velha senhora apercebe-se de que se tinha enganado relativamente às qualidades do escolhido e move um processo judicial contra ele, para defender o património da sobrinha.
    As duas mulheres cruzam-se durante uma missa e compartilham as desventuras de Leonardo e Luisinha. Perante os novos factos, D. Maria começa a acreditar no envolvimento de José Manuel no caso do Oratório da Pedra. A amizade entre ambas é retomada, formam um pacto, segundo o qual se unirão no apoio a Leonardo e Luisinha.

Resumo do capítulo XX da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Embora a vida boémia que Leonardo levara antes o ajudasse na sua nova profissão, ele faz perder muito tempo a Vidigal, pois tem de o vigiar constantemente.

    O episódio descrito anteriormente faz com que Leonardo seja alvo de brincadeiras frequentes dos demais granadeiros, o que o deixa envergonhado. Entretanto, o seu pai organiza uma festa para comemorar o batizado da sua filha e convida Teotónio, um jogador, cantor e tocador, que havia despertado a ira do Major Vidigal por lhe imitar os trejeitos publicamente. Ora, este vê nesta presença do animador na festa uma oportunidade para o prender. Assim, pede a Leonardo que se desloque a casa do pai, participe na festa e o avise quando Teotónio se for embora. No entanto, este recebe-o bem e aquele revela-lhe os planos de Vidigal. Teotónio disfarça-se de corcunda aleijado e escapa, assim, à armadilha.

    Este romance tem já muito de Realismo, pois é objetivo na descrição das personagens e dos costumes, ou seja, na apresentação de factos e costumes e na não idealização das personagens. Leonardo não é um herói romântico, pois este busca sempre a perfeição e o infinito. Ele tem características do herói romântico na inconstância amorosa, mas noutros aspetos não tem nada de romântico.

Resumo do capítulo XIX da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias

    Toma-largura está bêbedo e cai na calçada, porém o facto de estar ligado à casa real faz com que os granadeiros não o prendam, antes o deixam ali.

    De seguida, o narrador, por meio de uma analepse, elucida-nos sobre como Leonardo se tornou granadeiro. Na noite em que foi preso, como o seu regimento necessitava de soldados, o Vidigal considera que Leonardo lhe poderá ser muito útil, pois conhecia todos os cantos do Rio de Janeiro. Só há um problema. Leonardo alia-se frequentemente ao povo e revolta-se contra o Major.

Resumo do capítulo XVIII da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    O desaparecimento de Leonardo começa a inquietar todos os que o rodeiam. Vidinha pensa que ele terá desaparecido de propósito e, então, começa a receber e aceitar as atenções do toma-largura. Este começa a frequentar a sua casa e inclusivamente uma tia diz-lhe que seria um bom substituto de Leonardo.
    Tomás desloca-se à casa da guarda, mas não encontra o amigo, por isso procura-o noutros locais, mas sem resultados também. O mesmo sucede com as tentativas semelhantes feitas pela comadre. Deste modo, como Leonardo não dá notícias, pensam que talvez esteja escondido, pelo que começam a odiá-lo.
    O desaparecimento de Leonardo, aliado à visita de Vidinha à ucharia, contribuem para que ela passe a ver o toma-largura duas vezes por dia, por isso não é surpreendente que passe a frequentar a casa.
    Certo dia, dão uma festa, onde ocorre um evento extraordinário e inesperado: Leonardo aparece como granadeiro. Durante esse evento, o toma-largura bebe demais e gera-se a confusão, o que motiva o aparecimento de Vidigal e dos granadeiros. Quando um deles avança para prender o toma-largura, gera-se a estupefação geral: é Leonardo, que se tornara um dos granadeiros do Major.

Resumo do capítulo XVII da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias

    Este capítulo narra tudo o que se passa na ucharia, quando Vidinha aí chega, movida pelo ciúme, para tirar satisfações da companheira do toma-largura. Este acaba por ficar impressionado com Vidinha.

Resumo do capítulo XVI da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias

    Este capítulo descreve os vários tipos de ciúme e aponta aquele em que se insere o de Vidinha, que, enfurecida por esse sentimento, pede a mantilha à mãe para ir à ucharia falar com o toma-largura. No caminho, Leonardo, que a acompanha, é intercetado pelo major, que o obriga a acompanhá-lo.

Resumo do capítulo XV da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Quando a comadre chega a casa de Vidigal, todos se riem do sucedido, porém, a seguir, dá um sermão a Leonardo e diz-lhe que tem de arranjar alguma ocupação, caso contrário será preso pelo Vidigal por vadiagem.

    Poucos dias depois, a comadre arranja-lhe emprego na ucharia real, deixando assim a vida de vadio. Quem também beneficia com este emprego é a despensa de Vidinha, que passa a estar sempre cheia com o que ele traz da ucharia. Porém, mais uma vez, arranja sarilhos e perde o emprego, o que constitui outra herança do pai. No pátio da ucharia, morava um toma-largura (um criado do paço real) com uma jovem bonita. Sucede que o homem era muito violento e Leonardo, generosamente, leva à rapariga uma tigela de caldo. Subitamente, a porta da casa abre-se e o toma-largura entra e começa a perseguir Leonardo, que é despedido no dia seguinte.

Resumo do capítulo XIV da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias

    Este é um capítulo de pausa, pois a história pouco avança. Todos riem quando o Major Vidigal, após vasculhar uma casa, sai de mãos vazias. Quando ele se prepara para entrar na casa da guarda, aparece a comadre, que, sabendo da prisão de Leonardo, vai implorar a Vidigal que o solte, o que só contribui para aumentar a sua humilhação por o ter deixado fugir.

Resumo do capítulo XIII da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias

    Enquanto o recém-casal goza a sua lua de mel, Leonardo, a caminho da cadeia, dá um encontrão no granadeiro e foge, o que vem abalar o prestígio de Vidigal, que jura vingança.

    Leonardo volta para casa de Vidinha e descobre-se a tramoia dos dois primos. A fuga faz de Vidigal o inimigo inconciliável de Leonardo.

Resumo do capítulo XII da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias

    Com o desaparecimento de Leonardo da casa de D. Maria, José Manuel tem espaço para agir à vontade e acabou por a ajudar numa demanda a propósito do testamento de Luisinha. Adquirida a confiança da velha senhora, aproveita o momento e pede a jovem em casamento, que, como não via Leonardo há algum tempo, aceita o pedido com indiferença. Assim, num sábado à tarde, Luisinha e José Manuel casam-se. A descrição do vestuário e da carruagem denota uma nobreza decadente.

Resumo do capítulo XI da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias

    A comadre e as tias de Vidinha ficam amigas e os laços entre esta e Leonardo estreitam-se, o que causa o ciúme dos primos interessados nela. A comadre visita regularmente Leonardo e as duas novas amigas; tudo corre às mil maravilhas, no entanto os dois primos, despeitados, vão armar uma cilada a Leonardo e este é preso por Vidigal, sob a acusação de vadiagem. De acordo com Vidinha, tudo não passa de uma malsinação.

Resumo do capítulo X da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Volta-se ao novo meio de Leonardo. Descreve-se Vidinha como namoradeira, daí a oposição dos dois primos pretendentes. De facto, algumas semanas depois, Leonardo já é agregado na casa de Tomás da Sé, mas certo dia é surpreendido abraçado com Vidinha e envolve-se com um dos pretendentes da jovem. Aparece a comadre.

    Neste capítulo, temos uma crítica literária feita aos ultrarromânticos. Manuel António de Almeida constata que o amor de Leonardo por Luisinha passara, quando este conhece Vidinha. Ao contrário dos ultrarromânticos, ele não defende a fidelidade ao primeiro amor. O narrador é um modelador de perspetivas e não um mero observador. Na verdade, faz um grande condicionamento na forma como lemos a obra. Ele escolhe um ponto de vista para apresentar os factos e condiciona o leitor.

Resumo do capítulo IX da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias

    Enquanto a comadre procura Leonardo por toda a parte, a jovem ouvia modinhas. Cansada, a mulher desloca-se a casa de D. Maria, onde procura defender o afilhado, contudo a velha senhora acusa-o. O que significa esta mudança de atitude? A contra-intriga armada pelo mestre-de-reza começa a dar resultado e D. Maria passa a ter em conta o interesse manifestado por José Manuel em relação a Luisinha. Assim, o velho consegue inocentar este último, que ganha a aprovação de D. Maria para ser pretendente de Luisinha.

 

Resumo do capítulo VIII da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias

    O narrador descreve o ambiente de família em que Leonardo passa a viver. Ele reconhece que se tinha inclinado durante um momento, mas que está apaixonado por Vidinha. No entanto, essa sua paixão pela jovem vai encontrar adversários. Para além de herdar do pai a mania de se apaixonar, também herda o facto de encontrar sempre problemas e adversários no amor. Sem ter para onde ir, passa a noite ali.

Resumo do capítulo VII da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Leonardo sai de casa, vagueia pela cidade até chegar ao Cajueiro, onde encontra um grupo de jovens sentados numa esteira, jogando baralho. Cheio de fome, começa a afastar-se quando um deles o chama: é o seu antigo companheiro sacristão, Tomás, que lhe apresenta Vidinha, sua irmã, uma mulatinha de 18 a 20 anos, de altura normal, ombros largos, peito alteado, cintura fina e pés pequeninos, por quem logo se entusiasma, o que mostra que saíra ao pai. Dona de uns olhos muito pretos e vivos, de uns dentes muito brancos e de uns lábios grossos e húmidos, por ser cantora de modinhas, numa voz doce e afinada, entoa uma cantiga que deixa Leonardo boquiaberto.

Resumo do capítulo VI da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Leonardo, depois de ficar muito tempo na casa de D. Maria sem ver a sua amada, chega a casa transtornado, por não ver Luisinha, discute com Chiquinha e sai de casa, o que deixa a comadre preocupada-

    Leonardo Pataca acode à balbúrdia, armado do espadachim, e lança-se ao filho. Entrementes chega D. Maria, que toma o partido do jovem.

Resumo do capítulo V da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Este capítulo é importante, porque nos descreve a morte do padrinho. Há toda uma ironia que envolve a descrição, o que é típico de Manuel António de Almeida.
    O padrinho de Leonardo adoece, por isso é chamado o dono da botica, que promete curá-lo com umas pílulas. A comadre encara a prescrição das pílulas com ceticismo e tem razão, pois três dias depois ele morre, o que causa o pranto de amigos, vizinhos e conhecidos.
    Após a morte, coloca-se o problema de saber para onde há de ir morar Leonardo e da herança. D. Maria e a comadre procuram e encontram o testamento do compadre, que estipula que Leonardo é o herdeiro universal do padrinho. Mal Leonardo Pataca toma conhecimento da novidade, apresenta-se para tomar conta do filho, o que desagrada a este, pois recorda-se do pontapé. No entanto, acaba por se mudar para casa do pai, que fica com tudo, juntamente com a comadre. Nos primeiros dias, tudo corre bem, a família está novamente unida: Leonardo Pataca, Leonardo, a irmã e a comadre. Todavia, os problemas começam a surgir, porque Leonardo e Chiquinha não se dão.

Resumo do capítulo IV da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    José Manuel apercebe-se de que tudo fora armado pela comadre para ajudar Leonardo e vai também procurar alguém que ajude a sua posição e esse alguém é o mestre-de-reza de D. Maria, que tem fama de casamenteiro e que vai conseguir lançar a dúvida no espírito da velha senhora: durante uma conversa noturna, diz-lhe que sabe quem tinha roubado a jovem.

    Temos, assim, duas forças que confluem em Luisinha:

. o amor de Leonardo, ajudado pela comadre;

. o interesse de José Manuel.

O cometa de 2022


 Lido Contemori

Análise de "As Palavras Interditas", de Eugénio de Andrade


segunda-feira, 17 de julho de 2023

Resumo do capítulo III da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Os resultados da trama são a aparente derrota de José Manuel, pois a comadre consegue convencer D. Maria do mau caráter dele. As duas mulheres apertam-no, um homem mentiroso, e ele fala-lhes do seu negócio, desde que elas sejam discretas. Assim, afirma que tinha sido chamado ao palácio. Mal a comadre se foi embora, D. Maria questiona-o sobre a jovem que teria roubado, mas o homem jura que nada tem a ver com o assunto, contudo a velha senhora não acredita.

Resumo do capítulo II da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Retoma-se a intenção da comadre de afastar José Manuel de Luisinha e, para isso, arma uma trama, culpando-o de uma cena que se passara no Oratório da Pedra. Assim, conta que uma rapariga muito rica, que vivia com a mãe nesse local, tinha enchido uma meia preta com joias e, de seguida, fugido com um homem, cuja identidade ninguém conhecia. Então, a comadre, aproveitando-se da curiosidade de D. Maria, fá-la jurar não contar nada a ninguém e diz-lhe que o homem é José Manuel.

    Nota-se sempre a necessidade de relembrar o leitor de certos aspetos passados, através da sua atualização.

Resumo do capítulo I da 2.ª parte de Memórias de um Sargento de Milícias


    Esta parte vai dar mais importância à vida adulta de Leonardo, pois até aqui narrou-se o seu nascimento, a infância e os primeiros amores.
    Sendo um romance, há várias intrigas secundárias a par da intriga principal. Por isso, temos capítulos ligados à ação principal alternando com outros dedicados a personagens ou intrigas secundárias. O próprio narrador tem consciência disto, quando refere que já há algum tempo não tratava de um certo assunto e que, por isso, era necessário retornar a ele. Isto está relacionado com a publicação da obra em periódicos, o que exigia uma certa estratégia, para lembrar o leitor de certos factos e personagens.
    Este primeiro capítulo da segunda parte descreve todos os preparativos para o parto do segundo filho de Leonardo Pataca. Nasce uma menina da sua relação com Chiquinha, a sobrinha da comadre, que o pai caracteriza como sendo o oposto do seu irmão Leonardo: era calma e risonha.

Resumo do capítulo XXIII de Memórias de um Sargento de Milícias


    Temos um longo tempo narrativo para o curto tempo real da história. O momento é rápido, mas a sua narração é longa, porque aumenta a análise psicológica do momento que antecede a declaração de Leonardo e Luisinha.

    Enquanto a comadre planeia derrotar o rival do afilhado, este arde em ciúmes e procura agir por sua conta, porém, sempre que fica a sós com a sua amada, as pernas tremem-lhe tanto que mal consegue ficar de pé ou articular qualquer palavra. Passado algum tempo, o rapaz ganha coragem e diz-lhe que lhe quer muito bem, o que faz com que Luisinha fique corada e desapareça pelo corredor.

Resumo do capítulo XXII de Memórias de um Sargento de Milícias


    José Manuel vai-se aproximando de Luisinha, o que deixa Leonardo e o padrinho preocupados e desagradados com a sua presença: o rapaz está apaixonado pela moça e o compadre vê nela um excelente meio de vida para o afilhado.

    Os dois estão tão preocupados que vão fazer com que a comadre entre no «negócio», a favor de Leonardo. Ela começa a atuar, procurando denegrir a imagem de José Manuel aos olhos de D. Maria.

Resumo do capítulo XXI de Memórias de um Sargento de Milícias


    O comportamento de Luisinha modifica-se e tudo é analisado profundamente. Leonardo está apaixonado por ela, porém a rapariga volta ao antigo estado de letargia, o que o deixa triste e despeitado.

    Surge uma nova personagem: José Manuel, caracterizado pela sua maledicência e oportunismo. Estamos na presença de um homem de trinta e cinco anos, magro, com um nariz muito grande e olhar penetrante, recentemente chegado da Baía. Entre ele e padrinho e afilhado gera-se uma grande antipatia, essencialmente motivada pelo facto de José Manuel ter percebido que Luisinha seria a única herdeira de D. Maria, pelo que quem se casasse com ela ficaria muito rico.

domingo, 16 de julho de 2023

Resumo do capítulo XX de Memórias de um Sargento de Milícias


    Neste capítulo, descreve-se o aprofundamento da relação entre Leonardo e Luisinha. Adensa-a a análise psicológica e o sentimento de Leonardo pela jovem. Temos, assim, um percurso que vai do riso à curiosidade e, por fim, ao êxtase. Há paralelamente um estudo da evolução dos comportamentos.

    Após a queima dos fogos, Leonardo e Luisinha voltam de mãos dadas.

Resumo do capítulo XIX de Memórias de um Sargento de Milícias


    O narrador descreve os costumes que envolvem a festa do Espírito Santo, acontecimento muito importante no Rio de Janeiro. Para a descrição desta festa, usa a mesma estratégia que usou para descrever o Canto dos Meirinhos: o contraste entre o passado e o presente.

    A visão de Leonardo a propósito da sobrinha de D. Maria altera-se: do riso (que lhe aflorara os lábios quando a vira pela primeira vez) passa à curiosidade. De facto, desta vez, ao ver a rapariga vestida de branco e com o cabelo penteado, em vez de rir, aprecia a sua figura, enquanto ela permanece em silêncio. Mais tarde, os quatro vão ver os fogos.

 

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