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quarta-feira, 6 de setembro de 2023

Tempo do discurso de "O Tesouro"


    A ação estende-se do inverno à primavera e o seu núcleo central concentra-se num dia, desde a manhã até à noite. A condensação de um tempo da história tão longa (presumivelmente três ou quatro meses) numa narrativa curta (conto) implica a utilização sistemática de sumários ou resumos (processo através do qual o tempo do discurso é menor do que o tempo da história). Nos momentos mais significativos da ação (decisão de repartir o tesouro e partilhar as chaves, bem como a argumentação de Rui para excluir Guanes da partilha) o tempo do discurso tende para a isocronia (a duração do tempo da história é igual à do tempo do discurso), sem, no entanto, a atingir).
    No texto, existe outro processo de redução do tempo da história, que é a elipse, isto é, a eliminação, do discurso, de períodos mais ou menos longos da narrativa. A parte inicial da ação é localizada no inverno (“… passavam eles as tardes desse inverno…”) e logo a seguir o narrador remete-nos para a primavera (“Ora, na primavera, por uma silenciosa manhã de domingo…”).
    No que diz respeito à ordenação dos acontecimentos, predomina a cronologia. Só na parte final do texto surge uma analepse (recuo no tempo), quando o narrador abandona a postura de observador e adota a focalização omnisciente, para revelar o modo como Guanes tinha planeado o envenenamento dos irmãos, manifestando dessa forma o seu caráter traiçoeiro.
    Frequentemente, a analepse permite esconder do narratário pormenores importantes para a compreensão dos acontecimentos, mantendo assim um suspense favorável à tensão dramática.
 
                Em suma:
 
a) Anisocronias:
- resumo de acontecimentos:
. o 2.º parágrafo, em que é resumida a vida dos três irmãos durante todo o Inverno.
 
b) Isocronias: o diálogo entre Rui e Rostabal.
 
c) Anacronias:
- analepses:
. a recusa do empréstimo dos três ducados.
. o relato do que Guanes fizera em Retortilho (antepenúltimo parágrafo).
 

Tempo da história de "O Tesouro"


    A ação decorre entre o inverno e a primavera, mas concentra-se num domingo de primavera, estendendo-se de manhã até à noite.
    O inverno está conotado com a escuridão, a noite, o sono e a morte. É nessa estação do ano que nos são apresentadas as personagens, envoltas na decadência económica, no isolamento social e na degradação moral (“E a miséria tornara estes senhores mais bravios que lobos.”)
    Por sua vez, a primavera tem uma conotação positiva: associa-se à luz, à claridade, à cor, ao aparecimento do Sol. Esta estação significa o renascimento da natureza, sugere uma vida nova (a descoberta do cofre é uma oportunidade dada às personagens de abandonarem a sua miséria), que se poderia ter estendido ao renascimento espiritual dos três irmãos, representado simbolicamente pelo domingo, um dia santo.

    Assim, o período compreendido entre o Inverno e a Primavera é vivido pelos três irmãos de uma forma miserável: fome, frio, decadência, solidão. O início da primavera proporciona-lhes a oportunidade de uma nova vida, a que corresponde a descoberta do tesouro.
    A ação central inicia-se na manhã de um domingo e progride durante o dia. Nessa data, o seu percurso (de fome, privação…) inverte-se: "E assim refeitos (...) subiram para Medranhos, sob a segurança da noite sem Lua." – domingo manhã tarde noite.
    À medida que a noite se aproxima, a tragédia vai-se preparando. A essa aproximação corresponde a vontade de cada um dos irmãos de reter para si próprio uma maior quantidade do dinheiro, que se evidencia pelo desejo de subir à serra com o cofre. Quando tudo termina, com a morte sucessiva dos irmãos, a noite está a surgir (“Anoiteceu.”). A purificação surgirá como obra da providência: “Anoiteceu. Dois corvos, de entre o bando que grasnava além nos silvados, já tinham pousado sobre o corpo de Guanes.” A miséria física conduz à miséria espiritual.

Tempo histórico de "O Tesouro"

    A referência ao “reino das Astúrias” permite localizar a ação na Idade Média, por volta do século IX (“Eram então, em todo o reino das Astúrias, os fidalgos mais famintos e mais remedados.”), visto que os Árabes invadiram a Península Ibérica no século VIII (a ocupação teve início em 711 d.C. e prolongou-se por vários anos, sem nunca ter sido concluída). Por outro lado, no século X encontramos já constituído o reino de Leão, que sucedeu ao das Astúrias.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Espaço psicológico de "O Tesouro"

    Paço de Medranhos ® espaço de necessidade, de privações, de miséria, de fome.

    Mata de Roquelanes ® espaço de esperança, mas simultaneamente de ambição desmedida, de desconfiança, de traição, de crueldade, do Mal e da justiça reparadora. Todos estes elementos decorrem da descoberta do tesouro.

    Por outro lado, este espaço exterior, pela sua vastidão, é também um local de provação e dificuldades, e ainda de descoberta e aventuras.

Espaço social de "O Tesouro"

    Os três irmãos pertencem à nobreza ("os fidalgos mais famintos..."), que entrou em gradual degradação e decadência até atingir a miséria quase total, como é evidenciado pelo facto de a casa que habitam estar quase em ruínas (não tem telhado, por exemplo), de passarem fome, de dormirem junto com as éguas para se aquecerem, etc.

Composição das personagens de "O Tesouro"

     Rui, Guanes e Rostabal são personagens planas.

Papel ou relevo das personagens de "O Tesouro"

     Rui, Guanes e Rostabal são os protagonistas do conto.

Funções das personagens de "O Tesouro"

 

Destinador

 

Objeto

 

Destinatário

Ambição
Pobreza
Destino

 

Tesouro

 

Rui
Guanes
Rostabal

 

 

 

 

 

Adjuvante

 

Sujeito

 

Oponente

Assassínio

 

Rui
Guanes
Rostabal

 

Rui
Guanes
Rostabal
Ambição dos outros irmãos
 

Processos de caracterização das personagens de "O Tesouro"

    No conto, predomina o processo de caracterização direta, dado que a maior parte das informações relativas às personagens nos são fornecidas pelo narrador. No entanto, os traços de traição e premeditação de Rui e Guanes são deduzidos pelo leitor a partir do seu comportamento, o que significa que, neste caso, estamos parenta caracterização indireta.

    As personagens começam por ser apresentadas coletivamente (“Os três irmãos de Medranhos…”), mas, à medida que a ação progride, a sua caracterização vai-se individualizando, como que sublinhando o predomínio do egoísmo individual sobre a aparente fraternidade.

Notas sobre as personagens de "O Tesouro"


 
    1) O conto narra a evolução das personagens para uma decadência moral completa, que levará à sua própria destruição.

    2) É curiosa a apresentação dos nomes: o último nome, Rostabal, é o do irmão mais velho.

    3) Ao nível dos sons que predominam nos nomes dos três irmãos, são de assinalar:
- som agudo /ui/, no nome de Rui, que remete para a sua finura de espírito;
- a vogal aberta /a/, na segunda sílaba do nome de Guanes, que denota o equilíbrio entre a razão e o instinto;
- a vogal aberta  /a/  na palavra Rostabal, na última sílaba, que se associa ao predomínio do instinto sobre a razão.
 
    4) As personagens são, frequentemente, tomadas de uma forma coletiva (por exemplo, quando o narrador define o perfil social das personagens ou quando os descreve fisicamente pela primeira vez).

    5) O homem aparece como um produto do meio. E a sua corrupção moral opõe-se à pureza que reveste a natureza: "Depois de encontrarem o ouro, os três irmãos estalaram a rir, num riso de tão larga rajada, que as folhas tenras dos olmos em roda tremiam."

    6) A cantiga de Guanes é também um elemento caracterizador: ele canta a sua canção favorita, saboreando antecipadamente o momento de se sentir o único dono do tesouro.

O novo programa de diversidade

Bill Abbott

Caracterização de Rostabal


 
. caracterização física:
® muito alto;
® cabelos longos;
® barba comprida;
® olhos raiados de sangue;
® o mais forte e o mais destro;
 
. caracterização social:
® fidalgo arruinado;
® faminto;
® pobre;
® miserável;
 
. caracterização psicológica:
® bravio;
® ingénuo;
® dominado pelo instinto, que prevalece sobre a razão  -  instintivo e animalesco (só pensa no dinheiro, quando o conduzem a isso);
® desconfiado dos irmãos;
® cruel;
® ambicioso;
® amoral: para ele, os valores Bem e Mal não existem.
 

Caracterização de Guanes


 
. caracterização física:
® o mais leve / magro;
® pele negra;
® pescoço de grou;
® enrugado;
® doente: escarra sangue;
 
. caracterização social:
® fidalgo arruinado;
® faminto;
® pobre;
® miserável;

. caracterização psicológica:
® bravio;
® desconfiado;
® calculista;
® leva uma vida de dissipação (ex.: joga aos dados, bebe);
® sôfrego;
® ambicioso;
® forreta;
® traiçoeiro.
 

Caracterização de Rui


 
. caracterização física:
® gordo;
® ruivo;
® pescoço peludo;
 
. caracterização social:
® fidalgo arruinado;
® faminto;
® pobre;
® miserável;
 
. caracterização psicológica:
® bravio;
® o mais avisado dos três;
® fala avisada e mansa;
® desconfiado dos irmãos;
® funciona como árbitro relativamente à divisão do tesouro;
® astuto e calculista, leva Rostabal a assassinar Guanes com uma série de argumentos;
® cruel;
® traiçoeiro;
® ambicioso;
® ansioso por levar consigo e esconder o tesouro.
 

O espaço físico do conto "O Tesouro"


    A ação do conto decorre nas Astúrias. A parte inicial localiza-se nos Paços de Medranhos, enquanto a central na mata de Roquelanes. Por seu turno, o episódio do envenenamento através do vinho é situado num local mais longínquo: a vila de Retortilho.
    Os Paços de Medranhos são descritos de forma negativa e evidenciam a miséria que rodeia os três irmãos: “… a que o vento da serra levara vidraça e telha…”; a cozinha não tem lume nem comida, e eles dormem na estrebaria, “para aproveitar o calor das três éguas lazarentas”.
    Os três fidalgos circulam exatamente apenas entre a cozinha e a estrebaria, os locais menos nobres de um palácio, o que evidencia bem o grau de decadência económica em que vivem. Essa miséria é acompanhada pela degradação moral: “E a miséria tornara estes senhores mais bravios que lobos.”
    De modo semelhante, o espaço exterior, a mata de Roquelanes não é um simples cenário onde a ação decorre. De facto, as descrições da natureza são bastante simbólicas. Assim, a “relva nova de abril”, que constitui a manifestação visível do renascimento da natureza, sugere o renascimento espiritual que os protagonistas não são capazes de concretizar. A “moita de espinheiros” e a “cova de rocha” simbolizam as dificuldades, os sacrifícios, que é necessário enfrentar para alcançar o que se pretende.
    A natureza, calma e pacífica, renascente (“… um fio de água, brotando entre as rochas, caía sobre uma vasta laje escavada, onde fazia como um tanque, claro e quieto, antes de se escoar para as relvas altas.”), contrasta com o interior das personagens, que facilmente imaginamos inquietas, agitadas e perturbadas pela visão do ouro e, em simultâneo, ansiosas por dele se apoderarem de modo exclusivo. Ao mesmo tempo, as “duas éguas retouçavam a boa era pintada de papoulas e botões-de-ouro”. Ora, é evidente um contraste entre humanos e animais, que já havia sido destacado depois de os três irmãos terem contemplado o ouro: “… estalaram a rir, num riso de tão larga rajada que as folhas tenras dos olmos, em roda, tremiam…”. Quando Rui e Rostabal aguardavam, emboscados, o irmão Guanes, “um vento leve arrepiou na encosta as folhas dos álamos”, como se a natureza sentisse o horror do crime que estava prestes a ser cometido. Depois de o assassinar, os dois regressam à “clareira onde o sol já não dourava as folhas”.



domingo, 3 de setembro de 2023

Delimitação da ação de "O Tesouro"


. Fechada, no que se refere à histórias dos três irmãos, pois todos morrem.
 
. Aberta, no que diz respeito ao tesouro, que lá continua intacto e por descobrir.
 

Sequências narrativas de "O Tesouro"


    Segundo João A. F. Guerra e José A. S. Vieira, é possível dividir este conto em três sequências:
 
® sequência inicial:
a) os três irmãos encontram um cofre;
b) mergulham as mãos no ouro;
c) cada um cerra a sua fechadura;
 
® sequência intermédia:
a) Rui e Rostabal emboscam-se;
b) Rostabal assassina Guanes;
c) Rui assassina Rostabal;
 
® sequência final:
a) Rui abre as três fechaduras;
b) Rui bebe o vinho envenenado;
c) Rui oscila e morre.
 
5.1. Processo de articulação das sequências narrativas
 
    As ações articulam-se por encadeamento.

Estrutura da ação de "O Tesouro"


Introdução (2 primeiros parágrafos):
 
apresentação das personagens
▪ localização da ação no tempo e no espaço
 
Desenvolvimento (até ao penúltimo parágrafo):
funções cardinais:
1.ª) a descoberta de um cofre;
2.ª) a decisão da partilha;
3.ª) a distribuição das chaves pelos três;
4.ª) o fechamento do cofre;
5.ª) a partida de Guanes para Retortilho;
6.ª) os argumentos de Rui:
=> o irmão dissiparia a sua parte rapidamente com más companhias, no jogo e no vinho;
=> a avareza de Guanes:
. se ele tivesse achado o tesouro sozinho, não o dividiria com eles;
. a recordação de velhas questiúnculas com Rotabal: a recusa do empréstimo de três ducados;
=> a iminência da morte de Guanes;
=> com a parte dele, poderão compor a casa e Rostabal obter ginetes, armas, trajes nobres e o seu terço de solarengos;
=> Guanes tratava, publicamente, Rostabal por «cerdo» e «torpe».
7.ª) a condenação de Guanes;
8.ª) a chegada de Guanes;
9.ª) o assassínio de Guanes;
10.ª) Rostabal lava-se;
11.ª) o assassínio de Rostabal;
12.ª) os preparativos para comer;
13.ª) Rui bebe;
14.ª) Rui oscila / sente um fogo interior que o devora.
catálises:
2.ª) a espera de Guanes;
3.ª) a descrição do assassínio;
4.ª) as reflexões sobre a posse do ouro;
5.ª) as reflexões do marrador.
 
Conclusão (dois últimos parágrafos):
função cardinal:
15.ª) a morte de Rui.
catálise:
6.ª) conclusões e descrição do cenário.
 

Resumo do conto "O Tesouro"


    Três irmãos esfomeados  Rui, Guanes e Rostabal –  , que viviam em Paços de Medranhos, no reino das Astúrias, encontram na mata um grande cofre de ferro, repleto de dobrões de ouro.
    Desconfiados uns dos outros e para não despertar as atenções, decidem transportar o tesouro para Medranhos de noite e que Guanes, por ser o mais magro, iria à povoação mais próxima comprar comida para eles e para as éguas e uns sacos de couro. Cada vez mais desconfiados, cada um fica com uma chave e fecha a sua fechadura do cofre.
    Acicatado por Rui, Rostabal aceita a ideia de assassinar o irmão e, quando Guanes regressa, assim procedem.
    De regresso ao local do tesouro, enquanto Rostabal lava os braços, a cara e as barbas salpicadas de sangue do irmão, Rui, serenamente, enterra uma navalha nas suas costas. De imediato, tira-lhe também a chave e deixa-o escorregar na borda do riacho.
    Cheio de fome e sede, bebe uma garrafa de vinho. Descansa, de seguida, um pouco e prepara-se para regressar a Medranhos, quando sente uma espécie de lume que o devora por dentro e que nenhuma água consegue apagar. Compreende então que Guanes tinha envenenado o vinho que os irmãos iriam beber. Horas depois jaz também junto aos outros com a face negra.

Tema e assunto de "O Tesouro"

Tema: a ambição desmedida.
 
Assunto: três fidalgos arruinados que viviam completamente na miséria e que a ambição de recuperar um passado glorioso (após a descoberta de um tesouro) conduziu à sua aniquilação total.

Análise do conto "O Tesouro", de Eça de Queirós

 I. Ação

    1. Tema

    2. Assunto

    3. Resumo

    4. Estrutura, funções cardinais e catálises

    5. Sequências narrativas

    6. Delimitação da ação


II. Personagens

    1. Caracterização

        a) Rui

        b) Guanes

        c) Rostabal

        1.1. Notas sobre as personagens

    2. Processo de caracterização

    3. Funções das personagens

    4. Papel ou relevo

    5. Composição


III. Espaço

    1. Espaço físico ou geográfico

    2. Espaço social

    3. Espaço psicológico


IV. Tempo

    1. Tempo histórico

    2. Tempo da história

    3. Tempo do discurso

    4. Tempo psicológico


V. Narrador


VI. Modos de apresentação e expressão


VII. Indícios trágicos


VIII. Linguagem


IX. Simbologia


X. Moral do conto

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Séries de animação do meu tempo: "Tom Sawyer"


    Passava aos sábados de manhã, logo depois de o pão fresco chegar a casa. Trata-se de uma versão sensacional da obra imortal de Mark Twain. A acompanhar a série, além de produtos diversos, era imprescindível fazer a respetiva coleção de cromos

    E, assim, chega ao fim a recordação de várias séries de desenhos animados que marcaram a nossa infância e princípio da adolescência. Não couberam aqui todas, pelo que houve que fazer uma seleção. Se abrimos com Jacky, finalizamos com o inigualável Tom. Como ele, vivemos aventuras, não no Mississipi, mas na ribeira do Coval; como ele, construímos uma casa de madeira no cimo da enorme carvalha que o progresso destruiu já neste século; como ele, sonhámos, brincámos e crescemos. Uns gostavam tão pouco da escola como ele, outros fizeram carreira a partir dela; todos chegaram a adultos e encontraram um rumo na vida.

Cronologia de Aquilino Ribeiro


  
1885 – Nasce em Carregal de Tabosa (concelho de Sernancelhe), no dia 13 de setembro.

1895 – Muda-se para Soutosa, concelho de Moimenta da Beira. Faz exame de instrução primária. Entra no Colégio de Nossa Senhora da Lapa.

1900 – Entra no Colégio de Lamego. Estuda Filosofia em Viseu. Entra depois no Seminário de Beja, obedecendo a um desejo da sua mãe, que queria fazê-lo sacerdote.

1904 – Expulso do Seminário, regressa a Soutosa.

1906 – Vai para Lisboa. Colabora no jornal republicano A Vanguarda.
 
1907 – É preso por ser anarquista na sequência de uma explosão no seu quarto na Rua do Carrião, a 28 de novembro, em Lisboa, na qual morre um carbonário.

1908 – Evade-se da prisão em 12 de janeiro e, durante a clandestinidade em Lisboa, mantém os contactos com os regicidas, refugiado numa casa de Meira e Sousa, na Rua Nova do Almada, em frente da Boa Hora.
 
1910 – Estuda na Faculdade de Letras da Sorbonne. Vem a Portugal após o 5 de outubro e regressa a Paris, onde conhecera Grete Tiedemann.

1912 – Reside alguns meses na Alemanha.
 
1913 – Casa com Grete Tiedemann e regressa a Paris.
 
1914 – Nasce o primeiro filho, Aníbal Aquilino Fritz Tiedemann Ribeiro. Declarada a Primeira Guerra Mundial, Aquilino regressa a Portugal, sem ter terminado a licenciatura.

1915 – É colocado como professor no Liceu Camões, onde ficará durante três anos.
 
1919 – Entra para a Biblioteca Nacional de Portugal, a convite de Raul Proença.

1921 – Integra a direção da revista Seara Nova.

1927 – Entra na revolta de 7 de fevereiro, em Lisboa. Exila-se em Paris. No fim do ano, regressa a Portugal, clandestinamente. Morre a primeira mulher.
 
1928 – Entra na revolta de Pinhel. Encarcerado no presídio de Fontelo (Viseu), evade-se e volta a Paris.
 
1929 – Casa em Paris com Jerónima Dantas Machado, filha de Bernardino Machado. Em Lisboa, é julgado à revelia em Tribunal Militar e é condenado.

1930 – Nasce-lhe o segundo filho, Aquilino Ribeiro Machado, que viria a ser o 60.º Presidente da Câmara Municipal de Lisboa – (1977-1979).
 
1931 – Vai viver para a Galiza.
 
1932 – Volta a Portugal clandestinamente.

1933 – Recebe o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa, pelo seu livro As Três Mulheres de Sansão.
 
1935 – É eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.
 
1952 – Faz uma viagem ao Brasil, onde é homenageado por escritores e artistas, na Academia Brasileira de Letras.

1958 – Publica Quando os Lobos Uivam. É nomeado sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa. É militante da candidatura de Humberto Delgado à presidência da República.
 
1960 – É proposto para o Prémio Nobel da Literatura.
 
1962 – Nasce-lhe a primeira neta, Mariana, a quem dedica O Livro da Marianinha.
 
1963 – É homenageado em várias cidades do país por ocasião dos cinquenta anos de vida literária. Morre no dia 27 de maio. Nessa mesma hora, a Censura comunicava aos jornais não ser mais permitido falar das homenagens que lhe estavam a ser prestadas. É sepultado no Cemitério dos Prazeres.

1974 – É publicado o livro de memórias Um Escritor Confessa-se. Como escreve José Gomes Ferreira no prefácio, Aquilino sabe mentir a verdade.
 
1982 – A 14 de abril é agraciado a título póstumo com o grau de Comendador da Ordem da Liberdade.
 
2007 – A Assembleia da República decide homenagear a sua memória e conceder aos seus restos mortais as honras de Panteão Nacional.

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