terça-feira, 18 de dezembro de 2012
América desarmada pelo gatilho fácil
Por Ferreira Fernandes
A MATANÇA na escola de Newtown já teve três respostas fulminantes. A primeira, mais um belo discurso de Barack Obama, como só ele, e até com sinceras lágrimas. A segunda, de Mike Huckabee, ex-candidato a candidato republicano à presidência e atual comentador da Fox, que explicou as causas do tiroteio assim: "Expulsámos Deus das nossas escolas, agora..." E a terceira, com a campanha de assinaturas para que - sentem-se, por favor - para que se acabe não com as armas, mas com a proibição das armas nas escolas. Lógica da Gun Owners of America, a associação de defensores de armas que começou já a recolher assinaturas: se os professores estivessem armados teriam impedido Adam Lanza de atirar.
Resumindo as três respostas: a América está tramada e só lhe resta esperar pelo ataque seguinte. Se as próximas vítimas forem às centenas e num berçário - isto é, com um salto quantitativo significativo de horror - talvez, mas só talvez, haja uma mudança no maioritário pensar retorcido dos americanos sobre as armas.
Newtown, 27 mil habitantes, tem uma loja de armas, fica num país com 9369 mortos por tiro, em 2010 (Canadá: 144) e é terra de Adam, 20 anos, que se passeava com duas pistolas, Sig Sauer e Glock, e um rifle de calibre 223 (para caça pesada), legalizadas pela sua mãe, que trabalhava na escola.
Segundo o desejo da Gun Owners of America, os futuros Adam podem ir buscar as armas ao cacifo da mamã, na própria escola a chacinar.
Diário de Notícias, 16 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Victoria Soto
Victoria Soto, ou simplesmente Vicky, foi uma das vítimas da barbárie ocorrida em NewTon.
Mas foi muito mais do que isso. Quando se apercebeu da tragédia que se avizinhava, fechou os seus 17 filhos num armário da sala de aula, pedindo-lhes que se mantivessem em silêncio como se de um jogo se tratasse.
Depois foi entregar-se ao algoz. Antes disse-lhe que as 17 crianças tinham ido para uma aula de ginástica. E, assim, ofereceu a sua vida em troca de 17.
domingo, 16 de dezembro de 2012
Reação do MEC aos resultados do TIMSS e PIRLS
Confrontado com os resultados avançados nos «posts» infra, o MEC produziu um comunicado, em forma de vómito, que, como muito bem assinalou Paulo Guinote (aqui), desrespeita o trabalho de professores, alunos e pais / encarregados de educação.
O comunicado é o seguinte:
«2012-12-11 às 10:09
ESTUDOS INTERNACIONAIS MOSTRAM NECESSIDADE DE MELHORAR CONHECIMENTOS DOS ALUNOS EM MATEMÁTICA E CIÊNCIAS
Foram divulgados os resultados dos estudos Tendências Internacionais no Estudo da Matemática e das Ciências (Trends in International Mathematics and Science Study [TIMSS]) e Progressos no Estudo Internacional de Leitura e Literacia (Progress in International Reading Literacy Study [PIRLS]), realizados pela Associação Internacional para a Avaliação das Realizações Educacionais (International Association for the Evaluation of Educational Achievement [IEA]). Ambos os estudos foram realizados por alunos do 4.º ano em matemática e ciências e em leitura, respetivamente. O TIMSS foi também aplicado a alunos do 8.º ano, mas Portugal não participou nesta avaliação.Foi a primeira vez que Portugal participou no PIRLS. Quanto ao TIMSS, Portugal já tinha participado em 1995, numa altura em que a avaliação externa era muito mais reduzida do que é hoje. O País participou nos 3.º, 4.º, 7.º e 8.º anos, e ficou sempre entre os 5 últimos colocados à exceção de ciências no 8.º ano, em que ficou entre os 9 últimos colocados. O País não voltou a participar até 2011.Nesta edição do TIMSS & PIRLS 2011, no 4.º ano de escolaridade participaram 50 e 45 países, respetivamente. Portugal ficou em 15.º lugar em matemática e em 19.º em ciências e leitura. A pressão por uma maior exigência por parte da sociedade civil, a introdução de uma avaliação continuada, através de provas de aferição no primeiro ciclo, e um maior controle sobre os manuais escolares não foram de certeza indiferentes para estes resultados.
Ainda assim, em todos os estudos mais de metade dos alunos portugueses não ultrapassam o nível intermédio de benchmark (melhores práticas), o segundo mais baixo em quatro níveis. Quer isso dizer que em ciências estes alunos têm quando muito conhecimentos e compreensão elementares sobre situações práticas, mas não têm domínio suficiente desses conhecimentos; em matemática, podem conseguir aplicar conhecimentos básicos em situações de resolução imediata, mas não têm domínio desses conhecimentos suficiente para resolver problemas; e em leitura, podem ser capazes de fazer inferência direta, mas não tem fluência suficiente de fazer inferências e interpretações baseando-se no texto. Ainda há, portanto, a necessidade de melhorar significativamente estes conhecimentos.
A avaliação externa é um fator fundamental para o progresso de qualquer sistema de ensino. Esta avaliação deve ocorrer sempre em dois níveis: nacional, através da realização de provas finais e exames, e internacional, através da participação em estudos como estes. Em 2012/2013, pela primeira vez os alunos de todos os ciclos de ensino realizam provas finais e exames, que permitem ter um melhor conhecimento do sistema.»
Resultados do PIRLS 2011 - Leitura
Portugal, com 541 pontos, encontra-se na 19.ª posição entre 45 países, com um registo igual ao da Alemanha, sendo de assinalar, também, o tombo da Suécia, que muitos veem como o modelo a seguir na introdução do cheque-ensino, liberdade de escolha, etc.
Nesta área, não é possível estabelecer comparações, dado que o nosso país participou unicamente em 2011.
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