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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Renascimento - A Europa - Aspetos sociais

         Do final do século XV a meados do século XVI, a indústria desenvolve-se para além dos quadros corporativos das cidades e há um surto de invenções e melhoramentos técnicos, favorecidos pela procura crescente de mercadorias. Os senhores feudais apropriam-se tanto quanto podem de terras comunais, reduzindo muitos servos ou colonos a assalariados e produzindo para o mercado. O aumento do volume de trocas, implicando o da circulação monetária, traz como resultado a procura de ouro, prata e outras mercadorias preciosas. Intensifica-se o trabalho mineiro e buscam-se minas, quer dentro quer fora da Europa. O descobrimento da prata na América e do caminho marítimo para a Índia vêm ao encontro desta necessidade de acréscimo dos meios de troca, e provocam uma alta de preços, ruinosa para os que apenas vivem de foros e serviços feudais.
         Tornam-se possíveis grandes acumulações de capital e operações bancárias à escala de toda a Europa e respetivos interesses ultramarinos. Formam-se grandes casas financeiras, como os Fugger e os Welser. Descobrem-se meios de drenagem de capitais, como o empréstimo público.
         Estas formas de concentração e mobilização dos meios monetários servem de base aos grandes estados nacionais e até supranacionais, como o reino de França, o império de Carlos V (dependente da casa Fugger e das minas de prata) e o império português (dependente do ouro da Mina e da pimenta). Os monarcas, recorrendo largamente ao empréstimo, consumindo em massa material de guerra, onde já figurava a artilharia, oferecendo garantias de diversa ordem, estimulam fortemente o crescimento do capitalismo mercantil. Por vezes a realeza favorece a burguesia mercante; outras vezes, ajudada pela concentração do poder económico e político, atua como vértice de uma aristocracia militar e administrativa, na sua maior parte oriunda da aristocracia agrária.
         Os bens feudais da Igreja dão origem a constantes conflitos entre a Igreja e os príncipes, que tendem a chamar a si, no todo ou em parte, o poder religioso e os bens eclesiásticos, quer separando-se de Roma, como Henrique VIII de Inglaterra, quer arrancando-lhe, como o rei de França, concessões importantes.
         Com o incremento do volume da produção, sob o estímulo do comércio europeu e intercontinental, acelera-se o ritmo de desenvolvimento de algumas cidades, especialmente no Reno, no Báltico e na Flandres. A burguesia industrial e comercial destas cidades resiste às tentativas de dominação empreendidas por Carlos V e por outros príncipes. Ao mesmo tempo, o aumento da exploração agrícola, em que se lançam alguns senhores feudais, agrava a situação dos camponeses e provoca insurreições como a de 1525 na Alemanha.
         Estas circunstâncias facilitaram a propagação da heresia religiosa desencadeada pelo protesto de Lutero contra a venda de indulgências, em 1517, que inicia o movimento de contestação da Igreja de Roma que ficaria conhecido por Reforma e que acabaria por dividir os países europeus em católicos e protestantes. Os escritos de Lutero e outros protestantes tornaram-se rapidamente conhecidos, graças à recente invenção da imprensa. Relembremos que uma das suas ideias mais polémicas foi a preconização da livre interpretação dos textos bíblicos (é sob a sua direção que sai a primeira tradução da Bíblia em alemão). A burguesia das cidades, desejosa de se libertar da tutela eclesiástica, apoiou, em grande parte, o movimento. O mesmo fizeram os príncipes alemães, que cobiçavam os bens feudais da Igreja. Massas de camponeses, artesãos e assalariados das cidades insurrecionavam-se em nome do Evangelho contra a complexa formação social ‑ senhoria e mercantil ‑ que os oprimia. Mas Lutero condenou os levantamentos populares.
         A Igreja atravessa então um momento difícil. O rei de Inglaterra separa-se do Papa; o de França toma uma atitude ambígua; e mesmo os príncipes favoráveis ao Papa desacatam a Santa Sé, como Carlos V, cujo exército em 1527 saqueia Roma, saque que revelou até que ponto a religião se sujeitara a interesses dinásticas e, em geral, políticos e sociais.
         A necessidade duma reforma é geralmente admitida, até por alguns cardeais. Existe uma grande corrente que, sem pôr em discussão a autoridade do Papa, preconiza a emenda dos abusos e a interiorização do sentimento religioso. Essa corrente, que tem o seu intérprete máximo em Erasmo de Roterdão, chegou a aparecer como um compromisso possível entre Luteranos e «Papistas».
         Entretanto, a cultura e o saber científico desenvolvem-se. Exemplo desse desenvolvimento é a defesa, em 1543, na Polónia, pelo astrónomo Copérnico, da teoria do heliocentrismo, ignorada, porém, durante 72 anos, até Galileo a confirmar.
         Após uma época de anarquia e de indecisão, define-se a nova fisionomia política e religiosa da Europa. No concílio de Trento (1545-63), cortam-se as pontes entre os dois fragmentos da antiga cristandade: a Península Ibérica torna-se o mais forte baluarte do mundo católico; as cidades do Reno, do Báltico e do mar do Norte, o eixo do mundo protestante. A França está dividida entre um e outro. No fragmento católico desenvolve-se uma reacção conhecida pelo nome de «Contra-Reforma», que consiste, sob seu aspecto negativo, numa repressão por meios coativos de todas as manifestações culturais suspeitas de heterodoxia, incluindo manifestações toleradas durante épocas anteriores; e sob o aspecto positivo, numa tentativa de recuperação da Escolástica e no desenvolvimento de formas exteriores de devoção. A Inquisição (romana, espanhola e portuguesa) torna-se o principal instrumento de representação ideológica. À Companhia de Jesus cabe o papel principal na difusão do novo catolicismo "tridentino". No mundo protestante, as condições foram, em geral, mais favoráveis à expansão da ciência, assim como à difusão de uma cultura laica.
         As duas mentalidades afrontar-se-ão nas guerras com que Filipe II tenta submeter a Inglaterra e as cidades da Flandres e Países Baixos. O império espanhol, abrangendo, além da Espanha, Portugal, domínios nas Índias Ocidentais, o Brasil, grande parte da Itália, etc., funcionará em benefício de uma aristocracia de sangue, servida por uma poderosa organização militar e que possui, além da maior parte da terra em Espanha, postos dominantes no comércio transoceânico e os saques e tributos de guerra ou domínio. A defesa da fé católica é o motivo mais frequentemente invocado por esta aristocracia feudal para as guerras no exterior e as confiscações ou perseguições no interior. Em contraste, os Países Baixos aparecem como uma federação de cidades burguesas invocando princípios que mais tarde se diriam democráticos, como o direito ao autogoverno e à liberdade de crença.

A. J. Saraiva, Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa
(Texto adaptado)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Motoristas ganham mais do que professores

Ministro Motoristas de Crato ganham mais que professores
O ministério liderado por Nuno Crato tem ao seu serviço um total de 13 motoristas, 12 deles com um salário-base mensal de 1.850 euros, noticia esta segunda-feira o Diário de Notícias.
Motoristas de Crato ganham mais que professores
DR
ECONOMIA
O Ministério da Educação e Ciência tem um total de 13 motoristas, entre o gabinete do ministro Nuno Crato e três secretarias de Estado, escreve hoje o Diário de Notícias (DN), que acrescenta que todos os motoristas com excepção de um têm um vencimento-base mensal de 1.848,53 euros.
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De acordo com o jornal, também sete secretárias pessoais têm salários-base acima dos 1.800 euros, e outros dez funcionários de apoio técnico administrativo ganham mais de 1.500 euros brutos, de acordo com os valores que constam das listas de nomeações publicadas no Portal do Governo.
O Ministério da Educação assegura, contudo, que desde que Nuno Crato assumiu funções já cortou as despesas de funcionamento do seu ministério para menos de um terço dos valores registados nos anteriores ministérios da Educação e da Ciência e do Ensino Superior que foram, entretanto, unificados na mesma pasta.
O DN alerta ainda que a maioria dos motoristas e secretárias pessoais dos gabinetes do ministério ganham melhor que todos os 15 a 20 mil professores contratados a termo, que auferem um salário de 1.373,13 euros brutos, e também mais que os professores do quadro até ao terceiro escalão. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Deputada bêbeda


Deputada do PS detida por conduzir com 2,41 g/l de álcool

Glória Araújo foi detida em Lisboa por crime ao volante no dia do seu 37.º aniversário.
Glória Araújo é deputada desde 2005, eleita pelo círculo do Porto DR
Glória Araújo, deputada do Partido Socialista (PS), foi detida na passada sexta-feira em Lisboa, por conduzir com excesso de álcool no sangue (2,41 gramas por litro), bem acima do limite a partir do qual esta infracção é qualificada como crime (1,2 g/l).
A notícia foi avançada pela Rádio Renascença. Contactada pelo PÚBLICO, a deputada socialista recusou fazer qualquer comentário.

“Agradeço o seu contacto, mas não vou fazer qualquer comentário”, respondeu Glória Araújo, deputada desde 2005, eleita pelo círculo do Porto.

Segundo a Renascença, tudo aconteceu na sexta-feira, dia em que Glória Araújo completou 37 anos.

A deputada foi detida numa operação stop no centro de Lisboa às 3h20 da madrugada e foi depois notificada para comparecer perante o Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa, desconhecendo-se o resultado da audiência com o juiz.

Ao abrigo do Código da Estrada, os condutores são punidos se apresentarem uma taxa de alcoolemia igual ou superior a 0,5 g/l (contra-ordenação grave). A partir de 0,8 g/l, é considerada uma contra-ordenação muito grave e uma taxa igual ou superior a 1,2 g/l é considerada crime.

O Código Penal prevê uma pena de prisão até um ano ou multa até 120 dias para quem cometer o crime de condução sob efeito de álcool, além de ficar sujeito a uma pena acessória de retirada da carta de condução por um período entre três meses e três anos.

Natural de Aveiro, Glória Maria da Silva Araújo passou a infância e juventude em Paços de Ferreira, vivendo actualmente em Lousada.

Licenciada em engenharia mecânica, a deputada socialista faz parte da Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação, sendo suplente na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e na Comissão de Defesa Nacional. A nível partidário, integra a comissão nacional do PS.

Glória Araújo já participou até em acções sobre a segurança na estrada, como a Comissão Interparlamentar da Segurança Rodoviária (Setembro de 2008) e um encontro com empresários em Lousada para debater a Estratégia Nacional para a Segurança Rodoviária (Março de 2009).
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