Português: 23/07/26

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Desconstruindo o exame nacional de Português 2026 - 2.ª fase

 Grupo I

    Pergunta 1.

    Pergunta 2.

    Pergunta 3.

    Pergunta 4.

    Pergunta 5.

    Pergunta 6.

    Pergunta 7.


Grupo II

    Pergunta 

Desconstruindo o exame nacional de Português 2026 - 2.ª fase: Pergunta 2 do Grupo I

Pergunta: Explique o modo como, em cada poema, o sujeito poético perspetiva a escrita − poética,
                  num caso, e de uma eventual biografia, no outro caso −, fundamentando a sua resposta
                 em transcrições textuais pertinentes.
Passo 1: O "Raio-X" ao Enunciado

  1. O Verbo de Comando (O que fazer?): "Explique" Regra: Não basta fazer um resumo ou copiar versos. Têm de demonstrar que percebem como e porquê o sujeito poético vê a escrita daquela maneira, usando as vossas próprias palavras antes de citar o texto.
  2. A Divisão Obrigatória (Onde e o quê?): "em cada poema [...] poética, num caso, e de uma eventual biografia, no outro caso" Regra de Ouro: A resposta tem de ser cortada a meio. O primeiro parágrafo será dedicado exclusivamente a Eugénio de Andrade (Poema 1) e à escrita de poesia. O segundo parágrafo será dedicado a Alberto Caeiro (Poema 2) e à escrita sobre a sua vida. Ignorar um dos poemas corta logo metade da cotação!
  3. A Exigência Técnica (A Prova): "fundamentando a sua resposta em transcrições textuais pertinentes" Regra: Esta instrução é vital. Estão obrigados a colocar pequenos excertos do poema entre aspas para provar as vossas explicações. Sem citações, a resposta nunca chegará à cotação máxima, por muito bem escrita que esteja.
Passo 2: A Recolha de Dados

    Agora que sabemos o mapa da resposta, vamos ao texto buscar a nossa "munição" (os tópicos exigidos pelos critérios):

  • Recolha no Poema 1 (a escrita poética em Eugénio de Andrade):
    • Como ele vê a escrita? Como um trabalho rigoroso, mas também como a sua grande paixão vital.
    • Onde estão as provas (versos)? Ele diz que tem uma «mão rigorosa» no controlo das palavras (trabalho meticuloso). Declara um amor profundo, dizendo «Eu gosto delas, nunca tive outra / paixão». E prova que a poesia lhe dá vida quando diz que com as palavras «sustentava os meus dias».
  • Recolha no Poema 2 (a escrita biográfica em Alberto Caeiro):
    • Como ele vê a biografia? Como algo extremamente simples e objetivo, que ele não quer escrever (deixa para os outros), porque a sua vida não teve mistérios filosóficos, apenas sensações.
    • Onde estão as provas (versos)? Ele diz logo no início que escrever a sua biografia «Não há nada mais simples» e que «Tem só duas datas». Ele perspetiva a sua vida apenas através dos sentidos, afirmando ser «fácil de definir», porque a sua existência se resumiu a ver: «Vi como um danado».
Passo 3: A Construção da Resposta 

    Vamos construir a resposta com dois parágrafos distintos, usando conetores para separar as ideias, e misturando a nossa explicação com as aspas.


Resposta:

    Nos poemas apresentados, os sujeitos poéticos perspetivam a escrita de formas distintas, adequadas à natureza de cada texto.

    No Poema 1, o sujeito poético encara a escrita poética como um processo simultaneamente meticuloso e vital. Por um lado, perspetiva a criação poética como um trabalho de grande exigência e controlo absoluto sobre as palavras, exercido através da sua «mão rigorosa» (v. 8). Por outro lado, a escrita é vista como a sua grande paixão («Eu gosto delas, nunca tive outra / paixão» – vv. 10-11) e como a força que dá sentido e alimenta a sua própria existência, uma vez que era com as palavras que «sustentava os meus dias» (v. 15).

    Por sua vez, no Poema 2, o sujeito poético aborda a escrita de uma eventual biografia sua como uma tarefa extremamente objetiva e descomplicada. Para ele, escrever sobre a sua vida «Não há nada mais simples» (v. 2), reduzindo-se a apenas «duas datas» (v. 3). Ele perspetiva esta escrita biográfica (que deixa para outros fazerem. «Se, depois de eu morrer, quiserem» – v. 1) como o mero reflexo de alguém que é «fácil de definir» (v. 5), já que a sua existência foi vivida de forma sensorial e sem complexidades, resumindo-se ao ato de olhar, pois, como afirma, «Vi como um danado» (v. 6).

Desconstruindo o exame nacional de Português 2026 - 2.ª fase: Pergunta 1 do Grupo I

Pergunta: No Poema 1, quanto à relação do sujeito poético com as palavras, verifica-se uma
                 oposição entre dois tempos: o presente («agora», vv. 1 e 15) e o passado («durante
                 muitos anos», v. 11).
                Refira duas alterações sentidas pelo sujeito poético na sua relação com as palavras.
Passo 1: O "Raio-X" ao Enunciado

  1. O Limite de Pesquisa (Onde?): O enunciado restringe a nossa análise apenas ao Poema 1 ("Agora as palavras", de Eugénio de Andrade).
  2. O Verbo de Comando (O que fazer?): "Refira" Regra: O aluno deve identificar e expor de forma clara a informação pedida. Não é necessário fazer uma análise literária complexa às figuras de estilo, basta apontar a realidade e prová-la com o texto.
  3. A Quantidade (Quantas?): Exigem-se exatamente "duas alterações". Dar apenas uma garante um corte drástico na cotação; dar três é perda de tempo e risco de erro.
  4. A Condição Obrigatória: O enunciado dá uma "pista" que é, na verdade, uma exigência. A pergunta fala numa "oposição entre dois tempos". Logo, para explicar uma "alteração", o aluno não pode focar-se só no agora. Tem obrigatoriamente de construir a sua resposta em espelho: mostrar como era no passado e contrastar com como é no presente.
Passo 2: A Recolha de Dados

  • Recolha para a Alteração 1:
    • Passado: Logo no primeiro verso, quando o poeta diz que as palavras lhe obedecem "agora muito menos", o aluno deduz logicamente que, no passado, elas lhe obedeciam e eram fáceis de dominar.
    • Presente: Agora, elas revoltaram-se. O poeta diz que elas «resmungam», «não fazem caso» e «não respeitam a minha idade».
  • Recolha para a Alteração 2:
    • Passado: O aluno lê a partir do verso 11 e encontra a tal harmonia. No passado, as palavras «gostaram» dele, «dançavam» à sua roda e até davam sentido à sua vida, pois com elas «sustentava os meus dias».
    • Presente: Hoje em dia, a relação azedou. Elas tornaram-se «ariscas» (fogem "por entre as mãos") e estão agressivas, pois «arreganham os dentes» se ele as tenta prender.
Passo 3: A Construção da Resposta

A regra de ouro para garantir os 13 pontos (Nível 5) é usar conetores lógicos ("Por um lado", "Por outro lado") para separar inequivocamente as duas alterações, e dentro de cada uma usar marcadores temporais ("No passado...", "No presente...") para evidenciar a oposição pedida.


Resposta:

    Na sua relação com as palavras, o sujeito poético evidencia duas grandes alterações assentes num forte contraste entre o passado e o presente.

    Por um lado, verifica-se uma mudança acentuada ao nível da obediência e do controlo. Se no passado as palavras se submetiam facilmente ao "eu", no presente, estas tornaram-se rebeldes, ignorando-o, pois «não fazem / caso do que lhes digo» (vv. 3-4), e escapando-se-lhe «por entre as mãos» (vv. 16-17).

    Por outro lado, nota-se uma alteração radical ao nível da harmonia e do afeto. Durante muitos anos, a relação era pautada pela felicidade e era vital para o sujeito poético, já que as palavras «dançavam» à sua roda e com elas «sustentava os meus dias» (vv. 12-15); no entanto, hoje em dia, elas mostram-se zangadas e hostis, numa manifestação de revolta ilustrada no momento em que «arreganham os dentes» (v. 17).
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