Pergunta: Explique o modo como, em cada poema, o sujeito poético perspetiva a escrita − poética, num caso, e de uma eventual biografia, no outro caso −, fundamentando a sua resposta
em transcrições textuais pertinentes.
Passo 1: O "Raio-X" ao Enunciado
- O Verbo de Comando (O que fazer?): "Explique" → Regra: Não basta fazer um resumo ou copiar versos. Têm de demonstrar que percebem como e porquê o sujeito poético vê a escrita daquela maneira, usando as vossas próprias palavras antes de citar o texto.
- A Divisão Obrigatória (Onde e o quê?): "em cada poema [...] poética, num caso, e de uma eventual biografia, no outro caso" → Regra de Ouro: A resposta tem de ser cortada a meio. O primeiro parágrafo será dedicado exclusivamente a Eugénio de Andrade (Poema 1) e à escrita de poesia. O segundo parágrafo será dedicado a Alberto Caeiro (Poema 2) e à escrita sobre a sua vida. Ignorar um dos poemas corta logo metade da cotação!
- A Exigência Técnica (A Prova): "fundamentando a sua resposta em transcrições textuais pertinentes" → Regra: Esta instrução é vital. Estão obrigados a colocar pequenos excertos do poema entre aspas para provar as vossas explicações. Sem citações, a resposta nunca chegará à cotação máxima, por muito bem escrita que esteja.
Passo 2: A Recolha de Dados
Agora que sabemos o mapa da resposta, vamos ao texto buscar a nossa "munição" (os tópicos exigidos pelos critérios):
- Recolha no Poema 1 (a escrita poética em Eugénio de Andrade):
- Como ele vê a escrita? Como um trabalho rigoroso, mas também como a sua grande paixão vital.
- Onde estão as provas (versos)? Ele diz que tem uma «mão rigorosa» no controlo das palavras (trabalho meticuloso). Declara um amor profundo, dizendo «Eu gosto delas, nunca tive outra / paixão». E prova que a poesia lhe dá vida quando diz que com as palavras «sustentava os meus dias».
- Recolha no Poema 2 (a escrita biográfica em Alberto Caeiro):
- Como ele vê a biografia? Como algo extremamente simples e objetivo, que ele não quer escrever (deixa para os outros), porque a sua vida não teve mistérios filosóficos, apenas sensações.
- Onde estão as provas (versos)? Ele diz logo no início que escrever a sua biografia «Não há nada mais simples» e que «Tem só duas datas». Ele perspetiva a sua vida apenas através dos sentidos, afirmando ser «fácil de definir», porque a sua existência se resumiu a ver: «Vi como um danado».
Passo 3: A Construção da Resposta
Vamos construir a resposta com dois parágrafos distintos, usando conetores para separar as ideias, e misturando a nossa explicação com as aspas.
Resposta:
Nos poemas apresentados, os sujeitos poéticos perspetivam a escrita de formas distintas, adequadas à natureza de cada texto.
No Poema 1, o sujeito poético encara a escrita poética como um processo simultaneamente meticuloso e vital. Por um lado, perspetiva a criação poética como um trabalho de grande exigência e controlo absoluto sobre as palavras, exercido através da sua «mão rigorosa» (v. 8). Por outro lado, a escrita é vista como a sua grande paixão («Eu gosto delas, nunca tive outra / paixão» – vv. 10-11) e como a força que dá sentido e alimenta a sua própria existência, uma vez que era com as palavras que «sustentava os meus dias» (v. 15).
Por sua vez, no Poema 2, o sujeito poético aborda a escrita de uma eventual biografia sua como uma tarefa extremamente objetiva e descomplicada. Para ele, escrever sobre a sua vida «Não há nada mais simples» (v. 2), reduzindo-se a apenas «duas datas» (v. 3). Ele perspetiva esta escrita biográfica (que deixa para outros fazerem. «Se, depois de eu morrer, quiserem» – v. 1) como o mero reflexo de alguém que é «fácil de definir» (v. 5), já que a sua existência foi vivida de forma sensorial e sem complexidades, resumindo-se ao ato de olhar, pois, como afirma, «Vi como um danado» (v. 6).