Português

domingo, 9 de setembro de 2012

A realidade portuguesa


Burro Justino


     David Justino é um professor universitário e ex-ministro da Educação no XV Governo Constitucional. Durante o exercício do cargo, a população do Poceirão batizou-o de «Burro Justino», uma forma de protesto pela demora do Ministério de Educação da altura em construir uma escola na zona.
     Cansadas de esperar, as populações de Poceirão e Marateca levaram um equídeo, em 6 de novembro de 2004, até à porta da Assembleia da República. O animal participou noutros momentos de protesto, por vezes de mochila às costas, e, ironicamente, foi intentada a sua candidatura ao Parlamento Europeu.
     Ainda que pelos motivos acima sumariamente explicitados, aquelas populações tinham toda a razão no nome de batismo que escolheram para o ex-ministro. De facto, repare-se como o dito, colaborador assíduo no blogue 4T - Quarta República, cometeu mais um dos erros de português pelos quais é conhecido, ao trocar o verbo «ver(-se)» pelo verbo «vir(-se)»: "Sem menosprezar a incompreensão de milhares de professores que se vêm ao fim de muitos anos de exercício de actividade docente...".
     Ainda bem que o aturado exercício da docência tem efeitos tão... agradáveis.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Como me curei de uma deficiência

     «Entre nós, os Jogos Paralímpicos de Londres acontecem sob o mando do pudor, até poucas fotografias se veem. Ora, se um recorde desportivo é sempre admirável, que imagem mais forte pode haver que esse conseguimento alcançado por alguém que tem tudo para não conseguir?
     Em 2004, nos JO de Atenas, durante uma corrida de apresentação de paralímpicos, um atleta virou a sua cadeira de rodas em frente da bancada de jornalistas. A cadeira por terra e as pernas deficientes viradas ao céu pareceram-nos demasiado patéticas, desviámos o olhar e nem coragem tivemos de nos encarar uns aos outros. Mas alguém endireitou a cadeira e o atleta continuou a corrida com naturalidade.
     Agora, a cobertura entusiástica dos bons jornais ingleses nos Jogos Paralímpicos de Londres tem-me curado da piedade despropositada. Também Oscar Pistorius, o sul-africano das pernas em lâmina, me ajudou. Há um mês, ele foi o primeiro atleta deficiente a correr nuns Jogos Olímpicos e até chegou às finais de 4x400m. No domingo, nos Jogos Paralímpicos, ele foi vencido nos 200m classe T44 (amputados das pernas, com próteses) pelo brasileiro Alan Fonteles. Só a derrota de Pistorius é uma lição de normalidade: aquele que é uma vedeta entre olímpicos, perde com paralímpico... Depois, houve a reação do sul-africano: acusou, sem razão, o brasileiro de ter corrido com próteses ilegais...
     Pronto, é oficial: os deficientes são normais. Até têm o mau perder dos outros.»

Ferreira Fernandes, in DN (04/09/2012)
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