Português

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Personagens de Vidas Secas

     Após a morte do papagaio, ficam cinco viventes, cinco "vidas secas": Fabiano, Sinhá Vitória, os dois miúdos e a cadela Baleia.

    Mas há outras personagens importantes:

        => "Seu Tomás da bolandeira", referido por causa da cama que Sinhá Vitória gostava de ter e pela sua capacidade de comunicação. Mas enquanto Fabiano não sabe falar e sobrevive, Tomás, que tão bem sabia falar, não resiste à seca. No fundo, esta personagem é um ideal de identificação.

        => Fazendeiro: principal elemento de oposição, tal como o soldado. Ele explora Fabiano e este, sabendo que precisa dele, não se revolta e tudo suporta.

        => Soldado amarelo: é também um elemento de poder e opressão.

        => Dono da taverna.

        => Sinhá Terta, que irá desencadear uma importante discussão sobre o "inferno"

    Um dos aspetos mais difíceis na relação das personagens é a dificuldade de estabelecerem diálogo, que é substituído por gestos ou interjeições ou, então, não falam. Fabiano não é burro, mas pelo contrário tem consciência da inutilidade de saber muito numa região daquelas. A dificuldade de comunicação passa de pais para filhos (págs. 54-6).

    A linguagem está ao nível da utilização material do signo. O conhecimento e a apropriação de uma coisa passa pela sua nomeação. Daí a sua estranheza na festa, perante tantas coisas para as quais não conhecem os nomes.

    A família é um elemento fundamental e engloba homens e animais. Por exemplo, Baleia tem direito a um capítulo como as outras personagens. A dificuldade de comunicação verbal é substituída por um tipo de comunicação afetiva e instintiva.

Ação de Vidas Secas

    São vários os aspetos principais: viagem, seca e região. O romance começa e termina com uma viagem; as personagens têm medo dela e, no entanto, ela condiciona as suas vidas.
    A seca não é uma ação, mas influencia uma ação, que é a viagem. Esta é a ação mais justificativa e profunda. É ela que justifica a sua razão de sobrevivência. A estadia na quinta corresponde apenas a um período relativo de bem-estar. Temos, assim, no romance, dois polos: viagem e estadia, organizados ciclicamente entre si. A estadia ocupa um espaço maior, mas a viagem tem um sentido mais profundo. Não nos são apresentados os factos do dia a dia, mas apenas se refere a sua estadia na quinta. A única ação possível e fuga ao destino que cai sobre as personagens é a viagem.
    Deixando de lado a viagem, a única ação que resta é a do dia a dia, que se resume à narração de certos episódios de importância relativa, mas essenciais para a caracterização das personagens.
    Esta pouca ação e o caráter fragmentário dão-nos uma sensação de vazio em relação ao que é esperado de um romance. Mas este romance é muito simples e tem ideias básicas, a respeito das quais não nos conseguimos afastar: seca e viagem; opressão e vazio. A viagem é o único modo de tentar ultrapassar esta situação e o facto de ocupar um espaço menor na narração mostra a impossibilidade de mudança.
    Os episódios são importantes pela alteração psicológica que provoca nas personagens. Por exemplo, o episódio da morte de Baleia mostra uma identificação entre bicho e homem. Sinhá Vitória esconde os miúdos debaixo das almofadas para que estes não ouçam os latidos da cadela e ela própria sente pena dela; também Fabiano sente a sua morte. Baleia sempre foi importante no romance pela comunicação que estabelece com as crianças e que nem mesmo Fabiano consegue.
    O próprio Fabiano admite que ele é um bicho e esta consciência faz com que as personagens adquiram dos animais a dureza para sobreviverem num meio tão contrário.
    Também "A Cadeia" é um episódio importante pelas referências sociais e ao poder. Já não bastava a opressão do meio, temos agora a opressão das autoridades, que nem sequer têm capacidade para exercer esse poder. Mas temos dois tipos de poder:
  • o poder do Estado, que é reconhecido por Fabiano;
  • o poder das autoridades, representadas pelo soldado amarelo, que ele não aceita. Fabiano reage, porque não compreende a autoridade do soldado amarelo, não sabe como é que o governo escolhe assim pessoas para exercerem o seu poder.
    Outro episódio importante é o da "festa", que é muito ativo; descreve-se o modo como se vestiam, como decorre a viagem e como se sentem deslocados no ambiente desconhecido da cidade. Temos presente o poder do desconhecido, o desajustamento social e o medo de estabelecer contacto, que são os aspetos fundamentais deste capítulo.

Estrutura de Vidas Secas

Vidas Secas: "Estória"

    É a história de 6 viventes, que ficam reduzidos a 5 com a morte do papagaio e depois 4 com a morte da cadela Baleia. Não há noção de distinção entre homem e bicho.
    O romance abre com uma família em trânsito, em viagem, que nunca é interrompida, pois embora se fixem num certo lugar durante algum tempo, a viagem continuará por causa da seca, motivo nuclear, juntamente com o próprio sistema socioeconómico: exploração do que trabalha pelo patrão. Esta exploração  impedia-os de se estabelecerem, pois nunca conseguiam nada de seu, além de que as condições da terra eram péssimas. O sistema económico baseava-se na exploração e não havia sistemas alternativos.
    A região e a seca passam a ser a substância da personalidade e dos acontecimentos. Tudo o que se passa no romance está subordinado à seca, o próprio sentimento das personagens.

Graciliano Ramos

    Graciliano Ramos nasceu em Alagoas em 1892 e morreu no Rio de Janeiro em 1953. Pertencia a uma classe média de comerciantes e tinha 14 irmãos. Conviveu com muitos escritores nacionais e estrangeiros.

    Em 1933, foi preso por subversão e, em 1945, era já um escritor muito conhecido e lido.

    O romance regionalista Vidas Secas é de 1938 e debruça-se sobre a vida de uma família de agricultores transferida para uma zona do nordeste brasileiro, onde é atingida por uma terrível seca. Este seu romance é o quarto; antes escrevera:
                - Caetés (1933)
                - S. Bernardo (1934)
                - Angústia (1936)

    Depois escreveu Memórias do Cárcere e outros livros de literatura infantil e autobiográfica.

Romance regionalista

        . A cor epocal não é suficiente para que um romance seja regionalista. Mais do que a cor epocal, o romance regionalista implica uma relação muito profunda com o espaço, o tempo e as gentes. Assim, esta relação tem que ser substancial e tem que se adequar a formas de tratamento do tema escolhido à região. Todo o romance tem um tema, mas no caso do romance regional o tema tem que ser a própria região com as suas características. A própria estrutura cíclica do conteúdo está na forma.
    O romance regionalista, opondo-se ao romance urbano, não deixa de ser universal, porque ele não é só a descrição do espaço, mas a vivência profunda desse espaço.

            . Relação do romance regionalista com o Neorrealismo: a década de 30 retoma princípios do Realismo e é essa feição neorrealista que confere as preocupações de natureza social e ideológica.

            . O romance regionalista pode aparecer como forma de luta mais ou menos empenhada, mas mesmo que apareça só a descrição duma região isto já é importante, pois mostra os desejos de mudança. Tanto o Modernismo como o Regionalismo têm princípios diferentes, mas também semelhantes. As características de cada um entram em ligação com as preocupações das regiões onde surgiram. Na década de 30, o Modernismo foi o amadurecimento da "Semana de Arte Moderna", que foi impulsiva e espontânea. Agora, apercebem-se da importância de inovar, mas preservando a tradição.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Regionalismo no Brasil: década de 30

    Em 1930, dá-se no Brasil a Revolução de Outubro, acontecimento histórico que despertou um conjunto de esperanças e oposições, que tiveram grande influência a nível literário.

    Se a "Semana de Arte Moderna" marcou a mudança da literatura, teve, no entanto, algumas limitações:

  • funcionou muito abstratamente sem manifestações concretas
  • estava centrada numa pequena elite, que não pode representar um país como o Brasil
    É na década de 30-40 que os escritores se apercebem de que outras coisas têm que ser importantes: a literatura não funciona em abstrato. A "Semana da Arte Moderna" desprezou também tudo o que a antecedeu; pelo contrário, na década de 30, vai recuperar-se o que vem de trás e tenta-se uma adequação dos factos históricos à estrutura artística.
    Nesta década, não se desprezam todos os princípios que haviam presidido à "Semana de Arte Moderna", mas alguns são abandonados. O Regionalismo é uma corrente que vem na linha do Modernismo, mas por outro lado recupera certos princípios do Modernismo.
    Esta corrente regionalista diz quase sempre respeito a um mesmo espaço, que é o sertão. O núcleo desta vertente há de,  pois, ser as "estórias" do sertão. Esta vertente enquadra-se nos princípios do Modernismo, mas segue princípios próprios, com aspetos históricos, culturais e sociais específicos.
    É nesta altura que surge u autor de nome Gilberto Freire, que vai começar, no Recife, um movimento que tinha como objetivos:
        - Opor-se à hegemonia do Sul
        - Evitar a descaracterização do nordeste, que começava a entrar em decadência. Com efeito, o centro e o sul sempre foram mais desenvolvidos que o norte.
    Agora, algumas cidades do norte, como Olinda, Recife e Bahia, que participavam do esquema económico que entrava em decadência, começam a reagir. Os latifúndios, que eram a base da sua economia, coçam a entrar em decadência. O sul sempre tivera maior capacidade de reestruturação económica. Então, os intelectuais do norte notaram que essa zona estava a degradar-se. A descoberta de ouro em Minas Gerais afastou muita da riqueza que o nordeste podia ter encontrado. Depois desta recessão, conseguiu uma certa recuperação com a comercialização do café, e também com o cultivo da cana de açúcar, mas quando se começa a recorrer a produtos sucedâneos, como a beterraba, o nordeste perde novamente, pois havia investido muito capital na produção da cana. Além disso, estas grandes plantações eram cultivadas por escravos e daí que a abolição da escravatura tenha também contribuído para a decadência da economia nordestina. Já próximo do século XIX, houve a tentativa de industrialização da produção do açúcar, mas não deu resultado por falta de conhecimento da terra por parte dos que possuíam o capital.
    Enquanto o nordeste decai económica e socialmente, no sul dá-se um grande desenvolvimento, particularmente do estado de São Paulo, que se transforma num grande produtor de café. Começa também a ser um grande foco de emigração, que traz muita gente para o trabalho, ao contrário do nordeste, onde a mão de obra escasseia. São Paulo torna-se um misto de culturas e aí surge um novo movimento cultural, que é o Modernismo.
    Temos, assim, o sul em desenvolvimento e o nordeste em decadência. Logo, os movimentos que surgem em cada zona são diferentes:

















    São, assim, duas zonas que têm condições socioculturais e ideológicas diferentes. Se as questões são diferentes, exigem respostas diferentes e mesmo géneros literários diferentes. Logo se compreende que surjam movimentos diferentes com a mesma base: renovação da literatura no Brasil.
    É na poesia que o Modernismo mostra os seus anseios de natureza estética. Esta poesia pauta-se por uma:
            . independência linguística
            . liberdade de forma
    O romance permite apreender mais facilmente uma ideologia do que a poesia; daí ser a forma privilegiada no Regionalismo. O romance regionalista, na década de 30, é especificamente representativo do sertão e aqui vamos encontrar autores importantes como:
            - Graciliano Ramos
            - Jorge Amado
            - José Lins do Rego
            - Erico Veríssimo

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Análise do poema "Os vestidos Elisa revolvia", de Camões


Os vestidos Elisa revolvia
que lh’Eneias deixara por memória;
doces despojos da passada glória,
doces, quando seu Fado o consentia.

 
Entr’eles a fermosa espada via
que instrumento foi da triste história
e, como quem de si tinha a vitória,
falando só com ela, assi dizia:

 
– Fermosa e nova espada, se ficaste
só para executares os enganos
de quem te quis deixar, em minha vida,

 
sabe que tu comigo t’enganaste;
que, para me tirar de tantos danos,
sobeja-me a tristeza da partida.

 
    Neste soneto, Camões conta o trágico epílogo da história de amor entre Dido, rainha de Cartago, e Eneias, herói da guerra de Troia, tal como é apresentada por Virgílio no IV canto da Eneida. De facto, o poeta refaz toda a cena descrita nos versos 648 a 652 da epopeia de Virgílio, que precede imediatamente o suicídio da monarca, quando esta vê as “Eliacas Vestes” de Eneias espalhadas pelo leito, símbolo de um amor que acabou, e nele se recosta, pedindo-lhes que acolham a sua alma para a libertarem do sofrimento causado pelo abandono.

    A história de Eneias na Eneida após o final da guerra conta-se rapidamente. O herói foge de Troia, destruída pelos gregos, depois de ter salvo o pai Anquises e o filho Ascânio, e faz uma longa viagem pelo mar. O fado e os deuses fazem-no desembarcar nas costas de Itália, onde deverá dar origem à família imperial romana (gens Iulia) e, por consequência, à grandeza de Roma. A primeira paragem teve lugar em Cartago, onde mora o potente reino fenício governado por Dido. Graças à ação de Vénus (deusa do amor e mãe de Eneias) e de Juno, Dido e Eneias apaixonam-se perdidamente, apesar de a rainha ainda se encontrar de luto pelo marido, Siqueu, ao qual jurara ser sempre fiel. No entanto, para os antigos gregos e romanos, nenhum ser humano podia livrar-se dos ditames do fado e dos deuses. Assim, depois de alguns meses de intensa paixão, Júpiter envia Mercúrio, seu mensageiro, para recordar a Eneias a missão que lhe tinha sido confiada. Deste modo, o herói troiano vê-se forçado a abandonar a amada, repentinamente, mas, antes de partir, protagoniza uma despedida dolorosíssima da rainha. As embarcações troianas deixam o porto de Cartago durante a escuridão da noite, e Dido, quando acorda, encontra a praia deserta e fica desesperada. Pede, então, à irmã que empilhe, numa pira pronta a arder, todos os objetos pertencentes a Eneias, sobre os quais coloca o leito nupcial, símbolo da sua união amorosa, bem como as armas e uma figura em cera do amante traidor, com o objetivo de o esquecer para sempre. No entanto, ao ver as armas de Eneias, Dido decide suicidar-se, pois é incapaz de viver sem aquele homem que amou tão intensamente e pelo qual traiu a memória do falecido marido e a sua própria honra. Assim, pega numa espada e mata-se.

    Camões escolhe a forma do soneto para contar o desfecho trágico do amor de Eneias e Dido, isto é, o momento em que ela toma a decisão de se suicidar com a espada do amado. No que diz respeito à estrutura interna do texto, nas duas quadras, descreve-se Dido, abandonada, revolvendo as roupas deixadas por Eneias em Cartago antes de partir, entre as quais encontra a espada do herói, enquanto, nos dois tercetos, é relatada em discurso direto a invocação da rainha a essa espada, de acordo com o procedimento da sermocinatio, através do qual o poeta coloca o seu discurso na (continua aqui »»»).

Análise da cantiga "Bem viu Dona Maria"

    Esta composição poética, da autoria de João Vasques de Talaveira, é extremamente curta, dado ser constituída por dois tercetos (dístico seguido de refrão), e é mais uma dirigida a Maria Leve e que parece seguir imediatamente a que a precede no manuscrito do trovador e que tem como alvo Maria Pérez, a Balteira (“O que veer quiser, ai cavaleiro”). Ainda que a diferença no nome não permita saber com segurança se se trata efetivamente da mesma soldadeira, tal hipótese terá de ser tida em conta, dado que Leve (que significava «ligeira», mas também «tonta») poderia ser uma alcunha de Maria Balteira. A esta Maria Leve, o trovador dirige outras três cantigas de escárnio e maldizer. Por último, dada a sua exiguidade, há a considerar que talvez o poema esteja incompleto.

    Na primeira cobla, o trovador afirma que D. Maria estava ciente de que ele não possuía na sua «emboleira», isto é, na bolsa das esmolas, o que indicia a sua extrema pobreza, que o leva a pedir esmola. A segunda estrofe repete a ideia da anterior, adicionando um pormenor: a mulher estava a insultá-lo. E a cantiga não vai mais além, o que parece confirmar que não está completa. Seja como for, parece que estamos perante uma composição poética que nos coloca perante uma mulher, uma soldadeira, que insulta o trovador por ele não ter posses, daí que não lhe possa pagar os seus serviços (por exemplo, de bailarina).

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Na aula (LVI): resposta de ETAR

    Professor: Como se chamam as cantigas de amigo que fazem referência ao rio, ao mar, etc.?

    Samuel Amador: ETAR.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Origem e significado do nome Abelardo

    A sua origem não é clara. Seja como for, estamos perante a forma portuguesa e espanhola de um nome de origem germânica (Adalhard ou Adellard), constituído pelas formas «adal» (nobre) e «hard» (forte, resistente, corajoso), associando-se, assim, ao significado «nobre», «nobremente corajoso», «firmeza de caráter».

    Este nome ganhou relevância histórica graças a Pierre Abélard (c. 1079-1142), filósofo e teólogo francês cujo trágico caso amoroso com uma mulher de nome Heloísa acabou por se tornar uma história conhecida ao longo dos tempos.

Origem e significado do nome Abel

    O nome próprio Abel tem origem hebraica: provém de «ablu» ("filho") ou «hevel» ("vapor" ou "sopro").

    Na Bíblia, Abel era o segundo filho de Adão e Eva, tendo sido assassinado pelo seu próprio irmão, Caim, de acordo com o Génesis.

    Por outro lado, a origem etimológica hebraica sugere uma conotação de fragilidade ou transitoriedade, refletindo a brevidade da vida humana, uma noção reforçada pela narrativa da sua morte prematura.

    Já de acordo com a tradição judaico-cristã, Abel constitui uma figura representativa da inocência e da justiça, que o assassinou por ciúmes. A disputa entre ambos tem sido vista, ao longo dos tempos, como o símbolo da luta entre o Bem e o Mal.

Análise do poema "Chorosos versos meus desentoados", de Bocage

 
Chorosos versos meus desentoados,
Sem arte, sem beleza e sem brandura,
Urdidos pela mão da Desventura,
Pela baça Tristeza envenenados:
 
Vede a luz, não busqueis, desesperados,
No mudo esquecimento a sepultura
Se os ditosos vos lerem sem ternura,
Ler-vos-ão com ternura os desgraçados.
 
Não vos inspire, ó versos, cobardia
Da sátira mordaz o furor louco,
Da maldizente voz a tirania.
 
Desculpa tendes, se valeis tão pouco;
Que não pode cantar com melodia
Um peito, de gemer cansado e rouco.
 
    Estamos perante um código óptico-grafemático que nos conduz para um texto poético. Há, no entanto, a interação de vários códigos que vão configurar o texto literário.

a) Análise temática
    O poeta dirige-se aos seus versos num tom desiludido, reconhecendo a sua pouca valia, mas desculpando-os ao mesmo tempo, quando afirma “Que não pode cantar com melodia / Um peito, de gemer cansado e rouco.”
    A própria produção do poeta, o soneto, serve para ele se dirigir aos seus versos, o que faz com que se crie um distanciamento do poeta em relação aos seus versos, porque só com esse distanciamento os pode analisar e avaliar. Em relação aos seus versos, reconhece que são “... sem arte, sem beleza e sem brandura...” e ainda desentoados: o poeta faz aqui uma autocrítica e apresenta-se desiludido, desilusão essa que, porém, é justificada.
    O poeta vai apelar à valia dos seus versos. De facto, para os desgraçados eles são dotados de valor.
    Apesar de valerem pouco, exorta-os a não desanimarem e a continuar. Ao usar o condicional, mostra que pensa que os ditosos também os podem apreciar. Na verdade, se forem rejeitados pelos ditosos, o mesmo não acontecerá com os desgraçados, ou seja, os ditosos podem também ler os versos com interesse, à semelhança daqueles que tenham um espírito semelhante ao do poeta.
    A temática deste soneto tem sido colocada em vários grupos e Hernâni Cidade inclui-o no grupo “como o poeta se retrata e a sua obra”.
    Outra temática é a oposição entre a luz e a escuridão (sepultura). Ao contrário do que é comum na literatura pré-romântica, não se apela aqui para... (para continuar a ler a análise, clica aqui »»»).

Bocage: pré-romântico (sua obra)

    Não é por acaso que a crítica literária aponta Bocage como o maior poeta do século XVIII. A sua vida de permanente conflito reflete-se na sua obra. "A sua poesia é, em boa parte, a expressão rítmica de um tumulto interior e exterior, ao mesmo tempo que é a criação de um excecional artista."
    Grande parte da sua poesia apresenta um tom confessional. A sua poesia revela acentuadamente um mundo subjetivo; Bocage retrata-se nos seus versos autobiográficos e, nesse retrato, apresenta-se como um ser perseguido pelo destino, pela desgraça e pelo infortúnio, daí sentir-se identificado com Camões. É uma espécie de má fortuna que também se estende ao campo amoroso, que se sente perseguido e marcado pelo "Fatum" e pela desventura, mas paralelamente sente-se um ser destinado ao culto da poesia.
    Por vezes, este dramatismo interior objetiva-se na alegoria ou invenção alegórica: projeta os seus temores, receios, remorsos e pesadelos em figuras alegóricas (morte, noite) com quem fala e a quem confidencia esses tormentos interiores.
    O conflito de Bocage, porque é íntimo, traduz-se através de sentimentos contraditórios e, por vezes, alternativos: ora de melancolia, ora de folia; ora de confiança eufórica, ora de desespero; ora de abatimento, ora de prazer delirante.
    Um dos temas que reflete este conflito interior é o amor que, nas palavras de Jacinto Prado Coelho, em Bocage funciona como constelação, à volta da qual giram outros temas, como a morte, o ciúme, a ausência, o prazer. O tema do amor é o macro-tema, muito comum em Bocage.
    Em Bocage, é particularmente nítida uma das características do Pré-Romantismo: o domínio do egotismo, hipertrofia do «eu», que faz com que a própria natureza sirva de projeção do «eu», ganhando a natureza um estado de ama e assim surgem, em alguns textos, testemunhos de uma sensibilidade atenta que as paisagens oferecem.
    Por outro lado, Bocage sente necessidade de usar uma nova linguagem, uma linguagem que se adeque à violência das suas contradições interiores, dos seus impulsos. Apesar de alguns traços dessa linguagem manifestarem uma influência neoclássica, a maior parte dos temas denota uma sensibilidade nitidamente pré-romântica. Por exemplo, a paixão tortura-o e sente-se numa encruzilhada entre o amor, a culpa, o prazer carnal, etc.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Na aula (LV): verbos pronominais ou pronomes verbais

    Contexto: aula de Português - lecionação dos deíticos pessoais. O professor questiona que classes de palavras podem desempenhar a função de deíticos e dá exemplos para tentar arrancar respostas.

    Professor: Eu, tu, ele, nós, vós, eles são o quê?

    Resposta firme e rápida da Diana Gonçalves: Verbos!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Análise do capítulo I de O Fantasma de Canterville

    O capítulo I do conto corresponde ao ponto de partida, à situação inicial da ação, com a referência a um assunto corriqueiro: a venda da propriedade Canterville Chase, por parte de Lorde Canterville, ao embaixador norte-americano, Hiram B. Otis. Uma «chase» é uma propriedade rural, situada numa vasta área de terras abertas para taça, o tipo de terra que era apenas acessível à elite da sociedade. A concretização da transação constitui o prólogo da história, visto que são apresentados alguns dos aspetos mais importantes do conto.

    Assim, em primeiro lugar, o narrador enquadra o principal motivo da venda, ou seja, o facto de a casa estar alegadamente assombrada. Por outro lado, o início da narrativa lembra aqueles casos em que alguém assume um novo projeto ou toma uma decisão fulcral na sua vida e ignora os sinais negativos. De facto, não há dúvidas: todos pensam que o Sr. Otis comete um grande erro quando decide comprar a propriedade. A este propósito, convém atentar na diferença entre as atitudes adotadas pelas personagens. Assim, enquanto Lorde Canterville desiste da sua casa ancestral, um sinal do declínio da aristocracia inglesa, o Sr. Otis vive num mundo onde tudo é possível, incluindo colocar fantasmas num museu. Na época da ação, não era costume a aristocracia vender as suas propriedades, pelo que o facto de Lorde Canterville transacionar a sua mostra que estamos a entrar numa era de algumas mudanças. Além disso, o facto de o Sr. Otis comprar Canterville Chase indicia que a sua posição e estatuto lhe proporcionam riqueza, enquanto Lorde Canterville herdou a sua fortuna e a propriedade por meio da sua linhagem real. A aquisição mostra, na Era Vitoriana (1837-1901), o homem da classe média pode ascender socialmente, enquanto o poder da aristocracia entra em declínio.

    Em segundo lugar, encontramos um dos fios condutores da obra: o confronto entre a conservadora visão britânica e a abordagem moderna dos norte-americanos, entre a formalidade recatada dos primeiros e uma certa falta de refinamento dos segundos. Vive-se um tempo de rápidas transformações, essencialmente motivadas pela Revolução Industrial. As cidades cresciam impulsionadas pela indústria, e o comércio global tornava-se mais fácil e eficiente, graças à produção rápida de bens manufaturadas e novas formas de transporte mais velozes, como, por exemplo, o comboio. No contexto desta sociedade em transformação, as velhas formas de pensar eram gradualmente substituídas por um pensamento mais moderno.

    O início do conto introduz de forma clara o contraste entre (para continuar a ler a análise, clica aqui: »»»).

domingo, 30 de novembro de 2025

Sequências narrativas em O Fantasma de Canterville

 
I. Compra da mansão de Canterville (cap. I): O embaixador norte-americano Hiram B. Otis compra a mansão de Canterville Chase, apesar de ser avisado sobre a presença de um fantasma.

 
II. Acomodação da família Otis (cap. I): A família Otis muda para a nova residência e... (continua aqui: »»»).

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Análise do título e da ação de O Fantasma de Canterville

    O Fantasma de Canterville foi publicado pela primeira vez em 1887. O seu título, numa primeira leitura, sugere que estamos na presença de uma história tradicional de terror, semelhante às que eram escritas na época e que se destacavam pela exploração do tema do sobrenatural, que estava presente nas narrativas de crime e suspense que evocam os medos e as superstições mais ancestrais, como monstros, demónios, vampiros, lobisomens ou visitas do Além. De facto, os autores contemporâneos começavam, na época, a refletir nas suas obras as inquietações e tendências da ciência moderna que, em diversas circunstâncias, desafiava os limites da compreensão humana, misturando o insólito e o real.

    No caso de O Fantasma, Oscar Wilde segue outro caminho, elaborando uma narrativa curta que... (continua aqui: »»»).

Romantismo versus Modernidade em Oscar Wilde

     Ler aqui: »»».

A modernidade em Oscar Wilde

     Consultar aqui: »»».

A crítica em O Fantasma de Canterville

     Ler aqui: »»»

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

O dandismo em Oscar Wilde

    O dandismo integra-se na corrente do Esteticismo, visto que defendia, a partir de fundamentos históricos, o belo como solução ou antídoto para os horrores da sociedade industrializada. O movimento atingiu o auge no século XIX, com figuras como Baudelaire e Walter Pater. Para Oscar Wilde, o dândi não era apenas alguém... »»»

Oscar Wilde e o Esteticismo

    O Esteticismo é um movimento literário e artístico que privilegiava a beleza formal. Esta corrente influenciou grandemente Oscar Wilder, cuja filosofia conheceu aquando da sua passagem por Oxford, tendo sido influenciado sobretudo por John Ruskin (1819-1900)e Walter Pater (1839-1894)... »»»

domingo, 23 de novembro de 2025

Bocage: a afirmação de uma singularidade na literatura portuguesa

    A vida de Bocage foi muito agitada.
    Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu em Setúbal, em 1765. Era filho de pais burgueses, sendo o pai advogado e poeta nas horas vagas e por certo o ambiente familiar terá favorecido a tendência literária de Bocage. A mãe era de origem francesa e faleceu quando ele tinha dez anos, facto que marcou a sua vida: toda a força paroxística da sua poesia centrada na morte advém da perda da mãe.
    Desde cedo, Bocage manifesta um temperamento inquieto: aos catorze anos abandonou as aulas de latim preferiu seguir o curso da guarda marinha em Lisboa, onde passou a levar uma vida de boémia, pouco regrada. Participava em outeiros, uma espécie de serenatas que faziam nos conventos às freiras.
    Também desde cedo começou a manifestar os seus talentos de improvisação. Ao mesmo tempo, devido ao seu caráter impulsivo, começou a ter problemas sociais com o poder político e religioso.
    Em 1786, partiu para a Índia, tendo sempre presentes duas referências: Camões, com quem se acha identificado em muitos casos (destino); Getrúria, que terá sido o seu primeiro grande amor e que faz desabrochar alguns dos seus dotes de improvisador. A sua poesia é muito autobiográfica, o que é natural no texto lírico, fala muito do "eu", das suas vivências.
    Após quatro anos, regressa a Lisboa, pois sentira-se desterrado. Depois de regressado a Lisboa, em 1790 ingressa na Nova Arcádia, mas cedo manifesta o seu espírito boémio e começa a aguçar a sua veia satírica. Aproveita o tom poético-satírico para pôr a ridículo alguns confrades da academia. Manifesta o seu espírito arruaceiro e conflituoso e escreve versos com alusões religiosas, mas impregnados de forte heterodoxia.
    Em 1794, é expulso da arcádia, facto que terá várias repercussões: revela o seu individualismo de poeta que pretende impor a sua singularidade, que não se quer ligar a normas. Bocage evidencia uma sensibilidade romântica.
    Por outro lado, a expulsão incita-lhe um tom satírico, do qual vai resultar uma poesia "orgulhosa", revisteira, brejeira, sem preocupações estéticas. Daqui resulta o prejuízo de uma exploração temática mais profunda. Augusto França afirma que, em Bocage, os valores instintivos prevaleceram sobre os culturais.
    Em 1797, é denunciado como o "bota-fogo", "um fogo de ideias subversivas do trono e do altar". Era assim um crítico do poder político e religioso, o que o levou a ter problemas. Então, alguns amigos seus tentam fazer crer que não se tratava tanto de crime político, mas tinham a ver com sua impiedade em relação à Igreja; conseguem que o "crime político" seja convertido em acusação de "papéis ímpios, sediciosos e míticos". Deste modo, vai transitar da prisão do estado para a prisão da Inquisição, no convento das Necessidades, aproveitando para aí aprofundar os seus estudos  de latim, retórica e francês na biblioteca do convento. Daí sai em 1799 e graças ao seu conhecimento de línguas, dedica-se à tradução, vivendo desse trabalho e sustentando também a irmã. No entanto, retorna à sua vida de boémia, caindo na improvisação brejeira até à morte.
    Pressentindo a morte por causa de uma doença no sangue, Bocage abranda a sua combatividade interior e reconcilia-se com os seus inimigos: Filinto Elísio, António Macedo, contra quem escrevera uma sátira - "Pena de tabelião" - e também com Deus, numa atitude de humildade e de pungente arrependimento.
    Bocage morre em 1805, com apenas quarenta anos.

Síntese da poesia de Alberto Caeiro

    No link seguinte (poesia-de-alberto-caeiro),vais encontrar uma ótima síntese da poesia de Alberto Caeiro, através de uma apresentação.

Resolução do questionário sobre o poema "Um piano na minha rua", de Fernando Pessoa

     Se queres ter acesso à resolução, explicada pormenorizadamente, do questionário do poema "Um piano na minha rua", da autoria de Fernando Pessoa, clica no link: questionário-resolução.

Caracterização sistemática do Pré-Romantismo como estilo de época

        1) Valorização da sensibilidade.
    a) Encontramos nos poetas pré-românticos uma espécie de libertação da sensibilidade e é essa afirmação dos sentimentos que rompe com os padrões anteriores, que parece não terem encontrado um rumo alternativo. É uma sensibilidade desenfreada, daí podermos desejar tudo, mesmo o que se designa por "locus horrendus"
    Ao falar-se em valorização do sentimento entende-se aqui, mais do que uma análise de sentimentos, uma constante temática na poesia pré-romântica, no sentido de o sentimento se tornar o fundamento não só na vida psicológica, mas também da moral e dos valores. Está em causa uma valorização dos sentimentos, de modo a dar-se uma transformação radical. Os sentimentos irão definir os valores e a sua hierarquia. Vale o que é determinado pela sensibilidade e não pela razão. O sentimento passa a ser um critério de valor, daí que a moral passe a ser determinada a partir do sentimento. E a valorização do sentimento conduz a um novo conceito de virtude.
    O autor que mais encarna estas ideias é Rousseau, através da sua teoria do bom selvagem: dá-se a valorização daquilo que é próprio de cada homem. Assim se dá o primeiro passo de uma revolução moral. Esta valorização conduz à teoria do "génio criador", porque se valoriza a individualidade de cada um. O génio cria segundo as suas regras e princípios, donde esses são diferentes dos princípios dos outros.

    b) Que tipo de sensibilidade?
    Temos, por um lado, uma sensibilidade terna e melancólica, que em certos casos vai dar lugar a emoções suaves e sentidas.
    Neste caso, o poeta procura ambientes calmos, uma paisagem em consonância com os seus sentimentos. Não é necessariamente uma sensibilidade que se pode extravasar no relacionamento do poeta com figuras humanas, tendo em conta a delicadeza da sua personalidade. Também se pode antever um relacionamento com as paisagens às quais confidencia os seus estados de alma trespassados de felicidade. Este aspeto, no entanto, é o que menos se observa na estética pré-romântica.
    Por outro lado, há uma sensibilidade exaltada, mais própria do Pré-Romantismo. Nesta situação, as confidências do poeta já não resultam da contemplação da paisagem, mas sim da "visão" que ele tem de uma paisagem. Esta pode ser terrífica, tempestiva ou noturna, chegando-se daqui à configuração do "locus horrendus".
    Na sequência da valorização desta paisagem e destes ambientes negros, surge um novo tipo de literatura, chamada narrativa de terror ou gótica em contraposição ao Neoclassicismo. Este é um dos aspetos que aponta para posteriores orientações românticas.

        2) Egotismo (valorização do "eu).
    Com a valorização dos sentidos, vem a consequente valorização do "eu". A hipertrofia do "eu" acarreta consigo um certo egotismo.
    A literatura pré-romântica é uma literatura do "eu". Note-se que este caráter egotista, esta exploração do íntimo pessoal, faz-se em termos intimistas, confessionais. Com este tópico, antecipa-se a literatura romântica, que trará a preocupação de expressar a vida pessoal e íntima do "eu".
    Na literatura pré-romântica, o perfil do poeta aparece frequentes vezes associado ao signo da infelicidade, isto é, o poeta terá já nascido sob este signo. O poeta sente-se mais inclinado para a melancolia e o desespero.
    Esta literatura pré-romântica defende o "confessionalismo do autor". Há, assim, um egotismo confessional, em que predomina a melancolia e a insatisfação.
    Em conformidade com esta maneira de estar e sentir do poeta, a literatura pré-romântica traz um novo caudal de observações de pormenor, de minúcias relacionadas com a vida psicológico-afetiva do poeta. Esta literatura não tem pudor em tornar-se uma literatura de caráter confidente, o que constituiu uma novidade para a época. Isto implicava que tinha deixado de haver um controle sobre as faculdades expressivas. Por outro lado, acentuava-se o caráter psicológico e íntimo das coisas que se exprimiam.

        3) A perseguição do destino, do fado.
    Porque o poeta vive intensamente do afeto e dos sentimentos exacerbados, ele vive pelas e das suas emoções. Ao mesmo tempo, é um ser vibrátil, emocionável, apaixonado e fica sujeito aos caprichos do destino ("fatum"). Note-se que este fatalismo sentido, que se associa a uma sensibilidade melancólica, a um gosto de ser triste, estava presente em Camões. Daqui este projetar-se na poesia desta fase.
    Ainda como ser apaixonado, o poeta sente que o seu amor pode ser total ou avassalador, ou também um amor violentamente sensual.

        4) Uma fragilidade emotiva.
    O estado de melancolia atinge, na poesia pré-romântica, uma grande valorização, que se alia por vezes a uma fragilidade emotiva, que se traduz com alguma frequência no choro e nas lágrimas. Esta forma de extravasar os sentimentos era inconcebível na literatura neoclássica, o que traduz uma atitude negativa. Aparece uma estética que denota uma particularidade semântica de teor essencialmente negativo em contraste com o Neoclassicismo.

        5) Temática de presságios (temática pessimista).
    Esta temática é mais um sinal da fragilidade humana sentida pelo poeta. Simultaneamente, esta temática revela uma insatisfação espiritual muito grande.
    Esta temática dos presságios aparece geralmente ligada a certos cenários. Para além do mocho que pia, temos cenários ligados à sombra, à noite, às ruínas. Esta temática manifesta-se através do "locus horrendus". Nesta situação, não é de estranhar que haja maior abertura da personalidade humana aos presságios e que se encontre em alguma poesia pré-romântica os sonhos ruins e meditações sobre e sob a escuridão.
    Um dos casos paradigmáticos é a poesia de Bocage, que chega a apresentar a noite negra como menos negra que o seu destino. Surge a temática da noite e do sepulcro.

        6) (Re)descoberta da natureza e do pitoresco.
    É uma nova visão da natureza e de um novo sentimento perante ela, pois entre a natureza e o "eu" estabelecem-se também relativamente afetivas. Daí que a natureza, tal como o poeta a vê, se associe aos seus estados mais íntimos. A natureza surge liberta para acompanhar os seus estados íntimos.
    Assim, o poeta pré-romântico não se limita a dar maior e nova atenção ao mundo físico, à paisagem e aos caracteres pitorescos que a natureza vai tomando em certas regiões e épocas do ano.
    O poeta manifesta preferência por uma certa paisagem. Prefere uma natureza agreste, onde predominam os precipícios, a queda, os abismos, os mares, pelo que estes fatores têm simultaneamente de sedutor e assustador. Na paisagem, procura-se também o seu lado exótico e, nas estações do ano, uma há que lhe dá mais estimulo para o exotismo: outono, porque é a estação que marca um declínio lento, um anoitecer mais cedo, uma constante quebra do dia. Traz ainda as colorações melancólicas; em suma, é a estação do crepúsculo, um "crepúsculo magoado".
    Não é estranho que a par deste exotismo surja uma natureza agreste, onde o outono favorece uma reflexão melancólica e simbólica e daqui vai um pequeno passo aos ambientes noturnos e lúgubres. A natureza e os seus horrores harmonizam-se com os sentimentos do poeta, com o seu estado de alma e com o seu desespero.
    Estes sentimentos eram mais agravados quanto mais as condições de vida a isso obrigavam: dificuldades económicas, desgostos amorosos, exílio, prisão. É o caso de Bocage.

        7) Teoria do "génio criador".
    Existem alguns pontos de doutrina que são inovadores na literatura pré-romântica.
    Vimos já que a literatura pré-romântica traduz um forte declínio das influências greco-latinas e acentuado afastamento dos cânones clássicos. Contudo, várias vezes, os poetas pré-românticos se veem obrigados a vazar a sua nova sensibilidade dentro das formas poéticas e estilísticas da tradição clássica.
    A maior parte dos princípios defendidos pelo Pré-Romantismo apresentam-se sob forma negativa, contestatória, porque não sendo este movimento apoiado em escolas ou grupos doutrinários, o Pré-Romantismo apresenta um caráter contestatário da doutrina clássica. Contesta-se a doutrina das regras, dos modelos, géneros literários e convenções clássicas. Na prática, passa-se duma literatura rigorosa, sujeita a modelos, para uma literatura confessional, que acentua a quebra com as regras neoclássicas.
    Isto acontece na Alemanha com o movimento Sturm und Drang e na França. Neste último país, em volta dos princípios defendidos por Diderot, passa-se à defesa de princípios com um ponto de vista positivo. Um deles atinge grande divulgação: doutrina do génio criador.
    O génio, fundamento da criação poética nas doutrinas do Pré-Romantismo, é uma força alheia ao domínio da razão e insuscetível de ser submetida a preceitos. O génio é, por conseguinte, uma força criativa, de caráter irracional, não estando sujeita a regras ou padrões. O génio é tido como força torrencial e incontrolada de potencialidades quase infinitas. Deste modo, cada manifestação do génio cria a sua própria expressão, donde o génio não pode de modo algum estar subordinado a regras alheias. É uma força inconscientemente submetida a regras universais, pela contradição latente que daí resultaria.
    A teoria do génio criador associa-se diretamente à estética da espontaneidade pré-romântica: a poesia é a manifestação espontânea de uma sensibilidade ferida. É, portanto, uma poesia que alguns poetas confessam como imperfeita em relação à poesia que obedecia aos cânones do Neoclassicismo.
    Aparentemente trata-se de humildade relativa à assumida imperfeição. É uma "falsa humildade" por parte dos poetas pré-românticos, já que isso mesmo é transformado num dos motivos do Pré-Romantismo. Este princípio da estética da espontaneidade contraria não só a doutrina estética e literária dos clássicos (aristotélica-horaciana) como também toda uma série de aspetos ligados ao Neoclassicismo: regras e subordinação a modelos.
    Em relação às grandes influências do Pré-Romantismo, podemos dizer que as influências do Neoclassicismo são gradualmente substituídas por novas fontes pré-românticas. Dá-se a redescoberta de Shakespeare e influências de autores como Young, Gessner, Thompson.
    Do ponto de vista estilístico-formal, o quebrar com a doutrina neoclássica e as novas temáticas apresentadas traduzem como consequência um novo estilo de época e naturalmente novas influências no tema das produções literárias.
    Apesar de uma tendência para novas formas houve a manutenção de géneros literários comuns ao Neoclassicismo. Devido a isto, é natural encontrar elementos pré-românticos e neoclássicos que se misturam, devido à formação literária dos poetas. Um dos casos paradigmáticos a este nível é Bocage. A uma formação neoclássica virá corresponder uma acentuada tendência para uma sensibilidade e temática pré-românticas.
    Em relação ao corte com o Neoclassicismo, há uma nítida diferença em relação à conceção do texto literário e também em relação ao processo de criação e avaliação literária.
    Para os pré-românticos, o texto literário era entendido como um fruto espontâneo da vida interior e da sensibilidade do escritor, mesmo para os que não aceitavam a teoria do génio criador.
    Os pré-românticos defendiam uma conceção expressivista do escrito e, segundo esta, a criação literária seria uma expressão que passava da vida para o texto e que não a podia contrariar. Não é uma expressão racionalizada. Isto implicava que a avaliação do texto literário se ressentisse.
    Mesmo que o texto literário apresentasse vários traços que, à luz da doutrina neoclássica, fossem entendidos como imperfeições, o texto devia ser valorizado precisamente por isso, pois elas correspondia à autenticidade das emoções realmente vividas, ao impacto dos sentimentos e à delicadeza da sensibilidade pessoal.
    Estes traços, em vez de imperfeições, acabam por constituir as maiores qualidades do texto, porque falam da autenticidade da vida dos poetas.
    Algumas dessas imperfeições eram:
        . frases inacabadas;
        . uso e abuso de reticências;
        . ausência de rima, etc.
    Em Portugal, essas tendências apenas se fazem sentir em maior grau nos finais do século XVIII e princípios do XIX.
    O Pré-Romantismo português afirma-se com maior relevo através da produção de João Xavier de Matos, Filinto Elísio, Tomás António Gonzaga, José Anastácio da Cunha, Marquesas de Alorna e Bocage. Mas é Bocage que ocupa um lugar de relevo na análise das ideias pré-românticas em Portugal, porque ele representa uma fase adiantada da formação (teórica e prática) do Romantismo e porque ele representa, de algum modo, a síntese de todas as tentativas pré-românticas de libertação do Arcadismo e da cultura retórica.
    Em Bocage, notam-se forças contraditórias que, no seu caso, são vividas e sentidas dramaticamente, em parte devido à sua conduta pessoal. A sua conduta foi por natureza conflituosa e foi agravada pelo conflito de tendências estéticas da época em que viveu. É um poeta de conflitos e um poeta de charneira.
    Segundo Jacinto Prado Coelho, o conflito entre os moldes tradicionais, que lhe servem para exprimir formalmente a sua poesia, e a necessidade de encontrar uma linguagem adequada à violência dos impulsos afetivos criam-lhe um dramatismo interior que se torna visível muitas vezes através de alegorias e que se centra basicamente em temas como a noite, a solidão, a morte, o pecado, o amor, o ciúme e o destino.
    Tal como já dissemos, os pré-românticos, e destes em particular Bocage, combinam, de modo diverso e de acordo com experiências pessoais, diferentes elementos neoclássicos e românticos.

sábado, 22 de novembro de 2025

Pré-Romantismo na Literatura Portuguesa

    Toda essa discussão à volta do Pré-Romantismo europeu ganha uma maior equidade, quando nos debruçamos sobre o Pré-Romantismo português.
    Portugal, nesta altura, é um país periférico dentro do contexto europeu e o centro de referências culturais provinha da França. Vivia-se sob uma grande influência cultural francesa. As tendências do Pré-Romantismo vão-se constituir como divergentes em relação ao Classicismo. Há como que dois polos de divergência:
            . por um lado, Portugal estava influenciado pelo Classicismo francês;
            . por outro lado, em Portugal começa a verificar-se uma oposição em relação ao Neoclassicismo.
    O Pré-Romantismo, que aparece em Portugal nos meados do século XVIII, não tem um programa definido como acontecera com outros movimentos. Não chegou apoiado por movimentos teóricos e ideológicos; são tendências difusas que chegam a Portugal.

    Como entraram em Portugal as tendências pré-românticas?
    Há várias teses, mas sobretudo três são importantes e são apresentadas respetivamente por Hernâni Cidade, Jacinto do Prado Coelho e António José Saraiva.
    Hernâni Cidade foi um dos primeiros defensores de uma tese de conjunto sobre o Pré-Romantismo português. Segundo ele, o Pré-Romantismo influenciou a nossa literatura devido a vários fatores. Foi por um processo de influência das literaturas alemã, inglesa e francesa, em virtude das traduções que iam sendo feitas. Além disso, entram em Portugal obras de cariz filosófico e ideológico com um espírito crítico inerente, que antes não entravam. Apesar de se ter passado da Inquisição da Igreja para a censura pombalina, certas obras começaram a entrar. Através desta maior circulação de obras, Portugal passou a ter contacto com obras que divulgavam os princípios pré-românticos que vigoravam na Europa.
    Para Hernâni Cidade, os fatores e veículos dessa influência foram de três tipos:
        1- viagens ou estadias no estrangeiro de diplomatas ou portugueses exilados;
        2- traduções, adaptações e até imitações de obras literárias estrangeiras;
        3- importância da imprensa e circulação de jornais.
1- Deste modo, dava-se um relacionamento pessoal com o estrangeiro. Esta movimentação tinha dois sentidos:
. saída de diplomatas (Conde da Barca) bem como de exilados (Marquesa de Alorna) do país;
. entrada de estrangeiros, sobretudo generais, que vinham auxiliar o nosso exército, designadamente ingleses. Estas relações alargaram-se ao campo político e cultural. Alguns radicaram-se em terras lusas e foram portadores de novas culturas e novos gostos literários. Mas o mais importante é o primeiro sentido. Ao regressarem a Portugal, traziam consigo as novas tendências literárias em vigor na Europa. Mesmo quando não regressavam, escreviam cartas e mantinham relações com seus contemporâneos.
 
2- Este fator é de fundamental importância. Foram vários os nossos pré-românticos que verteram para português obras de autores ingleses e alemães. Essas traduções eram feitas ou diretamente da língua desses autores pré-românticos ou principalmente através de traduções do francês. Assim se tornava acessível à maior parte do povo o contacto com as culturas estrangeiras. Através deste contacto, vai-se transformando o gosto estético nas várias camadas de leitores. Nesta altura, o francês é razoavelmente  dominado pela classe média e burguesa. Essa língua gozava de grande importância entre nós.
Obras são traduzidas pelos nossos neoclássicos e que tinham sido escritas antes, revelando já uma sensibilidade próxima da sensibilidade pré-romântica. Quase todos os nosso pré-românticos traduzem: Bocage, Filinto Elísio.
As ideias e sentimentos de maior ressonância vêm por meio da cultura francesa. É desta que recebemos paradigmas e temáticas novas e importantes: bondade natural do homem; interesse pelo exótico físico e moral; fascínio pela Idade Média.
Outros autores franceses exerceram a sua influência em Portugal: Voltaire, Montesquieu, Diderot.
No fundo há a temática da inquietação, de temas que provocam perturbações.
 
3- O contacto com a Europa culta era feito pelos periódicos, daí a importância da circulação da imprensa. Nesses periódicos, colaboravam alguns diplomatas e exilados no estrangeiro. Além deles noticiarem a publicação de certas obras no estrangeiro, também publicavam extratos dessas obras.
Nesta altura, quer em Portugal quer na Europa, surge uma série de gazetas, como então eram designadas essas publicações. Nesses jornais e gazetas, passa a haver um espaço dedicado às artes e às letras.
Em Portugal, uma das mais importantes foi a “Gazeta Literária”, editada no Porto e que teve como iniciador o cônego Francisco Lima. Um dos recursos da gazeta eram as traduções de obras estrangeiras. Esta gazeta publicou-se entre 1761 e 1762 e abrangia todos os géneros de novidades não só literárias, como da medicina, ciências naturais, história, etnografia, assuntos eclesiásticos, notas críticas sobre obras publicadas. Eram novidades sobre o que de mais recente se ia fazendo na Europa.
Outra gazeta importante era o “Jornal Encyclopédico”, publicado em 1791 por Manuel Henriques de Paiva. É uma gazeta de cariz enciclopédico e dava conhecimento das últimas novidades filosóficas e científicas dos países cultos.
Outra gazeta, “Investigador Portuguez”, era publicada em Londres pelos emigrantes portugueses nesse país e teve uma duração mais extensa: 1811-1819. Esta destinava-se principalmente a exilados políticos portugueses e mantinha uma regularidade e abundância na informação cultural.

    Todos estes veículos por ele apresentados são bem fundamentados. No entanto, essas influências são insuficientes para explicar a receção dos princípios pré-românticos em Portugal. Falta a atenção que tem que ser dada ao processo de evolução interna da nossa literatura, pelo que não nos bastam essas razões. Daí a importância dada à teoria do professor Jacinto do Prado Coelho.
    Ao debruçar-se sobre as origens do Pré-Romantismo, Jacinto do Prado Coelho chama a atenção para outros fatores:
        i) Reconhece que as origens do Pré-Romantismo estão na literatura inglesa e na literatura dos países anglo-germânicos. Nesses países, ter-se-ão criado as condições propícias ao desabrochar em relação às influências na literatura portuguesa, mas entende que ele não é suficiente para explicar as transformações por que passou a nossa literatura e entende que não deve entender-se essa influência de modo exclusivo.

        ii) Por maior importância que tivessem tido as influências estrangeiras, as novas tendências só podiam ter boa receção em Portugal se para isso se tivessem criado condições favoráveis. Procura analisar fatores de evolução interna na nossa literatura, destacando as relações que podiam estabelecer-se entre o Barroco Tardio e alguns pendores da sensibilidade e estilo pré-romântico.
    Assim, conclui que as origens do Pré-Romantismo português foram um pouco comuns às do conjunto de outras literaturas ocidentais, devido a sintomas gerais da época. Está tão convicto desta tese que vai justificá-la através de textos e poesia da época.
    Um dos textos em que essa linha é levada em conta é intitulado A musa negra de Pina e Melo e as origens do Pré-Romantismo português.
    Apesar deste poema surgir bastante afastado das primeiras manifestações pré-românticas, nele já se encontra uma temática com muitas afinidades pré-românticas, como, por exemplo, o tema da noite, da morte, enfim a temática do "locus horrendus". O que há de curioso é que este tipo de poesia já coexistiu com a poesia arcádica, embora surgisse ainda como manifestação oculta, porque não tinha condições para ser bem aceite. Deste modo e até certo ponto, Pina e Melo prepara já o alvorecer do Pré-Romantismo.
    Jacinto P. Coelho vai desenvolver a sua teoria, salientando o surgimento de "novos sintomas de época", como:
        . primado da sensibilidade;
        . primado da inspiração;
        . primado dos impulsos afetivos;
        . primado das forças do instinto.
    Punha-se o "génio criador" acima das regras ditadas pelos clássicos.
    Esta nova sensibilidade não se faz sentir apenas na Europa, mas também se encontra antecipadamente em Portugal. Esta nova sensibilidade estende-se pela Europa, que vive condições propícias à sedimentação de novas tendências (o que vinha dar mais liberdade de expressão artística), mas o mesmo também se verifica, ainda que de modo não tão intenso, em Portugal. Caso evidente é a poesia de Pina e Melo.
    Essas novas tendências têm a ver com a influência de uma visão subjetiva das coisas. Na poesia em particular, essa visão subjetiva tende, por vezes, a ser simbólica, tende a procurar uma interpretação dos sentimentos e do mundo exterior. Sendo assim, estava o caminho aberto para a liberdade de imaginação, para a meditação e o devaneio. Daqui surgirem novos gostos, novas apetências, como, por exemplo, uma interpretação dos sentimentos e do mundo exterior. Sendo assim, estava o caminho aberto para a liberdade de imaginação, para a meditação e o devaneio. Daqui surgirem novos gostos, novas apetências, como, por exemplo, pela natureza solitária, pela morte, prefiguração da morte, visualização de cenários macabros, etc. Jacinto P. Coelho conclui que as influências da literatura inglesa e alemã poderão ter vindo acordar ou reforçar tendências já latentes, senão mesmo já expressas, da nossa poesia. "A sensibilidade melancólica, o fatalismo e o gosto de ser triste repassam a poesia quinhentista portuguesa, incluindo Camões", que se vai projetar largamente na literatura do século XVIII.

Pré-Romantismo francês

Rousseau
    Depois que surgiu uma fusão entre a sensibilidade e o ambiente exótico, esta vai encarnar a teoria rousseauniana do bom selvagem e da bondade natural do homem.
    Começam a surgir as novelas de caráter sentimentalista. Atingimos assim uma segunda fase do Pré-Romantismo francês.
    A partir daqui, começa a ganhar projeção o mito do bom selvagem e há uma figura mítica que começa a proliferar nas várias literaturas: o índio das Américas, que personifica o bom selvagem. É visto como o bom homem, não contaminado. Já numa terceira geração do Pré-Romantismo francês aparecem nomes como Chateaubriand e Madame de Stäel, que se distinguiu pelos seus ensaios teóricos que ajudaram a divulgar alguns dos princípios do Pré-Romantismo, entre os quais o da relativização do belo.
    Uma das suas mais famosas obras é La Litteratura, na qual estabelece a relação entre a criação literária e os condicionalismos de ordem social e sócio-cultural e mostra também que a apreciação do belo é condicionada pelas culturas.
    Obra obra é De l'Alemagne e vem reforçar certos princípios como a relativização do belo. Dá a conhecer à França a literatura alemã e evidencia o caráter relativo do belo.
    Tomado o Pré-Romantismo europeu como um movimento global, com características idênticas, houve quem defendesse que esse Pré-Romantismo era a confirmação ou o reflexo das formas pioneiras da literatura britânica, onde se começa a manifestar o Pré-Romantismo e depois ter-se-ia espalhado por outros países europeus através de um processo de influências a partir do ponto de partida inglês.
    Hoje em dia não se defende esta posição, embora se reconheça uma precedência do Pré-Romantismo nos países nórdicos, designadamente na Grã-Bretanha, isso não significa que o Pré-Romantismo seja nos outros países europeus apenas uma consequência do Pré-Romantismo inglês. Deve dizer-se que o Pré-Romantismo foi um movimento convergente, ou seja, nos países europeus ter-se-ão criado condições propícias ao surgimento das tendências pré-românticas.
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