Cá estamos mais uma vez no Inferno do assassinato, sem dó nem piedade, da língua portuguesa.
Quem é professor já ouviu milhares de vezes, passe a hipérbole corriqueira, afagos como «fizestesio», «terala», «compraria-o», etc., provenientes na boca e das falanges dos alunos.
Qual o espanto, portanto, ao encontrar peças como a exposta nesta imagem, na qual um jornalista (?) do "Correio da Manhã" escreve alegremente «terá-la-á»? Zero! Nenhum! Bola!
Existem duas formas corretas de produzir essa frase, dependendo da ênfase pretendida:
- uso da próclise: no contexto da frase, a conjunção "que" ("...relata que Maria Lisboa...") atrai o pronome para antes do verbo. Assim, a forma correta e mais fluida é: "a terá perseguido".
- uso da mesóclise: se o objetivo fosse manter a mesóclise (embora o "que" a desencoraje aqui), a regra dita que o pronome se insere entre o infinitivo do verbo e a terminação. Para o verbo "ter", conjugado no futuro, a forma correta seria: "tê-la-á" (ter + la + á). Neste caso, dá-se a queda do /r/ e a acentuação da sílaba /tê/
Assim sendo, o trecho correto deveria ser: "...a ex-agente relata que Maria Lisboa a terá perseguido, agredido e ainda vandalizado...".

Sem comentários :
Enviar um comentário