- Definição: do grego epos, palavra que significava canto ou narrativa, o texto épico diz respeito à narração, em verso ou em prosa, em estilo elevado / grandioso, de feitos heróicos passados. Desde a Antiguidade, o texto épico recebe o nome de epopeia quando constitui uma narrativa, em forma de verso, que retrata as façanhas de um povo com interesse nacional e projeção universal.
- Interesse nacional: em Os Lusíadas, encontramos a sublimação dos heróis nacionais que culmina na deificação e imortalização ("Ilha dos Amores"), com o objetivo de incentivar a geração do seu tempo no sentido de restaurar uma velha grandeza decadente. Ao longo da obra, perpassam as características da alma nacional: a fidelidade (em Egas Moniz),o heroísmo guerreiro (em Nuno Álvares Pereira), o espírito de aventura (no Magriço), a tenacidade e a persistência (em Vasco da Gama e seus companheiros...).
- Projeção universal: ela encontra-se na revelação ao mundo da grandeza de um povo que "deu novos mundos ao mundo", ao ligar continentes, cristianizar partes do mundo, abrir novas vias comerciais, etc.
domingo, 20 de janeiro de 2013
Definição de epopeia
sábado, 19 de janeiro de 2013
Classicismo
O
Classicismo é uma estética que
estabelece um rigoroso sistema de regras próprias dos vários géneros
literários: o épico (representado entre nós pel' Os Lusíadas); o lírico (com as suas formas fixas, como o soneto e o
seu verso decassílabo, a canção, a écloga, a elegia, a epístola, o epigrama, a
ode, a sextilha, o epitalâmico e o ditirambo); dramático, representado pela
tragédia e pela comédia.
As
suas principais características são as seguintes:
. Exaltação do Homem
(antropocentrismo), em contraste com o teocentrismo medieval.
. A verdadeira Arte tem por
base a imitação, ou seja, deve haver a imitação da Natureza pela Arte, sendo a
paisagem sempre amena ("locus amoenus"), idealizada, convencional e
artificial, excluindo o insólito ou acidental, a fim de poder refletir o intemporal,
o eterno, o essencial.
. Predomínio da razão sobre
o sentimento, evitando-se os voos da imaginação e os caprichos da fantasia.
. Imitação dos autores gregos
e latinos, adotando temas, usando a mitologia, criando formas poéticas e
introduzindo géneros literários.
. Valorização da Arte como
expressão de cultura, estudo e bom gosto.
. Sujeição a regras rígidas
de conteúdo e forma.
. Justa proporção, equilíbrio
e comedimento, de tal forma que as personagens se comportassem de harmonia com
a sua condição social, se omitissem expressões e vocábulos grosseiros, não se
tratassem assuntos escabrosos, se proscrevessem cenas violentas e cruéis.
Humanismo
O
Humanismo parte do estudo da cultura
antiga e, com base nela, valoriza tudo o que é humano e exalta os valores do
Homem como centro do Universo (antropocentrismo). O Homem é a "medida de
todas as coisas", ou seja, passa a ser encarado como o pólo central, o
valor máximo. O Renascimento representou uma viragem decisiva em relação às
conceções medievais, que podemos sintetizar opondo a conceção antropocêntrica
(o Homem no centro das preocupações) à conceção teocêntrica da Idade Média (Deus
é o centro de universo).
Reagindo
ao período da Idade Média, os humanistas voltam-se para a Antiguidade clássica
greco-latina, centrando a sua atenção no Homem (antropocentrismo), em
substituição do teocentrismo tradicional.
De
facto, a ação dos humanistas, nome que designa os intelectuais deste período,
correspondeu a um desejo de abandono dos padrões medievais e à instauração de
uma mundividência nova.
O
homem medieval tinha uma visão pessimista da existência, encarando-a como uma
penosa passagem que encarava o encontro com Deus após a morte como a realização
única. Já o homem renascentista acredita em si mesmo e na sua realização
terrena, dado que se realiza na sua obra. Seguindo a máxima de Protágoras, os
humanistas defendiam que “o Homem é a medida de todas as coisa”.
Deste
modo, as qualidades mais valorizadas no ser humano deixam de ser apenas a
religiosidade, o heroísmo e a honra cavaleiresca, para passarem a ser a inteligência,
o saber e o mérito, veículos para a realização de obras para a posteridade.
Através delas, o artista liberta-se da “lei da morte”, tornando-se imortal. Em
simultâneo, imortaliza os seus mecenas, ou os heróis e os seus feitos da sua
pátria.
A
confiança nas capacidades humanas e a busca do saber e da cultura implicavam a
valorização da razão e da experiência. Ao espiritualismo medieval, o homem
renascentista prefere o racionalismo, à crença em verdades impostas, prefere a
certificação da verdade através da experimentação. Assim sendo, o saber resulta
do estudo conjugado com a experiência, configurando este dado as bases do
conhecimento científico.
Neste
contexto, os Descobrimentos portugueses desempenham um papel central no
Renascimento por causa de:
. descoberta de novas terras e povos
desconhecidos;
. descoberta de nova fauna e flora;
. inovações tecnológicas
exigidas pelas viagens marítimas (ex.: o astrolábio);
. conhecimento dos ventos
e das correntes marítimas;
. surgimento e adaptação
de embarcações;
. desenvolvimento da
cartografia;
. etc.
Fontes:
. Manual Plural 12;
. A. J. Saraiva, Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa
Renascimento
O
Renascimento pode definir-se como a "adoção das formas artísticas
greco-latinas e a assimilação do espírito que as anima". O
Renascimento é, portanto, uma aceitação e não uma ressurreição das formas
greco-latinas, pois a ressurreição supõe a morte e as formas greco-latinas nunca
morreram.
Nos
finais do século XV e princípios do século XVI, a literatura portuguesa começou
a registar algumas ténues influências da literatura italiana, nomeadamente ao
nível da poesia produzida em contexto palaciano, nas cortes de D. João II e
depois, mais acentuadamente, de D. Manuel. Esses poemas, da autoria de muitos
nobres para quem a arte de versejar era um atributo muito importante, eram
portadores, com assinalável frequência, de uma atitude amorosa e poética que
revelava a influência do poeta italiano Petrarca, o precursor do Renascimento.
Em
1516, Garcia de Resende publicou a compilação desses poemas palacianos numa
obra intitulada Cancioneiro Geral,
dedicada ao príncipe e futuro rei de Portugal D. João III, afirmando no Prólogo
que o objetivo do seu trabalho era contrariar a natural tendência de os
portugueses não registarem, para o futuro, as suas obras. Publicado no ano de
inauguração do Mosteiro dos Jerónimos e no período de florescimento do teatro
de Gil Vicente, o Cancioneiro revela
a valorização já renascentista que a cultura começara a merecer.
Em
1521, Sá de Miranda, um dos poetas presentes no Cancioneiro de Resende, empreende uma demorada viagem a Itália,
durante a qual contactou com a cultura e a arte da Renascença. Cinco anos mais
tarde, de regresso a Portugal, trouxe consigo o gosto pelo novo estilo – o dolce
stil nuovo – e introduziu na nossa literatura, entre outras composições
poéticas, o soneto, com os seus versos decassilábicos.
Por
outro lado, a literatura renascentista redescobrira os clássicos e a Poética de Aristóteles, uma obra que
regulamenta e hierarquiza os géneros literários, considerando a epopeia e a
tragédia os géneros mais nobres. Não é, pois, de estranhar que a o desejo de
elaboração de uma epopeia se tenha disseminado, vindo a ser concretizado por
Luís de Camões, e António Ferreira tenha escrito a tragédia Castro, inspirada nos amores trágicos de
D. Pedro I e D. Inês de Castro.
Manual Plural 12
A Contra-Reforma e a união com a Espanha
Cerca
de 1550 ocorreram alguns acontecimentos decisivos, que coincidem com a crise
geral então vivida. Em 1547, é definitivamente estabelecida a Inquisição em Portugal,
após esforços que datavam de 1531. Naquele mesmo, ano sai o primeiro rol de
livros proibidos, sucessivamente acrescentado em 1551, 1561, 1564, 1581, 1624.
Em 1550, o grupo de professores trazido a Portugal por André de Gouveia (já
falecido em 1548) é posto à margem após um processo movido por inimigos do Colégio.
Em 1555, o rei entrega este colégio, rebatizado como Colégio das Artes, à Companhia
de Jesus, que domina os Estudos Menores (hoje diríamos secundários) em Lisboa e Évora, e que no mesmo ano funda uma universidade
sua nesta última cidade. A partir de 1557, ano da morte de D. João III, a
principal personagem do reino é o cardeal-infante D. Henrique,
inquisidor-geral, que alterna a regência com a rainha-viúva. Em 1564, as
decisões do Concílio de Trento são promulgadas em Portugal sem restrições, caso
único entre os reinos da Europa Ocidental. Desde cerca de 1550, foram silenciados
mesmo os mais estrénuos erasmistas, como André de Resende, Damião de Góis e
Diogo de Teive, e por 1580 está extinta a geração dos letrados e gramáticos antiescolásticos que tinham
campeado por altura das grandes reformas escolares do início do reinado de D.
João III.
Entre
os autores proibidos ou amputados pela Censura contam-se Gil Vicente, Bernardim
Ribeiro, Sá de Miranda, João de Barros, Jorge Ferreira de Vasconcelos, Jorge de
Montemor, António Ferreira. Nenhum livro podia sair, na segunda metade do
século XVI, sem três licenças: a do Santo Ofício, a do Ordinário eclesiástico
na diocese respetiva e a do Paço. O relator do Santo Ofício examinava o livro
em manuscrito e obrigava o autor a alterá-lo, amputá-lo ou acrescentá-lo, antes
de lhe conceder a fórmula «nada contém contra a nossa Santa Fé e bons
costumes». E, assim, desde a segunda metade do século XVI até à reforma
pombalina da censura, não podemos afirmar que conhecemos o texto original de
uma obra impressa, mas somente um texto ao qual os censores anuíram. A
impressão, a venda, a herança e a entrada de livros vindos do estrangeiro
estavam sujeitas a apertada vigilância, incluindo inspeções domiciliárias,
declarações periódicas obrigatórias e as mais graves penalidades, com
recompensa de denúncias secretas à custa dos bens confiscados.
Aos
efeitos da Contra-Reforma vieram juntar-se, a partir de 1581, os da união com
Espanha. Do primeiro resultou murcharem as promessas do Humanismo. O segundo
teve como consequência o desaparecimento da corte de Lisboa, o foco literário
mais estimulante do País. Os homens de letras e artistas, que até então viviam
sobretudo da munificência régia, procuraram a proteção da corte de Madrid, ou
acolheram-se ao mecenato das maiores casas senhoriais, como as dos condes de
Vila Real e dos duques de Bragança. Outros viveram à sombra das ordens
religiosas a que pertenciam, tratando uma temática predominantemente devota. O
teatro, o grande género das cortes monárquicas do século XVII, decaiu após as
criações de Gil Vicente e António Ferreira. Na lírica e na épica, os padrões
renascentistas mal se renovaram. Na prosa, o primeiro plano da cena é ocupado
pelos cronistas das diversas ordens religiosas, quer se ocupem da história do
Reino, quer da dos conventos e santos respetivos. Tirante os discípulos dos
quinhentistas refugiados em várias «cortes na aldeia», o clero reforça a
posição predominante na produção literária.
A
Universidade de Coimbra é dominada pelos Jesuítas, embora as outras principais
ordens religiosas tenham acesso às suas cátedras. Durante o século XVII atinge
o seu apogeu a «escola conimbricense», que é uma tentativa para adaptar a
Escolástica e o Aristóteles dos Escolásticos à problemática mais recente. A
universidade jesuíta de Évora é outro foco importante de Teologia escolástica.
O
ensino universitário jesuíta, de início razoavelmente actualizado e eficiente,
decai à medida que se aproxima e avança o século XVII, convertendo-se os
tratados universitários em manuais, e estes em postilas sem autoria responsável, equivalente às sebentas no nosso tempo.
Além
do ensino universitário, os Jesuítas dominam, em geral, com os seus colégios de
Artes, os Estudos Menores, ou preparatórios, em toda a extensão do império da
Casa da Áustria, através de numerosas escolas onde se educam tanto a aristocracia
de sangue como a burguesia. Nesses colégios, entre os quais se destacam o
Colégio das Artes de Coimbra e o de Santo Antão de Lisboa, além de noções de Matemáticas
e Geometria necessárias à construção ou manobra naval, à vida militar, etc.,
ministra-se principalmente uma cultura geral que, embora adoptando as formas da
erudição humanística, era escolástica na sua inspiração mais profunda. A Ratio Studiorum, regulamento pedagógico
de todas as escolas jesuítas (1599), tem em vista desenvolver a expressão oral
e escrita em latim, a capacidade de disputa e de exibição literária em público,
através de sabatinas, concursos de emulação escolar, récitas, representações
teatrais, proscrevendo expressamente todo o magistério ou prática escolar que
favoreça a curiosidade intelectual, o gosto da novidade, o espírito crítico.
Aristóteles, base de todo o ensino, deve ser interpretado segundo os
comentadores consagrados, especialmente S. Tomás.
Diferentemente
do que sucede em Espanha, o papel cultural das outras ordens religiosas é em
Portugal, nesta época, modesto em comparação com o dos Jesuítas. Devem-se no
entanto aos Cistercienses de Alcobaça, aos Dominicanos, aos Franciscanos e a
outros, numerosas hagiografias, histórias monásticas, histórias nacionais, que
constituem o grosso da produção impressa em língua portuguesa no século XVI.
Convém
ter bem presente que sob o governo dos Filipes são, mais do que nunca,
bilingues não só os autores como o público português. Significativo é que o Quijote de Cervantes tenha duas edições
em Lisboa no próprio ano da sua primeira edição; e que a primeira edição do Guzmán de Alfarache, 2.ª parte, de Mateo
Alemán, seja igualmente lisboeta. Esboça-se desta forma uma tendência a dar ao
castelhano, língua geral da Península, preponderância no teatro e nos géneros
de grande circulação, como o romance, ficando o português reduzido à condição
de língua regional. Tendência passageira, resultante da ausência de uma corte
régia em Lisboa, e que pode ter contribuído para a decadência ou falta de
continuidade do romance e do teatro em língua portuguesa.
A. J. Saraiva, Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa (adaptado)
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