Análise da alínea (a)
O texto questiona qual é a ideia destacada quando se privilegia o ponto de vista de Ricardo Reis (linhas 27 a 34).
- A resposta certa é a (2) - Monotonia: O texto descreve as "frontarias de cinza parda", as "fileiras de janelas à mesma altura", as "monótonas cantarias" e um prédio "igual de cor, de janelas e de grades". Estas expressões comprovam inequivocamente a monotonia, a uniformidade e a repetição visual da arquitetura da Baixa lisboeta.
- Porque é que a (1) está errada (Monumentalidade)? Embora o excerto refira "altas frontarias" e que se "levanta um prédio", o foco de Ricardo Reis não é a grandeza ou o esplendor (monumentalidade) dos edifícios, mas sim o seu aspeto sombrio, repetitivo e igual ("cinza parda", "mesmo risco").
- Porque é que a (3) está errada (Abertura)? É exatamente o oposto do que é descrito. O texto refere que a rua dá a sensação de fecho e aprisionamento, com as faixas verticais "cada vez mais estreitas" e um prédio ao fundo "aparentemente cortando o caminho.
Análise da alínea (b)
O texto questiona sobre o que reflete a visão subjetiva do narrador nas linhas finais do excerto (linhas 35 a 38).
- A resposta certa é a (1) - A vivência psicológica do tempo e o efeito do ambiente citadino no estado físico e anímico de quem o habita: Nas linhas finais, o narrador reflete sobre as "faces pálidas" dos caixeiros (estado físico influenciado pela sombra e humidade dos prédios) e sobre o seu "ar enfadado de ser hoje segunda-feira e não ter o domingo valido a pena" (vivência psicológica do tempo e estado anímico).
- Porque é que a (2) está errada (Efeito no estado de espírito da personagem Ricardo Reis)? Este é um erro comum de interpretação. Nesta passagem final, a reflexão do narrador não incide sobre o estado de espírito de Ricardo Reis, mas sim sobre os habitantes da cidade (os "caixeiros" que vêm à porta das lojas).
- Porque é que a (3) está errada (A oposição entre o espaço social e o físico)? O narrador não está a fazer uma oposição entre o espaço físico e social. Pelo contrário, está a estabelecer uma relação de causa e efeito (um alinhamento): é exatamente porque o espaço físico é escuro, húmido e tem "baforadas de gás" que o espaço social (os trabalhadores) apresenta faces pálidas e enfadadas.
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