Português: Funcionamento do aparelho fonador

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Funcionamento do aparelho fonador

    O ar expelido dos pulmões, através dos brônquios, penetra na traqueia e chega à laringe, onde, ao atravessar a glote, costuma encontrar o primeiro obstáculo à sua passagem.

    A glote, que se situa na altura da chamada maçã-de-adão, pomo-de-adão ou, no Brasil, gogó, é a abertura entre duas pregas musculares das paredes superiores da laringe, conhecidas pelo nome de cordas vocais. O fluxo de ar pode encontrá-la fechada ou aberta, em virtude de estarem aproximados ou afastados os bordos das cordas vocais. No primeiro caso, o ar força a passagem através das cordas vocais retesadas, fazendo-as vibrar e produzir o som musical característico das articulações sonoras. No segundo caso, quando as cordas vocais estão relaxadas, o ar escapa-se sem vibrações da laringe. As articulações produzidas denominam-se, então, surdas.
    A distinção entre sonora e surda pode ser claramente percebida na pronúncia de duas consoantes que quanto ao mais se identificam. Assim:
                                                                /b/ [ = sonoro ]         /p/ [ = surdo ]
    Ao sair da laringe, a corrente expiratória entra na cavidade faringe, uma encruzilhada, que lhe oferece duas vias de acesso ao exterior: o canal bucal e o nasal. Suspenso no entrecruzar desses dois canais fica o véu palatino, órgão que possui mobilidade capaz de obstruir ou não o ingresso do ar na cavidade nasal e, consequentemente, de determinar a natureza oral ou nasal de um som.
    Quando levantado, o véu palatino cola-se à parede posterior da faringe, deixando livre apenas o conduto bucal. As articulações assim obtidas denominam-se orais (adjetivo derivado do latim os, oris, isto é, "a boca"). Quando abaixado, o véu palatino deixa ambas as passagens livres. A corrente expiratória então divide-se, e uma parte dela escoa-se pelas fossas nasais, onde adquire a ressonância característica das articulações, por este motivo, também chamadas nasais.
    Compare-se, por exemplo, a pronúncia das vogais:
                                        /a/ [ = oral ]             /ã/ [ = nasal ]
em palavras como:
                                        lá / lã mato / manto
    É, porém, na cavidade bucal que se produzem os movimentos fonadores mais variados, graças à maior ou menor separação dos maxilares, das bochechas e, sobretudo, à mobilidade da língua e dos lábios.

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