As respostas corretas dadas pelos critérios para a Versão 1 são a I, a III e a IV. Vamos desconstruir os motivos e perceber por que razão as restantes eram armadilhas:
As três respostas CERTAS
- Afirmação I: "As didascálias fornecem informação sobre movimento, gestos, emoções e tom de voz das personagens." Certa.
- Porquê? Ao olharmos para o texto, o aluno encontra provas diretas para cada um destes elementos nas indicações cénicas (didascálias). Ao longo do diálogo, o autor incluiu indicações visíveis sobre as emoções sentidas, descreveu os gestos de aproximação de uma personagem, registou a sua movimentação física no espaço para acalmar a outra, e indicou expressamente alterações no tom de voz. Tudo isto se comprova facilmente.
- Afirmação III: "O uso de interjeições, repetições e exclamações, entre outros aspetos, evidencia o estado emocional das personagens." Certa.
- Porquê? O excerto é dominado pelo desespero e aflição do protagonista Manuel de Sousa Coutinho. O aluno comprova isso facilmente localizando várias interjeições de lamento, frases exclamativas de grande angústia perante a perda, e repetições dramáticas que sublinham intensamente o seu profundo sentimento de culpa.
- Afirmação IV: "Maria representa a imagem da mulher-anjo romântica, pela sua pureza e inocência." Certa.
- Porquê? Lendo o lamento final de Manuel de Sousa Coutinho, o aluno encontra a exaltação absoluta das características da sua filha. Ele descreve-a referindo o seu recato e as suas feições pautadas pela virtude, culminando numa glorificação evidente quando deseja que a desonra poupasse a testa imaculada de um autêntico anjo, cuja única culpa é a sua origem.
As duas respostas ERRADAS
- Afirmação II: "Manuel é um honrado fidalgo que manifesta o seu patriotismo através das suas ações." Errada.
- A Rasteira: O aluno que estudou Frei Luís de Sousa sabe que Manuel de Sousa Coutinho incendeia o seu próprio palácio para não alojar os governadores espanhóis, sendo um enorme patriota. O problema é que, neste excerto de exame em concreto, não há uma única menção a Portugal, a Espanha ou a qualquer ação patriótica. O diálogo foca-se exclusivamente no drama pessoal, na desonra do nome da família e na catástrofe com a filha.
- Afirmação V: "A mentira sobre a identidade do Romeiro surge como uma solução possível para evitar a catástrofe." Errada.
- A Rasteira: Mais um caso que exige atenção à literalidade do excerto. O Romeiro (D. João de Portugal) e o seu enorme sofrimento são, de facto, mencionados e reconhecidos nesta cena. No entanto, em momento algum Manuel ou Jorge cogitam ou sugerem aplicar uma mentira sobre a identidade para tentarem fugir à tragédia. Pelo contrário, Manuel assume o peso fatal da verdade e a sua culpa como um ato irremediável.