Português: Resumo da cena I do ato I de O Mercador de Veneza

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Resumo da cena I do ato I de O Mercador de Veneza

    Na primeira cena do primeiro ato, que se passa numa rua de Veneza, António, um próspero mercador, revela aos seus amigos Salarino e Salânio que se sente dominado por uma profunda e inexplicável melancolia. Salarino e Salânio argumentam que a sua tristeza deve ser fruto da ansiedade com os seus navios mercantes e valiosas cargas espalhadas pelos oceanos, sujeitos a perigos como tempestades, rochedos e naufrágios. Contudo, António rejeita essa teoria, explicando que os seus negócios estão distribuídos por vários barcos e destinos, e que a sua riqueza não depende das transações do ano corrente. Salânio questiona então se ele estará apaixonado, o que António nega categoricamente, levando os amigos a concluir que ele está triste simplesmente porque não quer estar alegre.
    Com a chegada de Bassânio (o amigo mais íntimo de António), Graciano e Lourenço, Salarino e Salânio despedem-se e retiram-se. Graciano repara de imediato na fisionomia carregada de António e adverte-o sobre a preocupação excessiva com as coisas do mundo. O amigo responde de forma filosófica, comparando o mundo a um palco de teatro onde cada pessoa representa um papel, cabendo-lhe a ele interpretar o de um homem triste. Graciano rebate esta postura, afirmando que prefere fazer o papel de bobo e aconselha António a não adotar um silêncio solene e uma gravidade artificial apenas para aparentar uma sabedoria e autoridade que não possui. Pouco depois, Graciano e Lourenço retiram-se, combinando reencontrar-se com os restantes à hora do jantar.
    A sós com António, Bassânio desvaloriza os conselhos de Graciano, caracterizando a sua conversa como uma quantidade infinita de nada, comparável a dois grãos de trigo perdidos em dois fardos de palha. António pede-lhe que lhe fale finalmente sobre a senhora de quem lhe prometera revelar a identidade. Bassânio começa por confessar a sua difícil situação financeira: devido a um estilo de vida luxuoso e pródigo, acumulou pesadas dívidas, sendo António o seu principal credor. Utilizando a metáfora de disparar uma segunda seta na mesma direção da primeira que se perdeu para conseguir recuperar ambas, propõe um novo plano para saldar todos os seus compromissos. António assegura-lhe prontamente que a sua vida, os seus bens e o seu crédito estão inteiramente à disposição do amigo.
    Bassânio revela então que está apaixonado por Pórcia, uma herdeira incrivelmente rica e bela que vive em Belmonte, cujas virtudes e fama atraem pretendentes ilustres de todo o mundo, comparando-a ao velocino de ouro e os seus pretendentes a heróis como Jasão. Ele acredita convictamente que, se possuir os recursos financeiros necessários para competir em igualdade de circunstâncias com esses rivais, conseguirá conquistar a sua mão. Como António tem todos os seus recursos e fundos comprometidos nas frotas que navegam no mar, não dispõe de dinheiro imediato. Por isso, dá instruções a Bassânio para que utilize o seu nome e prestígio em Veneza para obter um empréstimo sob fiança, garantindo que fará tudo o que estiver ao seu alcance para viabilizar a sua viagem a Belmonte.

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