A nível físico, Graciano é caracterizado indiretamente como um jovem cheio de vitalidade, calor e dinamismo, cujo semblante está associado ao riso e ao convívio, contrastando vivamente com a palidez estática e a rigidez de uma estátua de alabastro.
No plano social, é um dos companheiros mais próximos de Bassânio e integra a ala mais boémia e festiva da elite de Veneza. É amplamente conhecido no seu grupo como um conversador compulsivo e incansável. O próprio Bassânio descreve as suas intervenções como uma busca exaustiva por dois grãos de trigo perdidos em dois fardos de palha, rotulando-o como o homem que melhor sabe ornamentar o vazio e falar sobre banalidades em toda a cidade.
A nível psicológico-moral, Graciano encarna o arquétipo do hedonista alegre, irreverente e extremamente frontal. Rejeita de forma veemente a melancolia, a sisudez e a solenidade artificial, que acusa de serem apenas máscaras calculadas para obter uma falsa reputação de sabedoria e gravidade profunda. Com um espírito exuberante, assume de bom grado o papel de "bobo" na peça da vida, preferindo que o seu corpo se desgaste pelo riso e pelo vinho do que pelo sofrimento e pela apatia. Apesar do seu temperamento ruidoso e de uma tagarelice que por vezes sufoca a conversa dos outros, os seus conselhos a António nascem de uma profunda e honesta afeição, revelando uma lealdade calorosa que não hesita em usar a frontalidade para ajudar um amigo em sofrimento.
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