segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Biografia de Garrett

  • Filho do selador-mor da Alfândega do Porto, João Baptista da Silva Leitão, nome a que, mais tarde, acrescentará os apelidos de Almeida Garrett, nasceu a 4 de Fevereiro de 1799, na mesma cidade, mais precisamente na rua do Calvário, às Virtudes, nos números 37, 39 e 41.
  • O período da infância, vivido no Porto, marcou indelevelmente o futuro escritor, alimentado pelas tradições populares reveladas nas histórias e cantilenas das duas velhas criadas com quem conviveu.
  • Acompanhou a família quando esta se viu obrigada a fugir para Lisboa, primeiro, e para os Açores, depois, onde tinha propriedades, para escapar à segunda invasão francesa, comandada por Soult, que entrou em Portugal por Chaves e se dirigiu, de seguida, para o Porto, cidade que ocupou.
  • Almeida Garrett passou, assim, a sua adolescência na Ilha Terceira, onde estudou e contactou com a cultura humanística, de influência clássica e arcádica, lendo e estudando os grandes tragediógrafos gregos e latinos, sob a orientação do tio D. Frei Alexandre da Sagrada Família, bispo de Malaca e depois de Angra. Esse estudo e essas leituras desenvolveram no jovem Garrett a sua paixão pelo teatro, exemplificada pela escrita de Xerxes.
  • Em 1816, regressou ao continente e frequentou o curso de Direito na Universidade de Coimbra, onde contactou com os ideais liberais e organizou uma loja maçónica, frequentada por por alunos da Universidade, como, por exemplo, Passos Manuel.
  • Em 1818, passou a usar os apelidos Almeida Garrett, à semelhança de toda a sua família. Segundo o seu biógrafo Gomes de Amorim, o apelido foi obtido a partir do nome do seu padrinho, enquanto Almeida era apelido oriundo do lado materno e Garrett derivava da ascendência irlandesa da sua avó paterna. Por outro lado, a introdução dos dois apelidos acima referenciados traduz o esteticismo e o elitismo social de Garrett.
  • Os ideais de liberdade proclamados pela Revolução Francesa determinaram a ideologia liberal da revolução liberal de 1820 e marcaram para sempre o percurso cívico e político de Garrett. Enquanto dirigente estudantil e orador, defendeu o vintismo , escrevendo inclusive um Hino Patriótico recitado no Teatro de S. João.
  • Em 1821, fundou a Sociedade dos Jardineiros. Após nova viagem aos Açores, provavelmente por razões relacionadas com a sua ligação à Maçonaria, estabeleceu-se em Lisboa, continuando aí a publicar textos repletos de fervor patriótico. Nesse ano, concluiu a sua licenciatura e estreou a tragédia Catão, na capital portuguesa, acontecimento que lhe permitiu a entrada na vida pública e o conhecimento de Luísa Midosi.
  • Em 1822, foi absolvido da acusação de materialismo, ateísmo e abuso da liberdade de imprensa, resultante da publicação do poema O Retrato de Vénus. Em 11 de novembro, casou-se com Luísa Midosi, após ter assumido o lugar de chefe de repartição da instrução pública.
  • A Vilafrancada, o golpe militar chefiado por D. Miguel em 1823, e a instabilidade política que se lhe seguiu obrigaram-no a exilar-se por duas vezes: em Inglaterra, de 1823 a 1824, e em França, de 1824 a 1826, onde contactou com a nova estética - o Romantismo.
  • O exílio acabou por ser decisivo para a sua vida política e para a notoriedade literária, visto que lhe permitiu a integração nos círculos de emigrados liberais e o contacto com o Romantismo europeu, que importaria para Portugal, tornando-se na sua figura central, juntamente com Alexandre Herculano.
  • Os poemas narrativos Camões (publicado em Paris, em 1852) e D. Branca (datado de 1826) são considerados por diversos autores como os marcos fundadores do Romantismo português.
  • Após a morte de D. Afonso VI, Almeida Garrett foi amnistiado e regressou à pátria em 1826, contudo as circunstâncias políticas forçaram-no a novo exílio em Inglaterra, que se prolongou de 1828 a finais de 1831. Seguiu, em dezembro desse ano, para França e, posteriormente, para os Açores, em 1832, integrando o exército liberal comandado por D. Pedro IV que desembarcou no Mindelo e cercou a cidade do Porto, em julho de 1832, acontecimentos em que Garrett participou ativamente.
  • Em 1834, assumiu o cargo de Cônsul-Geral de Bruxelas, cidade para onde partiu e onde contactou com o Romantismo alemão.
  • Regressou em 1836 e afirmou-se como um claro opositor ao regime, ao lado de Passos Manuel, velho amigo dos tempos de Coimbra.
  • Após a revolução de setembro (Setembrismo), formou-se novo governo de esquerda liberal e Garrett foi encarregado de reformular o teatro nacional por Passos Manuel.
  • Em 1837, foi nomeado Inspetor-Geral dos Teatros, fundou o Teatro Nacional D. Maria II e o Conservatório Nacional, a primeira escola de atores em solo nacional.
  • A sua ação em prole da dinamização do teatro português prosseguiu com a publicação de Um Auto de Gil Vicente (1838), Dona Filipa de Vilhena (1840) e O Alfageme de Santarém (1842), procurando o escritor dinamizar o quase inexistente repertório dramático nacional.
  • Em 1851, com a Regeneração, Almeida Garrett retomou a vida política, ocupando o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros, após a nomeação de Visconde e Par do Reino.
  • Em 1853, publicou a obra Folhas Caídas, uma coletânea de poemas marcados por um subjetivismo de cariz confessional em cuja origem estava a paixão avassaladora e adúltera por Rosa de Montufar, Viscondessa da Luz.
  • Em 1854, faleceu vitimado por um cancro hepático, tendo sido sepultado no Cemitério dos Prazeres.
  • Em suma, Almeida Garrett teve uma vida preenchida e vivida intensamente, quer a nível político, social ou literário: estudante revolucionário em Coimbra (1820), jornalista interventivo perseguido pelas suas ideias liberais (1822-1823), preso e exilado político em diversos momentos (1823-1827 e 1828-1832), soldado da causa liberal, "bravo do Mindelo" que combateu no cerco do Porto, secretário da missão diplomática em Madrid, Paris e Londres, em prol da causa liberal, colaborador ativo de várias tarefas a nível governativo, cônsul geral na Bélgica (1834-1836), resistente político à ditadura de Costa Cabral (1842-1846 e 1849-1851), Par do Reino (1851) e Ministro dos Negócios Estrangeiros (1852), durante a Regeneração.

Fontes:
     * História da Literatura Portuguesa, de António José Saraiva e Óscar Lopes;
     * Coleção Resumos;
     * Dicionário da Literatura, de Jacinto do Prado Coelho;
     * Leituras - Revista da Biblioteca Nacional (n.º 4, primavera de 1999).

1 comentário :

André Ramos Pedro disse...

ESTÁ MUITO GIRO E COM MUITA INFORMAÇÃO.
JÁ VIM COPIAR ISTO TUDO PARA UM TRABALHO DE ESCOLA!!!
OBRIGADO

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