Português: A Criação do Mundo - O Segundo Dia

sábado, 9 de setembro de 2023

A Criação do Mundo - O Segundo Dia


    Esta segunda parte da obra de Miguel Torga começa por relatar a chegada do narrador ao Brasil e o choro ao enfrentar um novo país, uma cultura (crenças, feitiçarias) e «língua» diferentes.
    O tio sobrecarrega-o de trabalho e trata-o como um estranho, enquanto a tia, com medo que a herança tenha mais um candidato naquele sobrinho português, tudo faz para o denegrir e menosprezar. Sacia o desejo, pela primeira vez, com a mulher do oleiro, que no fim lhe fica com todo o dinheiro que traz. Apesar da distância do tio, gosta dele, pelo seu humanismo, audácia, justiça e generosidade.
    Certo dia, o tio surpreende a tia em mais um momento de humilhação e de choro para o narrador. Nada diz, mas mais tarde propõe-lhe a ida para o Ginásio de Ribeirão, onde fica como aluno externo. Apesar do atraso, estuda com afinco, enquanto nutre uma paixão pela colega Lia, uma jovem absolutamente indiferente os estudos. Gosta de ler e demonstra algum talento para a escrita. A frequência das «meninas» presenteia-o com uma doença venérea. Quando regressa à fazendo do tio, de férias, é recebido com todas as honras, mesmo pela tia, que faz das tripas coração para mostra alguma simpatia.
    O abandono da escola por Lia, por causa da morte da mãe, fá-lo perder algum interesse e só o rápido final do ano letivo impede maiores males. O tio, cansado e velho, vende a fazenda e regressa a Portugal.

    Em suma, o Segundo Dia retrata a adolescência do narrador num Brasil profundo, repleto de calor, sensualidade, tristezas e alegrias, paixões adolescentes; os ódios de todos, menos do tio; o árduo trabalho que, na opinião do tio, faria dele «um homem» e o estudante aplicado e interessado pelas Letras.

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