Português: Resumo da cena III do ato III de O Mercador de Veneza

domingo, 16 de agosto de 2026

Resumo da cena III do ato III de O Mercador de Veneza

    A cena decorre numa rua de Veneza, onde Shylock, acompanhado por Salânio, António e um carcereiro, exige inflexivelmente a execução da sua fiança. O judeu instrui severamente o carcereiro a não perder António de vista, classificando o mercador como um imbecil por ter o hábito de emprestar dinheiro sem cobrar juros. Perante as insistentes tentativas deste para ser ouvido, Shylock recusa qualquer explicação ou diálogo, afirmando que jurou obter o que lhe é devido por direito. Recordando que António outrora o chamou de cão, o agiota assume essa própria identidade para justificar que irá morder e obter a justiça prometida pelo doge. Ele critica duramente a condescendência do carcereiro por ter saído com o prisioneiro e afasta-se de forma obstinada, garantindo que não é do tipo que se deixa dobrar ou comover por súplicas como os cristãos costumam fazer.
    Após a partida de Shylock, Salânio expressa a sua indignação, apelidando-o de ser o homem mais desalmado que alguma vez viveu entre os seres humanos. António, contudo, pede para que não o importunem mais com súplicas inúteis, revelando compreender a verdadeira origem do rancor do credor: o facto de ter resgatado por diversas vezes, com o seu próprio dinheiro, os devedores que caíam nas garras da usura de Shylock. Quando Salânio sugere com confiança que o doge nunca validará um contrato tão ultrajante, António corrige-o, explicando que o curso da lei não pode ser impedido. Ele recorda que a negação da justiça aos estrangeiros comprometeria os seus privilégios e arruinaria a reputação internacional de Veneza, uma cidade cuja prosperidade depende vitalmente do comércio e das garantias jurídicas dadas a todas as nações. Profundamente abatido pelas suas desgraças, António confessa que a sua fraqueza física é tamanha que mal terá uma libra de carne para entregar ao seu algoz no dia seguinte, formulando como último desejo que Bassânio venha vê-lo antes de expirar para que a dívida seja finalmente saldada com a sua morte.

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