Português

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Desconstruindo o exame nacional de Português 2026 - 1.ª fase: Pergunta 3

Análise da alínea (a)
O texto questiona qual é a ideia destacada quando se privilegia o ponto de vista de Ricardo Reis (linhas 27 a 34).
  • A resposta certa é a (2) - Monotonia: O texto descreve as "frontarias de cinza parda", as "fileiras de janelas à mesma altura", as "monótonas cantarias" e um prédio "igual de cor, de janelas e de grades". Estas expressões comprovam inequivocamente a monotonia, a uniformidade e a repetição visual da arquitetura da Baixa lisboeta.
  • Porque é que a (1) está errada (Monumentalidade)? Embora o excerto refira "altas frontarias" e que se "levanta um prédio", o foco de Ricardo Reis não é a grandeza ou o esplendor (monumentalidade) dos edifícios, mas sim o seu aspeto sombrio, repetitivo e igual ("cinza parda", "mesmo risco").
  • Porque é que a (3) está errada (Abertura)? É exatamente o oposto do que é descrito. O texto refere que a rua dá a sensação de fecho e aprisionamento, com as faixas verticais "cada vez mais estreitas" e um prédio ao fundo "aparentemente cortando o caminho.

Análise da alínea (b)
O texto questiona sobre o que reflete a visão subjetiva do narrador nas linhas finais do excerto (linhas 35 a 38).
  • A resposta certa é a (1) - A vivência psicológica do tempo e o efeito do ambiente citadino no estado físico e anímico de quem o habita: Nas linhas finais, o narrador reflete sobre as "faces pálidas" dos caixeiros (estado físico influenciado pela sombra e humidade dos prédios) e sobre o seu "ar enfadado de ser hoje segunda-feira e não ter o domingo valido a pena" (vivência psicológica do tempo e estado anímico).
  • Porque é que a (2) está errada (Efeito no estado de espírito da personagem Ricardo Reis)? Este é um erro comum de interpretação. Nesta passagem final, a reflexão do narrador não incide sobre o estado de espírito de Ricardo Reis, mas sim sobre os habitantes da cidade (os "caixeiros" que vêm à porta das lojas).
  • Porque é que a (3) está errada (A oposição entre o espaço social e o físico)? O narrador não está a fazer uma oposição entre o espaço físico e social. Pelo contrário, está a estabelecer uma relação de causa e efeito (um alinhamento): é exatamente porque o espaço físico é escuro, húmido e tem "baforadas de gás" que o espaço social (os trabalhadores) apresenta faces pálidas e enfadadas.

Desconstruindo o exame nacional de Português 2026 - 1.ª fase: Pergunta 2

 Pergunta 2: "Na descrição dos ambientes representados nos dois excertos, ganham relevo os estímulos sensoriais. Compare o ambiente do mercado do peixe em Memorial do Convento (linhas 11 a 16) com o ambiente do mercado da Praça da Figueira em O Ano da Morte de Ricardo Reis (linhas 23 a 27), com base em duas sensações distintas captadas pelos sentidos, relativamente a cada um desses ambientes."

Passo 1: O "Raio-X" ao Enunciado

  1. O Limite de Pesquisa (Onde?): A instrução delimita exatamente as fronteiras da pesquisa: o aluno deve procurar apenas nas linhas 11 a 16 do primeiro excerto e nas linhas 23 a 27 do segundo. Tudo o que estiver fora destas linhas deve ser ignorado.
  2. O Verbo de Comando (O que fazer?): "Compare" Regra: O aluno não pode apenas descrever o mercado A e depois o mercado B em parágrafos separados. Tem obrigatoriamente de estabelecer pontes e mostrar as semelhanças ou diferenças entre os dois.
  3. O Assunto (O quê?): O foco da comparação é o "ambiente [...] com base em estímulos sensoriais" Regra: O aluno tem de colocar a sua atenção exclusiva naquilo que as personagens veem, ouvem ou cheiram naqueles locais.
  4. A Quantidade (Quantas?): "duas sensações distintas" Regra: O aluno tem de escolher duas categorias precisas (por exemplo: sensações auditivas e sensações olfativas) e aplicá-las a ambos os mercados para que a comparação seja válida
Passo 2: A Recolha de Dados

  • Recolha 1 (Sensações Auditivas): O aluno nota que ambos os mercados são bastante ruidosos.
    • No mercado do peixe, o barulho vem da agitação humana, pois as vendedeiras «gritavam desbocadamente aos compradores».
    • Na Praça da Figueira, o barulho vem das limpezas, ouvindo-se os sons de lavar «com baldes e agulheta, e ásperos piaçabas», além de um «arrastar metálico» e um «estrondo».
  • Recolha 2 (Sensações Olfativas): O aluno apercebe-se de que ambos os locais apresentam cheiros muito intensos.
    • No mercado do peixe, sente-se, naturalmente, o «cheiro do peixe».
    • Na Praça da Figueira, sente-se uma mistura desagradável de «couve esmagada e murcha», «excrementos de coelho», «penas de galinha escaldadas» e «sangue».
(O aluno também poderia ter optado pelas sensações visuais, comparando o ambiente agitado e a dicotomia sujidade/asseio, mas focaremos nas auditivas e olfativas para a redação).

Passo 3: A Construção da Resposta

Agora, aplicamos a nossa estrutura de preenchimento, usando conectores de comparação para não fugir ao comando do enunciado:

  • [Introdução Direta] A descrição dos ambientes do mercado do peixe e da Praça da Figueira apresenta claras semelhanças, que são evidenciadas através da exploração de diferentes sensações captadas pelos sentidos.
  • [Conetor 1 + 1.ª Sensação + Comparação e Fundamentação] Por um lado, no que diz respeito às sensações auditivas, percebe-se que ambos os locais são ruidosos. Em Memorial do Convento, esse ruído é provocado pela agitação das vendedeiras que «gritavam desbocadamente» (ll. 11-12). De forma semelhante, em O Ano da Morte de Ricardo Reis, o barulho é também intenso, originado pela limpeza do espaço, ouvindo-se a lavagem «com baldes e agulheta, e ásperos piaçabas» (ll. 25-26), além de um «arrastar metálico» e um «estrondo» (ll. 26-27).
  • [Conetor 2 + 2.ª Sensação + Comparação e Fundamentação] Por outro lado, recorrendo a sensações olfativas, constata-se que ambos os ambientes são dominados por cheiros muito intensos e desagradáveis. No mercado do peixe, sobressai o óbvio e forte «cheiro do peixe» (l. 16); na mesma linha, na Praça da Figueira, respira-se uma atmosfera marcada pelos odores a «couve esmagada e murcha», «excrementos de coelho», e «sangue» (ll. 24-25).


Resposta: 
    A descrição dos ambientes do mercado do peixe e da Praça da Figueira apresenta claras semelhanças, que são evidenciadas através da exploração de diferentes sensações captadas pelos sentidos.
    Por um lado, no que diz respeito às sensações auditivas, percebe-se que ambos os locais são ruidosos. Em Memorial do Convento, esse ruído é provocado pela agitação das vendedeiras que «gritavam desbocadamente aos compradores» (ll. 11-12). De forma semelhante, em O Ano da Morte de Ricardo Reis, o barulho é também intenso, originado pelas limpezas do espaço, ouvindo-se a lavagem «com baldes e agulheta, e ásperos piaçabas» (ll. 25-26), além de um «arrastar metálico» e um «estrondo» (ll. 26-27).
    Por outro lado, recorrendo a sensações olfativas, constata-se que ambos os ambientes são dominados por cheiros muito intensos e desagradáveis. No mercado do peixe, sobressai o óbvio e forte «cheiro do peixe» (l. 16). Na mesma linha, na Praça da Figueira, respira-se uma atmosfera marcada pelos odores a «couve esmagada e murcha», a «excrementos de coelho», e a «sangue» (ll. 24-25).

Na aula (LXVIII): medidas de peso ou falta medida

     O miligrama é uma unidade de peso que representa a milésima parte do metro.

Marta

quinta-feira, 18 de junho de 2026

A literatura popular e a língua portuguesa

    A Península Ibérica é um território habitado desde sempre, facto atestado pelos vestígios das mais antigas indústrias, do paleolítico inferior à idade dos metais, nela encontrados, os quais não deixam dúvidas de que foi ocupada por toda a espécie de seres humanos, desde os pitecantropídeos ao "homo sapiens".
    Depois desses seres primitivos, aqui chegaram há mais de 3000 anos muitos outros povos: lígures, celtas, iberos, fenícios, gregos, cartagineses. Posteriormente, no final do século III a.C., os romanos invadiram a P.I., o mesmo sucedendo, no séc. V d.C., povos germânicos (vândalos, alanos, suevos e visigodos). Em 711, foi a vez dos árabes a ocuparem, refugiando-se nas Astúrias os godos, que não quiseram submeter-se ao domínio muçulmano. Aí, constituíram um reino cristão, a partir do qual se organizou a Reconquista cristã, uma guerra longa, porfiada e tormentosa que durou mais de sete séculos, vindo a terminar com a conquista de Granada, em 1492, pelos reis católicos Fernando e Isabel.
    Os reinos e estados peninsulares, entre os quais Portugal, resultam da mestiçagem de todos estes povos e estas culturas.
    Que língua ou línguas falavam esses povos? Cada um deles teria a sua, mas a dominante, após a conquista romana, foi o latim vulgar ("sermo vulgaris"). Desses antigos idiomas, restam poucos vestígios. Um caso especial é o da escrita ibérica, não totalmente decifrada, copiosamente representada em inscrições tumulares de cemitérios da Idade do Ferro, situadas predominantemente a sul da península.
    O latim vulgar, trazido pelos soldados e pelos colonos romanos foi-se transformando, pouco a pouco, na boca dos falantes peninsulares, em contacto com as línguas dos povos pré-existentes e dos invasores, até se converter num falar românico, o romance, que, consoante regiões e povos, se individualizou em vários dialetos.
    No território que viria a ser Portugal, distinguiam-se dois tipos de romance: o situado a Norte do rio Douro, incluindo a Galiza, e o do Sul. Aquando da dominação sarracena, que apenas episodicamente atingiu o noroeste da P.I., as diferenças entre as duas linguagens acentuaram-se. A do Norte ficou conhecida por galego-português, enquanto a do Sul por romance moçarábico ou lusitano-moçárabe, por ser a dos cristãos que viviam sob domínio árabe. Do contacto dos dois dialetos, estabelecido após a Reconquista ter descido abaixo do Mondego e do Tejo, nasceu o português.
    Até meados do século XII, falou-se uma língua e escreviam-se duas. Os clérigos possuidores de instrução escreviam em latim menos apurado que o clássico, daí a denominação de baixo ou medieval; os documentos oficiais, como, por exemplo, testamentos, contratos ou doações, eram redigidos num latim estropiado, a que se dá o nome de bárbaro ou tabeliónico. Ora, é da mistura com este latim que aparecem, desde o século IX, as primeiras palavras portuguesas. No entanto, textos inteiros em português chegaram até nós apenas do século XII em diante.
    A linguagem escrita implica uma disciplina e uma obediência a regras de que a popular está livre, daí a progressiva separação entre um português literário, influenciado pelos modelos latinos, e o português popular que mal conhecemos.
    O galego-português, a língua comum de portugueses e galegos que, durante séculos, foi uma só, foi-se dividindo em duas com a separação política, evolução consumada no século XVI, não obstante existir uma parte nuclear comum.
    José Leite de Vasconcelos fala em dois períodos na evolução do português: o arcaico e o moderno. O primeiro situa-se entre o século IX e meados do século XVI e nele se inclui o português proto-histórico, que está presente em documentos escritos no chamado latim bárbaro, do século IX ao XII, e o segundo daquela data em diante.

Fonte: José Leite de Vasconcelos, Lições de Filologia Portuguesa, Rio de Janeiro, Livros de Portugal, 1959, p. 16.

Na aula (LXVII): o amor virtual de Simão Botelho e Mariana

    Em Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco inovou e construiu dois triângulos amorosos: Simão - Teresa - Mariana e Simão - Teresa - Baltasar Coutinho.

    Em determinada aula, fala-se sobre o amor de Mariana por Simão, e o professor clarifica que não há contacto físico no sentido conjugal entre ambos:

    - Um amor sem contacto físico... Como é que se chama?

    - Virtual - responde, toda lampeira, a Maria Luís.

    São os novos tempos e os novos amores.

Na aula (LXVI): o naufrágio que vitimou Romeu e Julieta

    A propósito da Conclusão de Amor de Perdição, fala-se em Romeu e Julieta, de Shakespeare, e o seu final. Para os menos versados nestas coisas da Literatura, talvez seja adequado relembrar que Romeu encontra a amada aparentemente sem vida no túmulo da  família e que, desesperado, ingere veneno e morre ao seu lado. Na realidade, a jovem tinha tomado uma poção que a fazia parecer morta temporariamente. Quando desperta e vê o noivo morto, mata-se com um punhal.

    Pois bem, mal o professor recorda este desfecho, solta-se a voz tonitruante da Maria Luís:

    - Mas eles não tinham morrido num barco?

    - Isso era o Titanic - esclareceu a Maria Eduarda Coimbra.


    Ficámos esclarecidos.

Na aula (LXV): o dia em que o verbo mudou de classe

     - Qual é o adjetivo presente na frase?

    - O adjetivo é «soluçando».


    A nova especialista em gramática da língua portuguesa chama-se Diana Gonçalves.

Na aula (LXIV): pensamentos ilegítimos

    Lê-se o terceiro ato de Frei Luís de Sousa. Nesta fase, Telmo mostra-se arrependido. O professor questiona a razão do arrependimento.

    A resposta surge pela voz da Diana Gonçalves:

    - Telmo sente-se arrependido por dizer que Madalena é filha ilegítima.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Desconstruindo o exame nacional de Português 2026 - 1.ª fase: Pergunta 1

Pergunta: "Releia o primeiro parágrafo do excerto extraído de Memorial do Convento. Explicite o dilema com o qual Baltasar se debate, tendo em conta tanto a sua condição física como a sua condição económica."

Passo 1: O "Raio-X" ao Enunciado (Ler com a caneta)

    1. O Limite de Pesquisa (Onde?): "Releia o primeiro parágrafo do excerto extraído de Memorial do Convento" Regra: O foco da resposta deve centrar-se exclusivamente no primeiro parágrafo do texto de José Saramago. O aluno não deve procurar informações no segundo parágrafo (onde Baltasar está no mercado do peixe), nem tão-pouco no excerto de O Ano da Morte de Ricardo Reis
    2. O Verbo de Comando (O que fazer?): "Explicite" Regra: este verbo exige que o aluno explique a situação por palavras próprias. Não basta transcrever pedaços de texto; é preciso demonstrar compreensão.
    3. O Assunto (O quê?): "o dilema com o qual Baltasar se debate" Regra: Um "dilema" é uma escolha difícil entre duas alternativas. O aluno tem de identificar de imediato quais são os dois caminhos possíveis que deixam a personagem indecisa.
    4. A Quantidade / A Condição Obrigatória (Como provar?): "tendo em conta tanto a sua condição física como a sua condição económica" Regra: Embora o enunciado não diga numericamente "duas ideias", a expressão correlativa "tanto... como..." obriga o aluno a justificar esse dilema baseando-se exatamente em duas vertentes: a falta de capacidade física e a falta de dinheiro.

Passo 2: A Recolha de Dados

    Sabendo o que procurar (as duas opções do dilema cruzadas com as duas condições de Baltasar), o aluno vai ao texto e extrai os tópicos validados pelos critérios:

  • A Base do Dilema: Baltasar encontra-se com pouco dinheiro e não sabe para onde ir.
  • Recolha 1 (Opção A + Condição Física): A primeira alternativa seria ir para Mafra, a sua terra natal, para se dedicar à agricultura. Contudo, a sua condição física é um obstáculo: a perda da mão esquerda na guerra impede-o de «pegar numa enxada».
  • Recolha 2 (Opção B + Condição Económica): A segunda alternativa seria ir ao paço real. Motivado pela sua fraca condição económica, pondera ir pedir uma esmola pela mão/sangue perdido na guerra. Porém, depara-se com as dificuldades desse caminho, já que sabe que exigiria muito tempo e o "empenho de padrinhos" para conseguir o dinheiro do rei.
Passo 3: A Construção da Resposta

    Aplicando uma redação estruturada com conectores lógicos, o aluno escreveria algo como:

  • [Introdução Direta] O dilema vivido por Baltasar prende-se com a indecisão sobre o caminho a seguir, visto que tem pouco dinheiro e não sabe para onde ir.
  • [Conetor 1 + 1.ª Opção e Condição Física] Por um lado, pondera regressar a Mafra para trabalhar na agricultura. No entanto, a sua condição física inviabiliza esta opção, uma vez que a perda da mão na guerra o impede de segurar numa enxada e trabalhar a terra.
  • [Conetor 2 + 2.ª Opção e Condição Económica] Por outro lado, tendo em conta a sua condição económica precária, equaciona dirigir-se ao paço real para pedir esmola pelos sacrifícios feitos na guerra. Contudo, hesita perante as exigências burocráticas e a necessidade de arranjar padrinhos que o ajudem a obter o sustento do rei.


    O processo mental de "caça à informação" faz-se seguindo as pistas deixadas pelo próprio José Saramago:
1. Encontrar a base do dilema e a condição económica Ao ler a primeira frase do texto, o aluno depara-se imediatamente com isto: «Com pouco dinheiro no bolsilho [...] tinha Baltasar de resolver que passos daria a seguir».
  • O que o aluno pensa: "Ok, já encontrei a condição económica (ele está quase sem dinheiro) e percebi o núcleo do dilema: ele está indeciso, tem de tomar uma decisão e 'resolver que passos' dar a seguir no seu percurso.
2. Descobrir a 1.ª opção e a condição física: logo a seguir a dizer que tem de "resolver que passos daria", o texto introduz as duas alternativas separadas pela palavra "se". A primeira é: «se a Mafra onde não poderia a sua única mão pegar numa enxada que requer duas».
  • O que o aluno pensa: "A primeira opção do dilema é regressar à sua terra, Mafra, para ser agricultor. Mas está aqui a condição física pedida na pergunta: ele não tem uma das mãos e uma enxada precisa de duas. Logo, ele está incapacitado fisicamente para esta opção.
3. Descobrir a 2.ª opção e os seus obstáculos: na mesma frase, o aluno lê a segunda alternativa do dilema de Baltasar: «se ao paço onde talvez lhe dessem uma esmola por conta do sangue perdido.». E continuando a leitura, depara-se com as dificuldades dessa opção: «dizendo que era necessário pedir muito e por muito tempo, com muito empenho de padrinhos».
  • O que o aluno pensa: "A segunda opção é ir pedir dinheiro/esmola ao paço do Rei, sustentado na sua falta de dinheiro e na mão que perdeu. Mas ele está indeciso porque ir pedir ao rei não é garantido: demora muito tempo e exige 'padrinhos' (conhecimentos/cunhas).


Resposta:

    O dilema com o qual Baltasar se debate prende-se com a hesitação sobre o caminho a tomar para garantir o seu sustento, uma vez que se encontra «Com pouco dinheiro no bolsilho».
    Por um lado, pondera regressar à sua terra natal, Mafra, para trabalhar na agricultura. No entanto, a sua condição física é um obstáculo que inviabiliza esta alternativa, visto que a perda de uma das mãos na guerra o impede de «pegar numa enxada que requer duas».
    Por outro lado, motivado pela sua precária condição económica, equaciona dirigir-se ao paço real para pedir esmola «por conta do sangue perdido» na guerra. Contudo, também hesita em seguir esta via, pois tem consciência de que é um processo demorado, incerto e que exigiria «muito empenho de padrinhos» para conseguir o apoio financeiro do rei."

Desconstruindo o exame nacional de Português 2026 - 1.ª fase

Grupo I

    Pergunta 1.

    Pergunta 2.

    Pergunta 3.

    Pergunta 4.

    Pergunta 5.

    Pergunta 6.

    Pergunta 7.


Grupo II

    Pergunta 1.

    Pergunta 2.

    Pergunta 3.

    Pergunta 4.

    Pergunta 5.

    Pergunta 6.

    Pergunta 7.


Grupo III

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