A nível físico, Bassânio é caracterizado de forma indireta através da sua descrição como um rapaz extravagante e na flor da sua mocidade, o que sugere um jovem atraente, vigoroso e com uma presença física marcante, condizente com a corte aristocrática de que faz parte. Para competir em pé de igualdade com os príncipes e nobres que cortejam Pórcia em Belmonte, ele necessita de manter uma aparência de grande riqueza e esplendor, o que reforça a ideia de que a sua imagem externa é cuidada, elegante e intimamente associada ao luxo e à moda veneziana da época.
No plano social, ele é um nobre de Veneza, pertencente a uma classe social elevada e expressamente referido pelos seus pares como o "nobre parente" de António. Apesar do seu prestigiado berço, a sua situação socioeconómica é crítica: o seu estilo de vida excessivamente pródigo e luxuoso esgotou por completo os seus recursos, deixando-o atolado em pesadas dívidas, das quais António é o principal credor. Ele move-se num círculo de jovens aristocratas ociosos e elegantes, mas a sua sobrevivência e reputação social dependem inteiramente do crédito e da generosidade da classe mercantil. A sua grande cartada social é a viagem a Belmonte para disputar a mão de Pórcia, uma herdeira cujas imensas riquezas e fama internacional atraem pretendentes de todo o mundo, pretendendo Bassânio assumir o papel de um novo Jasão na conquista deste valioso velocino de ouro para restaurar o seu antigo estatuto.
A nível psicológico-moral, Bassânio revela-se um espírito otimista, audaz e inclinado ao risco, encarando a vida e as finanças com a mentalidade de um jogador aventureiro. Isto torna-se evidente quando recorre ao raciocínio de disparar uma segunda seta na mesma direção da primeira para recuperar ambas, demonstrando uma propensão para duplicar as apostas e tentar a sorte face à adversidade. Embora seja moralmente questionável o facto de utilizar a generosidade extrema do seu melhor amigo para financiar uma pretensão matrimonial que visa, em grande parte, saldar os seus próprios compromissos, ele demonstra honestidade e autoconsciência ao confessar abertamente a António a sua conduta passada e os seus embaraços financeiros. Há nele uma fusão entre o calculismo pragmático e o romantismo idealista, pois embora precise do dinheiro de Pórcia, descreve-a com uma admiração genuína e profunda que transcende a mera ganância. Além disso, mostra-se um amigo afetuoso e grato, cujo coração e bolsa reconhecem a profunda dívida moral e afetiva que tem para com António.
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