Português: Resumo da cena I do ato III de O Mercador de Veneza

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Resumo da cena I do ato III de O Mercador de Veneza

    A primeira cena do terceiro ato de O Mercador de Veneza inicia-se numa rua da cidade, com Salânio e Salarino a comentarem os últimos rumores vindos do Rialto. Este confirma a terrível notícia de que um dos navios de António, ricamente carregado, naufragou no perigoso estreito de Goodwin, no canal da Mancha. Enquanto os dois amigos lamentam profundamente a sorte do honrado mercador e expressam o temor de que esta perda signifique a sua ruína, Shylock aproxima-se. Salânio e Salarino confrontam-no e, sabendo da fuga de Jéssica, troçam abertamente do seu desespero, comparando ironicamente a fuga da jovem ao voo de uma ave que deixa o ninho paternal e enfatizando a total diferença de caráter e de natureza entre pai e filha, que dizem ser tão distinta como o azeviche do marfim ou o vinho tinto do Reno.
    A conversa rapidamente se desvia para a situação financeira de António. Shylock, inflamado de rancor, reage com fúria à menção do mercador, apelidando-o de bancarroteiro e miserável que outrora o insultava no Rialto por usura e que agora tem o seu destino nas mãos do credor, que detém a sua declaração de fiança. Quando Salarino questiona que utilidade teria uma libra de carne humana se António falhasse o pagamento, o agiota profere um discurso sobre afirmação humana e vingança. Argumentando que a carne servirá para saciar o seu ódio, ele expõe as constantes humilhações que sofreu por parte de António apenas por ser judeu. Shylock defende a igualdade fundamental entre judeus e cristãos, desde logo porque partilham os mesmos órgãos, sentidos, reações físicas e suscetibilidade à dor ou à doença, concluindo que, se os cristãos retaliam quando são ofendidos, ele simplesmente aplicará a lição de perversidade e vingança que aprendeu com eles, prometendo exceder os ensinamentos dos seus mestres.
    A chegada de um criado interrompe o confronto, chamando Salarino e Salânio a casa de António, o que permite a entrada de Tubal, um amigo judeu que Shylock enviara a Génova para procurar a sua filha. O diálogo que se segue entre ambos é uma montanha-russa de emoções contraditórias para o agiota. Por um lado, Tubal relata a impossibilidade de encontrar Jéssica e detalha os gastos extravagantes da jovem, que desperdiçou oitenta ducados numa única noite e chegou a trocar um valioso anel de turquesa — um presente de valor sentimental inestimável dado a Shylock pela sua falecida esposa, Lea — por um macaco. Esta revelação deixa o pai profundamente destroçado, amaldiçoando a sua sorte, lamentando a perda de joias e de um diamante precioso comprado em Frankfurt, e desejando, num momento de desespero cruel, que a filha estivesse morta aos seus pés com as joias no caixão.
    Por outro lado, Tubal vai alimentando a fúria e o sadismo de Shylock com novidades sobre a desgraça de António, confirmando que o mercador perdeu, de facto, um navio vindo de Trípoli e que a sua falência é dada como certa pelos credores em Veneza. O judeu exulta com estas notícias, agradecendo a Deus e antecipando com prazer a tortura e a ruína do seu rival. A cena encerra com Shylock a instruir Tubal para que contrate imediatamente um oficial de justiça com quinze dias de antecedência, determinado a arrancar o coração de António caso a fiança não seja paga no prazo, justificando que a morte do mercador lhe permitirá libertar-se da concorrência e realizar os seus negócios livremente. De seguida, espede-se de Tubal, agendando um encontro na sinagoga para consumar os seus planos de vingança.

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