A cena inicia-se numa rua de Veneza com um monólogo cómico de Lanceloto Gobbo, que enfrenta um dilema interno caricaturesco: a sua consciência aconselha-o a permanecer leal ao seu amo, Shylock, enquanto um demónio o incita a fugir daquela casa, que ele próprio descreve como a encarnação do mal. Lanceloto decide seguir o conselho do demónio e abandonar o serviço do credor judeu.
Nisto, surge o seu pai, o velho Gobbo, que sendo quase cego não reconhece o próprio filho e lhe pede indicações para chegar à casa de Shylock. O filho decide pregar-lhe uma partida, dando-lhe direções confusas e inventando que o jovem Lanceloto faleceu, o que deixa o velho pai profundamente angustiado. Após revelar a verdade e obter a bênção paterna — que o velho só aceita após Lanceloto mencionar o nome da sua mãe, Margarida —, o criado confessa que Shylock o está a matar à fome. Ele convence então o pai a entregar a Bassânio o presente de pombos que trazia originalmente para o judeu, na esperança de ser admitido como seu lacaio.
Pouco depois, Bassânio entra em cena a organizar os preparativos para um banquete. Pai e filho abordam-no de forma atabalhoada, interrompendo-se mutuamente numa conversa confusa para apresentar o pedido de emprego. Ele aceita Lanceloto ao seu serviço, comentando com ironia o facto de o criado preferir deixar um judeu opulento para servir um fidalgo pobre, e ordena que lhe entreguem uma farda de excelente qualidade. Lanceloto despede-se com alegria, lendo as linhas da sua própria mão e profetizando um futuro cheio de casamentos e boa fortuna.
Após a saída de Lanceloto, entra Graciano, que pede a Bassânio para o acompanhar na sua viagem a Belmonte. O segundo concede a autorização, mas impõe uma condição estrita: Graciano terá de moderar o seu comportamento habitualmente ruidoso, livre e excêntrico, sob pena de arruinar as hipóteses de Bassânio junto de quem pretende agradar. Graciano aceita o compromisso, prometendo adotar uma postura de extrema civilidade, modéstia e respeito, com a única exceção daquela mesma noite, em que ambos concordam em aproveitar a festa de despedida antes da viagem.
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