Português: Resumo da cena II do ato III de O Mercador de Veneza

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Resumo da cena II do ato III de O Mercador de Veneza

    A cena inicia-se em Belmonte, no castelo de Pórcia, onde os três cofres do teste matrimonial estão expostos. Pórcia começa por suplicar a Bassânio que adie a sua escolha por alguns dias ou mesmo meses, temendo que uma decisão errada o afaste para sempre da sua companhia, revelando o profundo afeto que nutre por ele, embora se sinta impedida de o ajudar devido ao juramento imposto pelo testamento do seu falecido pai. Bassânio, contudo, recusa-se a adiar o momento, confessando que viver na incerteza é para ele uma tortura insuportável, pelo que prefere enfrentar imediatamente o veredicto do seu destino. Pórcia cede e ordena que se toque música enquanto ele faz a sua escolha, comparando-o ao herói grego Alcides no resgate de Troia e declarando-se ela própria a vítima que aguarda o desfecho do combate.
    Enquanto uma canção ecoa questionando a origem e a efemeridade do amor que nasce nos olhos, Bassânio reflete longamente sobre a falsidade das aparências, argumentando que a beleza, a religião e a justiça são frequentemente mascaradas com adornos exteriores para ocultar a podridão e o vício. Com base nesta premissa, ele rejeita o cofre de ouro, associando-o à ganância destrutiva do rei Midas, e recusa igualmente o cofre de prata, que classifica como um metal vulgar e servil. Opta, assim, pelo desprezado cofre de chumbo, cuja simplicidade eloquente e ausência de promessas brilhantes o atraem. Ao abrir o cofre de chumbo, Bassânio encontra o retrato de Pórcia e um pergaminho que aclama a sabedoria da sua escolha prudente, convidando-o a aceitar a sua noiva com um beijo de amor.
    A alegria da união consolida-se quando Pórcia se entrega inteiramente a Bassânio, oferecendo-lhe o seu coração, as suas terras, os seus criados e o seu castelo. Como selo deste compromisso absoluto, ela entrega-lhe um anel sagrado, advertindo-o de que a perda ou a separação dessa joia será o presságio do fim do amor de ambos, ao que ele jura que apenas a morte o separará do anel. De imediato, Graciano e Nerissa felicitam o casal e revelam que também eles se apaixonaram e desejam casar-se na mesma cerimónia, caso a escolha de Bassânio fosse bem-sucedida, o que é prontamente concedido.
    No entanto, a atmosfera festiva é subitamente interrompida pela chegada de Lourenço, Jéssica e Salério, vindos diretamente de Veneza. Este entrega a Bassânio uma carta de António que o faz empalidecer de imediato. O jovem confessa à noiva que a sua riqueza se resume ao sangue nas suas veias e que se endividou junto do seu mais querido amigo, o qual, por sua vez, se empenhou perante o seu pior inimigo para financiar a viagem a Belmonte. Salério confirma a gravidade da situação, relatando que todas as caravelas de António naufragaram no mar e que o credor judeu se recusa a aceitar qualquer reembolso financeiro tardio, exigindo obstinadamente a execução literal da fiança de uma libra de carne. Jéssica corrobora a crueldade do pai, testemunhando ter ouvido Shylock jurar perante os seus correligionários que prefere a carne de António a vinte vezes o valor da dívida.
    Diante da tragédia iminente, Pórcia demonstra uma generosidade extraordinária, oferecendo-se para pagar o dobro ou o triplo da soma em dívida para rasgar o contrato antes que o amigo do marido perca um único cabelo. Bassânio lê em voz alta a comovente missiva de António, na qual este relata a sua ruína absoluta, perdoa todas as dívidas ao amigo e expressa apenas o desejo de o ver uma última vez antes de morrer. Pórcia insta o marido a partir sem demora para Veneza no próprio dia do casamento, decidindo que ela e Nerissa viverão como viúvas e donzelas durante a sua ausência. Bassânio despede-se apressadamente, jurando que nenhum repouso se interporá entre ele e o seu regresso aos braços de Pórcia.

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