1. Contexto Histórico-Científico e a Ilusão da Verdade
- Caracterização social: É um estudioso entusiasta do mesmerismo (magnetismo animal) que se movimenta no meio médico-científico. Apresenta-se como amigo do Sr. Valdemar e atua como o autor do relato, com o objetivo de o divulgar publicamente para corrigir rumores e falsidades que circulavam na sociedade sobre a sua experiência.
- Psicológica: Caracteriza-se por uma atitude clínica, meticulosa e fria. É o protótipo do cientista não-confiável e moralmente questionável, dominado por um racionalismo absoluto e pelo egoísmo científico. Ignora completamente o sofrimento excruciante do amigo, submetendo-o a um transe não natural motivado apenas pela sua vontade de fazer uma descoberta pioneira no limiar da morte. Revela uma "fealdade humanística", na medida em que a sua curiosidade científica suprime qualquer empatia ou instinto de compaixão perante o horror e a agonia do sujeito.
- Caracterização física: Homem marcado por uma magreza extrema (sendo os seus membros inferiores comparados aos de John Randolph). Possui cabelos muito negros que criam um flagrante contraste com as suas suíças (barba/bigode) brancas, o que levava muitas pessoas a julgarem que usava peruca. Sofre de tuberculose (tísica) numa fase terminal muito severa, o que lhe consome os pulmões, deixando o rosto emaciado, as maçãs do mesmo proeminentes e a pele com cor de pergaminho. Durante o transe, assume traços cadavéricos chocantes: a língua fica inchada e enegrecida, os olhos reviram-se até desaparecerem as pupilas, perdendo toda a respiração e pulso. No culminar do conto, o seu corpo físico desintegra-se rapidamente numa massa líquida podre e repugnante.
- Social: Intelectual de renome, conhecido por ser o organizador da "Bibliotheca Forensica" e o tradutor (sob o pseudónimo de Issachar Marx) das obras Wallenstein e Gargântua para a língua polaca. Reside no Harlem, em Nova Iorque, desde 1839. É o candidato socialmente ideal para a experiência do narrador por não ter familiares na América que se pudessem opor ao ato.
- Psicológica: É dono de um temperamento marcadamente nervoso, ansioso e excitável, facto que o torna altamente recetivo e suscetível à influência do mesmerismo. Inicialmente, lida com a sua morte inevitável de forma serena, sem lamentações, e aceita participar na experiência de bom grado e até com entusiasmo. Porém, sob a intervenção magnética, a sua condição psicológica torna-se a de um ser encurralado entre a vida e a morte; a sua passividade transforma-se em pura agonia ao expressar-se com desespero para que o acordem ou o deixem dormir definitivamente, revelando o tormento aterrador de uma consciência que sobrevive contra a natureza num corpo em putrefação.
- Social: São clínicos respeitados e rigorosos que acompanham o Sr. Valdemar, prestando-lhe cuidados paliativos. Funcionam perante o leitor como autoridades de validação e testemunhas credíveis e inquestionáveis do quadro médico irreversível de Valdemar.
- Psicológica: Representam a postura isenta e o sistema discursivo da ciência da época. São descritos como frios, racionais e movidos pela curiosidade. Aceitam de forma unânime a experiência pouco ortodoxa proposta pelo narrador sem levantarem constrangimentos morais, assumindo uma posição de simples observação e análise do paciente.
- Física: O único traço físico manifestado na narrativa é a sua falência corporal perante o pavor: desmaia quando o cadáver de Valdemar começa a falar.
- Social: Conhecido do narrador, é um estudante de Medicina que é chamado ao quarto do doente por uma exigência de última hora. O seu papel é o de assistente e de estenógrafo (tomar notas clínicas de todo o processo), conferindo um álibi processual fidedigno à experiência.
- Psicológica: Inicia a sua tarefa com a mesma objetividade médica e disponibilidade dos restantes. No entanto, encarna no texto a rutura do limiar humano; demonstra que o choque e o abalo emocional perante a fealdade grotesca (uma voz com qualidade tátil/gelatinosa oriunda de um morto) são insuportáveis para a mente humana, cedendo ao terror em contraste com a impassibilidade do narrador.
3.2. Tempo da história
3.3. Tempo do discurso
3.4. Tempo psicológico
4. Espaço
4.1. Espaço físico / geográfico
4.2. Espaço social
4.3. Espaço psicológico
5. Narrador
5. Temas
6. Crítica


