A primeira cena do segundo ato situa-se em Belmonte, num quarto no castelo de Pórcia, onde entram o Príncipe de Marrocos com a sua comitiva, Pórcia com o seu séquito e Nerissa, ao som solene de clarins.
O Príncipe inicia o diálogo pedindo a Pórcia que não sinta repugnância pela sua cor, descrevendo a sua pele bronzeada como a "negra libré" do sol ardente da sua terra natal. Para provar a sua nobreza e bravura, ele desafia a que se traga o homem mais belo dos climas do norte para que ambos façam uma incisão na pele, provando assim qual dos dois possui o sangue mais vermelho. Gaba-se também de que a sua presença física aterrorizou mais de um homem valente e de que foi cobiçado por muitas virgens da sua pátria, assegurando que não desejaria mudar de cor, a menos que isso fosse o único caminho para obter a mão de Pórcia, a quem chama de sua encantadora rainha.
Pórcia responde de forma diplomática, explicando que na sua escolha não é unicamente guiada pelo caprichoso testemunho dos seus olhos de donzela. Ela esclarece que a lotaria do seu destino, imposta pelo testamento do seu falecido pai, lhe veda qualquer escolha voluntária, obrigando-a a ser esposa daquele que a obtiver através do método estabelecido. No entanto, confessa cortesmente ao visitante que, se não estivesse sujeita a tais restrições paternas, o Príncipe de Marrocos seria o pretendente que o seu coração acolheria com mais prazer entre todos os que se apresentaram até ao momento.
Agradecido, o Príncipe solicita ser imediatamente conduzido aos cofres para tentar a sua sorte. Ele faz um juramento pela sua própria cimitarra — com a qual derrotou o Sofi e um príncipe persa que vencera três batalhas contra o sultão Solimão —, afirmando que, para obter a mão de Pórcia, seria capaz de fazer baixar os olhos ao homem mais orgulhoso, afrontar o mais audaz, roubar filhotes de uma ursa ou atacar um leão faminto. Apesar de toda a sua valentia, o Príncipe expressa um profundo receio de que a cega fortuna o atraiçoe, comparando o teste a um jogo de dados entre Hércules e o seu pajem Licas, onde a sorte pode favorecer o mais fraco, fazendo com que o herói Alcides seja vencido por mero acaso. Temer perder o prémio para alguém menos digno é uma ideia que o atormenta, confessando que morreria de desgosto e dor.
Pórcia adverte-o então para que pondere bem a decisão, lembrando-lhe que pode simplesmente renunciar à escolha. Contudo, avisa que, se decidir insistir, terá de fazer um juramento prévio e inviolável de que, caso a sorte lhe seja adversa, nunca mais falará em casamento a mulher alguma. Determinado, o Príncipe aceita todas as condições, ansioso por conhecer o seu destino. Pórcia determina então que se dirijam primeiro ao templo para orar e que o teste dos cofres será realizado após o jantar. A cena encerra-se com o Príncipe a expressar o desejo ardente de acertar, consciente de que aquele momento definirá se será o mais feliz ou o mais desgraçado de todos os homens, retirando-se todas as personagens ao som de clarins.
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