A terceira cena da 1.ª parte decorre na penumbra do quarto dos irmãos, no piso superior da casa de lavoura, momentos antes do amanhecer. Eben surge tateando na escuridão, rindo amargamente e praguejando entre dentes, até irromper pelo quarto de vela na mão para acordar bruscamente Simeon e Peter. Sob o olhar estremunhado dos meio-irmãos mais velhos, lança uma notícia bombástica que acabou de saber na aldeia: o velho Ephraim Cabot, de 75 anos, voltou a casar-se em New Dover com uma mulher de trinta e cinco anos.
A revelação provoca um choque inicial de incredulidade em Simeon e Peter, que tentam convencer-se de que se trata de uma mentira. Contudo, ao perceberem a veracidade do rumor trazido pelo padre local, os dois irmãos caem em desespero ao constatar que a nova esposa passará a herdar tudo, anulando qualquer expetativa de virem a obter proveito da quinta. Esta constatação atua como o catalisador definitivo para a decisão de abandonarem a terra e partirem imediatamente para a Califórnia em busca de ouro.
Aproveitando o desespero e a urgência dos irmãos, Eben revela a sua faceta mais calculista e astuta. Ele tira do bolso um documento previamente preparado e propõe um negócio: se os irmãos assinarem a renúncia aos seus direitos sobre a herdade, ele entregar-lhes-á trezentos dólares a cada um, quantia suficiente para pagarem a viagem de barco para o Oeste. Interrogado com desconfiança sobre a proveniência de tão avultada soma, revela que encontrou o dinheiro que o pai mantivera escondido durante anos, uma quantia que pertencera originalmente à sua falecida mãe e que ele agora reivindica como sua por direito.
Com o raiar da alvorada a aclarar o céu pela janela, a conversa desvia-se para o paradeiro de Eben durante a noite. O jovem confessa ter ido a casa da prostituta Min. Explica que, a caminho, atormentado pelas revelações sobre a mulher ter pertencido ao pai e aos irmãos, foi tomado por uma fúria descontrolada; ao chegar junto dela, chorou como um vitelo e acabou por se deitar com ela, proclamando com orgulho desafiador que a tomou para si para possuir algo que pertencera ao pai e se vingar dele, tornando-a sua por direito.
Quando os irmãos troçam do seu envolvimento e sugerem com ironia que Min daria uma esposa fiel, ele repele a ideia com desprezo, afirmando que não se apaixona por "gado" e que a mulher apenas lhe interessou por ser uma posse de Ephraim. A provocação atinge o auge quando Simeon insinua, de forma profética, se Eben não irá tentar possuir também a nova esposa do pai. O rapaz cospe com nojo, declarando que preferia beijar uma serpente a aproximar-se da mulher que vem roubar a herança da sua mãe e sai indignado para a cozinha para acender o lume e preparar o pequeno-almoço.
Ficando a sós no quarto, Simeon e Peter decidem ser cautelosos: concordam em não assinar qualquer documento até verem o dinheiro vivo e confirmarem a chegada da noiva. Num acesso de cinismo e vindicta, o primeiro conclui que, se o pai realmente casou, estarão a vender a Eben algo que nunca será dele, decidindo aproveitar o dia para descansar, comer e beber à mesa, enquanto deseja asperamente que a nova madrasta seja uma diaba que faça a vida do velho patriarca um verdadeiro inferno.
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