Português: Resumo da cena II da 1.ª parte de Desejo sob os Ulmeiros

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Resumo da cena II da 1.ª parte de Desejo sob os Ulmeiros

    A segunda cena inicia-se com a transição para o crepúsculo, revelando o interior austero da cozinha da casa de lavoura dos Cabots. O espaço apresenta-se limpo e arrumado, mas a sua atmosfera assemelha-se mais à de um acampamento de homens do que à de um verdadeiro lar, destacando-se na parede um grande cartaz que anuncia a viagem para a sonhada Califórnia. À mesa, os três irmãos reúnem-se para jantar; contudo, enquanto Simeon e Peter devoram o presunto e as batatas com a bruteza resignada de animais do campo, Eben depenica a comida sem apetite, observando os meio-irmãos com um desdém mal disfarçado.
    O silêncio é quebrado quando os irmãos mais velhos censuram Eben por ter desejado a morte do pai. Ele reage com violência, rejeitando qualquer laço de filiação com o patriarca e proclamando com orgulho que se identifica inteiramente com a sua falecida mãe, saindo a ela até à última gota de sangue. A conversa evoca a memória da antiga madrasta, cuja bondade é recordada com saudade pelos irmãos, mas Eben explode de ressentimento, acusando Ephraim de a ter escravizado e assassinado lentamente através do trabalho físico extenuante. Perante a passividade de Simeon e Peter, que justificam o silêncio do passado com o peso sufocante das tarefas agrícolas quotidianas como lavrar, sachar ou ordenhar, o irmão mais novo interrompe-os amargamente. Numa poderosa imagem de petrificação, ele descreve a construção interminável dos muros de pedra da quinta como um processo que endurece e transforma os próprios corações dos homens em rocha.
    A dor de Eben revela-se de natureza obsessiva e espectral. Ele partilha a convicção de que o espírito da sua mãe continua sem paz, pairando junto ao fogão da cozinha, incapaz de descansar na cova devido às injustiças sofridas em vida. Movido por um desejo de vingança implacável, o jovem jura fazer com que o pai pague pelos seus atos para que a mãe possa finalmente repousar. A conversa desvia-se então para a enigmática partida de Ephraim na primavera, com Simeon a recordar o comportamento altivo do pai, que partiu em busca de uma mensagem divina ostentando um riso desdenhoso de mula e garantindo com desdém que viveria cem anos, ordenando aos filhos que regressassem ao arado.
    O apelo da Califórnia volta a acender a imaginação dos irmãos mais velhos, que lamentam o absurdo do esforço inútil acumulado naquelas terras ingratas, afirmando que os passos dados a lavrar seriam suficientes para chegar à Lua. Eben, contudo, confronta-os friamente com a realidade, acusando-os de estarem presos à quinta apenas à espera da morte do pai para garantirem a herança. Quando Simeon reclama o direito de ambos a dois terços da propriedade, Eben levanta-se num sobressalto de fúria e declara que a quinta pertencia legitimamente à sua mãe e que, por isso, é inteiramente sua. Simeon desafia-o, com ironia, a proferir tais palavras diretamente ao patriarca quando este regressar, e a tensão abranda temporariamente quando os irmãos mais velhos saem para as tarefas da noite no estábulo.
    Ficando sozinho, Eben sente uma força e uma revolta incontroláveis a crescerem no seu peito, decidindo sair para caminhar pela estrada. Ao perceberem que o destino do jovem é a aldeia para visitar a prostituta Min — a quem Peter apelida desdenhosamente de "Mulher Escarlate" em referência ao estigma puritano —, os irmãos mais velhos começam a troçar dele. A provocação atinge o ponto de rutura quando Simeon e Peter revelam que ambos, bem como o próprio pai, já partilharam os favores sexuais de Min no passado, chamando-lhes ironicamente de "herdeiros em tudo". Enfurecido com a revelação deste incesto simbólico e com a partilha forçada da mesma mulher, Eben bate com a porta e precipita-se para o exterior.
    Na cozinha, os irmãos mais velhos soltam um riso escarninho, comentando que Eben é o retrato escrito e escarrado do pai, antes de apagarem a vela e recolherem ao quarto. No exterior, sob a noite estrelada, Ele ergue os braços num gesto de rebeldia contra o céu e entrega-se a um belíssimo solilóquio lírico e dionisíaco. Contemplando o firmamento, ele liberta o seu desejo e compara Min à própria noite de verão — definindo-a como macia, quente e com o aroma fértil de um campo lavrado —, legitimando a pureza da sua paixão carnal ao afirmar desafiadoramente que o seu pecado tem tanto valor como o de qualquer outro, desaparecendo de seguida a passos largos pela estrada fora.

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