A ação começa ao entardecer de um dia de início de verão, em 1850, numa quinta isolada na Nova Inglaterra. No centro do palco, ergue-se a casa de lavoura da família Cabot: uma habitação cinzenta, visivelmente negligenciada e a precisar de pintura, com persianas verdes desbotadas. O espaço é delimitado à frente por um rígido e austero muro de pedra com um portão de madeira ao centro.
Dominando toda a paisagem, dois ulmeiros colossais de cada lado da casa estendem os seus ramos sobre o telhado, exercendo uma presença quase humana, sufocante e de uma "maternidade sinistra", que parece ao mesmo tempo proteger e subjugar a habitação com uma força ciumenta e esmagadora.
O jovem Eben Cabot, de 25 anos, caracterizado por um olhar selvagem e desafiador de um animal encurralado, sai à porta e toca vigorosamente o sino do jantar. Ao olhar para o pôr do sol brilhante, deixa-se levar momentaneamente pela sensibilidade e exclama: "Deus! Que belo!". Logo a seguir, contudo, a sua amargura e revolta regressam; cospe no chão com desprezo e volta para o interior da cozinha.
Os seus meio-irmãos mais velhos, Simeon e Peter, aproximam-se da casa cansados do trabalho bruto na terra. Ambos também contemplam a beleza dourada do entardecer, mas projetam nela os seus desejos íntimos. Para Simeon, o brilho dourado evoca a memória da sua falecida esposa, Jenn, que tinha cabelos loiros como o ouro; para Peter, o pôr do sol representa o ouro literal recentemente descoberto na Califórnia.
Os dois irmãos mais velhos debatem o seu futuro na quinta. Discutem se devem continuar a trabalhar arduamente naquelas terras cheias de pedras à espera que o pai de 75 anos morra — sabendo que o velho se gaba de que ainda viverá muito tempo — ou se devem partir rumo ao Oeste para enriquecer. Eben, ouvindo a conversa a partir da janela da cozinha, intervém com raiva, afirmando que gostaria que o pai estivesse morto e acusando-o de ter matado a sua mãe de tanto trabalhar, chamando-os de seguida para a refeição.
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