Esta cena decorre numa sala no castelo de Pórcia, em Belmonte. A ação inicia-se com Nerissa a ordenar a um criado que corra rapidamente a cortina que esconde os três cofres, uma vez que o Príncipe de Aragão já realizou o juramento obrigatório e prepara-se para efetuar a sua escolha, ouvindo-se em seguida o som solene de clarins. Entram então Pórcia, o príncipe e as respetivas comitivas. A jovem recorda de imediato ao pretendente as regras do desafio: o casamento celebrar-se-á se ele escolher o cofre que contém o seu retrato, mas, caso falhe, ele terá de partir sem proferir uma única palavra. O príncipe aceita as regras e recorda as três rigorosas condições impostas pelo seu juramento: nunca revelar a ninguém qual foi o cofre escolhido, nunca mais pedir nenhuma mulher em casamento se falhar o teste e abandonar o castelo imediatamente.
Ao iniciar a avaliação das opções, o Príncipe de Aragão rejeita prontamente o cofre de chumbo, cujo letreiro avisa que quem o escolher deve atrever-se a muito, argumentando que o metal grosseiro não é atraente o suficiente para o fazer arriscar. Ao ler a inscrição do cofre de ouro, que promete dar a quem o escolher o que muitos desejam, o príncipe rejeita-o com manifesto desdém intelectual. Ele argumenta que a palavra "muitos" designa a multidão ignorante e o vulgo que se deixa enganar pelas aparências visuais e que, tal como as andorinhas, constrói os seus ninhos no exterior das paredes, sem proteção contra as intempéries. Recusando misturar-se com as massas vulgares, ele passa para o cofre de prata, que promete dar a quem o escolher aquilo que merece. Fascinado por esta frase, o príncipe reflete demoradamente sobre a importância do mérito pessoal, lamentando que na sociedade muitas honras, riquezas e cargos sejam frequentemente distribuídos por corrupção e compadrio, em vez de serem devidos ao verdadeiro merecimento de quem os recebe. Convencido de que a sua própria fidalguia, fortuna e qualidades pessoais o tornam inteiramente merecedor da mão de Pórcia, o príncipe escolhe a prata e pede a chave para abrir a urna.
Ao abrir o cofre de prata, Aragão depara-se com uma enorme desilusão: no interior encontra apenas o retrato de um idiota a piscar o olho, que segura um manuscrito. Chocado e profundamente ofendido, o príncipe questiona se aquela imagem tola é de facto a recompensa que merece, ao que Pórcia responde com serenidade que ninguém pode ser simultaneamente juiz e parte no seu próprio julgamento. Ao ler os versos contidos no papel, o príncipe depara-se com uma advertência de teor moral: assim como a prata é testada e temperada sete vezes no fogo, também o julgamento humano deve ser submetido à sabedoria. O texto explica que muitos homens, cegos pelas aparências e ilusões, tomam as sombras pela verdadeira felicidade e que, apesar de parecerem valiosos e prateados por fora, são tolos por dentro. Reconhecendo com amargura que a sua permanência apenas o fará parecer ainda mais estúpido do que quando chegou, o príncipe despede-se de Pórcia e retira-se com a sua comitiva, contendo a custo a sua cólera.
Após a partida do pretendente, Pórcia comenta de forma irónica que a mariposa acabou por queimar as asas na luz, criticando estes homens intelectuais que, ao tentarem usar o juízo de forma tão calculada e racional, acabam inevitavelmente por perder. Nerissa concorda, citando o provérbio de que o casamento e o destino final de cada um são traçados no Céu, e Pórcia pede-lhe que volte a fechar a cortina. O ambiente de frustração é subitamente quebrado com a entrada de um criado que anuncia entusiasticamente a chegada à porta de um jovem veneziano que serve de mensageiro para o seu senhor. O criado descreve o recém-chegado com rasgados elogios, destacando os seus cumprimentos polidos e os presentes riquíssimos que traz, comparando a sua chegada alegre ao anúncio da primavera em pleno mês de abril. Divertida com o exagero do criado, Pórcia pede-lhe que pare de elogiar o visitante para que não se descubra que é seu parente, demonstrando impaciência e curiosidade por conhecer este gracioso mensageiro. A cena e o ato terminam com Nerissa a exprimir o desejo secreto de que o senhor deste belo enviado seja Bassânio, retirando-se todas as personagens do palco.
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