Português: Resumo da cena VI do ato II de O Mercador de Veneza

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Resumo da cena VI do ato II de O Mercador de Veneza

    Esta inicia-se no mesmo local das cenas anteriores, na rua diante da casa de Shylock, com a chegada de Graciano e Salarino mascarados. Ao perceberem que Lourenço está atrasado, Graciano estranha a demora, comentando que os amantes costumam chegar sempre antes da hora marcada. Salarino reflete que as pombas de Vénus voam muito mais depressa para selar novos laços de amor do que para manter um compromisso já assumido. Graciano concorda e desenvolve o raciocínio através de várias metáforas sobre o desejo humano, notando que o empenho em obter algo é sempre superior ao esforço de o conservar. Ele compara este apetite ao de um convidado que se levanta de um banquete, ao cansaço de um cavalo que percorre uma rota enfadonha já trilhada, ou a um navio vistoso que larga alegremente da baía com as suas bandeiras coloridas e regressa mais tarde destruído, desgastado e arruinado pela força do vento.
    A conversa é interrompida com a chegada de Lourenço, que se desculpa pelo atraso atribuindo-o aos seus múltiplos afazeres. Ele promete aos amigos que terá igual paciência quando chegar a vez de eles raptarem as suas respetivas esposas. Dirigindo-se à habitação de Shylock, a quem chama de futuro sogro, Lourenço chama por Jéssica. Esta aparece à janela disfarçada de pajem e, cautelosa, pede-lhe que confirme a sua identidade em voz alta. Após Lourenço se declarar e de ambos trocarem juras de amor mútuo, a jovem atira-lhe um cofre bem recheado de valores.
    A jovem confessa sentir uma enorme vergonha por se encontrar vestida com roupas masculinas de pajem, comentando que o amor é cego e impede os amantes de verem as suas próprias loucuras; caso contrário, o próprio Cupido coraria ao vê-la assim metamorfoseada. Lourenço pede-lhe que desça rapidamente para assumir o papel de porta-archote da mascarada, mas Jéssica hesita, receando que a luz ilumine ainda mais a sua vergonha quando o seu desejo era permanecer o mais oculta possível. Lourenço assegura-lhe que o disfarce de pajem é suficiente para a encobrir e apressa-a, lembrando que a noite está prestes a terminar e que ainda devem comparecer ao banquete de Bassânio. Jéssica concorda e retira-se da janela para ir trancar as portas da casa e recolher o máximo de ducados que conseguir antes de descer.
    Enquanto esperam que Jéssica saia à rua, Graciano elogia-a entusiasticamente, declarando que ela é um encanto e não uma judia. Lourenço jura solenemente o seu amor sincero por ela, descrevendo-a como uma mulher sensata, séria e bela, cujas virtudes provadas a tornam merecedora de todo o afeto da sua alma. Jéssica junta-se finalmente ao grupo na rua e Lourenço insta à partida imediata, referindo que os restantes companheiros mascarados já os aguardam. O casal e Salarino retiram-se apressadamente.
    Logo após a saída do grupo, António surge em cena e encontra Graciano sozinho. Num tom severo, António repreende-o pelo atraso, informando que já são nove horas e que a mascarada foi cancelada. Ele explica que o vento se tornou favorável para a viagem e que Bassânio está prestes a embarcar, tendo inclusive enviado vinte homens à procura de Graciano para que este se apresse. A cena encerra-se com a satisfação de Graciano, que afirma que nada deseja mais do que partir nessa mesma noite e navegar pelo mar, retirando-se ambos apressadamente.

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