Português: Resumo da cena VIII do ato II de O Mercador de Veneza

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Resumo da cena VIII do ato II de O Mercador de Veneza

    A oitava cena do segundo ato desenrola-se numa rua de Veneza, onde Salarino e Salânio conversam e partilham as últimas novidades que agitam a cidade. Salarino começa por confirmar que assistiu à partida de Bassânio na companhia de Graciano, assegurando que Lourenço não embarcou com eles. Salânio relata então que Shylock, completamente fora de si, acordou o Doge com os seus gritos para que fosse feita uma busca imediata ao navio de Bassânio. Contudo, a diligência foi tardia, pois a embarcação já tinha largado, embora o Doge tenha sido entretanto informado de que Lourenço e Jéssica tinham sido avistados juntos numa gôndola, e de que o próprio António afiançara que o jovem casal de namorados não seguia a bordo daquela nau.
    Salânio descreve de seguida a fúria confusa, violenta e estranha de Shylock, que percorria as ruas a gritar de forma desorientada pela perda da filha e dos seus bens, clamando por justiça em nome da lei e lamentando o roubo de sacos de ducados e de diamantes raros e preciosos por parte de um cristão, enquanto um grupo de rapazes o perseguia em algazarra, imitando e escarnecendo dos seus lamentos. Este comportamento vingativo de Shylock faz com que Salânio alerte para a necessidade de António ser extremamente pontual no dia do vencimento da sua fiança, temendo que o mercador venha a pagar por toda esta situação.
    O receio adensa-se quando Salarino recorda uma conversa que tivera no dia anterior com um francês, o qual lhe revelara o naufrágio de uma preciosa embarcação no canal que separa a França da Inglaterra; a notícia fizera Salarino temer imediatamente pela frota de António, pelo que Salânio sugere que partilhem este rumor com o amigo de forma muito cautelosa para não lhe causar aflição desnecessária. A conversa culmina numa sentida homenagem à nobreza de caráter e à capacidade de amizade de António, com Salarino a descrever a despedida altamente emocional entre o mercador e Bassânio, na qual António, com os olhos rasados de lágrimas, instou o amigo a não apressar o seu regresso nem a descurar os seus negócios românticos por sua causa, pedindo-lhe que mantivesse o espírito alegre e focado na sua amada sem se deixar ensombrar pelo compromisso assumido perante o judeu. A cena encerra com Salânio a reconhecer que António vive quase exclusivamente para o seu amigo, propondo que ambos vão ao seu encontro para tentar arrancá-lo à profunda melancolia que parece dominá-lo.

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