• o
travessão: —
• a
meia-risca: –
• o
hífen: -
• o
underscore: _
A meia-risca pode ser usada em substituição
do travessão, por decisão editorial.
O hífen só pode ser usado para
substituir o travessão quando não há outra solução ou em textos muito informais
(por exemplo, uma conversa por SMS ou no WhatsApp).
O underscore é usado
exclusivamente no âmbito informático.
3. Quando se escreve um texto num computador, há diversas
hipóteses para inserir o travessão:
a) usar as teclas Ctrl-Alt+sinal de menos (-) (no teclado
numérico);
b) clicar em Inserir, Símbolo, Mais Símbolos, Carateres Especiais
(caso não tenha teclado numérico); depois, copiar o travessão e aceder à janela
da correção automática (no menu Ficheiro, Opções, Verificação, Opções de
Correção Automática); nessa janela, inserir a correção automática de «--» por «—»;
sempre que se clicar duas vezes seguidas na tecla do hífen, surgirá um
travessão.
4.1.
Assinalar o diálogo / indicar a fala das personagens:
A Miquelina perguntou:
— Quem era Lito
Sousa?
— Lito Sousa era
um divulgador de aviação — respondeu a tia Gabriela.
4.2.
Substituir a vírgula, destacando a parte isolada:
Mas quando nos
apeámos no pequeno cais branco e fresco — só houve em torno de nós solidão e
silêncio...
Eça de
Queirós, “Civilização
4.3.
Substituir os parênteses, destacando a parte isolada:
Foi então que
apresentou o detetive Joe Kenda — que é muito conhecido.
Foi então que
apresentou o detetive Joe Kenda (que é muito conhecido).
4.4. Substituir os dois pontos (exceto no diálogo),dando maior
destaque ao que se segue:
(...) e aí
depusemos melancolicamente o que nos ficara de trinta e sete malas — os paletós
alvadios, uma bengala e um Jornal da Tarde.
4.5. Destacar
uma parte da frase que não levaria outro tipo de pontuação:
Foi nesse momento
que deparou com o assassino do Zodíaco — e desatou a tremer.
4.6.
Definir ou explanar uma ideia:
Saudade — nome
que diz a permanência do perdido.
4.7.
Introduzir uma conclusão, equivalendo aos dois pontos:
E ainda hoje
naquela ilha, que se chama agora S. Miguel, existe esse lugar maravilhoso e com
aquele nome — as Sete Cidades.
4.8. Delimitar (travessão duplo) o início e o fim da fala do
narrador, quando intercalada no discurso de uma personagem:
— Há de vir aí um
artista — prometeu-me Ema. — Você verá o entusiasmo dele. Um mundo sem arte
seria absurdo.
5. O uso do travessão
depende muito do estilo de quem escreve.
O cão do meu vizinho
é irritante — mas o meu não.
Tudo isto quer
dizer apenas uma coisa — o travessão é um sinal muito flexível na língua
portuguesa.
6. De acordo com o professor Marco Neves (Pontuação em
Português, p. 79), “Há uma sucessão de sinais parentéticos constituída pelo
travessão, parênteses e vírgula. O travessão dá um maior destaque à expressão
parentética:
Foi então que
chegou o João — que é o meu melhor amigo.
Foi então que
chegou o João (que é o meu melhor amigo).
Foi então que
chegou o João, que é o meu melhor amigo.
7. “Quando usamos os parênteses, é perfeitamente possível (e, por
vezes, obrigatório) usar uma vírgula a seguir.
Se não usarmos a
vírgula depois do travessão (o que fica ao nosso critério), estaremos a irritar
algumas pessoas. Mas, se a usarmos, também...
Ora, no caso do
travessão, temos dois ussos distintos: há quem use essa vírgula e há quem veja
na vírgula um excesso, pois o travessão também tem o valor de vírgula.
Aconselho o uso da vírgula, por analogia com a possibilidade de usar uma
vírgula após os parênteses.
Se usarmos a
vírgula depois do travessão — o que fica ao nosso critério —, estaremos a
irritar algumas pessoas.
Se não usarmos a
língua depois do travessão — o que fica ao nosso critério — estaremos a irritar
outras pessoas.”
8. Por regra, a meia-risca é uma alternativa ao travessão.
Contudo, pode ser usada para ligar dois elementos. Neste caso, não deixamos qualquer
espaço antes nem depois da meia-risca:
O jogo Portugal–Noruega
terminou 2 a 1.
O percurso Vilar
Formoso–Aveiro demorou duas horas e meia.
Horário do exame:
9h–11h.
O mais habitual
nestes casos, porém, é usar o hífen.