Ode ao Sacrificado dos 255 Euros
À glória de Cristiano, o fugitivo da seleção
Ó tu, Ronaldo, astro reluzente,
Que fizeste tremer balizas e bancadas,
Que tens o mundo inteiro à tua frente
E as redes pelos teus pés conquistadas!
Abandonaste a seleção concentrada,
Fugiste ao dever, ao plano e à refeição;
Mas eis que a lei proençal, de espada levantada,
Te aplicou duzentos e cinquenta e cinco — que punição!
Ó terrível castigo! Ó golpe desumano!
Que rombo nas finanças do capitão!
Talvez tenhas de jogar mais um ano
Para recuperar a perda de tão colossal quinhão!
A Federação, firme na sentença,
Proclamou: «Aqui ninguém é especial!»
E tu pagarás, com sublime indiferença,
O preço de um jantar banal.
Cantemos, pois, o feito extraordinário,
A multa que abalou o futebol mundial:
Há quem abandone o posto e vá ao confessionário;
Ronaldo paga 255 e grita: «Que ataque figadal!»
Proença, de peito feito e ar majestoso,
Fez-se severo e rigoroso justiceiro;
Multou Ronaldo com ar sulfuroso,
Mas que grande pantomineiro!