Português: Pontuação
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sábado, 26 de julho de 2025

Listas

1.         As listas dispostas em várias linhas permitem organizar enumerações, tornando o texto mais claro e acessível para o leitor.
 
2.         Habitualmente, existem três tipos de listas:

. os fragmentos (palavras ou expressões), sem um início de frase;

. uma só frase distribuída em várias linhas;

. várias frases completas.

 
3.         Exemplo de uma lista de fragmentos:

. Lista de compras:
- Batatas
- Cebolas
- Arroz
- Azeite
- Gelatina
- Melão
- Bananas
Este tipo de lista não necessita de pontuação no final de cada elemento, todavia é possível usar o ponto e vírgula (exceto no último elemento) ou o ponto a separá-los.
 
4.         Exemplo de uma lista constituída por uma frase distribuída em várias linhas:

. Aprender Matemática requer:
- compreender os conceitos básicos antes de avançar;
- praticar com frequência e regularidade;
- desenvolver o raciocínio lógico;
- aplicar a matemática em situações do dia a dia;
- não ter medo de errar e aprender com os erros.
 
5.         Exemplo de uma lista constituída por várias frases:
. Estas são as razões pelas quais o trabalho em grupo é valorizado na escola:
- Desenvolve-se a cooperação entre os alunos.
- Estimula-se o respeito pelas opiniões dos outros.
- Aprendem-se competências sociais importantes para a vida.
 
6.         Existem ainda listas feitas de vários parágrafos. É o caso de listas de normas. Tomemos como exemplo um artigo numa determinada lei, que é habitualmente constituído por parágrafos numerados e cada parágrafo por alíneas.

Artigo 12.º — Direitos dos trabalhadores-estudantes

1. O trabalhador-estudante tem direito à realização de exames em época especial, nos seguintes termos:

a) Deve apresentar atempadamente o seu comprovativo de matrícula;

b) A marcação da época especial deve ser feita de comum acordo com a entidade empregadora;

c) O número de exames não pode exceder o estipulado pelo regulamento da instituição de ensino.

2. O trabalhador-estudante tem direito à dispensa de serviço para a frequência de aulas, desde que:

a) As aulas decorram em horário coincidente com o horário de trabalho;

b) A entidade empregadora seja previamente informada do horário letivo;

c) A frequência seja devidamente comprovada pela instituição de ensino.

3. Para efeitos de justificação de faltas, o trabalhador-estudante deve apresentar:

a) Declaração comprovativa da atividade académica;

b) Prova documental da realização de provas ou frequência de aulas obrigatórias.
 
7.         Para organizar listas, usam-se sinais próprios (travessão, hífen, pequeno círculo, etc.), números (conjugados ou não com sinais de pontuação) ou letras – as chamadas alíneas (com um ou dois parêntesis ou outro sinal de pontuação):
-> •, -, –, etc.
-> a), (a), A), (A), a., A., a, A
-> 1), 1., (1), 1, i., I., i, I, etc.
 
8.         Numa lista, podem existir vários níveis, com sublistas dentro de cada elemento.

1. Primeiro elemento da lista

a) Primeira alínea do primeiro elemento.

b) Segunda alínea do primeiro elemento.

2. Segundo elemento da lista

a) Primeira alínea do segundo elemento.

b) Segunda alínea do segundo elemento.

 
9.         Se uma lista for constituída por uma frase, esta deve ser escrita como se não estivesse em forma de lista:

. Falar bem implica:
·         exprimir-se corretamente oralmente;
·         estruturar bem o discurso;
·         apresentar argumentos e exemplos adequados ao tema.
 

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Os espaços entre palavras

1.         Na opinião do professor Marco Neves, o espaço entre palavras constitui o primeiro elemento do sistema de pontuação.

 

2.         Mais: acrescenta que «o espaço, a vírgula e o ponto são os três sinais» de pontuação fundamentais em diferentes níveis:

i) o espaço separa as palavras;

ii) a vírgula separa alguns constituintes da frase;

iii) o ponto separa as frases.

 

3.         O espaço concorre com o hífen e a ausência de sinal, o que faz com que, em determinadas circunstâncias, tenhamos de decidir qual deles usamos, ou seja, um espaço, um hífen ou nada. É o caso do seguinte exemplo:

. água ardente (água que arde – uma água muito quente ou com propriedades que causam ardor);

. água-ardente (forma arcaica da palavra «aguardente», que designa uma bebida alcoólica destilada, como, por exemplo, a cachaça);

. aguardente (palavra que designa uma bebida alcoólica obtida através da destilação, como, por exemplo, a cachaça, o brandy ou o rum).

Esta sucessão marca uma ligação cada vez maior entre as duas partes (aguardente provém do latim aqua ardens, isto é, «água que arde», e originou aguardente, vocábulo que indica a sensação de queimar ao ser bebida). No primeiro caso, os dois sentidos estão bem delimitados (água ardente),mas, no segundo, os dois conceitos criam um novo conceito, sem que desapareçam os dois conceitos originais, enquanto, no terceiro, a palavra é usada sem necessariamente se pensar no sentido das duas partes que a constituem.

Por outro lado, em termos fonéticos, a separação através do espaço e do hífen implica uma acentuação diferente das duas partes («água» é uma palavra esdrúxula, isto é, acentuada na antepenúltima sílaba, ao passo que «ardente» é grave, ou seja, acentuada na penúltima), enquanto a junção das duas palavras numa só dá origem à criação de uma palavra com uma só sílaba tónica («aguardente» é grave: a sílaba acentuada é «den»).

 

4.         A separação de palavras através do espaço é uma convenção dependente do uso. Por exemplo, seria perfeitamente possível fazer da expressão «com certeza» uma única palavra: «concerteza». Tanto é assim que é frequente encontrar pessoas que usam a segunda forma, que, na verdade, não existe, é um erro.

 

5.         Usa-se um espaço a seguir a cada sinal de pontuação, mas nunca antes.

No caso do ponto, do ponto de interrogação e do ponto de exclamação, além do espaço a seguir, como são sinais que finalizam uma frase, implicam o uso de maiúscula inicial na palavra seguinte:

. Acabei a frase. Vou começar uma nova.

. Que dia é hoje? Sexta-feira.

. Está um vento frio durante a noite! Que horror!

 

6.         No caso da vírgula, dos dois pontos e do ponto e vírgula, usa-se igualmente o espaço a seguir a cada um destes sinais, porém, como a frase não termina, usa-se minúscula a seguir:

. Está frio, mas vou vestir calções.

. A informação é a seguinte: acabou a guerra na Ucrânia.

. Esta é uma frase; aquela é outra.

 

7.         Quanto aos parênteses e às aspas, sinais que são usados sempre as pares nas frases, devemos usar um espaço antes do primeiro sinal e outro espaço depois do último sinal(1), exceto se forem seguidos de outro sinal que não seja o travessão(2):

(1) O meu tio (falecido em 2022) chamava-se João.

(2) Vais levar uma palmada no bumbum (ou não).

 

8.         Relativamente ao travessão, usa-se sempre um espaço antes e outro depois:

. A professora Cíntia Chagas dedicou-se aos alunos com alma e coração – uma verdadeira inspiração para todos.

 

Classificação dos sinais de escrita

    O tristemente celebérrimo Dicionário Terminológico (http://dt.dge.mec.pt/) divide os sinais de escrita da seguinte forma:

● o alfabeto (A, B, C...);

● os acentos gráficos (agudo, grave e esdrúxulo);

● os sinais diacríticos (til, cedilha e trema);

● os sinais gráficos (hífen e apóstrofo);

● os sinais auxiliares de escrita (parênteses curvos, parênteses retos, aspas altas, aspas baixas, asterisco, cardinal, barra oblíqua e chaveta);

● os sinais de pontuação (ponto, ponto de interrogação, ponto de exclamação, dois pontos, vírgula, ponto e vírgula, reticências e travessão).
 

Função da pontuação

1.ª)        A pontuação ajuda a ler.

De acordo com Marco Neves (Pontuação em Português, Guerra & Paz, pp. 17 ss.):

● como sistema fonético, a pontuação ajuda a ler em voz alta, isto é, auxilia a entoar o texto;

● como sistema gramatical, ajuda a ler em voz baixa, ou seja, auxilia a compreensão do texto;

● como sistema pragmático.

Atualmente, a pontuação é usada sobretudo como sistema gramatical e pragmático, com resquícios da lógica fonética. Apesar de, inequivocamente, ajudar a ler em voz alta (por exemplo, a entoar uma interrogação ou uma exclamação), a pontuação segue em grande medida uma lógica gramatical.

O que é que significa a última informação? Por exemplo, diz a gramática que o sujeito não se separa por vírgula do predicado, daí que, quando lemos em voz alta e fazemos uma pausa a seguir a um sujeito longo, na escrita não inserimos aí uma vírgula, porque tal é gramaticalmente incorreto. Quer isto dizer que a vírgula pode ser entendida como uma pausa, porém essa não é a sua função principal, antes a de tornar mais clara a estrutura da frase.

 

2.ª)        A pontuação ajuda igualmente a escrever.

Por exemplo, quando escrevemos, a necessidade de pontuar o texto leva aquele que escreve a pensar na sua divisão em parágrafos, na estrutura que vai dar à frase, no que vai escrever e como o vai fazer, etc.

 

3.ª)        A pontuação é um sistema.

Quer isto dizer que os sinais podem ser usados de modo diverso e com efeitos diferentes. Por exemplo, quando queremos isolar uma expressão / oração intercalada na frase, podemos usar a vírgula, o travessão ou os parênteses. Por outro lado, a pontuação serve-se das diferenças entre os vários sinais. Em certos casos, somos obrigados a usar um determinado sinal de pontuação; noutros podemos socorrer-nos de vários, com efeitos diferentes, além de haver outros que suscitam dúvidas sobre que sinal usar.

 

4.ª)        Mas palavras do professor Marco Neves, “A pontuação é um sistema ligado a cada tradição linguística, por vezes com diferenças entre diferentes países que usam a mesma língua”. Além disso, a pontuação vai variando ao longo do tempo e, por outro lado, “um sistema pessoalíssimo”. Por exemplo, José Saramago, na vasta maioria da sua obra, faz um uso da pontuação bem diferente do comum dos portugueses que escreve com o mínimo de correção. Ora, quando cada pessoa escreve, cria uma «voz própria», aquilo que chamamos estilo.

sábado, 19 de julho de 2025

A origem da pontuação

1.            Os povos mais próximos de quem herdamos muito do que é o nosso modo de vida, a cultura, a língua, etc., escreviam de forma bem diferente da que hoje usamos.

                De facto, os Gregos escreviam sem espaços entre as palavras, sem pontuação, sem qualquer diferente entre minúsculas e maiúsculas, ou seja, dispunham as letras ininterruptamente, umas atrás das outras:

HOJEÉSÁBADOEESTÁMUITOVENTOOCALORABRANDOUPORALGUNSDIASMASDEVEVOLTAREMFORÇANOSPRÓXIMOSDIAS

                No entanto, foi na Grécia Antiga que surgiram os primeiros sinais de pontuação que conhecemos, porém não passaram de experiências pessoais, provavelmente para facilitar o processo de leitura, que não vingaram na época e, portanto, não se tornaram norma. Tanto quanto se sabe, o sistema mais importante e conhecido foi o criado por Aristófanes de Bizâncio, um gramático, filólogo e bibliotecário grego, nascido por volta de 257 a.C. e falecido por volta de 180 a.C., conhecido pelo seu trabalho na Biblioteca de Alexandria. Aristófanes foi um dos primeiros estudiosos a realizar edições críticas de obras literárias, especialmente de poetas como Homero, Hesíodo e os trágicos gregos. Além disso, desenvolveu um sistema de acentuação e sinais diacríticos (como os acentos agudo, grave e circunflexo) para o grego, ajudando os leitores a pronunciar corretamente as palavras. Também introduziu sinais de pontuação primitivos a apontar diferentes pausas nos textos para facilitar a leitura em voz alta. Além disso, ajudou a organizar e categorizar obras literárias na Biblioteca de Alexandria, separando-as por gêneros e autores. Esse trabalho foi fundamental para preservar muitos textos antigos.

 

2.            Os Romanos atuaram de forma muito semelhante aos Gregos. Por exemplo, um dos maiores escritores latinos – Cícero (106 – 43 a.C.) – considerava que a pontuação era uma cedência indesculpável ao facilitismo. Não obstante, num ou noutro texto, encontramos um ponto a meio da linha a dividir as palavras. Seja como for, que Gregos quer Romanos utilizaram a chamada escrita contínua.

 

3.            Na Idade Média, os monges das ilhas britânicas começaram a pontuar os textos latinos que liam, visto que o inglês antigo que falavam então era muito diferente do latim  e nem todos possuíam conhecimentos suficientes da língua romana para os ler sem estarem pontuados. Note-se que, na época, os monges comiam enquanto ouviam leituras da Bíblia, que deveriam ser expressivas e sem falhas. Se quem lia cometesse algum erro ou alguma falha durante a leitura, seria castigado.

                Convém ter presente que a conexão entre a leitura, a pontuação e o domínio do sagrado eram anterior àquele tempo. De facto, Santo Agostinho (teólogo e filósofo, nascido em 354 d.C. e falecido em 430) defendera já nos séculos IV e V a necessidade de pontuar os textos sagrados, de modo a conservar o sentido da Bíblia.

 

4.            O facto referido no ponto 3 mostra que a pontuação estava ligada à leitura em voz alta, todavia, com a passagem do tempo, a leitura silenciosa foi ganhando espaço, pelo que a pontuação permitiu que essa as frases se tornassem mais claras e mais fáceis de ler em silêncio.

 

5.            Quem sabia ler e quem possuía hábitos de leitura ganhou consciência da importância e utilidade da pontuação, pelo que esta se foi espalhando pelo continente europeu. Assim, quando surgiu a imprensa na Europa, cerca de 1439, graças a Gutenberg (o seu inventor terá sido um chinês chamado Bi Sheng no ano de 1040), a pontuação começou lentamente a generalizar-se.

                Este processo enfrentava, porém, um constrangimento. Com efeito, não havia regras mais ou menos definidas para pontuar um texto, como sucede hoje em dia. Cada autor, cada revisor, cada editor ou ada tipografia pontuava os textos ao seu «gosto», o que naturalmente gerava uma grande confusão e incoerência.

                Com o avançar do tempo, o hábito de pontuar os textos foi-se enraizando e a pontuação, embora continuasse a ser bastante flexível, foi ganhando alguma ordem e coerência.

 

6.            Cada sinal de pontuação tem uma origem e história definidas. O sistema criado pelo já citado Aristófanes de Bizâncio usava um ponto superior para marcar uma pausa significativa, um ponto a meio da linha para marcar uma pausa menos prolongada e um ponto na parte inferior da linha para marcar uma pausa breve. Este último ponto constituía, portanto, uma espécie de vírgula, embora se situasse no local da fase e da linha onde atualmente usamos o ponto final. Com o tempo, este ponto situado na parte inferior da linha foi o único que sobreviveu dos três referidos.

 

7.            Por sua vez, a vírgula teve a sua origem no uso de barras oblíquas a meio de uma frase para marcar uma pausa: O meu tio faleceu / mas deixou muitas saudades. Aldo Manúcio (um impressor e humanista italiano, fundador da Aldine Press, nascido em Itália, em 1149, e falecido em Veneza, em 1515) diminuiu o tamanho dessa barra e deu-lhe uma forma curvada, pendurando-a na linha.

 

8.            Com a passagem do tempo, outros sinais foram sendo adotados na escrita de textos, enquanto, em simultâneo, outros foram esquecidos. É o caso deste símbolo F, isto é, uma pequena mão (do latim manícula, isto é, pequena mão), que serviu, durante muitos séculos, para apontar partes do texto que interessavam ao leitor. Com o tempo, foi perdendo esse seu valor e, atualmente, é usada como sinal decorativo.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Aspas

     As aspas podem ter dois formatos: baixas ou angulares (« ») ou altas (“ “).
     Elas constituem um sinal auxiliar de escrita que se usa para:
 
1. Assinalar o início e o fim de uma citação / transcrição textual.
Ex.: No poema “Autopsicografia”, a ideia essencial é expressa logo no primeiro verso:   “O poeta é um fingidor.”.
 
2. Destacar o significado ou sublinhar a expressividade de uma palavra ou expressão.
Ex.: Para Luís Filipe Vieira, a palavra “credibilidade” tem um significado muito próprio.
 
3. Indicar títulos de poemas, de artigos ou de contos pertencentes a uma obra.
Exs.:
▪ “Viagem” é o meu poema preferido de Miguel Torga.
▪ Já li “O mito em Miguel Torga”, um artigo sobre o poeta.
▪ O meu conto predileto de Miguel Torga é “O Tesouro”.
 
4. Citar o nome de artigos de jornais, de revistas, de congressos.
Ex.: O jornal “Record” afirma que Cavani já não vem.
 
5. Assinalar palavras ou expressões estrangeiras (empréstimos).
Ex.: O meu “drink” é muito fraco.
 
6. Destacar palavras ou expressões que fogem ao uso habitual (porque já não se usam, ou então são muito recentes, por pertencerem a um registo de língua diferente do que o emissor está a utilizar).
Ex.: Miquelina, “gramo-te” imenso!
 
7. Delimitar falas do discurso direto (processo equivalente ao do travessão como identificador dessa forma de discurso).
Ex.: “Que dia é hoje, Laura Palmer?”
 
8. Assinalar um monólogo interior.
Ex.: Fernão suspirou: “É este o preço de ser incompreendido”, pensou. “Ou nos chamam Diabo ou nos chamam Deus.”
 
 
NOTAS:
 
1.ª) Com alguma frequência, o que é colocado entre aspas pode ser substituído pelo uso do itálico.
Ex.: O meu drink é muito fraco.
 
2.ª) As aspas altas colocadas por baixo de uma palavra ou expressão evitam a sua repetição.
Ex.: A Miquelina já faleceu.
 “             “ era boa senhora.
 “             “ era minha vizinha.
 
3.ª) A pontuação coloca-se antes da aspa de fecho quando a frase delimitada é completa e fica inteiramente abrangida pelas aspas.
Ex.: O meu pai exclamou: “Amo-te, meu filho!”
Caso a frase não esteja completa, a pontuação é colocada a seguir à aspa de fecho.
Ex.: O Ernesto diz, sempre que bebe, que “o vinho é vida”, o que faz rir os amigos.
 
4.ª) Quando se faz a citação de versos e não é possível respeitar a sua disposição no poema, separam-se através de uma barra e mantém-se a maiúscula na palavra inicial).
Ex.: “O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.” (“Autopsicografia”, Fernando Pessoa)
 

4. Período

     O período é cada uma das partes constituintes de um parágrafo. É formado por frases simples ou complexas, podendo ser delimitado por ponto, ponto de exclamação, ponto de interrogação ou reticências.
     O exemplo seguinte apresenta um parágrafo constituído por três períodos:
 

     Está-me a doer ter indicado um aluno, aí para trás, duas vezes pelo número. Justifica-se a coisa até certo ponto: não assinou o exercício e eu de momento não calculei quem fosse. Agora, por exclusão de partes, já sei que é o Jacob. (Diário, de Sebastião da Gama)

 

3. Parágrafo

1.         Um texto pode apresentar diferentes divisões, dependendo muito do tipo de que estamos a falar. Por exemplo, Os Maias dividem-se em capítulos; um relatório, em secções e subsecções; uma lei, em artigos, números, alíneas, etc. Seja como for, há uma divisão que se aplica a toda a tipologia textual: os parágrafos.
 
2.         Cada parágrafo compreende uma unidade de sentido, podendo ser constituído por uma única frase ou por várias. De qualquer modo, os parágrafos de um texto curto (opinião, apreciação crítica, expositivo, etc.) devem possuir uma extensão semelhante entre si.
 
3.         O parágrafo é um bloco de texto formado por uma ou mais frases, com sentido completo e unidade entre as várias partes que o constituem. Tem como função ser um guia visual da organização lógica do texto, facilitando a sua leitura e interpretação.
 
4.         Atualmente, a divisão de parágrafos compreende basicamente dois estilos:

i) Um novo parágrafo implica mudar de linha e iniciar a seguinte com um pequeno avanço. Neste caso, não deve ser deixada uma linha em branco entre os parágrafos. Este estilo é característico de livros e documentos impressos.

ii) Um novo parágrafo separa-se do anterior através de uma linha em branco, sem avanço inicial. Este estilo é usado sobretudo em textos da Internet ou em documentos empresariais.
 
5.         O parágrafo pode ser delimitado por ponto, ponto de exclamação, ponto de interrogação ou reticências.
 
6.         Pode assinalar-se com o sinal § quando se quer referir um parágrafo, numerando-o: § 1; § 3.
 
7.         O símbolo ¶ representa a divisão entre parágrafos. Em português, chama-se «pé-de-mosca» ou «caldeirão». No Word, se ativarmos a função “Mostrar tudo” (ou “Apresentar marcas de formatação”, nalguns sistemas), surge este símbolo no final de cada parágrafo). Por outro lado, ao longo dos séculos, na composição de alguns livros, o símbolo serviu para marcar divisões do texto em secções maiores do que a frase.
 

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Vírgula I (G 57)


1.      Identifique as frases em que existe um erro de pontuação relacionado com o uso da vírgula.
(A)   Ontem, o João disse-me que os seus amigos, vêm à festa de aniversário.
(B)   José, convidaste os teus amigos?
(C)   Se todos os alunos estudassem como o Pedro, teriam boas notas, sem dúvida.
(D)  No próximo fim de semana, eu e os meus amigos, vamos assistir a uma peça de teatro.
(E)   O assunto que debatemos, levanta muitos problemas.
(F)    O André, depois de tanto esforço, conseguiu realizar o seu sonho.
(G)  Os exercícios que todos consideraram aborrecidos, foram, na verdade, muito importantes para o teste.
(H)  A Ana partirá amanhã para o Porto.
(I)     Depois de teres apresentado o trabalho ontem, deves sentir-te mais aliviado.

2.      Assinale a(s) opção(ões) que permite(m) completar corretamente a afirmação que se segue.
Nas frases apresentadas anteriormente, os erros de pontuação resultam da não observância de uma regra segundo a qual
(A)   os elementos essenciais da frase — como o sujeito e o predicado — não podem ser separados por vírgula.
(B)   o vocativo surge sempre no início da frase, sendo isolado por vírgula.
(C)   o verbo que introduz o predicado nunca é antecedido de vírgula.
(D)  a vírgula isola orações subordinadas adjetivas relativas restritivas.

3.      Identifique, em cada grupo, a frase em que a vírgula é utilizada corretamente.

3.1. Grupo A
(A)   Os vários cargos que Vieira desempenhou ao longo da sua vida, revelam a sua inteligência e a sua visão. 
(B)   Os vários cargos que Vieira desempenhou ao longo da sua vida revelam a sua inteligência e a sua visão.
(C)   Os vários cargos, que Vieira desempenhou ao longo da sua vida revelam a sua inteligência e a sua visão.

3.2. Grupo B
(A)   A intenção de Vieira na elaboração de cada sermão, espelha-se na mobilização de instrumentos retóricos.
(B)   A intenção de Vieira, na elaboração de cada sermão espelha-se na mobilização de instrumentos retóricos.
(C)   A intenção de Vieira, na elaboração de cada sermão, espelha-se na mobilização de instrumentos retóricos.

3.3. Grupo C
(A)   Os homens são, na verdade, o grande alvo do orador que os descreve de forma bastante crítica.
(B)   Os homens são, na verdade, o grande alvo do orador, que os descreve de forma bastante crítica.
(C)   Os homens são, na verdade, o grande alvo do orador que, os descreve de forma bastante crítica.

3.4. Grupo D
(A)   No Sermão de Santo António aos peixes, os recursos expressivos estão ao serviço da mensagem que se pretende transmitir.
(B)   No Sermão de Santo António aos peixes, os recursos expressivos, estão ao serviço da mensagem que se pretende transmitir.
(C)   No Sermão de Santo António aos peixes, os recursos expressivos estão ao serviço da mensagem, que se pretende transmitir.

3.5. Grupo E
(A)   Os vários ataques que o Padre António Vieira elabora ao longo do sermão revelam, com clareza, o seu olhar crítico sobre a realidade social.  
(B)   Os vários ataques que o Padre António Vieira elabora ao longo do sermão, revelam, com clareza, o seu olhar crítico sobre a realidade social.  
(C)   Os vários ataques, que o Padre António Vieira elabora ao longo do sermão revelam, com clareza, o seu olhar crítico sobre a realidade social. 

3.6. Grupo F
(A)   A estrutura do sermão que estudámos é concebida pelo Padre António Vieira a partir da indicação das propriedades do sal.
(B)   A estrutura do sermão que estudámos é concebida, pelo Padre António Vieira a partir da indicação das propriedades do sal.
(C)   A estrutura do sermão que estudámos, é concebida pelo Padre António Vieira a partir da indicação das propriedades do sal.

3.7. Grupo G
(A)   No capítulo dedicado às virtudes em geral, o Padre António Vieira considera os peixes, dignos de admiração e louvor.
(B)   No capítulo dedicado às virtudes em geral, o Padre António Vieira considera os peixes dignos de admiração e louvor.
(C)   No capítulo dedicado às virtudes em geral o Padre António Vieira, considera os peixes dignos de admiração e louvor.

3.8. Grupo H
(A)   Foram bastante severas, as críticas e as acusações do Padre António Vieira ao seu auditório.  
(B)   Foram bastante severas as críticas e as acusações do Padre António Vieira, ao seu auditório.  
(C)   Foram bastante severas as críticas e as acusações do Padre António Vieira ao seu auditório.


. Correção

domingo, 4 de março de 2018

A vírgula em quatro regras simples

     A vírgula é o sinal de pontuação mais usado pelos portugueses quando escrevem. Quem nunca teve de lutar com um «texto» escrito por um aluno, constituído por mais do que uma dezena de linhas e sem outro sinal de pontuação além da vírgula?

     Isto significa que as pessoas escrevem, genericamente, mal, incluindo aqueles que se 'abalançam' neste espaço. Aqui [vírgula] deixamos um apontamento sobre o uso desse sinal que tão difícil é de usar pela generalidade dos 'escriventes'.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ponto de interrogação ?

                O ponto de interrogação usa-se:

1. No final de uma frase interrogativa direta:
-» Que horas são?

2. Para exprimir dúvida, acompanhado de reticências:
-» Como se escreve “pafúncio”?... Com “c” ou “s”?...

3. Para exprimir surpresa, acompanhado do ponto de exclamação:
-» Que linguagem é essa, meu menino?
Quando estes dois sinais de pontuação surgem combinados, usa-se primeiro o que assinala a entoação predominante: se for interrogativa, faz-se uso do ponto de interrogação antes do de exclamação; se for exclamativa, procede-se de modo inverso.

4. Quando a interrogação coincide com o final do enunciado, a frase seguinte inicia-se por maiúscula:
-» ‑ Que horas são?
‑ São 16 e 20…

5. No entanto, quando a interrogação surge no interior do enunciado, o uso da maiúscula na frase seguinte não é obrigatório:
-» Em primeiro lugar porque estão sempre vermelhos quando tenho pressa e verdes quando não tenho nenhuma, sem falar do amarelo que provoca em mim uma indecisão horrível: travo ou acelero? travo ou acelero? travo ou acelero? acelero, depois travo… (António Lobo Antunes, Livro de Crónicas)

Ponto e vírgula ;

                O ponto e vírgula marca uma pausa mais longa que a vírgula e mais breve que o ponto final.

                Este sinal de pontuação usa-se para:

1. Separar elementos de uma enumeração:
‑ Decorridos alguns dias, D. Rita disse ao marido que tinha medo de ser devorada das ratazanas; que aquela casa era um covil de feras; que os tetos estavam a desabar; que as paredes não resistiriam ao inverno…” (Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição)

2. Separar diversos itens de textos enumerativos (leis, regulamentos, etc.) e / ou uma sequência de alíneas:
‑ 1. Classe do pronome:
1.1. Pronome pessoal;
1.2. Pronome possessivo;
1.3. Pronome demonstrativo;
1.4. Pronome interrogativo.
‑ O aluno tem os seguintes deveres:
a) Ser assíduo;
b) Ser pontual;
c) Transportar consigo o material pedagógico indispensável;
d) Respeitar os demais elementos da comunidade escolar;
e) Zelar pelo bom estado e conservação do material escolar.

3. Separar orações que já se encontram subdivididas por vírgula dentro do mesmo período:
‑ À direita do palco, Quim Barreiros conversa com Ágata; ao centro, Rui Veloso sorri para a foto de António Variações; ao fundo, Lena d’Água cumprimenta Tony Carreira e os filhos…

4. Separar frases ligadas por advérbios conetivos ou locuções adverbiais conetivas dentro do mesmo período:
‑ Sentei-me à secretária; primeiramente abri o computador; de seguida, vi o correio; finalmente completei o relatório. (Zacarias Nascimento, Domínios).
‑ Paulo Fonseca era teimoso, negava a cuspidela de Josué; todavia, acabou por render-se perante as imagens televisivas…

Dois pontos :

                Os dois pontos assinalam uma suspensão na entoação de uma frase inacabada
                Este sinal de pontuação usa-se para:

1. Introduzir a fala de uma personagem / o discurso direto:
» E o pequeno, mais dormente, lá ia murmurando:
‑ Três. Mundo. Diabo e Carne. (Eça de Queirós, Os Maias)

2. Introduzir uma enumeração:
‑ A minha sogra foi à feira e comprou uma tonelada de produtos: arroz, açúcar, batatas, feijões, cebolas, melancias, castanhas…

3. Introduzir uma citação:
‑ Fernando Pessoa escreveu o seguinte verso: “O poeta é um fingidor.”.

4. Introduzir uma explicação:
‑ Eu não estava a perceber, mas o professor explicou-me: o verso significa que o poeta é um criador, um transformador da realidade através da palavra.

5. Introduzir uma explicação apresentada por termos, abreviados ou não:
‑ Nota:
‑ Exemplo:
‑ Ex.:

6. Introduzir o conteúdo da mensagem, a seguir ao vocativo com que o emissor do texto (carta, por exemplo) se dirige ao seu destinatário:
‑ Caro professor:
Peço-lhe, antecipadamente, desculpa pelo atraso da resposta…

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ponto (final) .

                O ponto usa-se para:

1.º) Assinalar o final de uma frase declarativa:
‑ Amei loucamente a Cláudia, mas esse amor chegou ao fim numa tarde de sábado.

2.º) Assinalar o final de uma frase imperativa:
‑ Dá-me esse livro.

3.º) Assinalar uma abreviatura:
‑ Ex.ª
‑ Exa.
‑ Sr.
‑ Sr.ª
‑ Dr.
‑ Dr.ª
                Neste caso, o ponto pode vir seguido de outro sinal de pontuação, se a frase / o texto assim o exigir:
‑ Sr., posso servir o jantar? (neste caso, o ponto da abreviatura vem seguido de vírgula que delimita o vocativo).

4.º) Identificar os capítulos e subcapítulos de um texto, à direita de um número árabe:
‑ 1.
               1.1.

5.º) Assinalar o final de um parágrafo, quando se finaliza uma ideia e se passa para outra.

Pontuação

1. Definição

                A pontuação é o conjunto de sinais gráficos que servem para organizar as frases e os textos, de modo a facilitar a sua leitura e compreensão.

2. Funções

                A pontuação possui três funções:

a. Função prosódica: os sinais de pontuação marcam a entoação, o ritmo e as pausas.

b. Função sintática: os sinais de pontuação permitem organizar e delimitar a(s) frase(s) e separar palavras ou constituintes.

c. Função semântica: os sinais de pontuação fornecem informação relativa ao tipo, à modalidade de frase:
‑ O nosso amor acabou!!! (expressão de uma emoção)
‑ O nosso amor acabou? (dúvida / possibilidade / admiração)
‑ O nosso amor acabou. (certeza)

Bibliografia:
- Dicionário Terminológico;
- Domínios, Zacarias Nascimento et alii

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

J. 2. Pontuação e sinais auxiliares da escrita

1. Sinais de pontuação
          . Ponto final
          . Vírgula
          . Ponto e vírgula
          . Dois pontos
          . Travessão
          . Reticências
          . Ponto de interrogação
          . Ponto de exclamação

2. Sinais auxiliares de escrita
          . Aspas
          . Parênteses curvos
          . Parênteses retos ou colchetes
          . Asterisco
          . Chaveta
          . Barra oblíqua
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